Mostrando postagens com marcador QUINTAS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador QUINTAS. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 26 de maio de 2010

QUINTAS - 9

Marciano Vasques
  


APRENDIZADO 
E DESENVOLVIMENTO 
DO SER
 
 

“Não há uma polegada do meu caminho que não passe pelo caminho do outro”
Simone de Beauvoir

 




Somos palimpsestos de nossa própria história, resultados de camadas sobrepostas, vamos nos escrevendo a partir da vivência com o outro, e o outro é um processo histórico e social, a nos moldar, a interagir em nosso Ser, naquilo que somos, que podemos potencialmente ser.
Um só corpo, uma só mente. O que nos torna universo é a oportunidade de sermos uno, a unidade nos simboliza. Ser uno é uma vertente humana que nos remete a cientistas do pensamento, como Vigotsky, para quem o homem é um ser biológico e social: as duas fontes de ser se entrecruzam, sendo que o ambiente social transforma o imperativo biológico.
Sou como sou porque convivo, porque estou entre eles, porque me faço com o outro, porque não poderei me desenvolver sem a aprendizagem mediada pela convivência com o outro.
As funções psicológicas sofrem uma influência gigantesca do social. Esse é o suporte biológico, a forma de desenvolvimento do Ser, passando pelo outro. Em mim há uma multidão! Mesmo quando estou só, quando me ponho na solidão escolhida, quando acredito na ilusão da solidão, como se em mim não colidissem milhares de gestos, palavras ouvidas, olhares, iniciativas do outro. Aquele que me questiona é o que me fortalece, me aponta a minha própria essência, o que temos em nós que se entrelaça, que nasce na história que construímos, num processo interativo em que prevalece a influência do meio.
Nascido no mesmo ano em que Piaget, Vigotsky deixou-nos uma reflexão de importância ainda considerável em modelos pedagógicos que têm como base a idéia de que o funcionamento psicológico fundamenta-se nas relações sociais e desenvolvem-se num processo histórico.
  Sou o resultado do que a história humana me fez,  produto inacabado que surge da interatividade social. Um processo histórico em ebulição agita - me as águas interiores nas quais navega o ser biológico altamente influenciado e construído pelo fator social: a convivência é o tesouro inseparável da mente humana.
O social que me enquadra, que modela a força da natureza que rege a minha originalidade, prática biológica enquadrada pelo social, eis me diante da multidão, a edificar a criatura que se molda. Qualquer inadequação favorece a indisciplina universal e desarticula as órbitas internas do meu universo.
Mas não sou passivo, um recipiente, assim como um vaso no qual se possa socar a terra até que fique cheio (educar uma criança não é como encher um vaso, mas como acender uma fogueira, Montaigne) . Não sou o vaso solitário, passivo, que aglutina em silêncio as forças que interagem em mim. Sou, ao contrário, aquele que reage e participa do processo que em mim se instala. As forças sociais, a história na qual eu me deixo construir, não são ramificações que me atravessam em vão, não representam forças que atuam sobre uma indefesa vontade, mas eu as construo: sou o que sintetiza o processo de crescimento, que se dá de fora para dentro, não de uma forma passiva, mas com o consentimento meu, e a interação se completa porque eu sou aquele que ousa crescer em conjunto, o que vale dizer, permito – me ao atrevimento de participar da minha própria construção.
Como anterozóides que se lançam em várias direções após a chuva, as matérias das quais me nutro, a vida social em mim, a construção histórica na qual eu me movimento, isso tudo é um processo dinâmico de interação entre o mundo cultural e o subjetivo: mundos que na colisão chamada vida, constroem o Ser.
Todo aprendizado, a cada manhã, olhando entre as frestas do sol, as nódoas entre os verdes das folhas nas quais deslizam vidas reluzentes, fibras num rosto, as maravilhas que o cérebro humano cria, o menino que cruza varetas e salta valetas, os trens, os espantalhos, força da natureza nas águas que se atiram contra os rochedos, os saberes que o acadêmico ergueu, a multidão desprovida que luta ferrenhamente pela vida nas ruas do meu país, os que aparentemente sabem menos, mas enriquecem a vida com suas histórias e seu afazeres delicados; todo aprendizado impulsionando o meu desenvolvimento!
Desenvolvo-me porque aprendo, como sempre aprendi, desde que no cimento frio e liso de uma varanda antiga estendi o roxo de um papel de seda que influenciou para sempre o meu sentido da visão, e com a cola arábica fiz o primeiro balão, que alguém chamou de pião de bico torto, e então a tocha molhada de querosene, e o breu em minhas mãos, sendo por mim socado, enrolado por um pedaço de saco de estopa, e aprendi quando atirava as mamonas e sentia a aspereza numa forma verde, e ganhava a consciência do tato, e quando observava uma joaninha nos verdes que se foram, e como abraçava a felicidade mirando o vermelho das telhas num contraste com um azul confortante, num triângulo que o mesmo telhado já em sombras no final do dia transformava numa das visões gigantescas e indissolúveis do meu desenvolvimento.

