quinta-feira, 25 de novembro de 2010

mural 13 - novembro de 2010

NÚMERO 13 - NOVEMBRO DE 2010

O Mural é uma agenda cultural mensal,
editada conforme os eventos surgem.
Amigo associado de qualquer cidade do Estado de São Paulo, contribua...
aguardamos notícias dos eventos do interior.

_________

AGENDE.. PRÓXIMO MÊS, LANÇAMENTO DE ALINA PERLMAN




___________________

I SARAU FANTÁSTICO DE A HEBRAICA

Sábado, dia 27/11, às 17hs é o
I Sarau Fantástico de A Hebraica.

Coquetel de lançamento do livro Caninos (sobre os vampiros literários da história), com presença do Zé do Caixão, que conduzirá uma sessão de Cine Trash.

Debate O Impacto do Livro Eletrônico no Mercado de Literatura no Brasil quinta-feira (25/11) com a presença de Pedro Herz (Livraria Cultura), José Luis Goldfarb (CBL), Carlos Eduardo Ernanny (Livraria Digital Gato Sabido) e Vanderley Mendonça (Selo Demônio Negro).

Os eventos são gratuitos e abertos a não sócios.

Local: Clube A Hebraica
Rua Hungria, 1.000 (entre a Ponte Eusébio Mattoso e Cidade Jardim).

_______________________________



Hora de responder ao CENSO DO LIVRO
livros.jpg Acaba de ser enviado para as principais editoras do país um questionário – com apenas seis perguntas. As respostas serão utilizadas no CENSO do LIVRO 2010. Este CENSO permitirá o aprimoramento da pesquisa anual da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas - FIPE/USP sobre “Produção e Vendas do Setor Editorial”, feita por iniciativa conjunta do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Os resultados deste trabalho, além de direcionarem as ações do setor livreiro no Brasil, são utilizados por renomadas entidades internacionais, como a CERLALC (Centro Regional para el Fomento del Libro em América Latina y Caribe) ligada à UNESCO. Daí a importância da colaboração de todos. As informações fornecidas só serão divulgadas de maneira agregada, nunca por empresa. Os editores que necessitem mais informações antes de respondê-lo, por favor entrem em contato com a FIPE: cbl@fipe.org.br, ou fones (11) 6727 2826 e (11) 3091 5823 e (11)3091 5870. Mais informações, clique aqui http://pesquisa.fipe.org.br/censodolivro/

Traditional Jazz Band no Jantar de Confraternização de Editores e Livreiros – 2010
jazzband.jpg A Traditional Jazz Band será a atração musical do Jantar de Confraternização de Editores e livreiros 2010. O evento vai acontecer no Leopolldo Itaim (Rua Tabapuã, 1353, São Paulo, SP, manobristas no local) no dia 8 de dezembro a partir da 19h30. As adesões individuais para associados da CBL têm o valor fixado em R$ 150 e, para não associados, de R$ 200. Para pessoas e/ou empresas que adquirirem múltiplos de 10 adesões poderão reservar mesas. Maiores informações e inscrições poderão ser obtidas pelo email jantar@cbl.org.br, ou pelo telefone (11) 3069-1300.

Uma justa homenagem a quem dedicou meio século de trabalho ao livro!
placas.jpg
Como tradição estabelecida, esse evento é uma grande ocasião para prestar um tributo justo aos profissionais da cadeia produtiva do livro, rever amigos, trocar ideias e comemorar o fim de um ano de bons negócios. Cada empresa deve inscrever e realizar a adesão para aqueles que, ao completar 25 ou 50 anos de dedicação ao mercado editorial, serão homenageados. Faça sua indicação <clicando aqui

Prêmio de Poesia SESI/SENAI "O mundo através das palavras"
usina de sonhos1.jpgCom a presença do Presidente da FIESP, SESI e do SENAI-SP, Paulo Skaf e do idelaizador do prêmio José Eduardo Mendes Camargo, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo vai realizar, no dia 30 de Novembro de 2010, a cerimônia de Premiação do 3° Concurso de Poesia SESI/SENAI "O mundo através das palavras" em colaboração com o Instituto Usina de Sonhos". Na ocasião serão entregues 33 prêmios, em 11 categorias etárias e de escolaridade, desde a Educação Infantil até os alunos do Programa de Alfabetização Intensiva – PAI do SENAI-SP. O evento terá lugar dia 30 de novembro, as 10h30 no Teatro do SESI/SP Ruth Cardoso, Avenida Paulista 1313, São Paulo, SP. Após a entrega haverá show com o cantor Nando Reis, e um café da tarde será servido a todos os participantes e autoridades presentes.




