domingo, 6 de setembro de 2009

Vice-Versa de Novembro de 2008

Domingo, 26 de Outubro de 2008
















Regina Drummond















Marciano Vasques















REGINA DRUMMOND ENTREVISTA MARCIANO VASQUES


1. Qual a influência da sua vida na sua obra? Até que ponto elas se tangenciam, influenciam, mesclam ou confundem?


R: A influência situa-se originalmente na infância. O fato de ter sido criança nos eucaliptais, livre e solto, usufruindo e buscando sem consciência a necessidade de ser, afetou o modo do meu pensamento a tal ponto que ainda menino já não podia fugir do que viria a ser de uma forma ou de outra. O pensamento buscou canais por onde se expressar e dizer: -Aqui estou! Sou eu! Faça-me através do que eu posso dizer. Simultaneamente, por uma faísca de felicidade, meu pai era entregador de jornais num dos seus três empregos e trazia em sua bicicleta diariamente os periódicos que sobravam, assim tive contato com a leitura e com a HQ antes da escola (que maravilha!), que levou-me na inflorescência do meu adolescer a ler mensalmente o gibi que ele me trazia, o Fantasma, de Lee Falk, o extraordinário personagem e a incrível narrativa do autor, prenunciando a cultura de massa, que vigora-se na repetição. Já na juventude veio a leitura de grandes livros e o surgimento da música, com sua forte vocação de indústria cultural (termo da época) e ao mesmo tempo (no meu caso) síntese da busca da poesia, da qual não pude nem sequer tentar fugir.

2. No seu livro "Arco-íris no brejo", os simpáticos sapinhos me lembraram a Emília, do Sítio do Pica-Pau Amarelo, quando criticam os adultos, dizem coisas irreverentes, dão a sua opinião (nem sempre favorável) sobre o mundo adulto com muita graça. Você acha que é difícil separar aquilo que o adulto acha que interessa à criança, daquilo que a criança realmente gosta, mas o adulto acha que é bobagem?

R: Todo cuidado com equívocos será sempre um privilégio, e isso é possível a partir da ruptura com o generalizar-se, ou seja, é fato que às vezes e quase sempre o adulto considera tais coisas como aquilo que a criança gosta etc, mas em alguns casos o adulto acerta em cheio, sobretudo quando é proprietário do olhar transbordado pela eterna descoberta do mundo, o que significa: o olhar do menino, o mais próximo, senão o próprio olhar do poeta (e isso justificaria a existência dos belos educadores e os escritores). Às vezes (a tal maioria) ocorre de o adulto realmente errar, e até achar que é bobagem aquilo que a criança gosta ou é levada a gostar. Mas...também ocorre o contrário, de o adulto, sem suporte, aplaudir e considerar bom aquilo que a criança supostamente gosta ( ou a isso foi levada). Precisamos ter cuidado, pois a criança transita mais ou está quase que plenamente inserida no mundo da mídia, etc, e em realidades artificiais, isso cria anomalias como o menino seco de histórias, que perdeu o sabor do ouvir, e nem se atreve a contá-las. Isso é um desastre que a médio prazo criará uma civilização infeliz.

3. O espantalho é um tema recorrente na sua vida. Explique por que e o que ele significa para você.


R: O tema do Espantalho esteve sempre presente seja na literatura ou na arte, veja que um belo artista pintou o espantalho como um personagem que trouxe medo na infância, e eu escrevi um livro no qual resgato a espantosa força poética que a tal criatura tem e teve na minha infância, quando através dela e de bichinhos saltitantes e a valsa da ventania nos verdes eucaliptais piscaram-me as condições para a poesia, da qual é inútil qualquer tentativa de fuga, poesia que, teimosa e com persistência de chumbo emitiu avisos distraídos de que viria a florescer mais tarde em minha alma, e buscaria de uma forma ou de outra ser. Agradeço aos que fincaram nos solos frutíferos da minha infância os espantalhos em trapos e germinações douradas em manhãs de sol ou tristes em orvalhos ou nódoas matinais.

