domingo, 25 de outubro de 2009

GLÓRIA KIRINUS ESTARÁ EM PALAVRA FIANDEIRA

A escritora e poeta Glória Kirinus estará numa das próximas edições da Revista Virtual PALAVRA FIANDEIRA.
A BLOGREVISTA irá ao ar sempre com novas entrevistas com escritores, poetas, produtores culturais, artistas...

Responsabilidade editorial: Marciano Vasques

SURGE UMA NOVA REVISTA VIRTUAL

A poeta e ativista cultural do Chile, Rócio L´Amar, é a entrevistada da nova edição de PALAVRA FIANDEIRA INTERNACIONAL. Veja a entrevista completa na Revista Virtual PALAVRA FIANDEIRA.
*


SURGE A REVISTA VIRTUAL PALAVRA FIANDEIRA!

Como PALAVRA FIANDEIRA é um projeto de Entrevistas Longas com personalidades Intelectuais, etc, considerei por bem, fundar a Revista Virtual PALAVRA FIANDEIRA.
Assim, aqui, em nosso PAULISTA, sempre teremos o destaque para as futuras edições, e todos que se interessarem, poderão ler as entrevistas na íntegra.
Marciano Vasques


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Homenagem ao mês da criança


Este poema foi escrito por Alessandra Roscoe,
aos 9 anos de idade.




Se eu fosse...

Se eu fosse um passarinho
transmitiria muito carinho.

Se eu fosse uma flor
Ofereceria amor

Se eu fosse uma abelha
queria ser vermelha

Se eu fosse o gato
não comeria o rato

Se eu fosse o céu
seria todo de mel

Se eu fosse a solidão
seria só ilusão

Se eu fosse pra sempre criança
vestiria a esperança e viveria bem mansa

Se eu fosse uma história
terminaria agora.



Poesia de Regina Sormani,
trecho do livro O Ovo Azul da Galinha Rosa




O galo, muito afinado,
Cocoricou no terreiro.
A galinhada fez coro
No fundo do galinheiro.

— A Rosa botou um ovo!
— A Rosa botou um ovo!

Sendo parceiro da dama,
Pensou em fazer festança,
Anunciando o evento
Para toda a vizinhança.

— Não fez mais que a obrigação.
— Foi a sua salvação.
Já estava ficando velha.
— Ia mesmo pra panela!—
Cacarejou a Amarela.

— Vejam só! — exclamou a Carijó.—
Um ovo azul. Será real?
Até parece pintado...
Vai ver é falsificado.

( Publicado por Paulus Editora)

ESPAÇO DO LEITOR

Amigo Marciano Vasques,
Quem, hoje, dá os parabéns sou eu. Desta vez, não é o entrevistado que merece os parabéns; quem merece os parabéns é o Entrevistador. É Você, meu caro Marciano.
Conheço muito cara metido a fazedor de perguntas. Parece fácil fazer perguntas; é dificílimo. Perguntar não é pra qualquer um. É preciso conhecer para saber perguntar. Você foi extraoridnário com suas perguntas.
Mais extraordinário ainda foi ao apresentar essas perguntas com suas respostas em jornal e, sobretudo, em seu blog na internet. Honestamente, eu fiquei encantado ao ver a entrevista na internet, em "Palavra Fiandeira". As poucas pessoas, por aqui, que já visitaram a página, comungam da minha opinião. Mas, no caso, embora eu deteste dizer isso e parecer pretensioso, a opinião que importa é a minha - já sofri muita decepção por aí. Por isso, reclamo a preponderância da minha opinião: Você, Marciano, mostrou uma qualidade, uma bondade para com este pobre rabiscador, uma excepecionalidade difícil de encontrar, coisa que eu já quase não acreditava ainda existir. E existe, Amigo, Marciano Vasques é a prova.
Que mais vou lhe dizer? Não sei, encabulei.
Tudo de bom! Um grande abraço do
Nelson Hoffmann

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PALAVRA FIANDEIRA

PALAVRA FIANDEIRA


Atravessando intempéries e labirintos na fugacidade das coisas, a coesão do verbo aqui ressurge explicitando fortalezas e quereres. O poeta é puro, o escritor tem a palavra, e por isso PALAVRA FIANDEIRA é mais do que um simples convite, é uma conversa ao coração da letra, é um arado zelando pelo falar. A cada edição, uma voz, não solitária, mas irmanada aos que cultivam e sustentam dizeres. Com vocês uma nova PALAVRA FIANDEIRA, docemente preparada, tanto para a reação silenciosa quanto para a alma sincera e sem fronteiras, que rompeu temores e aplaude por compreender o voo.


ARTISTA CONVIDADA: MARÍLIA CHARTUNE


A ARTE DE MARÍLIA CHARTUNE


Convidei a arte de Marília Chartune para ilustrar a nossa conversa. A artista plástica que vive no Sul, em Santa Maria, RS, abrilhantou a entrevista com as suas aquarelas. Consegui assim um dos objetivos de Palavra Fiandeira: unir a palavra de um escritor com os traços e as cores de um artista. A literatura e a pintura são formas de arte que chegam ao coração dos que velejam no encantamento do mundo.