______________________


A autora Telma Guimarães,
a Editora do Brasil e a Livraria Cultura
convidam você para conhecer 7 lançamentos
que o farão viajar pelo mundo da literatura.


A Economia de Maria


As gêmeas Helena e Maria ganharam lindos
cofrinhos da madrinha. Mas uma das meninas
não quer nem saber de guardar...
Ver mais>>

A Árvore Contente


Era o dia de fazer a árvore genealógica na
escola e a professora pediu que a turma
caprichasse. Mas em que galhos...
Ver mais>>

A Invenção de Celeste


A professora pediu que a turma trouxesse
fotos de seus bichinhos de estimação. Mas
Celeste não tem um, e agora?...
Ver mais>>

Amigos de Verdade


Bento não está nem um pouco a fim de sair de
casa, apesar dos inúmerosconvites para
brincar no parquinho...
Ver mais>>

Pollyanna


Embarque na emocionante história da doce Pollyanna,
que, após ficar órfã aos 11 anos, vai morar...
Ver mais>>

Os Três Porquinhos


O lobo estava só à espreita esperando
por qualquer descuido dos porquinhos...

Ver mais>>


Chapeuzinho Vermelho


Depois que a Vovó ficou doente em sua
casinha lá no meio da floresta,
Chapeuzinho Vermelho...
Ver mais>>


Livraria Cultura, Shopping Iguatemi, Campinas.
Av. Iguatemi, 777 - Lojas 04 e 05 no piso 1.
Vila Brandina, Campinas-SP.


________________________________


LANÇAMENTO DO CD DE MANUEL FILHO

Quero convidar a todos para assistirem ao show de lançamento do meu novo CD, "Raízes".
O show terá única apresentação na sexta-feira dia 05/11 no histórico e sensacional Teatro Oficina (Rua Jaceguai, 520) às 22:00h.

O repertório do novo disco está bastante interessante e o show ainda conta com participações especialíssimas de Fernanda Gianesella, Rita Braga e Cristina Lemos. Além de composições próprias, cantarei Noel Rosa, Custódio Mesquita, Fran Papaterra entre outros.
O ingresso custará R$20,00 ou 1 quilo de alimento não perecível que será doado a uma instituição de caridade.
O show está lindíssimo, quero muito contar com a presença de todos.
Aproveite para visitar o meu site www.manuelfilho.com.br
Beijos e abraços e até dia 05 de novembro às 22:00h no Teatro Oficina.

Direção de cena - Flávio Faustinoni

Direção musical - Beto Marsola

Direção de produção - Ana Nero

Designer de luz - Carmine D´amore
Assessoria de imprensa - Iara Filardi


Músicos:

Violão - Beto Marsola

Baixo - Xinho Rodrigues

Teclado - Leandro Neri

Percussão - Bira Azevedo



________________________________

PRIMAVERA NA CULTURA


________________________________



II ENCONTRO DE LITERATURA INFANTIL E JUVENIL
NO ANHEMBI TÊNIS CLUBE

Local: ATC - Anhembi Tênis Clube - Salão Social
Data: 07 de Novembro
Horário: Das 14h às 18h
Rua Alexandre Herculano, 2 (ao lado do Colégio Santa Cruz, esquina com a Rua Orobó)

Alto de Pinheiros
São Paulo - SP
Haverá feira de livros, com a participação de editoras, entre elas: Acatu, Biruta, Callis, Duna Dueto, Paulus...

Camerata de violão com o Projeto Fênix Contação de história "A princesa no castelo em chamas" - com Claudia Benson
Autógrafo com escritores e ilustradores, entre os quais estarão presentes Ailton Sobral, Biba Rigo, Cacá Lopes, Danilo Marques, Fábio Sgroi, Januária Cristina Alves, Luna Vicente, Mariah Moraes, Manuel Filho, Moreira de Acopiara, Marco Haurélio, Nireuda Longobardi, Simone Petersen...