4.Li que a situação da poesia como gênero literário melhorou, devido à divulgação diferenciada que a internet proporciona, sem grandes interesses comerciais e com facilidade para os poetas divulgarem a sua obra, ser lidos, mostrar o trabalho. Por causa da internet, lê-se mais poesia do que há alguns anos atrás. Vale a pena ser poeta? Vale a pena escrever poesia?

R: Claro que vale a pena. Aliás, tudo vale, para lembrar de um ensinamento poético. Foi a poesia que me batizou, e travou batalhas com o ser - que- não- pode - se -isolar -da- cultura- de -massa. A poesia no meu caso, salvou-me, sem que eu tivesse ao menos solicitado, eis a sua generosidade. Ser poeta ou estar em poesia é ser presenteado com a possibilidade de vida intensa. A poesia por outro lado, em certas circunstâncias vale mais do que estudos volumosos de História. Um poema ou um trecho poético de Fernando Pessoa, revela mais de Portugal do que um mestrado inteiro, se me faço entender, e assim também Jorge Luíz Borges com a sua Argentina...Vale a pena sim, penso que, a exemplo da Filosofia, que "se apropriou" dos muros acadêmicos, para numa fortaleza se proteger evidentemente da Teologia e de uma suposta banalização, também a poesia fechou-se num ciclo de leitura que contempla, de um modo geral, os intelectuais produtores de poesia. Com relação à internet, o próprio tempo e o desenvolvimento espiral da consciência se encarregam da filtração, da lapidação do gosto e do fazer estéticos. É preciso mesmo que haja uma enxurrada, uma montanha, para que a peneira temporal própria do olhar-que-investe-em-si seja acionada ou faça-se existir.




MARCIANO VASQUES ENTREVISTA REGINA DRUMMOND

1. Nota-se em sua obra uma preferência acentuada por temas do universo mágico, inclusive com criaturas do reino da metafísica e do imaginário cristão ou católico, como em "Vida de Anjo". Qual a origem dessa preferência, em que momento na sua infância (ou adolescência?) surgiu o interesse pelos personagens encantados?

R:Desde que a minha memória alcança, tenho verdadeira fascinação pelo universo mágico.
Não posso dizer em que momento o interesse surgiu, porque sinto como se ele sempre estivesse esteve dentro de mim. Tive uma infância muito rica em histórias; depois, fui uma grande leitora e assim continuo pela vida adulta afora... Essa magia “contaminou” todo o meu pensamento, as minhas emoções e a minha maneira de ver o mundo. Minha paixão pelos livros é verdadeira.
Você cita “Vida de Anjo”, da Editora Ave-Maria, mas tenho livros (inclusive alguns inéditos) que falam de bruxas (“Eu, Bruxa”, Ed. Saraiva), vampiros (“Destino: Transilvânia”, Ed. Scipione, que foi selecionado para o PNBE/2009; “Amor Vampiro”, Giz Editorial, coletânia de contos com outros autores); gnomos, monstros, seres estranhos, vidas alternativas, crimes, enfim, magia de todos os tipos.
Estou sempre falando no universo fantástico, porque realmente acredito que o mundo é muito mais do que os nossos olhos podem ver (parafraseando o pensamento de Shaekspeare). Tangenciar outras almas e vivências, decodificar seus modos de ser, trazer delas subsídios enriquecedores para a minha vida (e a dos meus leitores, é claro. De qualquer maneira, não tem importância. Eles estão soltos por aí, trazendo alegria, susto e fantasia, fazendo nosso coração bater mais forte, arregalando nossos olhos, excitando a nossa imaginação e nos deslumbrando com o seu encantamento.

2. Contar histórias faz parte do seu estar no mundo. Em que momento e a partir de quais fatos você descobriu ou decidiu que deveria também escrever histórias?

