quarta-feira, 31 de março de 2010

QUINTAS - 1

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 QUINTAS
 PÁGINA DE MARCIANO VASQUES 
PUBLICADA 
NA QUINTA- FEIRA



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REFLEXÕES SOBRE A LITERATURA INFANTIL



O que há entre Branca de Neve e Moisés? A pergunta tem sentido. Quando a Branca  chega à casa dos anões (sete!), instaura a limpeza, a organização, ela organiza, promove a limpeza na casa, ensina a higiene, impõe as regras básicas de higiene, como lavar as mãos antes das refeições. Enfim, ensina o que a humanidade demorou séculos para aprender, e a criança, representada pelos anões, aprende em duas horas.
       Moisés, quando retornou do monte, com os mandamentos inspirados no código de Hamurabi, o que traz é na verdade regras. Os mandamentos são regras sociais. Ele ensina ao povo as regras básicas de higiene, como lavar as mãos antes das refeições. Educa o povo através das regras.
       Com o aperfeiçoamento dos tempos, os mandamentos são reduzidos a dez (sistema decimal), os prioritários, como: não matar, e entre eles, um curioso, não desejar, não cobiçar a mulher do próximo, mandamento visivelmente vinculado ao patriarca, ao patriarcal. Com o estabelecimento do monoteísmo, surge o Deus masculino, o senhor, e a mulher do próximo (uma propriedade) não pode ser cobiçada, ela passa a ser representada como a idéia do desejo, o valor da mulher é o valor do desejo. Bem, vamos retornar.
       Branca de Neve, a mulher, organiza, arruma a casa e ensina regras  básicas de higiene. Educa.
       Mas eis um apaixonado que nos comove, o soldadinho de chumbo, ele mesmo, o persistente. Soldadinho de chumbo significa persistência, honradez, ética; a sua ética  é a mais profunda! Seu profundo sentido ético orienta a sua vida. Ao se recusar a pagar os impostos para o ratão do esgoto,  age em conformidade com a sua ética.

In CONTOS DE ENCANTAR
       E o seu persistente e destemido amor pela bailarina? Que amor maior pode ter havido neste mundo? Tristão e Isolda? Romeu e Julieta? Abelardo e Heloisa?
Cena do filme "Doutor Jivago"

Doutor Jivago e Lara? Dostoievski e Ana Grigórievna? Rimbaud e a liberdade? Falo dos amores literários, dos amores históricos. Que bela história de amor é a do soldadinho de chumbo!

In CAVALEIRO DA DINAMARCA
       Andersen tanto ensinou aos pequenos, com o seu Soldadinho, o seu Patinho. Andersen! Que encantou Kierkegaard, Andersen, que foi o primeiro que me fez pensar num aspecto da filosofia: Teriam os filósofos nascido sem infância? Quase não se sabe nada da infância dos filósofos, parecem até produtos acabados. Seria o filósofo alguém que nasceu adulto, como se estivesse num paraíso? Um produto acabado, que passa a existir a partir da existência de um sistema de pensamento. Como filosofia é texto, realmente para ela não interessa, em hipótese alguma, a infância do filósofo. Seria isso mesmo? Mas, e para a literatura?

        Cada conto infantil tanto nos ensina! Cada conto é um tesouro infinito, um tesouro de mil possibilidades. Ficando apenas nos clássicos: Cinderela nos ensina, entre outras coisas, que a medida certa é o absoluto, a exatidão.O sapatinho é o que importa! Não adianta inventar! O sapato entrou é o que importa.Isso é algo tão certeiro como uma lei de uma ciência exata, uma lei matemática, universal, que não se altera na regência do universo.
       A fábula O Lobo e o Cordeiro  nos transmite que contra a força não há argumentos. A Guerra das Formigas (Não é um clássico!) de Julian Murguía, um simpático livrinho editado no Rio Grande do Sul, é a literatura que vale por um mês de aula. Tantos são os seus ensinamentos! Nós, humanos, somos aquelas formigas. Há uma formiga preta e uma vermelha em cada um de nós! As formigas, as pretas e as vermelhas, são iguais. Não há diferença entre elas.Tão importante como ler, por exemplo, Análise do Homem, de Erich Frohmm, é ler A Guerra das Formigas. Literatura infantil obrigatória para os adultos.

