segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Pé de Meia Literário 11
Há poucos dias atrás a Folha de S. Paulo publicou
uma matéria interessante sobre um assunto não tão
interessante: nossa mania de fazer listas.
Passamos boa parte da vida fazendo, anotando,
registrando, pensando, lendo, pensando nas ditas cujas
listas: lista de convidados, lista de amigos, lista de
presentes, lista de material escolar, lista dos livros lidos,
lista dos lugares mais bonitos do mundo, lista das pessoas
mais interessantes, lista dos filmes mais importantes,
lista das músicas mais românticas, lista dos livros mais
vendidos, lista dos ganhadores do Oscar, do Jabuti... e vai
por aí. Estranha e obsessiva mania.
Haveria explicação para isso? Quem poderia dizer?
Sócrates, Freud, São Tomé, Jesus..? E há razão para nos
preocuparmos com isso? É necessário mesmo saber por
que somos perseguidos por essa mania, como leitores e
como escritores? Não creio.
Ontem mesmo, lendo uma edição da revista Nova Escola,
lá pelas tantas, encontro outra lista, desta vez uma lista
de sugestões de “bons comportamentos” para formarmos
leitores infantis e juvenis. Também desconfio que eu sou
um entre tantos os apaixonados por listas. E para não ficar
atrás fui em busca de uma das minhas listas, escrita há
uns três ou quatro anos, para um programa de incentivo da
leitura. Crio coragem e disponibilizo-a abaixo:
LER É:
...desabotoar vontades
...mapear dúvidas
...instigar os olhos adiante do que se vê
...perguntar respostas adormecidas
...responder perguntas escondidas
...desacomodar certezas
...empurrar limites do saber
...alterar horizontes da utopia pessoal
...soprar o pó dos sonhos
...cruzar fronteiras do conhecimento
...desvelar segredos da aventura humana
...alavancar novos entendimentos
...dar lucidez à pluralidade das emoções
...desviar das pedras no meio do caminho
...dar vozes ao silêncio
...inventar caras para os desejos
...vestir de palavras as idéias dormidas
...desejar-se uma pessoa feliz.
Aí está, entre as milhares e milhares de listas criadas no
mundo, esta que enumera as virtudes da leitura. Espero
não ter escrito nem listado bobagens e ter contribuído para
o nosso pé de meia literário.
Sampa, setembro de 2010
Edson Gabriel Garcia
(Escritor e Educador)
quinta-feira, 9 de setembro de 2010

NÚMERO 12 - SETEMBRO DE 2010
O Mural é uma agenda cultural mensal,
editada conforme os eventos surgem.
Amigo associado de qualquer cidade do Estado de São Paulo, contribua...
aguardamos notícias dos eventos do interior.
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Literatura para Todos recebe inscrições até 21 de novembro
O Concurso Literatura para Todos foi criado para estimular a produção literária direcionada a jovens e adultos em processo de alfabetização. Este ano, o Ministério da Educação vai premiar nove escritores com R$ 10 mil cada um e publicar as obras vencedoras, que serão distribuídas em escolas e bibliotecas públicas.
Os candidatos podem competir nas categorias prosa (conto, novela ou crônica), poesia, biografia e texto de tradição oral (em prosa ou em verso). Em cada uma delas serão premiados dois autores.
Esta é a segunda edição do Literatura para Todos. A novidade é que a competição vai premiar um escritor africano, natural de um dos países de língua portuguesa — Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. O autor africano ganhará o mesmo prêmio de R$ 10 mil, independentemente da categoria literária do texto apresentado.
As obras devem ser enviadas, até 21 de novembro, ao Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade — Esplanada dos Ministérios, bloco L, sala 710, CEP 70047-900 Brasília (DF).
A divulgação dos resultados e a premiação estão previstas para março de 2008. No ano passado, 2.095 obras concorreram na primeira edição do concurso.