Aprendi quando imitava o outro, não mecanicamente, mas assim num processo lúdico de crescimento, na criação de algo novo além de mim, da minha capacidade de compreensão naqueles momentos. Imitava porque crescia e o outro já me fornecia a proximidade com o aprendizado, numa zona de interferência que o meu Ser acatava. O processo de imitação nunca foi algo banalizado em meu desenvolvimento, mas uma força ativa, na qual eu reproduzia para crescer, imitava para ser.
A presença do outro em minha vida deu-se através da história social na qual sempre me movi, o movimento social que interagiu com o meu querer, o aparato social que enquadrou minhas necessidades mais intimas. Ambientes que originalmente transformaram o imperativo biológico que me foi presenteado pela natureza.
Crescer é compartilhar. Léguas e polegadas, distâncias infinitas, uma estrada que termina no horizonte, mas o horizonte é uma ilusão, porque além dele o mundo continua, e a alegria de desenvolver-se com o outro, passando pelos caminhos do outro, há de se tornar sempre a mágica da vida.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

QUINTAS - 8

Marciano Vasques
  

NO DIA EM QUE O ENCONTREI
 
 



Estava vindo quando o encontrei. Dei uma parada e me pus na calçada pra ver a banda e lá estava ele. Num andaime, naquela construção antes da estação do metrô. Colocava, umas sobre as outras, as proparoxítonas.
Estava lá. Nunca pensei que pudesse encontrá-lo assim tão cedo. Aliás, nunca pensei que pudesse mesmo encontrá-lo. Foi um encontro saudável, a melhor coisa que me aconteceu.
Então a vi. Ela também estava lá, na mesma calçada e eu a chamei. Claro que pelo primeiro nome que me veio à mente. Pelo menos pensei que pudesse ser esse o seu nome: Carolina.
Talvez fosse Januária ou Iracema. Cecília? Angélica? Sou meio devagar para guardar nomes.
Já a encontrara antes, pelo menos duas vezes.
Na primeira ela era assim meio bobinha. Ia por uma floresta. Depois de um bom tempo reapareceu com uma fita verde no cabelo. Já estava bem crescida.
E finalmente me apareceu comendo um bolo de chocolate. Quis perguntar o que fazia ali, mas ela responderia o óbvio. Também estava esperando pela banda, ou então o carnaval chegar. Tinha perdido o medo de tudo, e não comia qualquer bolo. Ofereceu-me um pedaço.
Alguma coisa me distraiu, uma ostra, o vento, um zepelim, uma moça com uma tatuagem...

Foi só me distrair e, cadê a menina?
Num instante desapareceu. Tentei segui-la para perguntar um monte de coisas, mas no meio da multidão não encontrei mais nenhuma menina com chapeuzinho.
Não tinha reparado, mas havia uma multidão. Gente de todo tipo, uns lendo um almanaque, outros pelas tabelas, ainda esperando, esperando, esperando...
Perguntei inutilmente para uns curiosos se algum deles tinha visto uma menina assim, mas eles disseram que não tinham tempo para reparar em meninas com chapéus amarelos, mas eu argumentei também inutilmente que essa menina era muito importante e todos precisavam conhecê-la.
Ninguém queria saber, aliás, ninguém prestava atenção em mim. Um sujeito ouvia um rádio de pilha, colado ao ouvido. Do jeito que se movimentava, pareceu-me que ouvia uma dessas músicas assim com éguas.
Acho que essa multidão sempre esteve presente. Comecei a ficar sufocado, querendo sair do meio da multidão, quis gritar que a banda já havia passado, mas senti que ninguém estava esperando pela banda, talvez o sinal ainda estivesse fechado ou estavam esperando acontecer alguma coisa com ele, que continuava pendurado na construção.
Parece que a multidão gosta de ficar olhando para os andaimes lá no alto. O que sei é que a multidão não é muito chegada em olhar para o céu, assim contemplativamente. Isso é fácil de resolver, pensei, bastaria alguém espalhar o boato de que de algumas nuvens jorram moedas.
Achei melhor seguir em frente, para não chegar atrasado. Olhando as vitrines mas procurando não me distrair para não perder a hora.

