quinta-feira, 30 de setembro de 2010

QUINTAS - 28

 O INTELECTO 
E A 
CONSCIÊNCIA


Lá vai ela! Vai descendo, miudinha, esfarelada, acabou-se.
A consciência despencou, aliás, para ser mais exato, caiu, desceu vertiginosamente os degraus, escorreu para o ralo, rumo ao esgoto.
  A alma esgotada não mais almeja uma tentativa de conscientização; um fiapo que seja, que se transformaria num feixe de luz, um risco luminoso, suspenso a luzir, uma espiga acesa de rastros brilhantes, de estrelas de fogos de artifício.
Toda queda, toda redução da potência, clareza esmaecida, nublada, desvanecida, apagada, carrega em si uma história, uma origem, pois nada brota espontaneamente. Não há milagre na perda.
A origem está no sacrifício do intelecto em troca de cargos públicos. Ora, o que são cargos? Nada, diante da liberdade do intelecto.
Mas o intelecto, ao ser sacrificado, mutilado, por causa de cargos...
Lembro da euforia de alguns: Vamos trabalhar em Brasília!
E então, depois, a omissão, o silêncio..., covarde, medonho. O pior silêncio de todos...
Triste, esmagando, demolindo, jogando ao chão, tombando a consciência. Todos os intelectuais que nada fizeram para amparar, socorrer, salvar a consciência que implorava, gritava um grito sufocado,  pelo socorro. - Ajude-me! Salve-me! Por favor!
E o acadêmico, e todos os intelectuais que agiram assim, que limitaram-se ao limite do militar, sacrificando o intelecto, são responsáveis pela agonia e morte da consciência.

Marciano Vasques

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Um livro do qual gostei muito

Meus caros,
Marilza Conceição comenta o livro de Adélia Prado: Quando eu era pequena.
Agradeço a participação.
Um beijo,
Regina Sormani

O meu livro preferido, no momento, chama-se "Quando eu era pequena", de Adélia Prado editora Record. Apesar de ser classificado como literatura infanto-juvenil, não são somente crianças que gostam de linguagem poética, que pode ser lida por todas as idades. Adélia está estreando na escrita de literatura infanto-juvenil e escreve com maestria. A personagem principal, Carmela, faz desconfiar que se trata de memórias e nem tanto de invenção literária. As ilustrações de Elisabeth Teixeira são primorosas e remetem ao romantismo do texto. Na história, são relatadas as dificuldades financeiras da família durante a Segunda Guerra Mundial, as roupas que passavam da irmã mais velha para a menor, a oração nos dias de chuva e as poesias declamadas para as visitas.
E foi isto que me tocou profundamente. Daí, imediatamente, lembrei-me da minha infância. Quando chegavam visitas em casa, meu pai me chamava:
— "Marilza, venha cantar”!
E ele, ao violão, dedilhava acordes que eu acompanhava no tom certo. Canto ensaiado em domingos de manhã.

Com sua escrita despojada, Adélia alinhava os detalhes dos acontecimentos, em um tom que fica mais autobiográfico e emocionado ao longo do livro. Na última página, dá a deixa quando relata aquilo que se pode considerar um postscriptum: “Em um livro não cabe tudo. Não falei de minhas brigas com Alberto nem das brincadeiras com meu primo Benedito. Quem sabe posso escrever outro para contar esta parte?”.
E eu, fã emocionada, adorei!

PÁGINA DO ILUSTRADOR 9

PÁGINA DO ILUSTRADOR 9

Nesta edição a página do ilustrador apresenta Cris Alhadeff


O livro "Vou contar um segredo" do escritor Zé Zuca foi ilustrado por Cris com muito carinho e dedicação. Aqui ela apresenta o processo de criação da personagem Lara; no livro, a menina Lara conta os medos que os adultos, ao redor dela, sentem. Ela faz a sua listinha e vai jogando fora cada um, contando como reagem sua mãe, dinda, avó e bisavó às diversas circunstâncias.




Primeiros estudos de Lara...






As páginas do livro, em acrílica, lápis e colagens digitais...