Mais informações no endereço eletrônico literaturaparatodos@mec.gov.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ou pelo telefone 0800 616161
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PROGRAMAÇÃO CULTURAL LITERÁRIA
DA CIDADE DE SÃO PAULO
(CURSOS, PALESTRAS, ENCONTROS,
CONTAÇÕES, OFICINAS)
Com Spacca (cartunista e ilustrador, autor de adaptações de obras como Jubiabá, de Jorge Amado) e Paulo Ramos (jornalista e especialista em literatura e quadrinhos). Mediação e curadoria: Maria Helena Pinho.
A proposta é discutir como dialogam essas duas linguagens e como a narrativa se desloca na literatura e nos quadrinhos. Na sequência, os autores autografam suas obras mais recentes.
| Centro Cultural São Paulo – Gibiteca Henfil. Centro. Dia 16, das 19h às 21h. Grátis
LEIA LEU
Em edições quinzenais, os poetas Berimba de Jesus, Caco Pontes, Gabriel Kerhart, Gabriel Kolyniak e Pedro Tostes coordenam esta roda de leitura que apresenta poemas organizados em torno de temas que propiciam a interlocução entre diversas linguagens, escolas e modos de “fazer e pensar poesia”.
| Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima. Zona Oeste. Dias 14 e 28. 3ª, das 19h30 às 21h30. Grátis
ESCRITA ABERTA
Prod.: Renata Cirilo.
Espaço coletivo de crítica e criação literária sem restrição quanto a gênero ou estilo. Os encontros são dedicados à discussão de temas, conteúdos, formas, publicações e processos de escrita.
| Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima. Zona Oeste. De 14 a 28. 3ª, das 15h às 17h. Grátis
ESPAÇO GOURMET – DELÍCIAS DA LITERATURA ORAL
‘Chef’ convidado: Varneci Nascimento (poeta cordelista).
Encontro que simula um ‘restaurante literário’ cujo ‘cardápio’ é composto por declamação de cordéis, contação de “causos”, adivinhas, parlendas, trovas e trava-línguas.
| Biblioteca Pública Belmonte. Zona Sul. Dia 24, 14h. Grátis
FEIRA DE TROCA DE LIVROS E GIBIS
Coordenada pelo Sistema Municipal de Bibliotecas, a atividade proporciona oportunidade para que o público possa renovar sua biblioteca pessoal, sem custo. As recomendações são que os livros não sejam didáticos e que o material esteja em bom estado. As trocas podem ser realizadas diretamente entre os frequentadores, que terão à sua disposição mesas separadas pelos temas: “literatura geral”, “literatura infantojuvenil”, “gibis” e “troca com a mesa”, na qual o leitor deposita um título e pega outro.
| Parque do Carmo (no Bosque da Leitura). Avenida Afonso de Sampaio e Souza, 951, Itaquera. Zona Leste. Dia 19, das 10h às 15h. Grátis
NA RODA COM CANTOS, CONTOS, DANÇAS, POEMAS E BRINCADEIRAS
Com Andréa Sousa e Bete Oliveira.
A atividade focaliza as manifestações tradicionais realizadas em roda.
| 3ª idade. BP Belmonte. Zona Sul. Dia 9, 14h. Grátis
POESIA NO JARDIM XI: PRIMAVERA
Sarau literomusical que procura incentivar a leitura e a criação poética. Os participantes podem interagir, cantando, tocando ou declamando poesias próprias e de outros autores. Nesta edição, o tema é “primavera”.
| Não é necessário fazer inscrição. Biblioteca Pública Anne Frank. Zona Oeste. Dia 13, 14h. Grátis
4º ENCONTRO DE ESCRITORES CORDELISTAS – CORDEL, RESISTÊNCIA E VANGUARDA
Coord.: Aderaldo Luciano (poeta).