Brincando de roda de Capoeira - com as crianças do ATC

Caricatura - com o ilustrador Danilo Marques
Oficinas de massinha - com a ilustradora Luna Vicente
Oficina de lápis animado - com as meninas da brinquedoteca

Cantando Brincadeira - com Cacá Lopes

Oficina Como ilustrar uma história - com o ilustrador e escritor Fábio Sgroi

Sarau de Poesia com os escritores e público presente.


Exposição Cores e Formas que Contam Histórias

Durante o evento haverá a exposição da AEILIJ - Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil "Cores e Formas que Contam Histórias" que foi organizado pela AEILIJ. A exposição apresenta o trabalhos de 25 ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil de diferentes técnicas e estilos. O objetivo da exposiçaõ é mostrar a beleza e a importancia das ilustrações nos livros de literatura para crianças e jovens.
A AEILIJ - Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ) iniciou suas atividades em 1999 com o objetivo de estimular a união de autores, escritores e ilustradores de literatura infantil e juvenil pela defesa dos seus interesses e direitos dentro do mercado editorial e, também, para a troca de experiências e informações entre os profissionais através de uma lista de discussão.

Mapa: http://www.clubeanhembi.com.br/mapaok.html

Site do ATC: http://www.clubeanhembi.com.br/
AEILIJ: http://www.aeilij.org.br/


________________________________


OFICINAS DE CRIAÇÃO LITERÁRIA

Um estímulo à imaginação e à criatividade pelo trabalho poético
Com Cláudio Daniel Programa elaborado com o objetivo de apresentar conceitos teóricos sobre a poesia e desenvolver exercícios práticos de criação, com a aplicação de conceitos de Edgar Allan Poe, Charles Baudelaire, Stéphane Mallarmé, Ezra Pound, Vladimir Maiakovski, Haroldo de Campos e Paulo Leminski, entre outros autores. O curso pretende estimular os alunos a pensarem a poesia de maneira crítica e aprofundada.

Para público jovem e adulto.


Biblioteca Milton Santos

De 4 a 25 de novembro, 5ª feiras, das 15h às 17h

Biblioteca Thales Castanho de Andrade

De 9 a 30 de novembro, 3ª feiras, das 14h às 16h


Língua nas Letras de Música

Com o violonista Lucas de Luccia e o professor João Jonas Veiga Sobral


Encontros direcionados ao público jovem, destacando as nuances da língua na criação das músicas populares. Parceria com a revista Língua Portuguesa.


Biblioteca Paulo Setúbal

Dia 12 de novembro às 10h e às 14h

Biblioteca Adelpha Figueiredo

Dia 13 de novembro às 10h e às 14h

Biblioteca Mário Schenberg

Dia 19 de novembro às 10h e às 14h

Biblioteca Cora Coralina

Dia 26 de novembro às 14h



Soltando a Língua

Com Marcelino Freire


Na oficina de criação de textos serão trabalhadas técnicas de como "desbloquear" o texto e de como avançar no seu projeto literário.
Para isso, os participantes produzirão textos em sala e discutirão a produção de outros autores, em vários gêneros - conto, poesia, romance.

Para público jovem e adulto.


Biblioteca Lenyra Fraccaroli

De 22 de novembro a 13 de dezembro, 2ª feiras, das 10h às 12h

Biblioteca Nuto Sant'Anna

De 25 de novembro a 16 de dezembro, 5ª feiras, das 14h às 16h


________________________________

Literatura para Todos recebe inscrições até 21 de novembro

O Concurso Literatura para Todos foi criado para estimular a produção literária direcionada a jovens e adultos em processo de alfabetização. Este ano, o Ministério da Educação vai premiar nove escritores com R$ 10 mil cada um e publicar as obras vencedoras, que serão distribuídas em escolas e bibliotecas públicas.
Os candidatos podem competir nas categorias prosa (conto, novela ou crônica), poesia, biografia e texto de tradição oral (em prosa ou em verso). Em cada uma delas serão premiados dois autores.
Esta é a segunda edição do Literatura para Todos. A novidade é que a competição vai premiar um escritor africano, natural de um dos países de língua portuguesa — Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. O autor africano ganhará o mesmo prêmio de R$ 10 mil, independentemente da categoria literária do texto apresentado.
As obras devem ser enviadas, até 21 de novembro, ao Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade — Esplanada dos Ministérios, bloco L, sala 710, CEP 70047-900 Brasília (DF).
A divulgação dos resultados e a premiação estão previstas para março de 2008. No ano passado, 2.095 obras concorreram na primeira edição do concurso.
Mais informações no endereço eletrônico literaturaparatodos@mec.gov.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ou pelo telefone 0800 616161

___________________________________________________

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

QUINTAS - 36

PASÁRGADA: 

UTOPIA DA VIDA QUE PODERIA



“Estrela da vida inteira.

