quinta-feira, 29 de abril de 2010

Álbum do Blog- Reunião AEILIJSP 28/04/2010


Meus caros,

Nossa reunião de 28 de abril na Assembleia foi excelente, começando com as sugestões para o homenageado 2010. Eis os nomes que surgiram: Ziraldo, Eva Furnari, Pedro Bandeira, Edmir Perrotti, Maurício de Souza, Ruth Rocha e outros. Particularmente, gostei muito da sugestão do escritor Manuel Filho,que não esteve presente, mas, mandou seu recado: o voto dele vai para Francisco Marins, o escritor da juventude. Estou pesquisando vida e obra do autor e depois divulgarei os dados cbtidos.
Falamos a respeito da parceria que a AEILIJSP poderá começar com a Praler, apoiando a vinda de uma exposição de ilustradores aqui para S. Paulo, no Parque da Água Branca. Sem dúvida, o que causou entusiasmo entre os autores foi o bate-papo com a Ceciliany, da FTD. Perguntei a ela o motivo da recusa das editoras em publicar livros de poesia. Ceciliany nos explicou que tem encontrado resistência por parte dos professores em adotar livros de poesia porque não se sentem à vontade para trabalhar com a linguagem poética. Que coisa, não? A seguir, transcrevo a fala do nosso conselheiro Edson Gabriel e suas considerações sobre nosso encontro.



Oi pessoal,

De fato nossa reunião de ontem foi muito boa. Pouca gente, como sempre. Uma pena, pois acho que o grupo poderia se fortalecer mais. De qualquer forma, vamos como dá, sem apressar o rio, pois ele, como disse um sábio filósofo índio, ele corre sozinho.

Duas e meia pequenas observações.
Primeira: além dos nomes já citados, rolou uma sugestão de se homenagear os livreiros pioneiros especializados em LIJ. Talvez uma homenagem coletiva a vários deles. Gostei muito dessa idéia. Dos profissionais do livro, o nome que me parece se encaixa bem no nosso propósito é o da Ruth Rocha. Mas, como disse a condessa Rê Sormani, vamos fermentando e ver o que dá.

Segunda: o bate papo com a Ceciliany foi ótimo. Em cima do que queríamos. Eu particularmente gostei muito da sua resposta à minha pergunta-comentário sobre a literatura para jovens. Entendo que a literatura infantil brasileira é fartamente brindada com talentos da palavra e da imagem e da produção, com produtos belíssimos. Mas não vejo a literatura juvenil, apesar dos talentos - que são muitas vezes os mesmos profissionais - com esse brilho. Ela respondeu que também vê dificuldade em encontrar textos interessantes para esse público e que nos catálogos acabam prevalecendo clássicos e adaptações. (Claro que aqui estou tratando do assunto bem sinteticamente.) E deu dicas ótimas (pena que não é tão fácil assim!) para quem quiser escrever um bom texto juvenil: entrar de cabeça no mundo da moçada, saber o que se passa na cabeça e na emoção do jovem, lidar bem com a linguagem, num sentido criativo, amarrar bem a história e ... surpreender sempre. Taí, quem se habilita!???

Meia observação(final): os nossos coquetéis são gostosíssimos. Às vezes tenho a ligeira sensação de que a gente se reúne para comer e beber e falar abobrinha, usando como desculpa a pauta da aeilijpaulista. Será que estou errado?

Abraços
Edson Gabriel


Abaixo, duas fotos da Ceciliany, palestrando, e algumas outras com o pessoal que estava presente: Edson, Danilo, eu, Nireuda, Alina, a Rosana, futura associada, Maria Luiza, Maria Amália e Fábia.

Um beijo,
Regina Sormani







terça-feira, 27 de abril de 2010

Convocação para reunião da AEILIJ SP dia 28/04/2010

Queridos aeilijianos,

Faremos a primeira reunião da nossa regional, dia 28 de abril de 2010, quarta, na Assembleia Legislativa de São Paulo, sala Teotônio Vilela. Às 19 hs, abriremos a pauta com assuntos de interesse da classe, inclusive, recolhendo sugestões a respeito do próximo homenageado. Como vocês devem saber, esse projeto começou em 2007, em parceria com o deputado Carlos Giannazi e na ocasião, homenageamos Tatiana Belinky. Em 2008 foi a vez de Nelly Novaes Coelho e em 2009, José Mindlin. Também falaremos sobre o espaço que a Praler vai oferecer aos ilustradores, em maio, no Parque da Água Branca. Às 20 hs, a Ceciliany da FTD fará uma palestra e para finalizar,a AEILIJ SP oferecerá um pequeno coquetel.
Estão todos convidados.
Um abraço,
Regina Sormani

quarta-feira, 21 de abril de 2010

QUINTAS - 4




QUINTAS



Página Semanal de Marciano Vasques




@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@


  

NO DIA 
EM QUE BEIJEI 
TATIANA BELINKY



No dia em que beijei a Tatiana Belinky, em que estive pela primeira vez com a  querida vovó do Brasil, a que um dia foi a menina louca por livros, em que a chamei de meu amor e pude abraçá-la, nesse dia também conheci pessoalmente o Chico dos bonecos, e meu coração foi invadido pelas Meninas do Conto na alegria.