R:Quando me perguntavam “o que você vai ser quando crescer?”, eu enchia o peito de orgulho e informava: “Escritora”. Sentia-me certíssima do que queria, embora talvez nem soubesse bem o que isso fosse, ou a qual tipo de vida eu já estava me “condenando”...
Escrevo desde sempre – se você considerar os meus diários, as minhas (maravilhosas) redações no colégio e as poesias que me tornaram muito popular, naquela época (ah, sim, já escrevi muita poesia, no tempo de antes!).
Nasci em uma família que já deu muitos escritores para o Brasil, sendo Carlos Drummond de Andrade o maior deles (ele é primo do meu pai). Isso quer dizer, literalmente, que nasci no meio das letras e dos livros. Eles sempre foram os meus companheiros mais amados e os temas prediletos das discussões em família. A pergunta “Que livro você está lendo?” ou sua variante “Já leu o livro tal?” eram habituais na minha infância e juventude. Por outro lado, ao respondê-las, recebia a atenção de todos, e nunca me lembro de ter sido julgada pelas minhas escolhas. Livro era tema de discussão e assunto de conversa; a opinião pessoal de cada um enquanto leitor era secundária – e respeitada.
Sempre fui alegre, expressiva e falante – quer dizer, já nasci contadora de histórias. A consciência disso trouxe o desejo de aperfeiçoar a técnica, que, aliada a um grande prazer no ato em si, fizeram de mim essa convincente “mentirosa profissional”.

3. Às vezes ocorrem entrelaçamentos entre a vida do escritor ou do poeta e a sua obra. Às vezes o escritor produz por ofício, sem manter relacionamento entre a sua vida e a sua obra. No seu caso, nas entrelinhas do seu fazer literário, é possível a percepção da transparência de entrelaçamentos entre o viver e a escrita. Poderia expor de que forma isso ocorre, e em que fase de sua vida (infância, adolescência...) isso é mais evidente ou acentuado, vindo a tornar-se determinante?

R: Você diz: “...às vezes, o escritor produz por ofício, sem manter relacionamento entre a sua vida e a sua obra”. Sinceramente, não acredito nisso. Por maior que seja o distanciamento, a vida sempre há de influenciar a obra de um autor. Não que os livros sejam todos autobiográficos, longe de mim dizer tal asneira, mas a influência é inegável. Ali estarão sempre todos os pensamentos do autor e sua maneira de ver o mundo – inclusive pelo lado contrário, através da negação.
Pessoalmente, posso dizer que todos os meus livros carregam um pedaço de mim, mesmo quando eles são pura fantasia. Acho isso importante, porque me considero uma pessoa verdadeira e procuro viver segundo o que recomendo (qual Espinosa e Voltaire, que pretensão!!!), não como Platão (que pregava uma coisa e fazia outra). Digo assim porque sobretudo nós, autores de literatura infantil e juvenil, exercemos uma influência bastante acentuada na vida dos nossos leitores – então, que seja uma boa influência. O mundo é mau o suficiente, sem a minha ajuda, e está sempre pronto para mostrar como é fácil ser cruel, frio, indiferente ou egoísta.

4. A riqueza da Literatura Infantil em suas múltiplas possibilidades é ampla e ás vezes curiosamente insondável numa leitura desatenta ou de olhar de carência semântica. Todos os saberes transformam-se em caminhos florestais, em travessias em rios e ritos, e tudo está lá. A ética, a possibilidade de felicidade, o ato heróico...Tem gente que professa doutoralmente que é uma literatura menor. Que diria num debate em que surgisse esse modo de pensar a Literatura Infantil?

R: Acredito que este seja um pensamento antigo e um tanto fora de moda, mas, se for o caso de alguém expressar esta opinião num debate em que eu esteja presente, eu sugeriria a esta pessoa que tentasse escrever um livro para crianças ou mesmo “apenas” contar uma história.
Livros com poucas páginas e muitas ilustrações parecem mais simples do que escrever um bom calhamaço de 800 páginas, por exemplo, e é mesmo verdade que as pessoas não imaginam o trabalho que dá fazer um “livrinho” com duas laudas de texto, confundindo complexidade com número de palavras ou tempo de escrita com tempo de geração. Nunca fica claro o quanto dizer o que se pretende com o menor número de palavras possível é um desafio – ainda maior se você estiver falando com aquelas pessoinhas adoráveis, mas que têm outra maneira de ver o mundo...
Para encerrar, quero dizer que escrever para crianças é fácil para dois tipos de gente: aqueles que realmente têm consciência do seu ofício e sabem fazê-lo; e aqueles que acham que tudo que se pode esperar de um livro é que nos ajude a matar um tempo ocioso qualquer (função, aliás, que, se não for limitada a apenas isso, também pode ter o seu valor!).