Da vida que poderia

Ter sido e não foi. Poesia,
Minha vida verdadeira.”
MANUEL BANDEIRA


Paulo Diniz, autor de canções como “Quero voltar para a Bahia”, “Ponha um arco-íris na sua moringa”, “Brasil, brasa, braseiro” de ritmo alegre presente também em diversas canções cantadas por Martinho da Vila, “O meu amor chorou” e uma adaptação feliz para “Peixe Vivo”, a trilha sonora de um popular presidente do Brasil, fez coisas profundas no universo da canção de poesia do país.
Musicou “E agora José?” do mineiro Carlos Drummond de Andrade. Ouvir nas rádios o compositor cantando “José” ampliou a consciência de um Brasil profundamente poético. Mas ele também colocou melodia num outro poema, de um poeta pernambucano, uma das grandezas do país.
Nascido no final do XIX no Recife, o autor de comoventes poemas foi um menino que viveu intensamente a infância na capital pernambucana.
Um de seus poemas “Evocação do Recife” vale por muitas aulas de geografia. Se a escola fosse diferente e se os professores pudessem voar, que maravilha trabalhar numa aula de geografia sobre Recife apenas esse poema que começa limpando o nome de Recife de comparações. Dá pra viajar em sala de aula.
Farto do lirismo bem comportado, Manuel Bandeira, que viveu uma vida limitada por causa da tuberculose, publicou seu primeiro livro de poesia imaginando-se à beira da morte. Afinal, a idéia da morte o acompanhou a vida inteira.
Sua obra composta em quartos de pensões é um dos maiores tesouros do idioma. Provavelmente seja o mais lindo poeta de almas do Brasil a enriquecer com seus poemas a sensibilidade nacional. Maravilhosas crônicas publicadas em vários jornais: muitas delas ouvidas no rádio encantaram o espírito brasileiro.
Morreu fisicamente com mais de 80 anos de idade, muito embora desde a juventude, ao contrair tuberculose, foi acompanhado pela morte. Mas sempre viveu intensamente por meio de seus poemas. A poesia foi a sua vida verdadeira.
Solitário e doente, ao completar oitenta anos ganhou o prêmio “Moinho Santista” no valor de cinco mil cruzeiros quando o jovem compositor Chico Buarque, poucos dias antes recebera um prêmio de cinqüenta mil cruzeiros pela composição “A Banda”.
Estrela solitária diante da força do vendaval da indústria cultural, o autor contemporâneo do modernismo foi homenageado por praticamente todos os poetas do seu tempo, inclusive pelo Carlos Drummond da Andrade, que para ele dedicou 21 poemas.
Poeta “bem triste de tantos ais”, sua contribuição gigantesca para a cultura nacional bem poderia ser conhecida com afinco por todos os estudantes do Brasil. Um bom começo seria ouvir a canção de Paulo Diniz.
Uma palavra que o poeta ouviu quando menino numa sala de aula. Memorizou-a, porém nunca teve a idéia verdadeira do lugar, até que um dia revelou aos leitores: Pasárgada é um lugar dentro da poesia.
Poema que fala de uma utopia. De um lugar imaginário, para onde o poeta poderia ir e ser feliz, onde poderia ter a mulher que queria na cama por ele escolhida.
Um lugar onde a vida seria uma aventura, onde ele poderia andar de bicicleta e até subir no pau-de-sebo. Tomar banho de mar, deitar na beira do rio.
Assim foi a sua utopia pelo compositor levada ao disco, a utopia repleta da vida não vivida, da vida que poderia ter sido, a vida do homem que queria que o seu último poema fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais.
O Brasil é o país do orgulho e não sabe, tem Manuel Bandeira e às vezes se esquece.