Poetas mostram suas construções literárias de cordel. O encontro apresenta, ainda, exposições de folhetos e de xilogravura, leituras de cordel e poesia tradicional nordestina.
| Biblioteca Pública Belmonte. Zona Sul. Dia 30, 19h. Grátis
SARAU DO TIETÊ – POR UM RIO
Mostra de pesquisa sobre a produção poética focalizada no Rio Tietê, propondo uma viagem na companhia dos que se inspiraram no rio desde o início do século passado até hoje, quando se tenta reverter sua condição de símbolo da poluição na capital. Serão interpretados os primeiros versos sobre ele, escritos por Manoel Baptista Cepellos, em 1906; trechos da Meditação sobre o Tietê, de Mário de Andrade; e versos de Martins Fontes, Cornélio Pires, Afonso Schmidt e de poetas contemporâneos como Paulo Bomfim, Renata Pallottini, Álvaro Alves de Faria e Ieda Estergilda de Abreu.
| Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima. Zona Oeste. Dia 29, 19h30. Grátis
SARAU SERTANEJO
Com Alcione Kosmos. Apresentação: Guarani. Participação especial: Paula Dundee.
No último sábado do mês, ocorre este sarau no qual o público é convidado a participar, fazendo poesia, cantando e propondo músicas, ao som de viola caipira.
| Biblioteca Pública Belmonte. Zona Sul. Dia 25, 15h. Grátis
TERRITÓRIO PAULISTANO, A LITERATURA DO DESMANCHE
Curadoria: Maria Helena Pinho e Márcia Denser. Debatedores: Marcelo Mirisola, Mário Bortolotto e Reinaldo de Morais. Mediação: Márcia Denser.
Se a literatura é a empresa de conquista verbal da realidade, contemporaneamente, a cidade é o território devastado, do qual a cidade de São Paulo é o paradigma brasileiro. Os três debatedores são prosadores cujas poéticas se constroem a partir da degradação da sociedade e do desmanche do projeto do “país”. Eles têm como alvo o universo da classe média urbana.
| Será entregue certificado de presença. Centro Cultural São Paulo – Sala de Debates. Centro. Dia 9, das 19h às 21h. Grátis
LITERATURA, VESTIBULAR E ALGO MAIS
Biblioteca Mário de Andrade. Seção Circulante. Centro. Sáb. Das 9h30 às 12h30. Grátis
Coordenado por professores de cursinhos e das universidades Mackenzie, Unesp, Unifesp e USP, o ciclo de literatura analisa livros indicados para os vestibulares. A ideia é apresentar as obras do ponto de vista de sua estrutura, linguagem e estilo e, além disso, discutir seus conteúdos temáticos, de modo a também provocar uma reflexão sobre aspectos psicológicos das personagens e históricos e socioculturais de nossa realidade, estimulando a leitura ou releitura desses títulos, todos disponíveis para empréstimo na Seção Circulante.
| 60 vagas. Inscrições antecipadamente na biblioteca ou por meio do e-mail: acaocultural@prefeitura.sp.gov.br ou pelo telefone: 3241-3459.
IRACEMA
De José de Alencar.
| Dia 18
VIDAS SECAS
De Graciliano Ramos.
| Dia 25
Não é necessário retirar ingresso.
SARAU DE LEITURA
Participação especial dos poetas André Góes, Beth Brait, Castelo Hassen, Edson Bueno, Fabiano Calixto e do músico Gabriel Kolyniak.
Apresentação do sarau Entranhas alucinadas da aldeia, com o lançamento do livro homônimo do poeta Júlio Bittar.
| Dia 13, 18h
BATE-PAPO
A escritora Esmeralda Ortiz, autora de Diário de rua e Porque não dancei (escrito em parceria com Gilberto Dimenstein), fala sobre sua trajetória de ex-menina de rua e como conseguiu superar as adversidades.
| Dia 20, 18h
CONTOS NA BOCA DA NOITE
Rita Marques narra contos populares da Espanha, entre eles, La barretina verde, O galego e o cavalo do rei, A sapatilha de ouro e Dom fulano de tal.
| Dia 27, 18h30
Bibliotecas Públicas e Centro Cultural São Paulo. Grátis
Contadores narram histórias em bibliotecas públicas (BP) e na Sala de Leitura Infantojuvenil da Biblioteca Sérgio Milliet do Centro Cultural São Paulo (CCSP).
