Este blog tem como objetivo promover a criação de escritores e ilustradores, divulgar notícias e comentários sobre lançamentos de livros, feiras,, eventos literários, poesia, datas comemorativas, homenagens a personalidades ligadas à literatura.
A inspiração que vem do cotidiano é feita de pessoas que embalam cigarros nas indústrias de fumo, que permanecem em pé durante horas seguidas atrás de um balcão, que vendem balas nos vagões do metrô, água de coco nas praias brasileiras, que lêem os jornais pendurados nas bancas da cidade, que sentam nas escadarias do Teatro Municipal e que infestam o Viaduto do Chá lendo o futuro.
As pessoas apressadas que fingem que almoçam, que atravessam avenidas fora da faixa, que ainda engraxam sapatos na Praça da República, que trabalham em funilarias, em olarias e nas feiras.
Pessoas bondosas e ingênuas que estendem moedas para a mulher que distribui no metrô a foto de uma criança com um texto no verso afirmando que a pequena está com uma doença grave e necessitando de um determinado medicamento ou uma transfusão. A mulher que mostra a foto olha para todos com o olhar estacionado em uma aparente dor distante. Depois, ao sair do metrô encontra-se com as colegas, todas sorridentes e felizes por terem desempenhado cada qual bem o seu papel, algumas com crianças no colo. Crianças emprestadas, que, da mesma forma que a foto possivelmente retirada da internet, comovem os passageiros. O passageiro que inocentemente dá moedas para a "pobre mãe" ajuda a enriquecer uma quadrilha, mas ele é motriz da história, com a sua força de trabalho. Construindo coisas sem conhecer o todo, falando estilhaços do que sobrou de sua alma no bar com a mesma convicção de um evangélico diante de uma platéia. Artesão, como os homens sem recursos no sistema financeiro, como os vidraceiros, os serralheiros, os que mostram receitas aos farmacêuticos...
Passeatas que cortavam cidades ao meio, gente que ocuparam terrenos, que ergueram acampamentos, que gritaram por postos de saúde, que assinaram manifestos, que lecionaram, intoxicaram a alma com o giz da ternura, com a cal da revolta, gente humilhada nas favelas, sangrando nas sessões de tortura, morrendo aos poucos nas filas hospitalares do sistema nacional de saúde.
Pessoas que timidamente procuraram as escolas para freqüentarem um curso de EJA, mulheres dançando forró nos bailes da periferia de São Paulo, nos bailes funks do Rio, nas gafieiras e no sambódromo.
Com um lápis entre os dedos, uma enxada nas mãos, recolhendo papelão e latinhas, respirando fumaça, alcoolizando o coração, acendendo velas e desfiando rezas e temores.
Em todos os lugares, nos centros educacionais unificados e nas escolas de lata, nas feiras e nos mercados, nos terminais de ônibus, nos portos e nas estações ferroviárias. Onde quer que seja, lá estão eles, cada qual contribuindo com a sua parte, com a sua reserva de forças, cada qual se proclamando um artesão dos tecidos históricos.
Neste mês, convidei vários ilustradores que participarão nas próximas edições, para esta estavam super ocupados, então fiz um convite ao Danilo Marques, que sempre gentil comigo, atendeu e está aqui, risos...
Ele vem apresentar "O menino maltrapilho e seu cãozinho de luxo", que será lançado na Bienal do Livro, no estande da Litteris Editora, escrito por Zezé Barcelos. Para conhecer mais do trabalho da Zezé, clique: http://www.zezebarcelos.recantodasletras.com.br/index.php
A história deste menino é muito bonita. Morador de rua, viveu um conto de fadas ao encontrar um lindo cãozinho da raça Colie solto pelas ruas, viveu inúmeras aventuras até que o cachorro encontra sua dona, uma mulher de bom poder aquisitivo que adota o menino como filho, tirando-o das ruas e dando a ele a vida que toda criança merece ter.
Os desenhos, seis ilustrações internas mais a capa, foram feitos a lápis de cor.