Reunião na CBL

Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008








Os escritores Manuel Filho, Edson Gabriel Garcia, Eliana Martins e Regina Sormani estiveram na CBL, dia 30 de setembro de 2008 para uma reunião. Um dos motivos do encontro foi agradecer pessoalmente à presidente Rosely Boschini pelo convite do stand compartilhado na Bienal do Livro, feito à AEI-LIJ.

Vice-Versa de Outubro de 2008

Sábado, 27 de Setembro de 2008



















Edson Gabriel Garcia



















Manuel Filho








(Respostas do Edson Gabriel Garcia)


Como é o seu processo criativo? Você faz sinopse? Escreve um pouco por dia? Faz tudo de uma vez? Gostaria que você comentasse o seu “método” de trabalho.

Edson Gabriel Garcia : Minha escrita começa no pensamento, na imaginação, na intriga de várias idéias que foram ali guardadas. Algumas idéias são mais fortes que as outras e ganham mais espaço, mais tempo e vão se organizando, pegando corpo, musculatura. Em seguida, ponho no papel rascunho de esquemas, roteiros, anotações de pesquisas, leituras, sinopses ou esboços e começo a escrever, aos poucos, nas brechas de outros trabalhos e leituras. Depois da primeira redação, faço uma ou duas re-leituras e dou a forma final.

Dia desses, um conhecido me parou e disse: “ Manuel, quando é que você vai me dar um dos seus livros?” A pessoa imagina que é obrigação do autor e empalidece quando você sugere quando você sugere que ele faça suas compras pela INTERNET. O pior é que, quando você dá, a pessoa não lê e nunca responde dizendo o que achou. Eu já estou perdendo a paciência em ter que explicar o óbvio. Como você reage a isso?

Edson Gabriel Garcia: Também eu, como você, recebo pedidos dessa natureza. Tenho verdadeira ojeriza por esse tipo de ação: brindes, doações, campanhas. É tudo farinha do mesmo saco. O livro é um produto cultural que tem seu valor como qualquer produto e deve ser assim entendido respeitado. Todos nós que militamos na área da criação, produção, divulgação e estímulo à leitura dos livros, devemos fazer disso uma profissão de fé.
Na prática, diante de situações como essa, costumo indicar locais onde meus livros são encontrados e fazer uma breve explicação sobre o livro e os custos de sua produção. Delicadamente, embora muitas vezes o resultado não seja tão delicado.


Qual é o livro que você ainda não escreveu?

Edson Gabriel Garcia: Um livro sobre a liberdade.

E, retornando o assunto: PONHA A BOCA NO TROMBONE!!

Edson Gabriel Garcia: Haja trombone! A título de exemplo, me ocorre sugerir a leitura do pequeno texto que fiz para o último boletim da AEILIJ, sobre leiturismo e leituramento. É muito leiturismo no país!


( Respostas do Manuel Filho)

Fale um pouco de sua história de leitor. Em que sentido essa história se cruza com sua trajetória de escritor?

Manuel Filho: Minha história de leitor começa com as revistas em quadrinhos. Sou colecionador e tenho, até hoje, o primeiro gibi que comprei, Satanésio. Aliás, tenho todos que adquiri na vida. Concomitantemente, surgiram os primeiros livros, nas pouquíssimas vezes em que fui aos supermercados com meus pais. Depois, como freqüentador assíduo de bibliotecas, tomei contato com as aventuras de Tintim e, rapidamente, com os livros do meu ídolo, FRANCISCO MARINS. As ilustrações fantásticas dos livros de Lewis Carroll me atraíram e entrei definitivamente no mundo de Alice. Creio que todo esse acesso fez com que eu fosse acumulando variadas informações que se transformaram
em idéias e, em seguida, nas minhas primeiras histórias. A série TAQUARA- PÓCA,
do meu ídolo acima, certamente incutiu em mim o desejo de abordar temas históricos como faço hoje em dia.

Como surgem os seus livros?