NELSON HOFFMANN


Espiando o mundo, eis que nos surge Nelson Hoffmann. Escritor da cortesia, historiador, vive só ternuras, sabe que ao atender a sua consciência, oferta ao leitor a sua joia de viver, e contribui para o exercício da memória. Entrelaçando a história com o romance, nosso entrevistado afasta-se do brilho fácil e do encomiástico. Conhece a eternidade da Poesia, e o valor da atenção. Só pode um juramento: sempre leu, sempre viveu com o livro. Eis um homem feliz. PALAVRA FIANDEIRA recolheu entre verdes e verbos, o escritor do Sul, Ele não quer elogios, mas uma conversa límpida e aconchegante feito olhos lavados no riacho da poesia. Com vocês, Nelson Hoffmann!


3ªEDIÇÃO
ENTREVISTA
Nelson Hoffman - Escritor




1. Quem é Nelson Hoffmann?

Um sujeito de família, calmo, de pouca conversa e nenhuma oratória, que vive dentro de si e espia o mundo. A família e os livros são seu mundo. Um mundo que fica distante dos grandes centros urbanos, das aglomerações humanas, das badalações sociais, das luzes, dos holofotes. A vida pacata em cidadezinha mínima, no meio da roça, à beira do rio, junto com os seus, é o seu encantamento.

2. Começaremos falando de um de seus livros que é uma joia de delicadeza, uma cortesia da alma, são páginas de ternura, bondade, doçura. Como o homem se prepara a vida inteira para ser avô, fale ao nosso leitor sobre o livro "Eu vivo só ternuras".

Penso que um livro deve falar por si. Se não fala, é porque não se realizou. Isso não impede, porém, o autor de emitir alguma opinião. Mas é secundária. Ou o livro vale por si, ou nada vale.

“Eu vivo só ternuras” é um livro que explodiu de dentro de mim, num repente. Meu primeiro neto chegava ao seu quinto aniversário e eu não sabia como homenageá-lo. Pensei no que fazer, relembrei peripécias de vida que ele me proporcionou, eram gostosas, doces, ternas… Fui-me em lembranças dele e de mim mesmo. E o livro explodiu. Em poucos dias estava escrito, num rasgo só. Encadernei o rascunho e dei-o de presente para meu neto. No dia de seu aniversário. Desconfio que ainda o guarde, agora que já é bem grandinho.

3. O resgate da história sempre é uma preciosidade. Se vier em forma literária ou por intermédio de um escritor é sempre prazeroso para o leitor. E o senhor, homem acadêmico, de ensaios e de romances, nos oferta "Terra de Nheçu". Por que sentiu a necessidade desse livro?

“Terra de Nheçu” não foi uma necessidade, foi uma obrigação. Minha, de consciência. Afinal, eu moro aqui, na “Ñezuretugüê”, a “Terra que foi de Nheçu”.

Nheçu foi o cacique indígena que comandava esta região, lá na primeira metade do século XVII. Opunha-se à entrada do homem branco e, na defesa de sua posição, apelou para a violência. A História declarou-o um índio boçal e demoníaco e, pior, sonega toda essa parte em nossa história oficial do Rio Grande do Sul. E isso que a História do Rio Grande do Sul começa justamente por aqui, nesta que foi a Terra de Nheçu. Como escreveu um amigo meu, Ruy Nedel: “A História é prisioneira da política”. Como as políticas passam, eu fico com a História. No caso, com a história de Nheçu, contada nesse “Terra de Nheçu”.

4. O que tem a ver o 'Manifesto Nheçuano", evento ocorrido agora em Setembro no Sul, com o seu livro? Ele, o seu "Terra de Nheçu" seria pioneiro de algum movimento, seria o desencadeador de tal consciência?

Pois é, quem diria? Os textos que compõem “Terra de Nheçu” já tinham sido publicados nos mais diversos órgãos de divulgação. Impossível que alguém os tivesse lido todos. Resolvi juntá-los, ordená-los, dar-lhes uma sequência e publicá-los em livro. A primeira edição do livro saiu em 2006, já está em terceira, e deu no que deu.

O livro não é o pioneiro no assunto, existe alguma coisa antes. Mas é, talvez, o texto mais organizado, orgânico. E foi, em verdade, o deflagrador dessa consciência de revisão de nossa História.