In TRIBO DA LEITURA
O Casamento da Dona Baratinha, de origem oriental (a barata é um animal nobre em certas regiões), um clássico encantador – como as crianças o amam! Quem quer casar com a dona Baratinha? Todos querem! Pois ela tem dinheiro na caixinha. Mas ela casa com o Dom Ratão e o rato é vil, é um sujeito baixo,  demasiado voltado para os prazeres físicos, adora feijoadas e a comida é mais importante que o resto. Dona Baratinha aprende uma bela lição!
       A atração que a literatura infantil (que deve ser a protagonista em qualquer projeto de alfabetização) e as cantigas exercem sobre as crianças é impressionante. E a cantiga nem sempre é politicamente correta. Não é certo, por exemplo, atirar o pau no gato.
O sapo príncipe é maravilhoso. A sua lógica é da ética. Você prometeu terá que cumprir! -diz o pai. E a princesa terá que aprender a dura lição! Ela está diante de seu primeiro grande desafio, é o momento da perda da inocência, quando o jogo da vida se apresenta, quando você se torna a pessoa que decide, quando aprende o significado da palavra, quando aprende que promessa é dívida. Quando compreende duramente, que o verbo às vezes rege a vida.
Com a literatura infantil universal (Além dos clássicos, temos a literatura infantil africana, e a tradição oral em várias regiões do mundo!) aprendemos todos os valores. Todos! Conhecemos a inveja, o ódio, a mágoa, a má água, a amizade, as traições, os porões da mente, os belos ideais, os corações imensos voltados para o que permanece, e os pequenos, voltados para o transitório, para o efêmero.
Conhecemos a malignidade do invejoso, a cobiça, o amor irracional, a competição, o herói, enfim, os mesmos valores que encontramos em Othelo, em Iago. O que encontramos em Othelo, na literatura universal  já está na literatura infantil, nos contos de fadas, como a eterna luta entre o bem e o mal dentro do homem, a mesma que encontramos no zoroastrismo, em Osmurd na ponte enfrentando a sua outra metade, nos manuscritos do Mar Morto; a eterna luta interior entre o bem e o mal, cujo campo de batalha é a consciência, está aqui, na literatura infantil, simbolizada por fadas e bruxas.
A mulher que covardemente espanca uma criança, que a explora. Sim, essa devemos temer! A que permite que a menina seja explorada por um mísero. Eis a bruxa. Existe sim. Essa é uma outra espécie de bruxa.
Os contos de fadas podem salvar a criança. Ela estará protegida deste mundo se estiver sob a proteção dos príncipes encantados, das bruxas, das fadas e dos duendes. Mas os contos infantis não existem para proteger a criança do mundo, como se esse fosse uma entidade fictícia, algo fora de nós, como certas criações  evangélicas. A literatura infantil e os clássicos das fadas existem para ensinar a criança a viver no mundo. Para mostrar os caminhos da consciência, para orientá-la, os contos de fadas dizem: vá por ali!
Uma criança alfabetizada com o alfabeto das fadas é feliz e aprende a desligar a televisão sozinha.
Todas as pessoas que se dedicaram à literatura infantil são pessoas que deram uma contribuição imensa para o aperfeiçoamento da humanidade, para a lapidação da consciência humana. Pode parecer exagero afirmar que os contos de fadas têm a mesma importância que os grandes sistemas filosóficos, mas eu me atrevo. Sempre fui atrevido.
Mesmo as contribuições mais recentes, como o nosso Monteiro Lobato,
Walt Disney - Reprodução

Walt Disney, levando os clássicos para a indústria cultural, modificando, mas, inegavelmente embelezando-os. Todas as contribuições são importantes, e, enquanto houver uma cigarra cantando, uma menina levando doces para a vovó, o mundo terá esperanças brancas como a neve.
É oportuno encerrar com a verificação de que todo o encantamento  dos contos de fadas é medieval, castelos, reis, seres fantásticos. É apenas uma curiosidade, mas faz lembrar que não apenas os contos de fadas, mas muitas coisas da nossa cultura são medievais, talvez por isso os contos exerçam tanto fascínio sobre as crianças.
Muita gente não considera a literatura infantil como literatura. Infelizmente. Mas são  apenas intelectuais equivocados. Posso citar um exemplo. Já aconteceu de ser organizada caravana de escritores para representar o Brasil em evento literário internacional e na lista governamental nenhum nome de autor infantil.

