domingo, 28 de novembro de 2010

PÁGINA DO ILUSTRADOR 11 - ANIELIZABETH

PÁGINA DO ILUSTRADOR 12

Nesta edição apresento o trabalho de Anielizabeth, que enviou um ótimo texto que posto logo abaixo, boa leitura.


"A imagem sempre foi algo fortemente presente em minha vida desde a infância, sendo sempre objeto de fascinação e estudo obsessivo, pois sei que o impacto que elas causam em mim, causam também em tantas pessoas, desde tempos longínquos. Mas afinal, que relação é esta de encantamento com a imagem? Esta pergunte orienta meus estudos sobre processo de criação. Conscientemente ou não, o ato de criação de uma ilustração surge de um intenso processo de pesquisa. Além das ‘imagens’ gravadas no arquivo mental de quem cria, há aquelas que surgem de um longo e detalhado processo de construção consciente: de época, lugar, texturas, intenções etc.

Acredito que o livro infantil é uma maneira de documentar a memória iconográfica de uma geração, tanto quanto imortalizar as tendências literárias, sendo a literatura infantil uma poderosa aliada no combate à banalização das imagens e das comunicações tão observadas e atualmente muito comentadas. Assim, acho fundamental que o leitor treinado para ler códigos verbais seja preparado também para ver e decodificar a pluralidade de linguagens que no livro infantil se encontram e se articulam.

O meu trabalho é pautado na certeza que a ilustração, assim como o texto escrito, deleita, comove, educa, uma vez que estimula a imaginação cada vez que se permite dialogar e criar vãos e nuances no livro, cada vez que vai além do que está escrito no texto e se propõe a tocar a sensibilidade e contribuir para a intuição criadora do leitor, capaz de subjetividades desde a mais tenra infância. Mas para que isso seja verdade, é preciso ter sempre em foco a importância de se investir no aprimoramento artístico da ilustração, em detrimento da ilustração mercenária, rápida e sem cuidados na sua estruturação.

A criação de uma ilustração encerra detalhes que são fruto da pesquisa do ilustrador e que se traduzem em imagens que muitas vezes causam deleite no leitor, mas isso acontece de forma tão sutil que o leitor muitas vezes não consegue identificar, de forma intencional, tais elementos. Muitos destes detalhes são colocados de forma intencional pelo criador da obra. Mas, ao contato com o leitor, a obra se recria, dependendo do olhar de quem a vê, numa sucessão de percepções diferenciadas totalmente individuais.

Aqui vão alguns destes detalhes, imaginados por mim, para o livro Double face “Um, dois, feijão com arroz / Que dia é hoje?” escrito pela Sandra Pina e editado pela Zit.Estes detalhes, desvendados, ajudarão o leitor que desejar realizar uma leitura mais analítica desta obra.

O primeiro passo foi sistematizar meu conhecimento teórico sobre as parlendas, suas origens, sua trajetória no Brasil etc. Luis da Camara Cascudo foi leitura essencial e norteadora de todo o processo. Além disso, era preciso estudar o modo de vida da infância no Brasil, desde a colonização, para estabelecer como se deu a formação da nossa cultura e sua propagação."


"Feita esta pesquisa inicial, foi a vez de resgatar minhas memórias afetivas, estabelecendo uma ponte entre elas e o texto que eu iria ilustrar. Refletindo sobre minhas próprias origens, os lugares onde já morei, as brincadeiras preferidas na infância, as atividades profissionais as quais me dediquei, criei um esquema de ilustração em que a ideia principal era montar uma história paralela, retratando brinquedos e brincadeiras da nossa cultura popular, jogando sempre com as parlendas e homenageando famosas cidades históricas, sendo a principal delas, Paraty. A escolha de Paraty deveu-se ao fato de ter estado neste lugar semanas antes de iniciar este trabalho, na FLIP. Escolhi as cores vermelho e verde como as principais numa alusão a Portugal, de quem herdamos as parlendas e mnemonias. Mas dei a estas cores um tom mais fresco, mais ácido e mais vibrante, remetendo ao clima brasileiro. Afinal, as brincadeiras com palavras nos chegaram pelas mãos portuguesas e aqui ganharam novo tom e novas interpretações, graças ao convívio entre luso-brasileiros, indígenas e, mais tarde africanos. Cada um destes grupos contribuiu para a formação das nossas tradições e cultura, ficando o último grupo responsável por embalar nosso sono e introduzir palavras de seus diversos dialetos em nossa língua.