O livro atingiu um alvo que eu sequer imaginava: um grupo de jovens artistas e pensadores locais e da Capital do Estado, todos inconformados com a historiografia oficial. Foi faísca em rastilho de pólvora. Tinham um “documento” em mãos, o autor era conhecido e reconhecido, havia apoio de outros intelectuais… Não houve dúvidas. Lançaram convocação. O “Manifesto Nheçuano” foi sua realização em 05 de setembro de 2009 e compareceram escritores, estudiosos, intelectuais, artistas de toda a região, mais Uruguai e, pasmem!, até de Cuba. Os frutos estão madurando e a colheita está chegando. Em breves dias, aparecerão por aí músicas, jornal, documentários, vídeos, filme…


5. "A Arte de Nascer das Palavras", nesse livro o senhor se revela como alguém que destoa. Tem predileção e um gosto sincero em divulgar outros valores, outros literatos, afastando - do círculo vicioso de "divulgação apenas dos amigos" e também do "Eu não cito o outro, então ele não existe". E o senhor vai na contramão, divulgando os escritores por amor às letras. Fale - nos dessa "Uma Outra Face do Poeta".

Pois é, amigo… Se deu conta, falei de novo “pois é”, ao começar a resposta? É que eu não queria dizer “buenas, tchê!”, o jeito meu (nosso e gauchesco) de reagir… reagir, pensando na resposta.

Vamos lá! Eu exerci mil e uma atividades na vida. Para ganhar a vida, é claro. De tudo o que trabalhei, o que mais gostei foi o magistério. Fui professor de não sei quantas matérias, mas a minha paixão, nem poderia ser diferente, sempre foi Literatura. Nesta, segundo me dizem, tive algum mérito… pelo menos eu próprio aprendi alguma coisa.

Se tive méritos, ou não, é outra história. O que vale é que me trouxe uma lição: ninguém gosta de ouvir (ou ler) essas coisas de “ismos” disto e daquilo, teorias exóticas, movimentos esdrúxulos, sofisticações, “literatês”, em suma. O pessoal quer saber de autor e livro. Do autor, sua condição de ser humano como qualquer pobre coitado deste mundo; do livro, se vale a pena ser lido, ou não.

Buenas! Eu continuo professor e chamo a atenção para autores e livros. Para aquilo que atrai num autor ou em seu livro. Não nos “ismos” que posso discutir num seleto grupo de “literatês”. Mas, aí eu não entro — prefiro ser roceiro.

Já o fato de falar de autores menos conhecidos, por “amor às Letras”, isso é mesmo verdade. Eu sei o que é ser relegado, eu enxergo, eu sofro. Eu disse alhures: de dentro mim, observo o mundo. Pra que falar daqueles que a mídia endeusa?



6. Nelson Hoffmann é um romancista regional ou universal?

Gosto muito da frase tão conhecida de Leon Tolstoi: “Se queres ser universal, canta a tua aldeia”. Quem mais universal e, ao mesmo tempo, mais russo que Tolstoi?

O ser humano é um só. Não importa a pele que tem, a língua que fala, a roupa que usa.

Eu quero o ser humano. O resto é acessório.

7. Na abertura da orelha de seu livro' "Uma Outra Face do Poeta", o senhor fala de um estranho torpor: "Por vezes vivo num estranho torpor", e termina co
m uma pergunta altamente provocante. Fale-nos desse torpor, desse modo de sentir.

“Torpor”, ali, foi usada com o sentido de “entorpecimento”. É o que me acontece
, por vezes, de verdade. Eu olho ao meu redor e quase desanimo. Não entendo o que está acontecendo. De todos os lados chovem-me notícias de que “ninguém quer nada com nada”. Ou “só quer levar vantagem em tudo”. Em termos de Cultura, é claro, que o resto é pior.

Quando vou olhar de perto, ver o que ninguém quer mesmo, observo que querem mais do que se ofereceu. São exigentes, entendem. Só não entendem as migalhas que lhes são jogadas. Pingadas.

8. Ainda nessa obra, refere-se ao imenso poeta Aricy Curvello como "Um poeta que pensa..." O que é o pensar na Poesia?

Sim, mas também escrevi: “Um poeta que ‘busca’. E isto é muit
o mais que ‘pensar’.”

O pensar, em Poesia, é uma aventura do espírito. É refletir e reflexionar o ser humano. A condição humana. A eterna pergunta: “quem sou?, donde venho,?, para onde vou?”. Aricy Curvello questiona tudo isso, pensa, busca respostas. E constrói, lentamente, uma Estética própria em busca dessa solução. Se a encontrará, não sei. Mas sei que é um Poeta que pensa e busca.

Em Poesia, raríssimos seguem uma trajetória tão determinada e tão infinita. A Poesia de Aricy Curvello caminha para a eternidade.

9. Como vê a poesia contemporânea, qual a sua importância num mundo cada vez mais tecnológico?

O mundo tecnológico não passa de um imenso mundo de trabal
ho. Ou de utilidades, ou de instrumentos, ou de matérias, o que quiser. De “imediatices”, de limitações, de consumos. Sempre passageiros, logo necessitando de novas e melhores reposições. De avanços, novidades, sofisticações… Ultras.