A capa (deixei sem cenário para dar bastante destaque nos personagens): O reencontro com a dona do cãozinho:
Este é o desenho de capa antes de ser pintado:
Nesta cena, o menino leva o cachorro para debaixo do viaduto e o cobre com jornais.
Meus caros, Estou postando o convite virtual da AEILIJ, pela primeira vez participando do estande coletivo da CBL, na Bienal do Livro de São Paulo. Essa é uma conquista a ser comemorada. Parabéns, AEILIJ! Grande abraço a todos, Regina Sormani
Semana Literária nas unidades escolares do Colégio Objetivo
Há algum tempo frequento, como autor convidado, a Semana Literária das unidades escolares do Colégio Objetivo.
A rigor, nada de novo quando se trata de atividades escolares com leitores, escritores e mediadores de leitura (professores, coordenadores e bibliotecários).O novo está na insistência da continuidade do evento, na organização, na abrangência e na qualidade do trabalho feito nas escolas. E isso é muito bom e vem cheio de acertos.
A Semana Literária é realizada todo ano, no mês de maio, em todas as unidades escolares do Colégio Objetivo da Grande São Paulo. Simultaneamente diversas atividades são realizadas, desde a presença de escritores em entrevistas com os meninos e meninas leitores e leitoras até a exposição de seus trabalhos escolares, entre os quais alguns projetos interessantíssimos criados a partir da leitura dos livros. Registro, por exemplo, os trabalhos feitos a partir da leitura do meu livro Tantas Histórias Numa Caixa de Sapatos, que extrapolam o texto e navegam em águas gostosas da sensibilidade, da emoção, da construção de histórias de vidas, ainda que vidas de idades novas.
A organização é muito boa. Horários são respeitados, atividades são mantidas e levadas a termo dentro da programação pré-estabelecida. Nada mais saudável.
É visível, e merece registro, a constatação de que um ótimo trabalho de leitura foi feito com os alunos. As perguntas e o nível de participação dos leitores e das leitoras nas entrevistas são excelentes. Fica óbvio que a leitura foi feita, bem feita, rica, produtiva. E mais: não se restringe ao texto nemse esgota na breve passagem do autor pela escola.
O envolvimento dos educadores das unidades escolares é irrepreensível. Professores da sala, coordenadores e bibliotecária da unidade e geral estão sempre presentes, fazendo da presença do escritor na escola um evento de respeito. Todos gostamos dessa atenção recheada de carinho.
A Semana Literária não se esgota com a presença de escritores. Ilustradores e oficineiros tambémfazem parte do evento. Atividades de contação de histórias completam a programação.
Enfim, se a formação de leitores literários passa pelo trabalho nas escolas – e nós sabemos como a escola pode contribuir nessa questão – havemos que nos contentar com a qualidade do que é feito na Semana Literária das unidades escolares do Colégio Objetivo. Além do que, quem quiser tirar daí alguns ensinamentos para a sua prática, pegue umacaneta e anote as etapas de procedimento a seguir descritas: eleja uma coordenação, planeje as atividades, faça uma programação com as tarefas distribuídas, dê apoio e liberdade aos professores para realizarem o seu trabalho de leitura com os/as leitores/as, envolve toda a equipe escolar e a comunidade. Depois... é só correr para o abraço.
A Semana Literária do Colégio Objetivo é, sem dúvida, uma das atividades que contribuem para o nosso Pé de Meia Literário.
ASSOCIADO, RESERVE JÁ O SEU HORÁRIO NO ESTANDE AEI-LIJ NA BIENAL DO LIVRO
Planilha atualizada em 11/08 às 08:47
Prezados associados, a AEI-LIJ terá um espaço para que vocês possam apresentar seus trabalhos, lançar seus livros, contar histórias, expor trabalhos ou fazer outra performance dentro do que se propõe a arte de escrever e/ou ilustrar livros infantis e juvenis.
Para tanto, é necessário preenchermos os horários disponíveis na planilha.