Passou por mim um sujeito com tipo de malandro oficial e, como se fosse num sonho, quatro animais, cantando...
Era um sonho, sim, só podia ser, mas eu estava com tanta pressa que achei melhor nem pensar nisso. Sonhos ficam pra depois.
Passou uma morena por mim. Outra que está correndo. E olhe só o tamanho da fila do metrô! Perdi a morena de vista. É a coisa mais fácil perder alguém de vista em São Paulo. As pessoas entram nos labirintos e desaparecem. Adeus, morena. De Angola?
Meus caros amigos: sinto que estou ocupando demais o tempo de vocês, mas não podia deixar de contar esse encontro com ele, e com ela, a menina que perdeu os medos, e com as mulheres, todas: a morena, a noiva da cidade, aquela mulher, a Teresina, e outras.
Elas estão em nossas vidas, uma aparece como se fosse a primavera, outra, sob medida, uma nos oferece um amor barato, outra nos deixa injuriado. É assim, compadre, o que seria do seu cotidiano sem a presença da mulher? Mesmo que apenas em sonhos...
Mas, trocando em miúdos, está na hora da gente se despedir, o dia vai começar. Parece que tudo está do mesmo jeito. A gente continua lutando, lutando... e uma dor sempre querendo se hospedar.
No fundo mesmo o que eu queria era contar esse encontro que tive com ele. Um encontro desses faz um bem danado.


quarta-feira, 12 de maio de 2010

QUINTAS - 7 - A SUAVE FORÇA DA POESIA


  

A SUAVE 

FORÇA  
DA 
POESIA



Dia 14 de março é do dia da poesia. Isso significa que março é o mês da sensibilidade, o mês em que se comemora a lapidação da língua, o mês da alma preenchida com o néctar dos versos. Além de ser o mês do Dia Internacional da Mulher, temos o Dia Nacional da Poesia.

A poesia necessária como a água. Infeliz a sociedade que não precisa da poesia ou não sente a sua falta. Pobres os homens que julgam-na inútil. Mal sabem que a poesia genuína está presente na simplicidade da vida e é em cada gesto simples recolhido nas amizades que resistem  e  nos sentimentos que se arrastam que ela despeja a sua voz.

Imprescindível como a filosofia, acena nos mitos e nos desejos dos povos do mundo, nebulosa ressurge no coração de dor encharcado, encontra o seu vigor nos tórax abandonados pelo amor. Camaleônica, nasce das profundezas da alma. Com ela, às vezes, amor tece dores.

Gemidos, solidões e consciências, silêncios, ternuras e vontades espalham-na  como um canavial nas ventanias da vida.

A poesia é feita de palavras de barro, de graxa, de feno e de limo, palavras fortes como pão, incandescentes e feridas, palavras mansas como bálsamos, ternas como arbustos no azul da manhã. Há palavras que trazem aromas do mar, que descrevem batalhas, que desenham perdões, que falam da vida, dos portos, dos trovadores e das trovoadas, há as que falam dos seios da mulher, há as que falam dos gritos da África e há as que recolhem do viço das flores dos jardins a sua seiva, enquanto outras buscam nos sulcos da terra e nas fibras de um rosto, a sua essência.

A poesia é fiel ao homem, fortalece as mulheres e é o mais saboroso nutriente intelectual da criança.

Que seja apenas um equívoco a aparente aspereza  da opinião franca e transparente e que todos despertem  do sono dogmático que transforma a poesia em artigo de luxo ou sem utilidade numa sociedade fria e metálica regida pelas leis insensatas de um mercado, no qual a lógica predominante é a da moeda e da pretensa utilidade das coisas efêmeras.

A poesia jamais será efêmera e a sua originalidade está no cultivo da alma. O mercado que com sua  lógica calculista rege a sociedade,  tenta transformá-la em artigo sem utilidade, sem compreender que a sua utilidade está justamente em cada coração sincero e cristalino como as águas de um riacho.

Nenhuma opinião é áspera quando se refere a assuntos da poesia, por isso se pode afirmar com tranqüilidade que um general que despreza a poesia é um homem perigoso.

Algumas pessoas fizeram de suas vidas poesia plena.Um poeta anunciou no início da década de 20 que  “as ruas de Buenos Aires já eram suas entranhas”.       A poesia para uns tornou-se oração, para outros, sangue, para uns, conquista, para outros, revelação.

Março não poderia ir embora sem que aqui fosse registrada a importância da poesia, principalmente em nossa época e em nosso país.

Quando tudo parece fora de propósito, quando a ética parece uma quimera, quando os valores preciosos do amor, da bondade e da justiça parecem distanciar-se da vida, é prudente buscar na poesia a fonte generosa de alimento para a alma.


Fui um menino privilegiado criado num tempo de valores persistentes e uma educação rígida. Não falo da rigidez da tábua na mão (tabuada) nem da palmatória, falo da professora que me obrigava a decorar poesia. Nem imaginava aquela moça o bem que me fazia, e foi também responsável pelo homem que hoje sou.

Não acredito em ninguém que, conhecendo a força terna da poesia, a despreza.
Que o dia 14 de março passe a simbolizar em anos vindouros, a importância do cultivo da poesia no coração humano e que todos os de boa vontade estejam sempre dispostos a homenageá-la, e que ela, a poesia, penetre como raízes frondosas em cada vida, contribuindo assim com a sua força transbordante e suave, para o enriquecimento interior de cada um e para o aperfeiçoamento do olhar, que será  então um olhar poético - presente para o mundo.