A Poesia — Poesia com “P” maiúsculo — não lida com coisas passageiras. Não importa se contemporânea, anterior, homérica ou bíblica. É eterna. Num mundo tecnológico e materialista como o nosso, transitório e passageiro, angustiado e insatisfeito, a Poesia é uma âncora de Paz e Perenidade. Sempre.


10. O senhor é um homem, um escritor profundamente atencioso. Isso é uma virtude pessoal ou considera um requisito para os que exercem a literatura?

Eu tenho por regra gostar das pessoas, querer bem aos outros. Os outros são pessoas humanas, como eu sou. Eles têm corpo e alma como eu tenho. Ou matéria e espírito, se preferir. Ou o que quiser. O que nos diferencia uns dos outros?

Então
, se me gosto, por que não gostar do outro?

Mas, isso não quer dizer que eu concorde com o que os outros fazem. Ou dizem. Eu gosto das pessoas, dos seres humanos, mas posso discordar do que fazem ou dizem. Eles são iguais a mim, mas nós agimos de modos diferentes. Eu quero bem às pessoas; os atos das pessoas eu só respeito.

Para discordar de um ato dessa pessoa, a quem eu quero bem, eu teria que, primeiro, discutir com ela os fatores de causa desse ato… E assim por diante.

É tão bom querer bem a todos! E tão simples.


11. Retomando a questão do Cacique Nheçu que resistiu bravamente à evangelização, como vê a necessidade de uma faxina geral nas histórias oficiais? Acredita que a reorganização do conhecimento pode contribuir com uma reforma do pensamento e lapidar a humanidade?

Desculpe, Amigo, mas as histórias oficiais são… A melhor resposta é o título de um ensaio de um amigo meu, Ruy Nedel: “A História é Prisioneira da Política”.

Por consequência, é fácil tirar as conclusões. Ou fazer as perguntas:


— Quem fará essa faxina?

Quem reorganizará o conhecimento?

Respondidas as perguntas, as respostas são óbvias.
Talvez eu pareça um tanto rude, aqui, nesta resposta. Não sou. Sou, sim, um cara desiludido com o que vejo e observo. Mas é da vida. Da humanidade. Homero, o velho Homero da “Ilíada” e da “Odisséia”, já nos cantava que a “humanidade é assim, sempre foi assim, como as folhas que caem, como a folhas que tornam a brotar, como as folhas que tornam a cair…”.

Por isso que eu prefiro este meu cantinho roceiro, aqui, à beira do rio Ijuí, pertinho do Salto Pirapó, à sombra do Cerro do Inhacurutum, todos lugares que sempre foram de Nheçu e poucos, no mundo, conhecem.

12. Evidentemente que, infelizmente não li todos os seus livros, mas pude observar e sentir o encantamento do leitor por estar diante de páginas tratadas com esmero. Como surgiu em sua vida esse primor pela escrita?


Não sei, Amigo, mas acho que essa vontade de escrever nasceu co
migo. Melhor, a paixão pelos livros. Divirto-me dizendo que nasci no meio do mato, de entre as águas. Isto aqui, em Roque Gonzales onde eu moro, tudo era mato quando nasci. Meu pai tinha serraria, procedia ao desmatamento. A serraria ficava numa confluência de águas, muitas, de muitos matizes. Como, diabo!, fui gostar de livros ali, aqui, no meio disso, onde bicho, cobra e peixe imperavam?!

Não sei, até hoje não sei, como o livro entrou na minha vida. E sempre li, sempre escrevi. Isso eu sei, garanto e juro.

Mas, para escrever, assim, metido a escritor, buenas!, Amigo, não me encabula. Aí a história é outra. Eu li o que se pode ler sobre o assunto. E continuo lendo, feito doido. E rascunhando, escrevendo, exercitando — escrever é que nem nadar: ou se aprende na marra, ou não se aprende nunca. Estou estudando, lendo, fazendo exercícios. Continuo aprendendo. Já estou começando a aprender a escrever. Um dia chego lá. Por enquanto não passo de um pobre rabiscador de coisas.

13. O senhor é por muitos considerado um grande romancista e assim se revela em alguns de seus livros, um deles, 'O Homem e o Bar". Como começa um romance? Há um traçado, um esquema, um planejamento, ou o livro vai crescendo?

Buenas, tchê! Bota elogio nisso, “um grande romancista”! Por sinal, é meu sonho.

Como lido com meus romances?

Como lido com qualquer dos meus textos. É lógico que tenho uma ideia inicial, algum pensamento, algum raciocínio a desenvolver. Alguma história a contar. Essa história pode virar romance, novela, conto. Pra mim, o normal é romance, sou muito conversador (no papel).

Desconfio que queira saber da realização, essa história de traçado, esquema, planejamento.

Resposta: cada livro tem sua história. Se conto, não paro. Mas, no fundo, existe só um esquema. O esquema é este: eu decido a primeira frase e decido a última frase. Depois, só ligo as duas frases.