No dia em que a beijei, o beijo do leitor apaixonado, nesse mesmo dia, porque a alma é grande, Orilde Hofmann estava lendo o livro de Erich Fromm. Sozinha em sua casa lendo "Análise do Homem".
Porque a alma é grande percorri como num filme os meus enganos, destinos que fui tecendo por esta grandeza na qual não há estudioso que venha a se debruçar.
Quisera planejar um escrito, escrever um texto acadêmico, quisera poder organizar a dor. Como tenho tanto que agradecer à vida! Só tenho que agradecer. Queria ser puro agradecimento, poder passar aos que lêem, que vendavais e festas repousam no alto da minha solidão escolhida, quando para a literatura retorno.


Ah, os grupos fechados de poetas! O silêncio, os amigos, os poetas da ternura, ou seja, da resistência, pois assim é a ternura, palavra que nos diz rocha, firme, dura, resistente. É comum a palavra mudar semanticamente, porém algo nela fica, e na ternura ficará sempre o rochedo primordial, principalmente na ternura do poeta. Pois afinal, ternura que se desfaz, que se transforma em areia, não é ternura, é plágio, pirataria do coração.
A palavra é exorcista, o medo é vencido pela palavra, a magia jamais abandonou a palavra. Ela que abre a porta, é ela que afugenta o medo, o medo do lobo, o que na literatura infantil de Chico Buarque vira bolo. Mas há outros chapeuzinhos, algumas trocam o chapéu por uma fita verde no cabelo. E a menina decide seguir atrás de suas asas ligeiras. Tudo era uma vez, disse o senhor Guimarães Rosa, que nasceu no quase fim de junho e junho já se aproxima. O homem que morreu de enfarte três dias depois de pronunciar um discurso falando os valores essenciais da vida.
Há quem diga que me preocupo demais com certas coisas, respondo que se não for assim a vida não vale a pena. Há várias formas de se enganar a vida, de passar o tempo, mas a vida é ferrenha. Demasiada autêntica, exige que seja preenchida com o verbo, isto é, não tem sentido se não for satisfeita, e isso só é possível por intermédio do verbo viver. 

Na mitologia da criação do mundo foi o verbo que fez a vida, isto está claro em Gênesis: o verbo faz a luz, luzifica o mundo. A luz se põe e fica no mundo através da palavra. O Deus bíblico é o Deus da palavra. Ele se apresenta ao mundo através dela, Ele está nela. A forma da sua apresentação é poética, profundamente literária. Palavra se manifestando belamente.
Por ser a vida regida pelo verbo viver, ela passa a significar a falta de acomodação, o que quer dizer mais ou menos o seguinte: não dá para não se preocupar com o que na vida está. A vida exige vida por um gesto de atenção a ela mesma.
 
Alfelizabeto, felicionário, palavras que invento. Depois penso em cair na estrada, penso que muito antes de surgir essa idéia em meu coração, tive o privilégio de cair nas estrelas. 
Fui me tornando adulto, o que fui percebendo ao reparar alguns pensamentos estragados, apodrecidos. 

Na canoa da vida, pensamento bom às vezes vira inveja. Mas inveja é coisa do alheio. E aqui, afinal, ainda estou com o rostinho redondo da Tatiana Belinky em meu pensamento. Encontrar alguém assim tão lindamente na altura dos seus anos de vida, é festa.
 
Por ter um compromisso tático com o filósofo e com o poeta, um compromisso de sobrevivência, um contrato mental, então a morte não me interessa, não me interessa como assunto, não suporto a idéia de estar com alguém que insista no assunto morte. Tenho plena consciência da sua inevitável chegada em todos os seres, mas o compromisso verbal de quem se aproximou dos poetas é com a vida.
Esse compromisso se dá pela leitura, pela palavra escrita, é ali que conheço e me aproximo do poeta, e então selo o pacto da vida.
 
Deve ser tão bonito ser Tatiana Belinky! Deve ser algo assim parecido com ter sido Paulo Freire. São pessoas que se tornam personagens, pessoas que não podem ser traídas. Se você trai Paulo Freire, por exemplo, é problema. Estou querendo dizer que haverá sempre um último porto, uma última resistência. Ou seja: ou a morada da ética está dentro de você, ou então...
 