MARCIANO VASQUES

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Homenagem ao escritor Francisco Marins


Prédio da Academia Paulista de Letras localizado no Largo do Arouche centro de São Paulo

Meus queridos leitores,

É com imensa alegria que venho informar a todos que nossa regional irá realizar a HOMENAGEM 2010 ao renomado escritor Francisco Marins, conhecido como O ESCRITOR DA JUVENTUDE, no dia 09 de dezembro às 15,30hs, quinta-feira, na ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS. O prédio, conhecido pela suntuosidade está localizado no LARGO DO AROUCHE, nº312. Quero acrescentar que essa foi uma opção do próprio autor, que ocupa a cadeira nº33 da APL.
Francisco Marins irá, pessoalmente, mostrar as dependências da Academia aos visitantes. Hoje, dia 23 de novembro, ele completa 88 anos de idade.

Um forte abraço,
Regina Sormani



Conheça os ocupantes de cada Cadeira

01 - José Cretella Jr.
02 - Miguel Reale Jr.
03 - Julio Medaglia
04 - Célio Debes
05 - Gabriel Chalita
06 - Luíz Carlos Lisboa
07 - Anna Maria Martins
08 - João de Scantimburgo
09 - Ada Pellegrini Grinover
10 - Paulo Nogueira Neto
11 - Milton Vargas
12 - Paulo Nathanael Pereira de Souza
13 - Myriam Ellis
14 - Walcyr Carrasco
15 - José Altino Machado
16 - Bolívar Lamounier
17 - Massaud Moisés
18 - Jorge Caldeira
19 - Erwin Theodor Rosenthal
20 - Hernâni Donato
21 - Paulo José da Costa Jr.
22 - Ruth Guimarães
23 - Antônio Ermírio de Moraes
24 - Geraldo Vidigal
25 - Tatiana Belinky
26 - Mário Chamie
27 - Fábio Lucas
28 - Lygia Fagundes Telles
29 - José Pastore
30 - Raul Cutait
31 - Ives Gandra da Silva Martins
32 - Antonio Penteado Mendonça
33 - Francisco Marins
34 - Tércio S. Ferraz
35 - Paulo Bomfim
36 - Dom Fernando Antonio Figueiredo
37 - Ignácio de Loyola Brandão
38 - Ruth Rocha
39 - Benedito Lima de Toledo
40 - José Renato Nalini

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Um livro do qual gostei muito




MIGUEL E SERAFINA

Pense em algodão doce, em picolé e pirulito. Isso. Picolito. Li um livro assim: bem doce, com gosto de leitura de "fazedeira".
É a história de uma boneca que vivia no armário da bagunça, mais precisamente de um menino que todo menino é, mais ainda, é uma história de amizade, da infância, da alma do brinquedo.
Isso mesmo está posto no livro de Regina Sormani, que brinquedo tem alma. Todos eles, o pé-de-chinelo, o polichinelo, o cachorrinho, o robô. O cinema atualmente diz isso. A escritora se antecipou. Mas é fazedeira de poesia e assim vai numa escrita de lã que criança de doce de leite lê. Andersen, é claro, sabia disso, que brinquedo tem alma. Aliás, ele capturou essa alma com maestria. Regina nos trouxe uma boneca lá do seus interiores.
Antes das bonecos interplanetários repletos de poderes, alguém lançou uma pergunta: "Bonecas brincam com meninos?". Brincam sim, e falam na imaginação deles, ora!, até sonham com ser gente!, melhor não realizarem esse sonho, ainda que viessem a ser bonecas de madeira.
A fazedeira, a dona artista, dedos são pensamentos mágicos. Cada pensamento um artesão. E arte são pensamentos em forma de bolotas de algodão, chumaços de amores.
Uma artista assim só poderia fazer uma boneca com os olhos de afastar quebranto.
Que livro rico! E delicioso de oralidade. De tesouros que os leitores vão descobrindo. Tesouros que existem desde o tempo do arco-da-velha.
E um arco na íris da boneca faz com que a autora enverede pelas veredas da cumplicidade com o leitor. "Cá pra nós".
Mas brinquedos viraram tranqueiras! O menino cresceu. Sendo assim, a boneca não mais falou.
Não?
Quem tece domingos deveria ler este livro. Eu li, e ele me trouxe laços de ternura, de coração de menino, de alegria de respingo de chuva na vidraça. Gostei muito de conhecer a Serafina, e também o Miguel.

Livro. MIGUEL e SERAFINA
Texto: REGINA SORMANI
Ilustrações: MARCHI
Leitor: MARCIANO VASQUES
Editora: Edições Loyola
ANO: Todos, por que em todos os anos haverá sempre uma boneca dessas, com vestidinho vermelho, e de algodão recheada.