MARCIANO VASQUES

QUINTAS


                                                                

quarta-feira, 5 de maio de 2010

QUINTAS - 6 - PRESENTE AMOROSO CHAMADO MÃE

PRESENTE AMOROSO CHAMADO MÃE


Magnífica obra de Sófocles, Édipo Rei inspirou Freud. Na verdade Édipo não tinha consciência de que amava a própria mãe.

Mãe, presente em nossas vidas com força incomum. Às vezes uma fortaleza da solidão maior do que a do homem de aço, a erguer e administrar o lar, que quase sempre é dissolvido com a sua partida, salvo em raros exemplares, como no grandioso seriado Bonanza, em que as mães se foram, mas os homens mantiveram a unidade familiar, numa generosa ode ao patriarca do velho oeste americano.

Curioso notar que no mundo da fantasia edificado por Walt Disney a mãe não está presente. Seus personagens de quadrinhos geralmente têm apenas tios. Curiosidades da cultura de massa.

Seu incondicional amor nas artes aparece desde Jocasta e é tema dramático a nos orientar. Em filmes de psicologia densa como Psicose, e em tantos outros, ela nos provoca. Em comédia nos oferta fartura de risos.
Sua sabedoria é especifica e especial. Age instintivamente e sua orientação é bússola do coração. Para defender o filho vira fera e vara noites acalentando febres.

Com veneração a sociedade a respeita. Embora seja lembrada quando falha o filho. Geralmente se atribui ao pai o sucesso filial. Assim o profano e o sagrado convivem culturalmente no olhar social.

Dificilmente se encontrará um patrão que rejeite o seu pedido de falta para levar o filho ao médico. O respeito pela mãe é o respeito pela criança, que se tornou um valor universal. Mal sabem as nossas crianças quanto devem, em amor, cuidado e zelo à mãe negra do período colonial do nosso país, e, como devemos às ancestrais contadoras de histórias, a rondar engenhos com seus favos de histórias, e também ao analgésico som de nossas cantigas primeiras a sondar com  insondável suavidade  os nossos ouvidos na palpitação da insônia que varava o arco da madrugada.

Na Literatura infantil um exemplo comovente é o da mãe do Patinho Feio.

A mãe de um santo deu nome à educação e da palavra escolástica originou-se a palavra escola. Que ainda, às vezes, para muitas crianças infelizmente é a personificação na infância da madrasta estereotipada nos contos clássicos.
Erich Frohmm, o psicanalista do século XX, melhor traduz a fortaleza e a fragilidade do seu amor. O amor da mãe que é como a verdade, não tem jeito. Só atende a um imperativo: Amar intransigentemente.

Sabemos que ela é um marco divisório na hombridade, na honra de qualquer moleque, ninguém aceita que se "coloque a mãe no meio". Por isso em determinadas circunstâncias a forma de se ofender alguém e extravasar nossa raiva ou atender ao império da agressão ou então satisfazer necessidades coletivas é xingar a mãe, tal como se faz com a do juiz.

Para muitos, mãe nunca é profana, é sempre santa, embora a sua idealização seja universal, pois infelizmente há também a que espanca os filhos. E bebês são abandonados em rodoviárias; embora não podemos julgar a dor que não alcançamos, também tais atos validar nos é difícil. E conheci uma bem rabugenta no enigmático conto de Charles Perrault, intitulado "As Fadas". Mas a sociedade é implacável com quem assassina a própria mãe.

Há mães abandonadas em asilos e há mães com o coração despedaçado vendo os filhos se drogarem.

Hadil Chabin, menina palestina morta na Faixa de Gaza, pelo exército israelense, verteu lágrimas nos olhos atentos do mundo. E a dor da mãe de Hadil? Poderá haver maior? Que importam as nações? Que importam os mundos erguidos pela política e pelos poderes diante da dor da mãe que vê o fruto do seu ventre e do seu amor ensangüentado a morrer na brusca insensatez?

Mães aflitas refletem a anomalia que pode se tornar o espírito de uma época. E todo ditador sabe que se um grupo de mães se reunir em praça e isso atingir a opinião internacional, provavelmente o seu regime cairá.

Dia das mães resulta para o capitalismo em mais uma data comercial e a cabeça publicitária "moderniza" o amor materno colocando mulheres pedindo de presente celulares.
Mas a mãe continua a mesma, feliz com um abraço, um beijo, uma palavra amorosa. O modelo universal aos poucos vai se aperfeiçoando e o seu amor se torna exemplo divinal, mesmo que a força da grana o queira mercantilizar. Ela é simples como a rosa, flor escolhida por sua perfeição. A geometria da rosa sintetiza a beleza que a natureza oferece ao olhar. O amor da mãe é analgésico confortante para a alma. Guardiã do jardim chamado infância geralmente é o belo imperceptível na fugacidade das coisas.