Alguém na solidão de um apartamento lendo Erich Fromm, a vovó de rosto redondinho falando doçuras: nossa época não é totalmente descabida.



**********************************************


segunda-feira, 19 de abril de 2010

PÉ DE MEIA LITERÁRIO 08

PÉ DE MEIA LITERÁRIO (8)

A dupla formação do educador: leitor e mediador

Quem acha que a vida é moleza, espie um pouco essa dupla mão da estrada do educador envolvido em ensinar seus alunos a gostarem de ler. Ao mesmo tempo em que vai se firmando como leitor, aprende e repassa o que aprendeu para formar outros leitores. Uma estrada de mão dupla: de um lado caminha o leitor e do outro lado caminha o mediador. Aprendendo a ler, o educador vai se fazendo leitor; descobrindo os caminhos da mediação, vai se fazendo um mediador.

Como leitor, o educador vai acumulando experiência de saborear textos, de encontrar saberes guardados, de lidar com o desejo e com a escolha. Sobretudo, o educador vai se fazendo leitor descobrindo o convite ao prazer da aprendizagem que todo texto faz.

Como mediador, o educador vai encontrando caminhos, formas e jeitos de se colocar entre o leitor aprendiz e o texto. Primeiro, bem perto, bem próximo, quase no meio, entre o leitor e o texto, de forma a sentir a respiração do aprendiz em seus contatos com o texto. Depois, ligeiramente mais distante, mas ainda quase ao lado, ouvindo o compasso dos olhos do leitor aprendiz. Finalmente, distante, ausente, mas ainda próximo, acompanha a precisão do tato na escolha feita pelo leitor, agora mais do que um aprendiz, do próprio caminho no diálogo com o texto.

A vida é assim: a gente aprende e ensina. Aprende com quem já sabe um pouco e ensina quem sabe outro pouco. Aprende com o colega educador do lado, com o recado no mural, com a página marcada do texto lido antes por alguém, aprende com o jogo de olhares dos aprendizes. E aprende consigo próprio. Além de aprender, o educador, leitor e mediador, ensina quem sabe pouco e quem sabe muito. Sabendo pouco ou muito, sempre há espaço para aprender com alguém por perto. Quem ainda não percebeu essa condição da vida, precisa pensar sobre isso. Rapidamente. Quem acha que sabe tudo, sabe pouco. Quem acha que sabe pouco, está pronto para aprender muito. E vai descobrindo, aprendendo, prestando atenção, ensinando, tomando cuidado. De repente pensa que está aprendendo, mas está mesmo é ensinando. E quando pensa que está ensinando, ah! está mesmo é aprendendo.

Aprender e ensinar. Ser leitor e mediador ao mesmo tempo solicita ao educador carinho pelo texto, olhar de curiosidade, persistência e paciência na acomodação constante dos novos sentidos. Solicita ouvidos atentos para a diversidade e pluralidade e demanda amorosidade na dose certa para acompanhar perguntas, dúvidas e indecisões.

Para encerrar esse dedo de prosa, fica um mote para você refletir, na esteira do pensamento pra lá de conhecido de Guimarães Rosa, que escreveu e disse, por entre sertões e veredas “mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”: educador mesmo é aquele que se faz leitor e se dispõe à mediação.

Assim, assim, educadores vão se fazendo mediadores e leitores e enchendo nosso pé de meia literário com seu trabalho nas escolas do nosso país.

EDSON GABRIEL GARCIA

(educador, escritor e leitor nas muitas horas quase sempre vagas)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Canto & Encanto da Poesia




Olá, pessoal!

O Canto & Encanto de abril apresenta uma poesia inédita de Glória Kirinus.
Grande abraço, obrigada!
Regina Sormani


Por que tão louca?


A xícara sem asa e cedilha

um dia já foi

fina louça.

QUINTAS 3

                      








 
QUINTAS












@@@@@@@@@@@@@@@@@@@



A NECESSIDADE E A UTOPIA



“O que transformou o mundo não foi a utopia, foi a necessidade”
José Saramago

 
Da narrativa oral da Alemanha foi recolhido um caso de utopia. Duas crianças são por seus pais na floresta abandonadas. Pais que passam por privações terríveis. Para que os pequenos de fome não morram, eles os largam na mata.
Os irmãos encontram uma casa coberta e recheada de doces. Tudo nela é feito de guloseimas. O telhado, as paredes. Pirulitos, sorvetes e delícias de todos os tipos.


Em circunstâncias de desespero aparentemente instransponíveis o humano inventa utopias. Quando se torna flagelado pela fome e pela miséria absoluta e diante de situações calamitosas e sem saídas, torna-se utópico. Cria em sua mente coletiva as utopias.