Trabalhei com fitas, passamanarias, sianinhas e galões de algodão, guipures, elementos tipicamente brasileiros herdados das modas e modos lusitanos e franceses. Mais uma vez, os aviamentos saíram da minha caixinha de costura, que guarda preciosidades da minha família e que remetem a minha infância. Aviamentos e tecidos que se vêem no livro já foram vestidos de caipira e de cigana, feitos pela minha mãe para mim e minhas irmãs. Tudo isso incorporado à pintura com tinta acrílica, lápis de cor, lápis cera... Enfim, foi uma festa de técnicas e materiais, simbolizando a mistura característica da formação brasileira."




"Começando as histórias, os personagens são apresentados através de duas brincadeiras: na imagem que se vê o grupo de crianças brinca de adoleta. E é brincando com folguedos, danças e crenças que fazem parte do nosso folclore que as ilustrações vão compondo uma narrativa paralela à narrativa verbal. Personagens do nosso folclore estão presentes: o Mateus, o Bumba-meu-boi..."




"Não posso deixar de mencionar a letra que faz a introdução ao texto de cada página. Letras desenhadas a mão, na tentativa de remeter a simplicidade dos cartazes e outros escritos comuns em diversas apresentações da nossa cultura popular."




"Através do meu trabalho procuro sempre mostrar que o livro infantil se faz da perfeita integração entre texto escrito e ilustração. Um trabalho pensado desta forma estabelece elos entre o verbal e o não verbal, promovendo um sem fim de leituras. Analisar a questão da imagem é algo complexo, que não se encerra só no discurso que envolve a ilustração. Aliás, as imagens verbais existem e segundo Octavio Paz à medida que o acervo visual se aprimora, o acervo verbal sofre desenvolvimento, pois a imagem da palavra se torna cada vez mais complexa. Esta é minha busca incansável: mostrar que a ilustração não deve se prestar a adornar ou traduzir, de maneira simplista a história escrita."



Livroclip: http://www.livroclip.com.br/index.php?acao=hotsite&cod=217
Meu blog: www.anielizabeth.blogspot.com
Contato: anniebcruz26@hotmail.com



CONHEÇA MAIS SOBRE O TRABALHO DE ANIELIZABETH:http://papodeilustrador.blog.terra.com.br/
http://anielizabeth.blogspot.com/

ilustrador associado da aei-lij, para participar da página do ilustrador entre em contato: contato@danilomarques.com.br


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O autor e sua obra

Leandro, O Grande Pioneiro
Por: Marco Haurélio



Leandro em xilogravura de Arievaldo Viana


O paraibano Leandro Gomes de Barros (1865- 1918) é o maior clássico da poesia popular e uma das maiores glórias da cultura brasileira. Foi poeta prolífico e, embora muitos pesquisadores exagerem na estimativa de sua obra, sabe-se que ele legou à posteridade perto de um milhar de folhetos.
A pouca familiaridade com a gramática não lhe foi empecilho para escrever obras-primas, como Os Sofrimentos de Alzira, onde lemos esta estrofe adornada por belas antíteses, que revelam o trágico destino da protagonista:
Eu ficarei sobre um túmulo,
O senhor num paraíso;
Meus olhos gotejam lagrimas
Seus lábios brotarão riso.
No mais, aceite um adeus.
Até o dia do juízo!
Em O Cachorro dos Mortos, há a descrição de um crime passional do qual um cachorro é a única testemunha. No início do romance, Leandro deixa patente o seu respeito pela tradição (“antepassados”) e recorre a um expediente que se tornaria lugar-comum entre os poetas populares: o de ilustrar o prólogo da história com um adágio que remete ao motivo central. Vejamos:
Os nossos antepassados
Eram muito prevenidos
Diziam: - Mato tem olhos
E paredes têm ouvidos,
Os crimes são descobertos,
Por mais que sejam escondidos.
A Força do Amor, que narra as desventuras do casal Alonso e Marina, começa como uma lacrimosa história de amor e termina como um conto de horror digno de um Allan Poe. A sextilha abaixo, que fecha o romance, resume o clima sinistro criado pelo genial autor:
Na tumba de Montalvão
Ninguém mais pôde chegar
Porque à meia-noite em ponto
Se ouve um eco bradar
Gemer um, suspirar outro,
Outro a sorte praguejar!
Mas o estro de Leandro foi muito além da poesia dramática. Foi também um grande sátiro, e dois folhetos seus escritos neste gênero – O Dinheiro e O Cavalo que Defecava Dinheiro – foram reaproveitados pelo mestre Ariano Suassuna no Auto da Compadecida. Por ora, citemos apenas sua grande criação, o grande burlão Cancão de Fogo, que chegou ao cordel antes de João Grilo, de quem é irmão gêmeo em peraltices. Cancão, que influenciou até Mário de Andrade na composição de seu Macunaíma, é o mais sardônico dos anti-heróis que o cordel já produziu. Na sextilha abaixo, um pouco de sua filosofia de vida:
Pai e mãe é muito bom,
Barriga cheia é melhor;
A doença é muito ruim,
Porém a morte é pior;
O poder de Deus é grande
Porém o mato é maior!
Mesmo na hora da morte, eis a resposta do endiabrado Cancão a um padre que o exorta ao arrependimento, pretextando livrá-lo dos tormentos do inferno. (É preciso atentar para o espírito crítico de Leandro que o diferencia de outros poetas do gênero, em especial a sua irreverência em relação à Igreja.)
Disse-lhe o Cancão de Fogo: - Padre, eu quero que me dê
Explicação do inferno
Lhe peço como mercê
No inferno inda haverá Um diabo como você?