14. Seu romance de estréia "A Bofetada" trata do drama de um seminarista, o personagem central. Alguns romances através dos tempos abordaram as questões do seminário, como "Eurico, O Presbítero". Qual é a novidade de "A Bofetada"?

“Eurico, o Presbítero”, do português Alexandre Herculano, além do nosso Bernardo Guimarães, com “O Seminarista”, abordam questões diferentes de “A Bofetada”. O problema deles é o celibato dos padres; o problema de “A Bofetada” é a condição de ex-seminarista. Acrescente-se que Alexandre Herculano e Bernardo Guimarães escreveram em pleno Romantismo mundial, no século XIX.

“A Bofetada” é de agora. A primeira edição saiu em 1978 e foi meu livro de estreia. Levou pau de todos os lados. Agora, é requisitado.

O assunto não é o seminarista. É o ex-seminarista. Quanto ex-seminarista anda por aí e não assume?

Ao que sei, até hoje, sobre esse assunto, com seriedade, apenas três romances surgiram no Brasil. Nos começos da década de 1960, o “Informação ao Crucificado”, de Carlos Heitor Cony; em 1978, “A Bofetada”, deste entrevistado; e, há pouco, “Desculpem, Sou Novo Aqui”, de Carlos Moraes. Cony aborda um dilema teológico, Moraes conta as dificuldades mundanas de adaptação do ex-seminarista. Eu enfrentei a dolorida consciência do pecado, uma consciência formada dentro dos muros eclesiais e, de repente, jogada fora do ambiente de estufa.

Como, parece, ninguém gosta de ouvir de pecados… as consciências machucam…Buenas! O jeito era desfazer o livro. Está refeito.

15. Para um escritor, todas as suas obras são importantes, mas, se tivesse que falar de uma apenas, qual livro escolheria para comentar? Por quê?

O próximo livro. Parece-me que antes já dei a entender essa minha posição. Também no prefácio da segunda edição de “A Bofetada” deixei claro que minha maior preocupação é o próximo livro. Aquele que escrevi, ou se realizou ou fracassou. É problema desse livro. Eu sonho com o que está por vir.

Eu sei que quer saber qual o meu livro preferido, daqueles livros já publicados. Tudo bem. O diabo é que não tenho preferência, só posso confessar. E confesso.

A série de livros começada por “Este mundo é pequeno” e concluída, agora, com “A arte de nascer das palavras” nasceu e cresceu de uma obrigação jornalística. Como foi a minha obrigação de professor. Ambas me apaixonaram.

“Terra de Nheçu” é um livro diferente, fora do meu sonho costumeiro, mas muito dentro de minha vida. Eu vivo aqui, na Terra que foi de Nheçu, e eu não podia decepcionar o ilustre e pisoteado cacique de um povo originário deste chão.

“O homem e o bar” cria o personagem Dr. João Roque Landblut, que tem uma história muito longa a ser contada. Já teve sequência em “Onde está Maria?”, segunda edição a sair em 2010. O terceiro volume da série está em fase de conclusão. O Dr. Landblut é um personagem que eu amo.

“A Bofetada” é um livro de dor. E de amor. O azar desse livro, e de toda a minha atuação literária, foi a dura e forte reação que o livro provocou. O livro é ficção e tudo o que conta é verdade. A verdade dói tanto assim?

Por fim, resta “Eu vivo só ternuras”. Este foi diferente. Foi um desabafo de amor. E amor que é amor não morre.

Qual escolheria? Eu amo o passado, mas sonho o futuro.


16. Tema que ocupou a mente de filósofos e poetas através dos tempos, a felicidade está presente em nossa busca. Para uns, uma quimera, para outros, utopia, para uns, simplicidade, para outros, produção. O que é para Nelson Hoffmann, a felicidade?

Todos sabemos que a felicidade não existe. Sonha-se com a felicidade. O que encontramos são uns poucos momentos de ausência de infelicidade. Mas, o que importa mesmo, é que podemos viver momentos de felicidade. Precisamos prolongar esses momentos de felicidade, torná-los o mais longos que pudermos.

Eu vivo em felicidade quando estou em paz comigo mesmo e com minha família. A minha felicidade é a minha família e a minha consciência. Quer saber? Eu sou um homem feliz.

17. Diga algo que realmente o deixa muito triste.

“Realmente”, nada me deixa triste. É condição humana viver cercado de dificuldades, ter que enfrentar problemas. Problemas surgem para serem resolvidos. Então, por que ficar triste?

Depois, a Humanidade é assim mesmo: desde sempre até a hoje, alguma coisa mudou?

Amigo, depois dessa, alguém me chamará de “estóico”. Será engano. Prefiro o espírito, é eterno.

18. Concorda inteiramente com um verso de Milton Nascimento: "Todo artista tem que ir aonde o povo está"?

Cuidado! O verso é específico e isolado. Se eu concordo inteiramente, respondo que não. Quando eu leio o verso, eu fico pensando. Tem alguma coisa que é preciso considerar.