A consciência é alada, mas evolui em espiral e tem o seu próprio ritmo, às vezes aparentemente tardio, porém quando se concretiza abre as cortinas do palco chamado vida e nos coloca diante da mulher chamada mãe.

A humanidade necessita tanto dela que a mãe de Deus é representada através dos tempos como um dos mais belos brindes para a alma e aceita na maioria das crenças. 


 MARCIANO VASQUES 

________________________________________________




QUINTAS 




_____________________________



 

sábado, 1 de maio de 2010

QUINTAS - 5 - NO DIA EM QUE O CHICO PASSEOU EM SAMPA




QUINTAS








***************************************************************************

@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@




NO DIA EM QUE O CHICO PASSEOU EM SAMPA


No dia em que o Chico Buarque passeou pela minha cidade eu estava dando uma espiada no Brasil que se ia. Ele andou pelos jardins, O Brasil não, ele, o Chico. Almoçou num restaurante badalado e fiquei sabendo que qualquer um podia abraçá-lo. Perdi a chance. Culpa minha, que vivo na periferia. Alguém numa galeria da Augusta disse que ele está meio caidinho, essas coisas que se falam. Muitos declararam adoração.

Não, não era ele em carne e osso, era um boneco, um display. Em tamanho natural. De qualquer forma valeu, afinal São Paulo merece. E alguma coisa acontece.

Vi o Brasil que ia, numa ladeira. É a política. Perdi o interesse, é uma forma de se continuar vivo. Cada um deveria ter os seus mecanismos de defesa interior, para se salvar, para não morrer. Verdade, você morre se perder os seus referenciais éticos, por exemplo, a poesia. Há várias formas de morrer, se me entende. Claro que tenho os meus mecanismos de defesa interior. Repetir aquele trava-língua de vez em quando me garante a saúde mental, olhar para a cor que eu gosto, esteja ela onde estiver estará sempre me acenando. Ouvir uma canção do Chico Buarque me abastece o coração e também me suspende do cotidiano contemporâneo. O Chico nos salva, nos protege, nos garante a lucidez. Ouvi-lo cantar representa uma forma de aproximação com a lucidez, com a bonança da sensatez, da retidão, e nos auxilia no reencontro com a imensa Poesia do Brasil.

Nosso país é extraordinariamente rico de poesia, algumas são como doces caseiros, brilham em corais, argumentam - se em Drummond, outras se erguem na vertigem dos sonhos adolescentes, algumas se fecham em círculos intelectuais, há as que descem ao abismo dos bêbados que vagam ao lume da cidade, e tem as que falam ao coração do povo. Esse país verdejante é uma infindável oficina de poesia. E o Chico nos preserva e nos avisa que nem tudo é loucura.

O Brasil que se ia é o da Política contemporânea, que não é um bem para a alma do cidadão. Vi esfarelar-se o sentido ético e humanístico que no passado já a norteou. Hoje a luta do Poder pelo Poder sobrepôs–se aos interesses genuínos da cidadania. A esperteza de uns, o discurso falso da maioria dos candidatos a cargo público, tudo é nevoento, nublado; a consciência entregou-se aos ditames do paternalismo, a luta outrora força motriz da cidadania foi catalisada, foi, senão amputada, controlada por um aparelho eficientemente esperto.

Então o Brasil precisa se reencontrar, voltar para si. É preciso a suspensão do cotidiano que nos subtrai a vida autêntica. A consciência necessita com urgência de uma administração ética, de um novo olhar, de um remédio eficaz, a alma carece de se reordenar. O emaranhado e a fuligem da realidade política não pode mais destruir. Talvez a "gota d´ água" esteja se aproximando.

Chega um momento em que o ser não quer mais enganos. Rejeita a parceria. No fundo é assim, há uma cumplicidade, um consentimento. Então ocorre o momento em que o laço se desfaz e o ser não concorda mais com o seu enganador e então acontece a reação. Chega um momento que o monstro criado pelo sofrimento perde o controle, chega a hora em que o sofrimento é recusado, a função de ovelha se dissolve, e um novo ciclo é visto na cidade: a morada do ser - como um arco-íris num céu profundo.

E o "Chico" passeou na minha cidade, mas não cantou, nada, nem um verso, nem um Tom, nada, pois era um boneco. 

 
MARCIANO VASQUES


******************************************************************************

quarta-feira, 21 de abril de 2010

QUINTAS - 4




QUINTAS



Página Semanal de Marciano Vasques




@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@


  

NO DIA 
EM QUE BEIJEI 
TATIANA BELINKY



No dia em que beijei a Tatiana Belinky, em que estive pela primeira vez com a  querida vovó do Brasil, a que um dia foi a menina louca por livros, em que a chamei de meu amor e pude abraçá-la, nesse dia também conheci pessoalmente o Chico dos bonecos, e meu coração foi invadido pelas Meninas do Conto na alegria.