Manuel Filho: Meus livros têm surgido como resultado de minhas viagens. Viajo sempre que posso e quando estou por lá, volto superabastecido de material: livros, discos, cordéis, postais e centenas de fotos. Fora isso, tenho tomado gosto por conversar com os locais.Já tenho em vídeo algumas conversas e elas são sempre úteis quando preciso sanar alguma dúvida. Guardo ainda, por tabela, os sotaques e algumas expressões regionais Depois, ponho as idéias em ordem, escrevo e me preocupo em verificar em fontes diversas os dados históricos que citei.

O que mais o agrada como escritor: o processo criador, a produção dos livros, as entrevistas, viagens, reportagens sobre sua obra, ou homenagens?

Manuel Filho: A pesquisa! Sou compulsivo. Quando começo a pesquisar um assunto, eu não sossego enquanto não encontrar o máximo de informações possíveis. Sempre me sinto “devedor”, acho que ficou faltando alguma coisa que eu não descobri. O diacho é que, depois que acabo o texto, fico com material para mais uns dois ou três livros, mas, raramente volto a um assunto sobre o qual já tenha tratado. Coisas de compulsivo...

Tem alguma coisa engasgada na sua garganta? Aproveite e bote a boca no trombone...

Manuel Filho: PASSEATA DE CLÁSSE MÉDIA. Eu não suporto mais isso. Tenho ficado inconformado com esse tipo de campanha onde as pessoas se vestem com seus modelitos mais bonitos, colocam o melhor sorriso no rosto e vão dar uma passeadinha no parque do Ibirapuera a pretexto de começar uma atividade física ou “ lutar por uma causa”. Acaba não servindo nem para uma coisa nem para outra. Pouquissimos se tornam adeptos de exercícios em razão de um dia de atividade e a “ causa”, bem, serve para os atores globais colocarem a camiseta patrocinada e darem algumas entrevistas para a TV. Fico imaginando como se sente aquela mulher da periferia que percebe um caroço no peito e só consegue marcar a mamografia para dali a vários meses e, claro, ainda corre o risco de, no dia de seu exame,deparar-se com uma greve ou algum defeito no aparelho. Como explicar para uma mulher, grávida de oito meses, que não conseguiu fazer um só exame pré-natal, a importância daquela passeata? De que maneira, também, explicá-la para um homem que precisa fazer uma ressonância e só conseguiu uma data para daqui a um ano? A passeata é útil para quem tem um plano de saúde e pode usufruir-se dele, para a imensa maioria da população, sei lá...Não seria melhor gastar essa imensa energia organizando uma passeata até Brasília e exigir que, de verdade, excelentíssimos lutassem efetivamente contra a corrupção, investindo em saúde pública, educação e segurança?

Palestra de Edson Gabriel

Sábado, 6 de Setembro de 2008

Palestra de Edson Gabriel na Facul Torricelli






EDSON GABRIEL GARCIA na Faculdade Torricelli


EDSON GABRIEL GARCIA fez palestra no dia 03 de setembro para os alunos dos cursos de Letras e Pedagogia, da Faculdade Torricelli, em Guarulhos. A palestra foi sobre o processo de criação literária. O escritor tomou como base da exposição a criação, a quatro mãos, de um de seus últimos livros, CARTAS MARCADAS, da Editora Cortez. Falou sobre a parceria com Antonio Gil Neto, sobre as colagens que ilustram o texto e sobre a forma caleidoscópica do livro, com diferentes abordagens e olhares sobre a homossexualidade, tema do livro. Ao final da palestra, alunos e professores dialogaram com o escritor, fazendo perguntas e expondo suas curiosidades. Seguiu-se uma breve sessão de autógrafos.
A faculdade foi representada pela professora Dra. Maria Auxiliadora Fontana Baseio, coordenadora do curso de letras, ela também uma estudiosa da nossa literatura infantil e juvenil.

Vice-Versa de Setembro 2008

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008



















Alina Perlman










Mariluiza Campos


No Vice-Versa de Setembro,
as escritoras Alina Perlman e Mariluiza Campos.



Perguntas de Mariluiza

1) Desde quando você escreve para crianças e quantos livros foram publicados?
2) Fale sobre o seu processo criativo. Como é que “nasce” uma estória infantil?
3) Diga o nome do livro de sua autoria que mais gostou de escrever.
4) Para quem você faria um elogio? Para quem você faria uma crítica?