Se o artista “tem que ir” é porque “o povo está” num patamar inferior. Isso esconde um conceito elitista da Arte.

A Arte não é de elite, não é de onde quer que se queira. Arte é busca de perfeição e não importa meio. O povo tem Arte e só lhe falta chance de execução e amostra.

Em vez de “ir”, deveria “estar” onde o povo está. E está. Só que o povo não tem chance de manifestar, mostrar.

Amigo, lembra-se que eu sinto um “estranho torpor”? Aí está.


19. Toda onda é passageira. Mas a Literatura permanece. O que é a Literatura, para Nelson Hoffmann?

A Literatura é minha vida, Amigo, e a Literatura não é passageira
. Passageira é minha vida, “uma onda que passa”, como você disse. Eu passo, sim, estou chegando ao fim, restam milímetros. Mas, o que é Literatura?

Aí está a dificuldade. A Literatura é a própria eternidade… Lembre-se: “No princípio era o Verbo e o Verbo era…”. Depois, agora, há pouco, Heidegger: “A palavra é a morada do ser”.

Etimologicamente, Literatura é a arte da palavra. Agora, como cada um, cada artista da palavra define o que é a Palavra, buenas!, aí está o problema. Um problema que atravessa a humanidade, vem desde antes e seguirá depois.

Passageiro sou eu. E me agarro ao eterno. Da Palavra. Como?

Pegando a Palavra no conceito de George Lukács, “um reflexo da realidade,”, somando-o à definição de Ezra Pound, “carregada de significado”, faço a minha explicação. Didática. E de escrita e de conversa.


Para a vida, Literatura é só isso: a minha vida. O que é tudo o que tenho.


20. Deixe uma mensagem final para o nosso leitor.

Essa é a coisa mais difícil, que não costumo fazer e que sempre me pedem. Quem sou eu pra dizer alguma coisa para os outros? Eu, que mal posso comigo mesmo?


Eu tenho um monte de regras pelas quais me norteio. Para todas tenho exceções, o que quer dizer que, no fim, nenhuma vale. Ou todas valem. Ao cabo, vira tudo um plano só.

Mas gosto mesmo, na vida particular, de uma frase de Santo Agostinho: “Ama, e faze o que quiseres!”. É uma frase boa de se conhecer, mas difícil, muito difícil, de se executar. Ela contém uma ordem e pode levar à morte… morte na cruz. Cruzes!

Em sociedade, sempre abro o jogo com a palavra de Alceu Amoroso Lima: “Uma civilização só merece esse nome quando coloca a Arte no centro de sua existência”.


Eu, mensagem? Que falem Santo Agostinho e Alceu Amoroso Lima!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Pé de Meia Literário (2)
Por Edson Gabriel Garcia



Os brasileiros quase anônimos e a formação de leitores


Dia desses, no mês passado, estive, como em anos anteriores, participando de um evento literário da Escola Municipal de Ensino Fundamental Mauro F. Gonçalves – Zacarias. Lá reencontrei o Wagner Carbonari, diretor da escola e a Olgair Gomes Garcia, coordenadora pedagógica. Não vi, desta vez, a professora Socorro de Lacerda, grande e sensível comandante da Sala de Leitura, ela mesma uma leitora de enorme sensibilidade. Mas sei que ela sabe das coisas da leitura.

Como sempre, apesar de todas as dificuldade que uma escola pública brasileira tem, o projeto pedagógico que o “pessoal do Zacarias” desenvolve é de primeira. Principalmente no que diz respeito à formação de leitores e escritores, no sentido amplo desses conceitos. Não é de hoje que a escola é referência no quesito formação de educadores, com projeto próprio, junto a outro grupo de escolas, em que pesem as dificuldades administrativas que as sucessivas gestões municipais apresentam.

Desta vez fui vestido de dublê de escritor e jurado de concurso de poesias.

Como escritor, fui entrevistado pelos alunos do quarto ano. Experiência conhecida de todos nós, mas sempre renovada quando se encontra um bom grupo de leitores. Como jurado do concurso de poesias, já na sua quarta edição, me coube a tarefa de indicar dez poemas feitos pelos alunos participantes. Junto com a escolha de outros jurados, escritores e educadores, alguns desses poemas seriam escolhidos para leitura pública e premiação. Até aí nada de muito novo, a não ser o compromisso com a leitura e a escrita, na sofrida periferia paulistana. O novo é o encontro desses escritores iniciantes, de idades as mais variadas possíveis, dos 9 aos quase sessenta anos, numa tarde de sábado, num auditório improvisado, para a leitura dos poemas e para aplaudirem a sua superação e participação no evento. São vitoriosos porque conseguem fazer poemas, depois de muita leitura de outros poetas, sobre coisas corriqueiras do seu cotidiano. E gostam de escrever, de ler e de ouvir.