CONTA TRÊS
Cia. Palavradeiras. Livre.
Na apresentação, que mescla contação de histórias e teatro, são narradas três histórias que têm “a palavra” como mote. Ela aparece tanto no silêncio como no grito, tanto em sua beleza como em sua feiura, tanto em sua virtude como em seu perigo.
| BP Álvares de Azevedo. Zona Norte. Dia 12, 11h
| BP Mário Schenberg. Zona Oeste. Dia 16, 14h
| BP Padre José de Anchieta. Zona Norte. Dia 19, 11h
| BP Anne Frank. Zona Oeste. Dia 30, 14h
CONTA COMIGO
Com Lucélia da Silva e Solange Lopes. Livre
Serão narradas as histórias: Sou grande ou sou pequenina, Gata menina e outras.
| BP Amadeu Amaral. Zona Sul. Dia 14, 10h
HISTÓRIAS DE ANIMAIS
Com Cícera Cleide Mascarenhas. +7 anos.
Serão narradas duas histórias em que animais são as personagens principais: A tartaruga e o elefante e Onde está o rabo do sapo?.
| BP Menotti Del Picchia. Zona Norte. Dia 15, 10h30 e 14h
HISTÓRIAS DE PEDRO MALASARTES
Com Sandro Luiz Coelho. +7 anos.
Contos em que o personagem Pedro Malasartes protagoniza diversas aventuras.
| BP Thales Castanho de Andrade. Zona Norte. Dia 15, 10h30 e 14h
HISTÓRIAS DIVERSAS
Com Ana Paula Pereira dos Prazeres. +5 anos.
Serão narradas histórias engraçadas sobre aventuras e animais da floresta.
| BP Narbal Fontes. Zona Norte. Dia 15, 10h30 e 14h
NAQUELE LIVRO TINHA UMA HISTÓRIA
Com Edna Bolanho Simões. Livre.
Narração de histórias diversas.
| BP Pedro da Silva Nava. Zona Norte. Dia 15, 10h30 e 14h
CONTOS PARA CRIANÇAS
Com Márcia de Oliveira Lopes. +6 anos.
Serão narrados os contos: A bruxa Salomé, de Audrey Wood; João preguiçoso, adaptação de Tony Ross; e Histórias de macaco, adaptação de Elias José.
| BP Sylvia Orthof. Zona Norte. Dia 22, 10h30 e 14h
HISTÓRIAS DE PRINCESAS E UM MACACO MUITO ESPERTO
Com Juvelina Martins. +6 anos.
Serão narradas as histórias: Sua Alteza a Divinha, João preguiçoso e O macaco e a velha.
| BP Nuto Sant’Anna. Zona Norte. Dia 22, 10h30 e 14h
HISTÓRIAS DE REIS, PRINCESAS E CACHORROS
Com Beth Pedrosa. +6 anos.
Serão narradas as histórias: A roupa nova do rei, João preguiçoso, O menino e o cachorro e N´Golo e Bendé-Bendé, em homenagem à África do Sul.
| BP Álvares de Azevedo. Zona Norte. Dia 22, 10h30 e 14h
Programação especial para crianças, durante os domingos, na Biblioteca Temática em Literatura Fantástica.
O SENHOR DOS SONHOS
Cia. Truks. Teatro de bonecos.
Lucas é um menino que vive mergulhado em seus sonhos, fantasias e invenções mirabolantes, procurando, sem muito sucesso, adaptar-se às regras sociais. No final, descobre-se que o espetáculo reúne, na realidade, as memórias de um velho senhor que se tornou um escritor de sucesso.
| Dia 19
CONTA TRÊS
Cia. Palavradeiras. Contação de histórias.