Há na história humana os incontáveis exemplos. Lugares paradisíacos banhados por rios de águas cristalinas, terra onde o coentro eliminará a fome, salsichas caindo das árvores, rios caudalosos nos quais o vinho se agita, e telhados de doçuras. 

Nas histórias e nas lendas deparamos-nos com diversas utopias que podem não ser vistas como tais. Casar com um príncipe e viver como uma princesa num reino encantado é uma forma de utopia da alma humana, presente, sobretudo nos contos de fadas.

O bebê quando nasce não sabe nada de utopias, que não é uma idéia inata, um arquétipo da mente humana, como não são outras idéias, quaisquer que sejam, todas edificadas em camadas como palimpsestos na alma. São construções culturais. A maioria surgida da necessidade primordial.

O bebê procura instintivamente o seio gigante da mãe. A criatura que se apresenta diante dele, puro ser sensorial, é na realidade um gigantesco seio à sua disposição. Isso é necessidade, é por ela que ele sobrevive, porque procura o seio, essa é a sua motivação para a vida. Se de utopia nos seus primeiros dias vivesse morreria.

As satisfações das necessidades vitais representam a condição imediata de sobrevivência. Você sobrevive porque é feito de necessidades. O dia que não mais as tiver com certeza morrerá, ou melhor, já terá morrido. É a mãe da vida, no inicio representada pela figura da fêmea.

Fêmea feita de leite e de afagos que implantam a necessidade de afeto e de carinho. Fêmea a levar na boca o alimento para o filhote. A necessidade se apresenta como fêmea.

Quando as necessidades não são atendidas eis que surgem as utopias, não como substitutos, mas como atenuantes, paliativos, galhos onde o humano possa se agarrar para sobreviver na árvore da vida, que de frondosa passa a flagelo, a desgraça, a abandono, a esquecimento.

Um caso de utopia contemporânea: o humano das utopias fortalecendo-se diante da figura carismática de um governo.

Governos populistas lidam bem com isso. Apresentam projetos paternalistas e assistencialistas que passam a atender à necessidade imperiosa de utopias coletivas quando seres miseráveis e de condições ultrajantes não têm condições concretas de lutarem sequer para o atendimento de suas necessidades.
Na impossibilidade de alcance da satisfação das necessidades, a mente humana, - maravilhoso prodígio do mundo -, elabora utopias.

Mas elas podem tornar-se perigosas, pois poderiam engendrar fanatismos, caravanas por desertos, seitas, buscas insensatas; e templos poderiam ser erguidos sobre os destroços da natureza humana, que passaria a ser controlada pela vontade coletiva expressa e catalisada por representantes da dor represada.

Todas as utopias da história humana pela literatura e pela filosofia registradas são importantes enquanto documentos do imenso patrimônio cultural do homem. Seja a Republica platônica, a utopia de Thomas More, as cidades imaginadas por um filósofo nos anos de prisão, a terra prometida, os reinos além do mundo, o paraíso.

Todavia a necessidade edificou mundos. Bibliotecas foram erguidas por causa da necessidade de se preservar a riqueza cultural da humanidade. Livros foram censurados e queimados por causa da necessidade de tiranos de se perpetuarem no poder.

Sabe por si mesmo o bebê que todo o progresso da sua existência está na incessante busca da satisfação das suas necessidades básicas. O seu intelecto manifesta-se gloriosamente em sua primeira ação cultural: o ato de sugar.

Até ir ao cinema para se distrair faz parte de uma necessidade. A da alegria passageira que muitas vezes substitui a felicidade autêntica, que só pode ser alcançada no pleno desenvolvimento do potencial do Ser.
Até espalhar a dor e o sofrimento pode ser uma resposta ao atendimento de uma necessidade que não pôde ser satisfeita no curso normal da vida: o afeto, a proteção, a segurança e o amor na infância.

Eis duas realidades da natureza humana. A necessidade a mover o mundo. A utopia como protagonista das forças paralisantes.



MARCIANO VASQUES 



@@@@@@@@@@@@@@@@@@@




sábado, 10 de abril de 2010

PÁGINA DO ILUSTRADOR - 2 - 04/2010

PÁGINA DO ILUSTRADOR 2
ABRIL DE 2010

Neste mês trazemos aos navegantes do Blog,
Fabiana Salomão...
"Como todo bom brasileiro tem que ser um pouco artista e malabarista para viver e sobreviver, eis-me aqui, para dividir um pouco das minhas peripécias no mundo das ilustrações!"
"Essas ilustrações foram feitas para o livro A Bela Adormecida, Coleção Conto Ilustrado da Editora Scipione."

"A técnica usada foi tinta acrílica e guache."

Para conhecer mais o trabalho de Fabiana Salomão, visite: http://fabianasalomao.blogspot.com