Esse relato pode parecer bem simples e comum – e na verdade é – mas vale o registro por uma razão também muito simples: é por aí que dará (ou não) a formação de leitores e escritores no país.

É na distância do cotidiano dos milhares de brasileiros – e não nos eventos midiáticos, badalados e sobejamente dispendiosos – que nos tornaremos uma nação de leitores.

Parabéns aos brasileiros da escola municipal Zacarias, periferia de São Paulo, esquecidos da grande mídia e da badalação, pelo trabalho bonito com o qual vão construindo a sua identidade.

É gente como o Wagner, a Olgair e a Socorro e o trabalho que levam adiante na escola que vão fazendo o nosso pé de meia literário.


Sampa, outubro de 2009


EDSON GABRIEL GARCIA

(Educador e escritor)



quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Vice-Versa de Outubro de 2009




O Vice-Versa de Outubro traz para o blog Paulista, as entrevistas de César Obeid e Regina Gulla.


César Obeid entrevista Regina Gulla:

César Obeid: Cara Regina, agora é a minha vez! Tem gente que acredita que a habilidade para escrever é um dom e que isso não se aprende...
Eu e você somos pessoas que ministramos oficinas de criação literária. Eu mesmo já vi muita gente fazer belos textos. Então nos conte da sua Biblioteca de “inventação” interativa on line, Biliga!

Regina Gulla: César, eu penso que os dons dons, se é que os temos, quando não desenvolvidos, trabalhados, exercitados, para quê carregá-los?
E se não for por eles, por que não desenvolvermos a capacidade criativa da nossa inteligência? A minha experiência com a oficina literária de adultos nasceu de alguns anos com oficina de arte com crianças, e com elas aprendi que criar histórias e poemas dependia mais de motivação, de vontade, do que de dom.
A Biliga, é o resultado dessa experiência de abrir as portas para o exercício criativo de escrever, de conduzir a imaginação através das palavras, ou as palavras através da imaginação, dá no mesmo, não é?

César Obeid: Durante 23 anos você trabalhou com atendimentos psicológicos em clínica. Como essa experiência, de troca com seus pacientes, influencia a sua escrita?

Regina Gulla: Olha, César, eu não sei quem foi o ovo, quem foi a galinha, na minha história, se a clinica ou a literatura. Veja bem, a minha geração cresceu lendo Dostoievski, Tolstoy, Cronin, eram os livros que havia em casa, e de certa forma nos levaram a uma certa compreensão humana. Acho que daí, desse mundo de vidas escritas tão densamente (junto com a percepção das minhas próprias angústias), é que eu fui atraída pela clínica. Depois me voltei definitivamente para a literatura, onde tudo que vivemos, cá e lá, penso eu, é fonte de onde surge essa preciosa matéria imaginativa para nossa escrita... E do nosso canto, não é mesmo, César?

César Obeid: Vamos falar de um assunto que eu gosto muito também; transcrição de texto literário em teatro. O que um texto precisa ter para ser possível esta transcrição? E mais, quais são os textos que não servem para serem encenados?

Regina Gulla: Pois é, o teatro não é muito minha praia, embora eu tenha feito minha tentativas dramatúrgicas, sabe, César. Mas eu penso que se o dramaturgo consegue fazer viver a história que foi narrada em livro, se a história se sustenta com a ausência do narrador, então o dramaturgo e a história têm alguma chance. Veja, difícil encenar qualquer texto em que a história esteja circunscrita à linguagem literária. Até hoje eu não entendo, por exemplo, que passe de mágica foi dado para que um diretor de cinema conseguisse trazer o Lavoura Arcaica, do Raduan Nassar para as telas, por exemplo.
César Obeid: O seu ateliê literário e artístico, Gato de Máscara, funciona na Vila Madalena, região de grande diversidade cultural da capital paulista. É dali que saem suas obras visuais e escritas ou são das lembranças guardadas bem no fundo do coração? Aproveite a última pergunta para falar o que tiver vontade, até fazer uma rima para Biliga! Foi um prazer prosear contigo.

Regina Gulla: O prazer é meu, César, de poder levar uma conversa espontânea, por esse meio viceversado do querido Vice-Versa, com a mediação da Regina. É uma comunicação eletrônica? Puxa, parece até uma salinha com tapete de crochê e café fresco, numa vila encrustada nas ruas de nossa memória.
Não é não? A gente que é escritor, tem hora que chega a não saber em qual endereço a gente mora, e a Vila Madalena me dá essa chance de matizar a vila da imaginação, da memória, com o lugar onde moro. Sabe, uma lembrança a que essa conversa com você me leva a pescar – nesse mar de tumultos que é o coração– é a do meu vizinho, amigo na adolescência, que me chamava no muro para fazer rimas e estudar tabuada. Era o melhor jeito de fazer o muro entre as nossas casas cair por terra.
Valeu, César.