Versão cinematográfica da Bela Adormecida
Porém, enquanto houver no mundo uma floresta, sempre haverá em algum coração de menino ou de menina a certeza de que em algum lugar, em alguma clareira, dorme a Bela Adormecida do bosque.

 MARCIANO VASQUES

terça-feira, 30 de março de 2010

Os nove pontos

Caros associados,

Leiam atentamente.O texto é do interesse de todos.

Um abraço,

Regina Sormani


Os nove pontos
Tradução livre de Leny Werneck (autora associada-La Charte)


Boletim de La Charte
Hotel de Massa 36, rue du Fbg. Saint-Jacques 75014 Paris

CHARTE- INFO
La Charte dos autores e ilustradores para crianças e jovens


Os “seis pontos” viram... “nove”

Faz já algum tempo que, diante da falta de transparência de certas práticas editoriais, uma complexidade crescente, não necessariamente justificada, de contratos de edição e uma degradação das condições de trabalho dos criadores, os autores e ilustradores para crianças e jovens decidiram, para se defender, jogar a carta da solidariedade.
Assim, durante anos, La Charte assinalou 6 pontos a serem respeitados. As coisas mudam, o digital mostra bem o seu nariz... Então, por ocasião do CA (Conselho de Administração) do 9 de março de 2010, esses seis pontos se tornaram 9 pontos essenciais a serem respeitados.

1.Uma cessão, uma remuneração

Confirme e verifique que a cada cessão de direitos corresponde uma remuneração.

2. Montante de direitos autorais

Aconselhamos a não assinar abaixo de 6% (como todo, para um livro, a repartir entre eventuais co-autores). É um mínimo. Não esqueça, ainda, de pedir direitos progressivos.

3.Cessão digital

Os direitos digitais serão objeto de um acordo em relação ao contrato inicial.
Esperando que as coisas fiquem mais claras, a duração dessa cessão será limitada a três anos tacitamente renovados e o percentual de direitos não será de modo algum inferior aos direitos papel.

4. Formato de bolso

Quando houver uma passagem ao formato de bolso, conserve a
mesma porcentagem de direitos autorais.

5. Preço fixo (forfait) limitado

A remuneração a preço fixo é limitada unicamente a obras coletivas do gênero enciclopédia ou à cessão de algumas ilustrações (artigo I. 131 -4 do Código da Propriedade Intelectual). Segundo o Código dos Usos (Code des Usages) a remuneração fixa só se aplica a uma primeira tiragem. Prever no contrato uma nova remuneração a cada reimpressão.

6.Direitos audiovisuais

Os direitos audiovisuais devem ser objeto de um contrato distinto dos direitos de edição. A sua cessão não é nem obrigatória nem automática. Aconselhamos esperar uma proposta de adaptação para assiná-lo.

7.Provisão para o retorno

A provisão para o retorno (devolução) é objeto de visíveis abusos da parte de certos editores. Fique atento para que ela não ultrapasse 20% no primeiro ano e seja reintegrada no ano seguinte.

8. Prestação de contas

Uma prestação de contas conforme o artigo L 132 - 13 do CPI deve obrigatoriamente comportar o número de exemplares fabricados no curso do exercício, a data e a quantidade das tiragens e o número de exemplares em estoque. Verifique se essas menções figuram em seus contratos e em suas prestações de contas.
O acúmulo de vendas permite considerar a aplicação dos direitos progressivos.
O editor deve “fornecer ao autor todas as justificativas próprias ao estabelecimento de suas contas (artigo L 132 -14) e tem uma obrigação legal de prestar contas sobre a utilização (publicação) das obras no estrangeiro.”