Como proceder? Veja a planilha (clicando na imagem), estude o melhor dia e horário para você. Convide para o seu horário mais um ou dois colegas associados e envie seu pedido de reserva para o e-mail reservabienal@yahoo.com.br Conforme confirmações de reservas a planilha no ar será regularmente atualizada.
Observação: Não poderá haver vendas no estande devido à necessidade de nota fiscal. A sugestão é: Apresente os livros, conte histórias, e diga aos visitantes que o livro estará à venda no estande X e no estande Y... assim como se faz quando o livro é lançado numa livraria e o visitante busca o livro no caixa e volta para o autor autografar (Não é assim?)... Vai ser ótimo... Vamos encher esta planilha?
Em 1971 Taiguara fez uma canção e por ela me apaixonei. Amanda ajudou a ilustrar a minha adolescência. Talvez não fosse eu já mais adolescente, mas ainda sentia as dores de sê-lo, que é aberto sempre estar para as dores do mundo receber.
Ouvi Amanda com Taiguara, com Antonio Marcos. É uma das canções responsáveis por um modo de ser de uma parte da juventude no início da década de setenta.
A Música realmente conduz as pessoas.
Ela é responsável por modelar, amortecer, entorpecer ou elevar as almas. A sua força é inconteste. E bem sempre souberam os exércitos e as religiões. E a música de letra reflete o coração do tempo. Nunca esqueci de Amanda, um jeito extraordinariamente poético de viver e sentir, que nos era por Taiguara oferecido na voz de um jovem cantor de São Miguel Paulista nos dias em que sobre as pessoas tinha o rádio uma força inimitável.
É compreensível que a canção que trouxe a poesia para a minha existência - a música de letra que esteve mais próxima da poesia - tenha sido a responsável pela adesão poética imediata ao trabalho de Caetano Veloso tempos depois. E os pioneiros, entre os quais Taiguara e Antonio Marcos, não podem ser desprezados.
No tempo em que ainda não havia uma separação tão abismal entre a poesia e a letra de música, e os versos tinham uma importância que parecia insuperável, os pioneiros, muitos deles posteriormente de brega ou coisa assim chamados, revelavam uma face em que as marcas no caminho talvez apagadas não pudessem ser.
Hoje canções como Balada de Agosto de Fagner e Zeca Baleiro ajudam a preservar no universo musical a necessidade da poesia.
Aplausos e compreensão merecem os cantores que edificam pontes entre as produções poéticas de qualidade intelectual e o popular. Muitos não têm consciência de sua própria importância, outros com habilidade entre universos diferentes trafegam, como Caetano, que é feliz na gangorra que construiu e vai e vem entre Guimarães Rosa e a mídia, da qual extrai mais do que o suficiente para a sua necessidade interior.
Enquanto observo a felicidade de algumas crianças da EMEF Jardim Vila Nova num entardecer chuvoso, penso no quanto a música foi, a partir de um momento, responsável pela construção do homem que sou...
Os versos que estou postando sobre o macaco, esse animal tão popular entre crianças e adultos, encontram-se no meu livro: "BICHINHOS DO ZOOLÓGICO" editado pelas Paulinas, agora em 11ª edição. As ilustrações são do Marchi. Um beijo,
Regina Sormani
Macaco
Faço as minhas macaquices, Eu sou mesmo genial. Mas, não me dêem gulodices, Senão depois passo mal!
Tenho um primo assanhado Que se chama chipanzé. É bom ficar avisado: Nunca lhe dêem picolé!
Escritora de livros infanto-juvenis, coordenei a regional da AEILIJ ( Associação de Escritores e Ilustradores de literatura infantil e juvenil do estado de São Paulo) de junho de 2007 a junho de 2011. Sou compositora, criei trilhas sonoras para peças infantis que adaptei dos meus livros para o teatro de bonecos. Se quiser conhecer mais sobre meu trabalho acesse:
http://vivaoloivroinfantil.blogspot.com
http://almanaqueprimaveraemsampa.blogsqpot.com