No dia em que a beijei, o beijo do leitor apaixonado, nesse mesmo dia, porque a alma é grande, Orilde Hofmann estava lendo o livro de Erich Fromm. Sozinha em sua casa lendo "Análise do Homem".
Porque a alma é grande percorri como num filme os meus enganos, destinos que fui tecendo por esta grandeza na qual não há estudioso que venha a se debruçar.
Quisera planejar um escrito, escrever um texto acadêmico, quisera poder organizar a dor. Como tenho tanto que agradecer à vida! Só tenho que agradecer. Queria ser puro agradecimento, poder passar aos que lêem, que vendavais e festas repousam no alto da minha solidão escolhida, quando para a literatura retorno.


Ah, os grupos fechados de poetas! O silêncio, os amigos, os poetas da ternura, ou seja, da resistência, pois assim é a ternura, palavra que nos diz rocha, firme, dura, resistente. É comum a palavra mudar semanticamente, porém algo nela fica, e na ternura ficará sempre o rochedo primordial, principalmente na ternura do poeta. Pois afinal, ternura que se desfaz, que se transforma em areia, não é ternura, é plágio, pirataria do coração.
A palavra é exorcista, o medo é vencido pela palavra, a magia jamais abandonou a palavra. Ela que abre a porta, é ela que afugenta o medo, o medo do lobo, o que na literatura infantil de Chico Buarque vira bolo. Mas há outros chapeuzinhos, algumas trocam o chapéu por uma fita verde no cabelo. E a menina decide seguir atrás de suas asas ligeiras. Tudo era uma vez, disse o senhor Guimarães Rosa, que nasceu no quase fim de junho e junho já se aproxima. O homem que morreu de enfarte três dias depois de pronunciar um discurso falando os valores essenciais da vida.
Há quem diga que me preocupo demais com certas coisas, respondo que se não for assim a vida não vale a pena. Há várias formas de se enganar a vida, de passar o tempo, mas a vida é ferrenha. Demasiada autêntica, exige que seja preenchida com o verbo, isto é, não tem sentido se não for satisfeita, e isso só é possível por intermédio do verbo viver. 

Na mitologia da criação do mundo foi o verbo que fez a vida, isto está claro em Gênesis: o verbo faz a luz, luzifica o mundo. A luz se põe e fica no mundo através da palavra. O Deus bíblico é o Deus da palavra. Ele se apresenta ao mundo através dela, Ele está nela. A forma da sua apresentação é poética, profundamente literária. Palavra se manifestando belamente.
Por ser a vida regida pelo verbo viver, ela passa a significar a falta de acomodação, o que quer dizer mais ou menos o seguinte: não dá para não se preocupar com o que na vida está. A vida exige vida por um gesto de atenção a ela mesma.
 
Alfelizabeto, felicionário, palavras que invento. Depois penso em cair na estrada, penso que muito antes de surgir essa idéia em meu coração, tive o privilégio de cair nas estrelas. 
Fui me tornando adulto, o que fui percebendo ao reparar alguns pensamentos estragados, apodrecidos. 

Na canoa da vida, pensamento bom às vezes vira inveja. Mas inveja é coisa do alheio. E aqui, afinal, ainda estou com o rostinho redondo da Tatiana Belinky em meu pensamento. Encontrar alguém assim tão lindamente na altura dos seus anos de vida, é festa.
 
Por ter um compromisso tático com o filósofo e com o poeta, um compromisso de sobrevivência, um contrato mental, então a morte não me interessa, não me interessa como assunto, não suporto a idéia de estar com alguém que insista no assunto morte. Tenho plena consciência da sua inevitável chegada em todos os seres, mas o compromisso verbal de quem se aproximou dos poetas é com a vida.
Esse compromisso se dá pela leitura, pela palavra escrita, é ali que conheço e me aproximo do poeta, e então selo o pacto da vida.
 
Deve ser tão bonito ser Tatiana Belinky! Deve ser algo assim parecido com ter sido Paulo Freire. São pessoas que se tornam personagens, pessoas que não podem ser traídas. Se você trai Paulo Freire, por exemplo, é problema. Estou querendo dizer que haverá sempre um último porto, uma última resistência. Ou seja: ou a morada da ética está dentro de você, ou então...
 
Alguém na solidão de um apartamento lendo Erich Fromm, a vovó de rosto redondinho falando doçuras: nossa época não é totalmente descabida.