9. Encomendas recusadas

O ressarcimento em caso de obra de encomenda executada pelo autor, mas recusada in fine pelo editor, está previsto por uma clausula do Código dos Usos (Code des Usages) assinado pelo Sindicato Nacional da Edição (Syndicat National de l´Édition) em 1978. Foi fixado em 30% mínimo do valor inicialmente previsto. Para isso, na falta de contrato, pense em guardar os traços escritos de toda encomenda.
Seja vigilante antes de assinar seus contratos.
Faça circular esses nove pontos...
Ser Chartista é isso, também.
Até breve! La Charte

terça-feira, 23 de março de 2010

Canto & Encanto da Poesia




A poesia que apresento este mês consta do meu livro interativo"As aventuras do Pintinho Azul" que é a continuação do "O ovo Azul da galinha Rosa". Azul é o filhinho da galinha Rosa e do galo Tenor e objeto do desejo da Perua, a vilã. Frustrada por nunca ter conseguido chocar um ovo, a Perua passa a história toda perseguindo Azul.
São quatro quadras, representativas das aventuras que aconteceram naquele galinheiro...

Quiquiriqui, quiquiriqui,cocorocó.
Rosa e Tenor estão de fazer dó!!
Adivinhem o que aconteceu:
O pintinho Azul desapareceu!

A Angola gritou, amedrontada:
— Imaginem se Azul levar uma pernada
Daquela estranha eremita,
A esquisita coelha Chiquita...

Para aumentar a confusão,
Alguém se lembrou do Corujão,
O misterioso mocho mateiro.
Um perigo verdadeiro!

A Perua se fez de desentendida,
Mas, estava feliz da vida.
Maravilhosa, sensacional!
Inteligente, linda e fatal!


Quem quiser desvendar o mistério do sumiço de Azul, pode ler "As aventuras do pintinho Azul" da Paulus Editora.
Um beijo,
Regina Sormani

quinta-feira, 18 de março de 2010

PÉ DE MEIA LITERÁRIO 07

PÉ DE MEIA LITERÁRIO 07 - MARÇO DE 2010

POR QUE A LITERATURA MEXE COM A NOSSA CABEÇA?


O título deste texto poderia ser uma afirmação, não uma pergunta. Poderia ser uma exclamação ou uma afirmação reticente. Por que eu escolhi o caminho da pergunta?

Como escreveu, e sempre disse, o inesquecível mestre Paulo Freire, “nada como uma boa pergunta” para alavancar o conhecimento. Ou a emoção. Ou o pensamento.

Aí está, portanto, uma boa pergunta: por que a literatura mexe com a nossa cabeça. A qualidade de uma boa pergunta é sugerir (indicar, apontar, fustigar, pedir, dizer, sacar, orientar, provocar, etc) muitas respostas. Como esta(s).

A literatura mexe com nossa cabeça porque desabotoa vontades, expõe nossa frágil organização de defesa diante da humilhação de nos saber incompletos e tão cheios de desejos, guardados e escondidos aqui e ali nas dobras das rugas, no penteado bem comportado dos cabelos.

Mexe com nossa cabeça porque faz um mapeamento nada solene das dúvidas. E são quantas e tantas, perdidas em nosso ser esquematizado para não errar. E assim, mapeando coisas não sabidas, instiga os olhos adiante do que vemos.

A literatura, quem diria, sopra o pó dos sonhos. Assim limpos da poeira do tempo morno, os sonhos ousam fazer frente à realidade e pedir passagem, marcar presença, riscar novos traçados. O sonho enche a alma de querer viver.

A literatura, quem diria, desacomoda certezas, empurra o limite do saber para longe, muito longe, mas ainda tão perto que possamos alcançar e ultrapassar. E aprender de novo. Aprender o novo. De novo. Porque esse é o ritmo da vida.

A literatura mexe com nossa cabeça porque insiste em alterar os horizontes de nossa utopia pessoal, para além desse mísero gole de existência. Adiante, mais à frente, o passado e o futuro se encontram, um de olho no outro, o presente concretamente escorregadio entre os dedos.

Mexe com nossa cabeça porque nos permite desviar das pedras do meio do caminho ou atrita-las até que o conhecimento se faça fogo, assim dando lucidez à pluralidade dos saberes adormecidos em nós.