Regina Gulla entrevista César Obeid

Oi, César, acabo de começar uma conversinha com você, depois de assistir seus vídeos ( que amei, passei os endereços para meus netos e outros amigos) e quero te passar o que me ocorre, nesta tarde de sábado em que o sol surge todo alegre, depois das fortes chuvas.

Regina Gula: César, levei um tempo para compreender que a escrita poética é música letrada, palavreada, que anda de mãos dadas com as imaginação. E, assistindo seus vídeos, eu vi um homem que resolveu morar nesse mundo poético, seja expresso na voz falada, cantada, seja na escrita. E que resolveu professá-lo.
Me diz, poema, para você, é palavra cantada?

César Obeid: Olha, Regina, imagino o poema como sendo a palavra dita, bem pronunciada, com pausas, intenções e respirações. Pode ser palavra cantada também, mas precisa de pausas, sempre. Poesia sem pausa perde a graça.
Eu utilizo o canto improvisado, feito ao som da viola repentista, são poucos acordes que dão suporte ao calor e a rapidez da improvisação. O humor e a brincadeira são meus vizinhos que me visitam nessa hora, é um barato.
O improviso e a escrita, mesmo oral, são formas de expressão poéticas bem distintas, como não consigo ter preferência por uma delas, eu fico com as duas.

Regina Gula: *Ao observar seu noivado com o cordel, fico me perguntando o que será que a íntima relação com essa linguagem veio trazendo para sua experiência pessoal, seu modo de experimentar a vida, a comunicação com as pessoas ... Me conta?

Ótima pergunta! Eu diria que, o meu caso com o cordel, já deu até em casamento com dez filhos. Até o final de 2009, serão 10 livros publicados em versos de cordel. Foram mais de doze anos exclusivos dedicados ao estudo, à pesquisa e à difusão da poesia popular. Há dois anos, senti necessidade de experimentar a escrita em outros gêneros e também estou encantado com essas novas descobertas literárias.
O cordel, na minha vida pessoal, só me trouxe alegrias. Comecei o trabalho com o cordel e o repente em uma época em que as pessoas nem sabiam direito o que eram essas manifestações. Acho que nem eu sabia bem o que era, mas sentia que precisava trabalhar com isso. Insisti, aprendi, ensinei, escrevi, contei e cantei essas rimas com o coração aberto e só tive ótimos retornos; financeiros, emocionais e pessoais. Sou eternamente grato ao cordel, ao repente e, principalmente, aos poetas populares, meus verdadeiros mestres.

Regina Gulla: E, ainda, uma curiosidade me fica: como é que é que a experiência com o cordel foi afetando sua expressão, como autor? (Sim, pois me parece que se trata de afeto, a relação do cordel com você e sua com ele... Muito próxima do casamento.)

César Obeid: Eu vejo o cordel como uma forma de expressão oral e literária, mas o que motiva o conteúdo da minha produção são as minhas vontades, meus anseios e desejos. Observando tudo o que escrevi, claramente, eu vejo fases da minha vida. Não posso deixar de citar o teatro como outra influência na minha obra. Acho também que o cordel, como gênero, me motiva a buscar rimas sonoras para os poemas e brincadeiras com as palavras.

Regina Gulla: Observo, aqui na oficina literária que oriento, um certo preconceito com as RIMAS, essas incríveis analogias sonoras. E, Ufa!, como me custa reintroduzir a repetição do som na escrita das pessoas, no poema. É como se, a partir da proposta libertária em relação às formas anteriores, pelo Movimento dos Modernistas, lá por 1922, a rima, a métrica, a forma (fôrma) fossem vistas como uma espécie de prisão para a criatividade que se almeja no fazer poético, como um impedimento para as descobertas que emergem no meio (midium) do poema.
Minha pergunta é: é possível relegar a RIMA e a Métrica ao limbo e se obter (ou para se obter), das palavras, boa poesia?

César Obeid: Claro que sim, basta olhar a obra de grandes poetas que fizeram lindos poemas sem rimas, para crianças ou adultos. Deve ser muito mais difícil fazer um bom poema sem rima...
Mas, por outro lado, o uso da rima não é um fator decisivo para classificar um bom poema ou não. O mais importante é a veracidade com que o autor nos conduz, quais são as imagens que ele constrói, qual é o ritmo e a música que ele nos oferta.
O cordel, como um gênero literário, que leva a utilização da rima ao extremo, me deu várias possibilidades para aprofundar e experimentar o seu uso. Eu, particularmente, gosto de rimar, acho que a combinação do som oferece um bom apoio seja à narrativa ou ao poema.
Nos meus primeiros cordéis escritos, eu busquei rimas bem complexas, rimas em substantivos, em adjetivos, rimas em plural, etc. Eu achava que valorizaria muito mais o texto. Mas, depois de um tempo, vi que não faz tanta diferença a complexidade das rimas e sim, se ela é o apoio ideal para a mensagem do poema, que é mais importante.