MARCIANO VASQUES

Pé de meia literário 14

Um mar de leitores

Nem podia ser diferente. Cidade localizada no litoral fluminense, Paraty deu um nome peculiar ao seu projeto de leitura: Mar de Leitores.
Quantas interpretações possíveis, este “mar de leitores” nos instiga a pensar. O primeiro, e mais imediato, e talvez o mais adequado: muitos leitores. Tantos e tantos que podemos falar em quantidade imensa, do tamanho do mar.
Falar de Paraty, nestes últimos anos, em matéria de leitura e leitores, o que vem à lembrança é a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) e sua parceirinha, a FLIPINHA. Não é por menos. No entanto, depois que a agitação glamurosa da festa internacional desaparece e a cidade volta a conviver com seus dias calmos, históricos e sossegados, uma outra intencionalidade surge: fazer da cidade, uma cidade de leitores. Aí começa (ou continua) a atuação do pessoal do Mar de Leitores, a turma da ong Casa Azul e seus parceiros da secretaria municipal de educação, técnicos e educadores das escolas.
O projeto caminha para o seu segundo ano de vida, com conquistas interessantes, uma das quais um documento legal da secretaria de educação que garante no currículo de todas as escolas uma hora semanal de atividades específicas de leitura. Outra conquista: uma carta de intenção da secretaria se disponibilizando a manter uma política de reposição de acervo. Ações como essas mobilizam os representantes da Casa Azul, da secretaria de educação e os educadores de todas as escolas do município. Em reuniões mensais, com a presença da secretaria, de representantes da Casa Azul e convidados, as coisas vão acontecendo, tomando rumo, abrindo espaços.
Estive por lá, como convidado, no último dia 10 de novembro, falando para/com os educadores (gestores e coordenadores pedagógicos) que tocam as ações nas escolas. Falei da minha experiência como gestor de escola, de sala de leitura e como membro de equipe criadora de programas de incentivo à leitura, entre os quais, o programa de salas de leitura das escolas municipais de São Paulo e o Prazer em Ler, do Instituto C & A. Conversamos sobre a importância da leitura na sociedade contemporânea, sobre a dupla tarefa do educador, formar-se leitor e formar leitores, sobre acervos, escolhas e persistência.
Voltei para casa com satisfação dobrada: de um lado, por ter colaborado com o projeto, cruzando histórias, trocando certezas; e, de outro lado, por reforçar questões pelas quais venho batalhando há muito, a importância da escola no trajeto da educação para a literatura e a necessidade fundamental de se fazer de cada educador um leitor.
Mar de Leitores, da bela Paraty, renovou em mim a certeza de que as coisas podem ser simples, em matéria de programas de incentivo à leitura, quando se juntam a vontade política, o espaço para a organização, discussão e elaboração de projetos e o envolvimento dos educadores. Taí...
Mar de Leitores certamente é um programa de formação de leitores que tem tudo para transformar a cidade em cidade leitora.

Constitui-se, graciosa e energicamente, um alto valor para o nosso pé de meia literário.

Edson Gabriel Garcia
Educador e Escritor

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

QUINTAS - 35

Os últimos escritos
“Há adeuses nos girassóis da minha mente”