**********************************************


quarta-feira, 14 de abril de 2010

QUINTAS 3

                      








 
QUINTAS












@@@@@@@@@@@@@@@@@@@



A NECESSIDADE E A UTOPIA



“O que transformou o mundo não foi a utopia, foi a necessidade”
José Saramago

 
Da narrativa oral da Alemanha foi recolhido um caso de utopia. Duas crianças são por seus pais na floresta abandonadas. Pais que passam por privações terríveis. Para que os pequenos de fome não morram, eles os largam na mata.
Os irmãos encontram uma casa coberta e recheada de doces. Tudo nela é feito de guloseimas. O telhado, as paredes. Pirulitos, sorvetes e delícias de todos os tipos.


Em circunstâncias de desespero aparentemente instransponíveis o humano inventa utopias. Quando se torna flagelado pela fome e pela miséria absoluta e diante de situações calamitosas e sem saídas, torna-se utópico. Cria em sua mente coletiva as utopias.

Há na história humana os incontáveis exemplos. Lugares paradisíacos banhados por rios de águas cristalinas, terra onde o coentro eliminará a fome, salsichas caindo das árvores, rios caudalosos nos quais o vinho se agita, e telhados de doçuras. 

Nas histórias e nas lendas deparamos-nos com diversas utopias que podem não ser vistas como tais. Casar com um príncipe e viver como uma princesa num reino encantado é uma forma de utopia da alma humana, presente, sobretudo nos contos de fadas.

O bebê quando nasce não sabe nada de utopias, que não é uma idéia inata, um arquétipo da mente humana, como não são outras idéias, quaisquer que sejam, todas edificadas em camadas como palimpsestos na alma. São construções culturais. A maioria surgida da necessidade primordial.

O bebê procura instintivamente o seio gigante da mãe. A criatura que se apresenta diante dele, puro ser sensorial, é na realidade um gigantesco seio à sua disposição. Isso é necessidade, é por ela que ele sobrevive, porque procura o seio, essa é a sua motivação para a vida. Se de utopia nos seus primeiros dias vivesse morreria.

As satisfações das necessidades vitais representam a condição imediata de sobrevivência. Você sobrevive porque é feito de necessidades. O dia que não mais as tiver com certeza morrerá, ou melhor, já terá morrido. É a mãe da vida, no inicio representada pela figura da fêmea.

Fêmea feita de leite e de afagos que implantam a necessidade de afeto e de carinho. Fêmea a levar na boca o alimento para o filhote. A necessidade se apresenta como fêmea.

Quando as necessidades não são atendidas eis que surgem as utopias, não como substitutos, mas como atenuantes, paliativos, galhos onde o humano possa se agarrar para sobreviver na árvore da vida, que de frondosa passa a flagelo, a desgraça, a abandono, a esquecimento.

Um caso de utopia contemporânea: o humano das utopias fortalecendo-se diante da figura carismática de um governo.

Governos populistas lidam bem com isso. Apresentam projetos paternalistas e assistencialistas que passam a atender à necessidade imperiosa de utopias coletivas quando seres miseráveis e de condições ultrajantes não têm condições concretas de lutarem sequer para o atendimento de suas necessidades.
Na impossibilidade de alcance da satisfação das necessidades, a mente humana, - maravilhoso prodígio do mundo -, elabora utopias.

Mas elas podem tornar-se perigosas, pois poderiam engendrar fanatismos, caravanas por desertos, seitas, buscas insensatas; e templos poderiam ser erguidos sobre os destroços da natureza humana, que passaria a ser controlada pela vontade coletiva expressa e catalisada por representantes da dor represada.

Todas as utopias da história humana pela literatura e pela filosofia registradas são importantes enquanto documentos do imenso patrimônio cultural do homem. Seja a Republica platônica, a utopia de Thomas More, as cidades imaginadas por um filósofo nos anos de prisão, a terra prometida, os reinos além do mundo, o paraíso.

Todavia a necessidade edificou mundos. Bibliotecas foram erguidas por causa da necessidade de se preservar a riqueza cultural da humanidade. Livros foram censurados e queimados por causa da necessidade de tiranos de se perpetuarem no poder.

Sabe por si mesmo o bebê que todo o progresso da sua existência está na incessante busca da satisfação das suas necessidades básicas. O seu intelecto manifesta-se gloriosamente em sua primeira ação cultural: o ato de sugar.

Até ir ao cinema para se distrair faz parte de uma necessidade. A da alegria passageira que muitas vezes substitui a felicidade autêntica, que só pode ser alcançada no pleno desenvolvimento do potencial do Ser.
Até espalhar a dor e o sofrimento pode ser uma resposta ao atendimento de uma necessidade que não pôde ser satisfeita no curso normal da vida: o afeto, a proteção, a segurança e o amor na infância.

Eis duas realidades da natureza humana. A necessidade a mover o mundo. A utopia como protagonista das forças paralisantes.