Na apresentação, que mescla contação de histórias e teatro, são narradas três histórias que têm “a palavra” como mote. Ela aparece tanto no silêncio como no grito, tanto em sua beleza como em sua feiura, tanto em sua virtude como em seu perigo.
| Dia 26
CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
Com Lílian Marcheti. 7 a 10 anos.
Narração de histórias infantis.
| Dia 9, 14h30
CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
Com Andréa Sousa. +6 anos.
Narração de histórias infantis.
| Dia 10, 14h30
RPG
Narradores: Flavio Araujo Santos, Alexandre Leandro Ribeiro da Silva e Paulo Barbosa. +13 anos.
Encontro de Role Playing Game.
| Dia 11, 14h
OFICINA DE CRIAÇÃO LITERÁRIA
Coord.: Sergio Jardino. +15 anos.
Produção de textos poéticos ou em prosa a partir de um tema dado na primeira hora de trabalho. Em seguida, discute-se literatura a partir de um texto.
| Dia 11, 15h
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
QUINTAS - 25
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
A greve das hortaliças

Queridos amigos,
Estou postando versos do meu livro "A Greve das Hortaliças", editado pelas Paulinas, cujos direitos voltaram para a autora. As ilustrações em aquarela são do Marchi.
Um beijo,
Regina Sormani

— Epa!
— Ih!
— Nossa!
— Mas o quê...
Advinhem só o que o pessoal que veio fazer a colheita encontrou!
Berinjela desbotada,
Cenoura toda azulada,
O chuchu, enferrujado,
Tomate empipocado,
Alface com catapora!
Quem vai comprar isso agora?
E tudo, sabor fumaça!
O que será que se passa?
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Vice-Versa de setembro de 2010

Olá pessoal!
O Vice-Versa de Setembro comemora 50 meses e 100 entrevistas.
PARABÉNS à escritora Simone Pedersen e ao ilustrador Paulo Branco, associados da regional SP.
Agradeço a participação.
Grande abraço,
Regina Sormani

Paulo Branco
Perguntas de Simone
1. Qual o seu processo criativo e qual técnica dá maior realização?
Eu faço arte por uma questão de sanidade mental. Meu processo criativo é melancólico, caótico e libertador. E é na aquarela que mais me realizo, o que me fascina nela é que um defeito, se bem avaliado, se torna um efeito, dando maior liberdade criativa.
2. Paulo, nesses trinta anos de carreira, quais foram os trabalhos que mais marcaram sua trajetória?
Eu já tive oportunidade de experimentar um pouco de tudo: leciono desde os vinte anos (desenho, técnicas de pintura, desenho de humor, etc.). Mas o que mais marcou foram as exposições com materiais alternativos. Em um salão usei cabelos humanos, em um hospital coloquei as tintas em seringas e para o Dia Internacional da Mulher fiz aquarelas em absorventes. Também gostei de dar aulas na TV , passando técnicas de desenho.
3. Você já foi premiado várias vezes por trabalhos de humor. O interesse por aulas nesse segmento aumentaram em função disso? Quais foram seus prêmios?
Quatro ex-alunos foram primeiro lugar no Salão de Humor de Piracicaba, o que me deixou muito orgulhoso.Eu já fui premiado em salões de arte moderna e humor, fui juiz em alguns, fui considerado o melhor desenhista de humor no Mapa Cultural Paulista. Tudo isso serve de estímulo para os alunos que estão começando.
4. Você tem feito muitos trabalhos como ilustrador ultimamente: de literatura infantil e livros pedagógicos. Acha mais fácil que desenhos de humor? Qual seu parâmetro de qualidade?