E mexe, por inteiro, porque nos acostuma a dar voz ao silêncio. Tira a carranca da boca fechada e intima todo passageiro das palavras a pensar alto, a por palavras no fígado, a morder idéias, a chupar o caldo saboroso do prazer de dizer. O silêncio rompido é o carinho dos ouvidos tristes.

O silêncio rompido é beleza palpável que enche de brilho nosso caminho.

A literatura mexe com as palavras enfraquecidas, com as idéias dormidas e caladas, com os costumes de aquietação, com as perguntas escondidas e as respostas adormecidas. E faz uma sinfonia plural de emoções. Depois de mexidas, o que se há de fazer senão abrir o palco para a cena montada?

Mexe com nossa cabeça porque alavanca novos entendimentos, porque cruza as fronteiras do conhecimento já estabelecido, porque inventa outras caras para os desejos e porque incita cada um de nós a ter uma pessoa feliz dentro de si.

Mexe porque é a prova mais viva e definitiva de que não estamos sozinhos no mundo, nem nunca estivemos, e a prova do acerto socrático milenar que sabemos pouco e há muito o que aprender.

Mexe porque a literatura nada cobra do leitor, a não ser a disponibilidade de ceder algum tempo da vida para a curtição do prazer da descoberta. E não cobrando, recebe de volta o envolvimento das amarras desligadas, dos vigilantes da moral adormecidos, da sensação gostosa de não ter que prestar contas.

E mexe, enfim, porque... porque nos convida, provoca, chama, seduz e permite entrar de cabeça na plenitude da vida, o mais delicioso de todos os mistérios.

É preciso mais?

Edson Gabriel Garcia

domingo, 14 de março de 2010

UM LIVRO DO QUAL GOSTEI MUITO

Meus caros,
Estamos inaugurando uma nova página no Blog de Sampa.
Este mês, a escritora Eliana Martins comenta o belo livro da nossa associada Lô Galasso.
Grande abraço a todos,
Regina




Nome do Livro: MÃOS DE VENTO E OLHOS DE DENTRO.
Autora : LÔ GALASSO.
Editora:SCIPIONE – Coleção dó-ré-mi-fá / 2002.

RESUMO DA HISTÓRIA: Tico e sua família mudaram-se para o interior. Na nova cidade, ele encontra uma amiguinha: a Lia. A brincadeira predileta dos dois é ficar olhando para o céu e descobrindo que formas têm as nuvens. Tico diz que vê uma nuvem parecida com o gato da tia dele, outra com uma pomba e muitas outras coisas. Lia se mata de rir e concorda com tudo. Os dois passam horas olhando o céu e descobrindo formas. Um belo dia, Tico decide esculpir em argila as formas de nuvens que estão vendo no céu. Ele esculpe e Lia ajuda; passando as mãos nos contornos das esculturas, para elas ficarem bem lisinhas. Tudo ia bem ate que, certo dia, o pai de Lia foi transferido para outra cidade. Lia se foi com sua família. Tico ficou muito triste. Mas lembrou de quando haviam se mudado para aquela cidade; ele não gostava, sentia falta dos antigos amigos. Mas acabou gostando, encontrando Lia. Agora era hora de nova mudança em sua vida. Aos poucos, ele descobre que tudo na vida muda. Descobre também, através da mãe, que Lia era cega. Que todas aquelas coisas que ela via no céu, via com os olhos de dentro, os olhos da imaginação.

Mãos de Vento e Olhos de Dentro, de nossa colega da AEI-LIJ Paulista Lô Galasso, é um livro que, apesar de eu ter lido há muito tempo, permaneceu na minha memória. E quando quero, posso recordá-lo com os olhos de dentro.

PS: Ficaram curiosos por saber o que são as mãos de vento? Foi um apelido que Lia colocou no Tico; por causa das esculturas em argila que ele fazia.