MARCIANO VASQUES 



@@@@@@@@@@@@@@@@@@@




quarta-feira, 7 de abril de 2010

QUINTAS




QUINTAS






QUINTAS - 2

Marciano Vasques
  

A MÚSICA 
DAS MULHERES 
DE MARÇO


 

Enquanto uma só oprimida no mundo houver haverá algo que nenhum discurso de quaisquer povos poderá afirmar, mesmo que autêntico e sincero se declare. Mas quero falar das mulheres que cantam.
Alguns homens são mulheres também. Estava em Brasília no meu carro quando fui obrigado a chorar. Pus-me pela primeira vez uma canção muito dolorida e ao ouvir a voz do Renato Russo cantando “Longe do meu lado” chorei ao volante olhando para a catedral. A canção triste tomou conta de mim, eu que já tinha ouvido “A Via Láctea”. Como é possível um moço cantar tanta dor? Então ela surgiu, a curiosidade. O acompanhamento musical de fundo lembrou-me uma outra melodia, singela.
A canção chamada “Devolva-me” que me foi devolvida na melodia do pranto do Renato Russo, eu a ouvi depois “naquela estação” cantada na voz de Adriana Calcanhoto. Meu Deus! “Quero que sejas bem feliz/junto do seu novo rapaz”. É a recuperação das formas simples da Jovem Guarda.
Então chega o dia 8 de março, e comecei a vasculhar os canteiros da minha memória, buscar a voz da mulher. As diversas vozes, timbres encantados. E então me dou conta de que poderia passar a velhice física que dentro de alguns anos em mim estará, ouvindo a música das mulheres de março, ou seja: as diversas vozes femininas que cantaram as mais doces canções que a vida generosa me ofertou. Como é bom ouvir uma mulher cantando.
This is my song. Será que eu gostaria tanto dessa canção de Charlie Chaplin, ou melhor, será que teria prestado a devida atenção se não a tivesse ouvido pela primeira vez na voz de Petula Clark? Nunca saberei ao certo, interessa-me apenas ficar na voz de Petula.

Gigliola Cinquetti cantando “Quando m’ innamoro”, as duas mulheres fofas do “The Mama”s & The Papas” cantando “Monday, Monday” numa segunda-feira feira que não é uma qualquer quando se trata de um 8 de março.


La partita di pallone. Rita Pavoni cantando alegremente o drama “italiano” de mulheres que ficam sozinhas no domingo por causa do futebol.


Saudade da voz de Joan Baez. 



Timbre doce cantando Diamonds and Rust. Quisera ouvir todas as cantoras que nos embalam durante a vida com suas canções que  essencialmente de amor falam.
Veinte Años. Agora é querer ouvir a voz de bolero de Omara Portuondo. O que é da alma de Cuba sempre será, isso se aplica a qualquer lugar do mundo. 


Dulce Pontes, portuguesa, cantando “Estranha forma de vida”. Como gosto dessa canção! Também a ouvi muitas vezes com Caetano.
No tic–tac do meu coração estou indo em frente, lembrando de outras mulheres cantoras. Momentaneamente penso em falar das mulheres que foram cantadas, como a Carolina e outras do universo de Chico Buarque, ou as de Tom Jobim. "Nunca fui ao cinema".
O “tango da Raquel”, que em troca de pinga um homem sofrido cantava no tempo das ruas largas, Amanda, de Taiguara, e Ana, do Roberto. Todo tempo que eu vivi procurando o meu caminho...
Bravo Pour Le Clown. Viva para sempre Edith Piaf. Que cantem todos os pardais.


Mas quem era aquela cantora cantando Pierrô Apaixonado? Depois, bem depois, noutra canção, ela me diz: “Não tenha medo”. Maria Bethânia, que nasceu porque o irmão ouvia Nelson Gonçalves.
Três apitos. Elizeth Cardoso cantando a música que fala da fábrica. Viva todas as cantoras que cantaram Noel Rosa...
“Ài, Moraria”. Que beleza ouvir Angela Maria. Tenho uma vontade louca de ver essa gente no palco. Há coisas grandiosas que o brasileiro desconhece. Penso num show com Angela Maria, Caetano, Agnaldo Timóteo, Caubi Peixoto, essa forma de sentir reunida num único palco. É o Brasil com saudade dos pedaços da sua alma.

Vou deitar e rolar, quaquaraquaqua. 


A nossa Elis, que tantas canções de dor e de liberdade cantou, tão alegre nessa canção estava. Às vezes penso que o Brasil nunca mais vai ter essa alegria. Mas isso é apenas um pensamento de nuvem, pois alguns aprendizados são duros e o Brasil talvez esteja aprendendo o que Epicuro ensinou no passado: não se encontra a felicidade na política. Como é uma lição súbita (comparado aos longos anos de sonhos e esperanças) fica-nos a sensação estranha de que o riso de Elis presente nessa canção nunca mais estará nas ruas e nos corações do Brasil.
Cogitei inicialmente homenagear as mulheres neste Dia Internacional delas, mas penso que estou mesmo é homenageando o meu coração ao recordar a Música das mulheres de março.

MARCIANO VASQUES
QUINTAS - 2