O meu foco é sempre o mesmo, seja para criança ou para adulto procuro fazer o melhor possível. Cada trabalho tem um período de maturação e cada público tem uma adequação de técnica. Mas eu mesmo sou o filtro, se não gosto de um trabalho, eu o refaço.

Simone Pedersen
Perguntas de Paulo
1. Simone, você começou escrevendo para adultos ou crianças?
Eu comecei escrevendo crônicas para um concurso literário e entrei numa comunidade que posta todos os concursos no Brasil e Portugal. Experimentei contos, poesias, minicontos e terror. Ainda falta aprender trovas... O infantil surgiu de uma forma muito natural. Comecei uma crônica sobre bullying, por exemplo, e quando terminei havia escrito o Sara e os óculos mágicos... O Vila Encantada deveria ser um texto para uma escola para pessoas especiais... Enfim, não escolho a forma, apenas escrevo e vejo depois em que se enquadra.
2. Como você vê a literatura infanto-juvenil no Brasil?
Com muita tristeza. O Brasil é um país de muitas realidades e não podemos nos basear pela classe média alta. Nossas crianças carentes não adormecem ouvindo os pais lerem um bom livros. Os pais não sabem ler muito bem, e elas próprias crescem sem saber ler muito bem. Morei muitos anos na Europa onde os bebês adormecem com os pais contando histórias, brincam com livros desde poucos meses e desenvolvem a linguagem através de várias ferramentas. Precisamos considerar a realidade das crianças brasileiras quando escolhemos os livros que a elas serão oferecidos. É utopia acreditar que a criança de 8 anos no Brasil – de classe sócio-econômica inferior - está pronta para ler o que uma criança de 8 anos lê na Inglaterra ou Dinamarca onde existe uma padronização no ensino. Conciliar essa necessidade de simplicidade sem perder a qualidade literária é muito difícil.
3. No Brasil, a maioria dos livros infanto-juvenis traz um ensinamento ou uma moral, em detrimento da literatura pura. Você concorda com isso?
A literatura pura é em si só um elixir para que as crianças possam expandir seus horizontes. Contudo, infelizmente, quando pensamos em crianças que não tem nem o que comer , que não tem um livro sequer em casa, cujos pais são analfabetos, crianças que vivem à beira da marginalidade sem pais que tenham condições de educá-las, frequentando escolas que não conseguem ensiná-las sequer a ler ou respeitar as regras básicas de cidadania, eu acredito que não temos condições ainda de abrir mão da oportunidade de conciliar boa literatura com ensinamentos básicos de ética, cidadania e respeito ao próximo, quando não ensinamentos técnicos. O que não significa que a literatura pura não deva ser oferecida concomitantemente. O amor pela leitura deve nascer por aí. Quem não gosta de ler não lê livros que ensinam.
4. Se tivesse que escolher entre escrever para adultos ou crianças, qual seria sua opção?
Se tivesse que escolher entre publicar um livro para adultos ou crianças, escolheria o infantil, pela capacidade de multiplicação da mensagem, mesmo que fosse um livro de poesias infantis, sem nenhum ensinamento embutido. Uma criança sempre tem um irmão ou amigo que acaba manuseando seu livro também. A criança comenta com os pais o que lê. Mas, seria impossível não escrever mais para adultos, mesmo que ninguém lesse, eu não teria essa capacidade de parar de escrever.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Reunião da Regional SP dia 15 de setembro 2010
Já está marcada a próxima reunião da regional SP. Será dia 15 de setembro, quarta, a partir das 18hs, na Assembleia Legislativa de SP que fica ao lado do Parque do Ibirapuera, no Auditório Teotônio Vilela.
Durante o evento, discutiremos vários assuntos, faremos um sarau de poesias e decidiremos quem será o autor homenageado em 2010. Ruth Rocha ou Francisco Marins?
É necessária a presença dos associados de S.Paulo para uma decisão "ao vivo".
Obrigada, um grande abraço.
Regina Sormani