O cavalo foi domesticado. Uma perda para a natureza. Um ganho para a humanidade. A humanidade vive ganhando. Gosto, aliás, daquele pensamento indígena: “Só depois que a última árvore for derrubada, o último peixe for morto, o último rio for envenenado, todos irão perceber que dinheiro não se come.”
A humanidade não existe, é um conceito abstrato. Faz tempo penso assim. O que há são seres bondosos, mas isso não importa agora, como não importa a saudade de Hume, por exemplo, ou a grandeza da minha alma.
Hoje, quase final de novembro, cantei pneu na estrada. Um rei já fez isso antes de perder a velocidade. Cantei pneu porque tudo parece que faz tanto tempo. É preciso a postura de rei sempre. Mas ando machucado, a alma com esta infecção me atrapalha muito. Porém ainda não perdi a noção de que as estrelas estão no céu, independente da visibilidade.
Quero voltar para o cavalo, melhor, para o aspecto da interferência da humanidade no rumo das coisas na natureza (hipocritamente chamada de mãe). A natureza do cachorro é a do lobo, mas hoje, domesticado, é chamado de melhor amigo do homem, talvez tenha algumas qualidades que o homem aprecia muito, como a obediência...
Quero voltar para a poesia. Penso que a cidade na qual vivo, se não fosse tão concreta, talvez se transformasse em sampa, o que significaria a sua abertura total para a poesia. Mas há a impossibilidade de vertê-la em poesia (a cidade está sempre dentro do homem, se ele é um homem da cidade).
Algo me distraiu e perdi um fragmento mental que sei que desembocaria na falta que sinto de Caetano Veloso, o que significa aqui a essência, aquilo que permanece, como a profundidade de um verso que representa a verdade que se derrama sobre séculos de filosofia, um verso que afirma “Que a coisa mais certa de todas as coisas não vale um caminho sob o Sol!”
Mas a poesia, onde ela está? Vi uma criança comendo uma fatia de pão com margarina. Ali está a poesia. Se alguém presenciou mão estendendo fatia de pão com manteiga num dia chuvoso, tomou ciência da poesia. Eu já me senti poeta. Nada a ver com arranjos de palavras. É outra coisa a que me refiro. Quem viu um cavalo no verde-paz de um entardecer sabe o que é poesia.
Bem, contos e crônicas, a vida segue em frente. O que eu sofri, as coisas pelas quais eu sofri, não alterou nada; o poeta, ou esse modo de ser do homem, não promoveu alterações nos destinos das coisas, no destino do cavalo, por exemplo, mas sempre há uma centelha de interferência no destino de alguém.
Há adeuses nos girassóis da minha mente. Que pena! 

MARCIANO VASQUES
http://www.cianomar.blogspot.com/

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O autor e sua obra

Prezados leitores,

Hoje, 15 de novembro, a página "O autor e sua obra" do blog paulista coloca no ar a participação do escritor Marciano Vasques, falando sobre Lima Barreto.
Agradeço muito e um forte abraço,
Regina Sormani







LIMA BARRETO

Hoje, 15 de novembro, feriado nacional no Brasil. Dia de Lima Barreto. Deveria ser assim, afinal, quem mais na imprensa e na literatura quis e clamou por uma República autêntica?
Isso mesmo. O maior dos mulatos bem quis proclamar a República, mas não a República da burguesia, a República da Belle Époque, porém a República do seu povo, do povo mulato do Rio de Janeiro, do povo pobre, da lavadeira, do operário. Lima Barreto, a voz solitária na imprensa, com suas crônicas de liberdade, a primeira voz a defender a mulher nas páginas dos periódicos, e a gritar contra os assassinos de mulher.
O escritor, conhecido como o "mulato dos mulatos", com sua "alma de bandido tímido", foi um exemplo notável de escritor a serviço da humanidade.
Humanista, queria que a República verdadeira fosse proclamada, por isso denunciava a falsa República, e escrevia para ser lido, mas ser lido pelo seu povo, pelo povo que subiu ao morro. Escrevia propositalmente numa linguagem nada estilizada, nada elitizada. Menosprezava os escritores que escreviam de forma requintada para serem lidos pelos seus pares. Acreditava que a República deveria começar na literatura, na escrita, na forma como se lida com o idioma, e como se faz literatura.
Ironicamente nascido num 13 de maio, e ironicamente morrendo em 1922, quando em São Paulo aconteceu a Semana da Arte Moderna, Lima, que antecipou o tempo, o grande cronista, escreveu livros memoráveis, como "Triste Fim de Policarpo Quaresma", na qual apresenta o seu personagem comovente, o nacionalista que sonha com um Brasil que não existe além do seu coração e da sua mente.
Afonso Henriques de Lima Barreto, nascido no ano da publicação de O Mulato, de Aluísio de Azevedo, escreveu também Clara dos Anjos, O Homem que sabia javanês, Bruzundangas, e uma fértil coleção de crônicas em jornais da época. Crônicas que abordavam os mais variados assuntos, como as superstições do povo do Brasil, as mulheres vítimas da violência brutal, a falsa república...
Lima Barreto nasceu num bairro, digamos, de classe média, e caminhou em direção ao subúrbio, para ficar mais próximo do povo que amava. Sua residência, bem longe da República burguesia, ao receber o nome de Vila Quilombo, deixava Copacabana enraivecida.
A juventude precisa ler Lima Barreto, todos deveriam ler o homem que queria inaugurar a República autêntica.

MARCIANO VASQUES