Para conhecer mais do trabalho de Cris Alhadeff visite:
http://www.crisalhadeff.com




Ilustrador associado à AEILIJ,
aguardo seu contato
para participar da página do ilustrador:
contato@danilomarques.com.br

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

QUINTAS - 27


O PEREGRINO E O TEMPO


Certas coisas mudaram muito nos últimos anos. O "catecismo" era o máximo que podia almejar um jovem adolescente. Hoje, com a democratização da cultura, todos e quaisquer podem acessar. Viva o acesso! O importante é ter o acesso. Quem não acessa está fora. A Internet está aí e vídeos de sexo e também de perversidades estão disponíveis. Além de milhares e milhares de poetas na blogosfera. A internet é um mundo.
Ali perto do pátio do colégio, marco da fundação de São Paulo, havia um cinema que foi morrendo aos poucos, agonizando, descendo a ladeira, não a da memória, que para isso agora temos o Youtube. O cinema chamava-se Texas, e para sobreviver só passava filmes pornôs. À época se dizia filmes de sexo. Sexo. Correto?
Em minhas solitárias andanças pelas calçadas de Sampa, antes de "Sampa", trançando sonhos famintos e desorientados, sentia uma enorme alegria em ler os cartazes do cinema. A felicidade para mim nunca foi tão exigente, e sempre esteve presente nas pequenas coisas, como a leitura, em tardes ensolaradas, das aventuras do "Espírito" de Lee Falk, ou vagar pelas calçadas solitárias da cidade (Que saudades!)... E agora a solidão é diferente, eu diria: conectada. Estou novamente no meio da multidão.
A minha esperança são as distâncias. Como amo qualquer distância!
Hoje contemplo com mais discernimento as coisas que passam, o acesso geral e irrestrito, a desvalorização cada vez maior da mulher, a exacerbação da covardia, a surdez, a mudez, a música se esfarelando...Tem gente arquivando mil, duas mil, milhares de músicas. Juro! Tem coleções de amigos no Orkut, a batida do Funk povoando as mentes dos jovens sem suporte. Os acordos espúrios, os acordes ausentes...
E eu, onde quer que seja, tamborileiro solitário, tentando compreender, sem equacionar, o silencioso veneno do coito dos sentimentos que afloram nos grupos, nos coletivos. Porém, nenhuma insensatez há de vingar.
O azul é o mesmo, a tarde se espreguiça longamente pelo tempo das coisas que se vão, e talvez um girassol bastaria, quiça uma palavra surgiria para me acalmar, e diria: Maraci!, como quis a voz do vento, da ventania, dos vendavais, da brisa, do sopro, das ondas ensolaradas que as mulheres quaravam.


MARCIANO VASQUES

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Um livro do qual gostei muito

Queridos amigos,
Desta vez, Mauricio Veneza comenta o livro de Luiz Antonio Aguiar: Alqueluz, uma aventura das Arábias.
Parabéns aos dois! Agradeço a colaboração.
Grande abraço,
Regina Sormani

ALQUELUZ, UMA AVENTURA DAS ARÁBIAS

Luiz Antonio Aguiar

Objetiva, 2005

Falar de um livro de que gosto muito é tarefa complicada. Não dá pra ser “vinte livros de que gosto”? Não? Bem, já que tem mesmo que ser um só, vamos lá...

Que ligação podem ter duas meninas e um menino do Brasil contemporâneo com Mohamed, filho de Aladim, aquele mesmo da Lâmpada Maravilhosa? Esta é a pergunta que Luiz Antonio Aguiar se propõe a responder no seu “Alqueluz, uma aventura das Arábias”.