Resposta de Alina

1) Escrevo para crianças há mais de 20 anos e tenho 38 livros publicados.

2) Minhas histórias nascem da observação de tudo que me cerca, dos casos que ouço, dos sonhos que tenho, do contato com crianças, das minhas lembranças, das coisas que me afligem, me perturbam, me divertem, me emocionam. Às vezes peno para desenvolver uma idéia, às vezes ela surge pronta e acabada na minha frente. É uma surpresa a cada texto.

3) Acho difícil escolher meu livro preferido. Fico sempre empolgada com o texto que estou escrevendo. Quanto aos livros já publicados, depende se estou triste ou de bom-humor, mais disposta ou mais sensível... Eu elejo o favorito conforme meu momento, dia a dia!

4) Meu elogio vai para o trabalho que a cúpula da AEILIJ vem desenvolvendo e suas conquistas.
Critico os egocêntricos, os indiferentes, os desrespeitosos. Uma mudança de atitude da parte deles deixaria o mundo um pouco melhor.


Perguntas de Alina

1)Fale um pouco sobre sua obra: quantos livros já publicou, algum fato curioso, um ilustrador especial de um texto seu...

2)O que a levou a escrever livros infantis?

3)Você tem feito um belo trabalho de tradução – conte um pouco sobre ele.

4)Para quem você deixaria um elogio? E uma crítica?

Respostas às perguntas de Alina:

1) Tenho escrito para crianças desde a década de 70. De lá para cá escrevi cerca de 60 estórias, das quais 29 foram publicadas em livros, coletâneas com outros autores e jornais.
Considero muita sorte minha ter 5 das minhas estórias publicadas, ilustradas por filhos meus.

2) Quando meus filhos eram pequenos (tive 6) eu me
recusava a lhes contar as estórias de fadas da minha
infância. Elas me tinham assustado muito, sobretudo
por se referirem muitas vezes a meninas órfãs que tinham madrastas malvadas. Lembro-me de chorar à noite, sozinha na minha cama, com medo de ficar órfã.
Passei então a inventar estórias e, para poder contá-las
sempre do mesmo jeito, como as crianças exigem, comecei a escreve-las. Quando fui apresentada a Teresa
Noronha, escritora de renome, com muitos livros escritos e premiados, ela me deu umas dicas, assim como Lucília Junqueira de Almeida Prado, e eu consegui conhecer editoras e ver meus livros publicados.

3) Meu primeiro trabalho de tradução foi quando eu tinha
20 anos. Eram dois ou três livrinhos de orações para crianças, traduzidos do francês. Muitos anos depois me encomendaram traduções do espanhol de livros de Anna May Alcott e de Spiryi. Muitos outros anos depois conheci um poeta belga e traduzi e publicamos 3 coletâneas de poemas dele. Infelizmente só conseguimos publicar quando pagamos a editora. O que torna impossível divulga-lo, pois ele deixou, depois que
faleceu, mais de 30 coleções.

4) Gosto muito do trabalho que está sendo feito por Regina Sormani, como representante da AEI-LIJ, aqui em São Paulo. Ela é uma coordenadora dinâmica e uma boa amiga.

Exposição de Manuel Filho

Terça-feira, 26 de Agosto de 2008
Exposição...De todos os tempos.


Vida e obra do escritor/ator/cantor Manuel Filho, associado da AEI-LIJ SP na Biblioteca Pública Monteiro Lobato, em São Bernardo do Campo.

Rua Jurubatuba 1415, até 30 de setembro de 2008.


Manuel, a AEI-LIJ SP está orgulhosa e parabeniza você!














Reunião Na Bienal

Domingo, 24 de Agosto de 2008
Fotos da nossa reunião na Bienal de São Paulo



Queridos associados, durante nosso encontro na Bienal de São Paulo, que aconteceu dia 16 de Agosto de 2008, a Aeilijsp divulgou o nome de Nelly Novaes Coelho como a homenageada deste ano. Foram também debatidos outros assuntos importantes, com a presença de ilustradores e escritores de vários estados. Seguem algumas fotos do evento.

Por ordem: Anna Claudia e Regina, Eliana, Gloria, Luiz Antonio, Maurício Veneza, Nireuda, Rogério, Rosana Rios e banner.