Comentarista: Eliana Martins
Saiba mais sobre a escritora acessando:
http://eliana-martins.blogspot.com

segunda-feira, 8 de março de 2010

PÁGINA DO ILUSTRADOR - 1 - 03/2010

PÁGINA DO ILUSTRADOR - 1 - MARÇO DE 2010

CARLOS AVALONE

Todos os meses um ilustrador da AEILIJ Paulista será convidado para enriquecer este blog e encher nossos olhos com o encanto de seu trabalho.
Nesta primeira edição convidamos Carlos Avalone, veterano do quadrinho nacional e hoje ilustrador de literatura infantil e juvenil.
Você pode acompanhar sua biografia e muitas incríveis curiosidades sobre o mestre nestes links:
Contatos:
avalone.art@hotmail.com
13 3231-4347

E agora, com a palavra, formas e cores, Carlos Avalone...

Eu fiz essa ilustração para um livro de inglês para crianças de 7 a 8 anos. A editora é a FTD.
É uma ilustração de rotina, não há nada de especial, curioso ou engraçado para falar dela.
Então, para não ficar sem assunto eu vou mostrar aqui como ela foi feita.
Eu faço ilustrações digitais usando três programas. O Adobe Photoshop eu uso para fazer
ilustrações de livros didáticos. O Adobe Illustrator para ilustrações vetoriais que poderão ser
usadas em vídeos ou websites em Flash. E o Corel Painter eu uso para fazer artes de livros
infantis, pois é um programa que simula com perfeição as técnicas tradicionais de desenho e
pintura, como guache, óleo, lápis de cor, etc.
Então, essa é uma ilustração digital, é para livro didático e foi feita usando o Adobe
Photoshop. Vamos ver como foi, em 6 passos.






















PASSO 1
Uma das diferenças entre uma ilustração
tradicional e uma digital é que na tradicional
o ilustrador trabalha sempre em uma única
superfície, a folha de papel. Já na digital ele
pode usar camadas, como se cada uma fosse
uma folha de papel, e distribuir nas camadas
as etapas da produção da arte. Se errar numa
etapa é só deletar aquela camada e fazer de
novo, preservando as etapas anteriores.
No Photoshop eu abri a primeira camada e fiz
a base do esboço. Nessa etapa eu não me
preocupei com detalhes, apenas com as
formas e a composição da cena.






















PASSO 2
Eu abri uma nova camada e fiz nela o esboço
mais detalhado. Observe que eu usei cores
diferentes no esboço para torná‐lo mais
legível. Um esboço feito só com uma cor
pode ficar confuso quando tem muitos
elementos.






















PASSO 3
Na terceira camada eu fiz o traço principal
em preto juntamente com os traços
coloridos. É esse esboço que vai para revisão
e aprovação do editor ou do diretor de arte.






















PASSO 4
Depois que o esboço volta da revisão eu faço
as correções ou alterações pedidas. A fase de
esboço está terminada, agora começa a fase
de finalização da arte. Eu abri a quarta
camada e fiz nela o traço em preto definitivo,
que vai receber as cores.






















PASSO 5
Na mesma camada do traço eu fiz as cores
chapadas. Veja que eu rebaixei as cores da
janela para ela ser empurrada para segundo
plano na cena. Nesse passo eu acrescentei
também algumas estampas ou texturas nas
roupas, salientei as bochechas dos
personagens com uma cor mais quente e
coloquei batom na boca da mulher.






















PASSO 6
Aqui eu abri uma nova camada, acrescentei
as sombras e coloquei umas luzes onde achei
conveniente. Pronto, a arte está feita.
Muitos ilustradores usam passos diferentes
para chegar a esse mesmo resultado. Espero
que tenham gostado da demonstração.
Quem quer ver mais ilustrações nesse estilo
que eu uso para didáticos, ou no estilo
pintura digital que eu uso em livro infantil,
pode visitar meu website em.www.avalone.art.br
























Até o próximo mês com um novo mestre...

sábado, 6 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher


Comemora-se, dia 08 de março, o Dia Internacional da Mulher.
Parabéns, valentes companheiras!
Conheçam a opinião de oito mulheres, entrevistadas pelo escritor Marciano Vasques, em PALAVRA FIANDEIRA. Acessem:
http://palavrafiandeira.blogspot.com
Grande abraço,
Regina