O desaparecimento do avô leva Laila, Maria e Bié através do tempo e do espaço até a fantástica Bagdá do Século VIII. O trio tem a missão quase impossível de impedir que o maléfico Schaitan se apodere da lâmpada e do gênio que mora nela. Schaitan (de onde vem o nome satã) é o mais cruel dos demônios e de posse da lâmpada se tornará invencível, com poderes para destruir Alqueluz, a cidadela sagrada dos gênios do bem. É bom saber que gênio aqui não é um sujeito azul que passa todo o tempo cantando, como um Pavarotti com cianose.
Se Schaitan tomar ou destruir Alqueluz, toda a humanidade mergulhará nas trevas eternas. O problema é como levar a lâmpada até lá, já que ninguém tem a menor idéia de onde fica a cidadela. Trata-se de uma elaborada aventura, com tudo que uma história deste tipo merece: passagens secretas, batalhas entre seres fantásticos, tapetes voadores... Até mesmo fartas pinceladas de terror, com direito a mortos-vivos e uma “gênia-vampira”. Luiz Antonio, com sua experiência de mais de cem livros e incontáveis histórias em quadrinhos, conduz o leitor através de um labirinto transbordante de magia e fantasia, com mistérios surgindo e sendo desvendados até o último momento.
Com a notável procura do cinema por histórias fantásticas, talvez Alqueluz, se fosse em língua inglesa, já tivesse virado filme. Resta aguardar. Afinal, o primeiro livro comentado nesta seção ganhou, merecidamente, seu espaço nas telonas...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Reunião de 15 de setembro - Votação e sarau

Meus amigos,

Ontem, 15 de setembro, a regional sp realizou, na Assembleia Legislativa a votação para eleger o autor homenageado 2010. Concorriam Ruth Rocha e Francisco Marins que obteve o maior número de votos.
Realizamos, também, um agradável sarau de poesias. O escritor Marciano Vasques leu alguns poemas meus, inéditos, e vice-versa. As escritoras Maria Luiza Campos e Alina Perlman e os ilustradores Danilo Marques e Nireuda Longobardi também leram poemas, seus e de outros colegas.
O encontro foi encerrado após saborearmos um delicioso sanduíche de metro
Seguem algumas fotos do encontro. Por ordem:
Marciano Vasques e eu.
Nireuda, Maria Luiza, Danilo e Marciano
Edson Gabriel e Alina

Um beijo,
Regina Sormani






terça-feira, 14 de setembro de 2010

PÁGINA DO ILUSTRADOR - 7


PÁGINA DO ILUSTRADOR - 7

Neste mês apresento o ilustrador Roney Bunn...


Este é o lançamento ilustrado por Roney Bunn pela editora Cassol

Roney (Rôni) Nasceu no Rio de Janeiro, antes que as televisões tivessem as imagens coloridas. Papel, lápis e tintas sempre foram grandes companheiros, uma vez que a infância asmática o impedia de correr pelas ruas tanto quanto os outros meninos. Quando o esporte veio ajudar seu corpo, as cores e formas já haviam tomado a sua alma. Entrou na Faculdade de Belas Artes do RJ, trabalhou como comissário de bordo e foi conhecer as cores do mundo. Morou muitos anos no exterior, e aprofundou seus conhecimentos na arte digital. Pintou mural em faculdade, restaurante, lojas e casas de gente com a cabeça tão colorida quanto a sua. Ilustações para publicidade, estamparia, logomarcas aqui e no exterior. Há doze livros infantis ilustrados por ele, mas espera em breve perder esta conta...

O trabalho que ele apresenta aqui na página do ilustrador é um passo-a-passo...

"1. Trabalho direto no computador, esboçando o desenho como se fosse com lápis e papel. Somente nos dias em que o meu lado "velha guarda" está atacado, é que utilizo o papel para os esboços inicias, escaneio e dou início ao processo.


2. Em seguida numa "camada" acima do esboço faço o traço final sem me preocupar muito com sombreamento ou volume. São linhas leves apenas para marcar o trabalho de pintura.

3. Agora começa a diversão. Coloco cores "chapadas" para compor a ilustração em uma nova camada e separadamente trabalho o fundo, assim fica fácil fazer qualquer mudança mais tarde.


4. meio caminho andado. Capricho nas texturas e detalhes da composição.


5. Está quase pronto, do esboço até o fim são três horas e meia. Agora só mais um pouquinho...


6. Acerto o enquadramento dispenso partes desnecessárias, coloco uma moldura e assino. Graças a esta ferramenta maravilhosa que é o computador, são apenas alguns minutinhos para isto.

Para conhecer mais o trabalho de Ronney Bunn vicite o site http://www.roneybunn.com/
Contato: roneybunn@hotmail.com



Para participar da página do ilustrador: contato@danilomarques.com.br