Por estas e outras o grande bardo de Pombal e glória da Paraíba, na arte que abraçou, ainda hoje é insuperável.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

mural 13 - novembro de 2010

NÚMERO 13 - NOVEMBRO DE 2010

O Mural é uma agenda cultural mensal,
editada conforme os eventos surgem.
Amigo associado de qualquer cidade do Estado de São Paulo, contribua...
aguardamos notícias dos eventos do interior.

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AGENDE.. PRÓXIMO MÊS, LANÇAMENTO DE ALINA PERLMAN




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I SARAU FANTÁSTICO DE A HEBRAICA

Sábado, dia 27/11, às 17hs é o
I Sarau Fantástico de A Hebraica.

Coquetel de lançamento do livro Caninos (sobre os vampiros literários da história), com presença do Zé do Caixão, que conduzirá uma sessão de Cine Trash.

Debate O Impacto do Livro Eletrônico no Mercado de Literatura no Brasil quinta-feira (25/11) com a presença de Pedro Herz (Livraria Cultura), José Luis Goldfarb (CBL), Carlos Eduardo Ernanny (Livraria Digital Gato Sabido) e Vanderley Mendonça (Selo Demônio Negro).

Os eventos são gratuitos e abertos a não sócios.

Local: Clube A Hebraica
Rua Hungria, 1.000 (entre a Ponte Eusébio Mattoso e Cidade Jardim).

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Hora de responder ao CENSO DO LIVRO
livros.jpg Acaba de ser enviado para as principais editoras do país um questionário – com apenas seis perguntas. As respostas serão utilizadas no CENSO do LIVRO 2010. Este CENSO permitirá o aprimoramento da pesquisa anual da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas - FIPE/USP sobre “Produção e Vendas do Setor Editorial”, feita por iniciativa conjunta do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Os resultados deste trabalho, além de direcionarem as ações do setor livreiro no Brasil, são utilizados por renomadas entidades internacionais, como a CERLALC (Centro Regional para el Fomento del Libro em América Latina y Caribe) ligada à UNESCO. Daí a importância da colaboração de todos. As informações fornecidas só serão divulgadas de maneira agregada, nunca por empresa. Os editores que necessitem mais informações antes de respondê-lo, por favor entrem em contato com a FIPE: cbl@fipe.org.br, ou fones (11) 6727 2826 e (11) 3091 5823 e (11)3091 5870. Mais informações, clique aqui http://pesquisa.fipe.org.br/censodolivro/

Traditional Jazz Band no Jantar de Confraternização de Editores e Livreiros – 2010
jazzband.jpg A Traditional Jazz Band será a atração musical do Jantar de Confraternização de Editores e livreiros 2010. O evento vai acontecer no Leopolldo Itaim (Rua Tabapuã, 1353, São Paulo, SP, manobristas no local) no dia 8 de dezembro a partir da 19h30. As adesões individuais para associados da CBL têm o valor fixado em R$ 150 e, para não associados, de R$ 200. Para pessoas e/ou empresas que adquirirem múltiplos de 10 adesões poderão reservar mesas. Maiores informações e inscrições poderão ser obtidas pelo email jantar@cbl.org.br, ou pelo telefone (11) 3069-1300.

Uma justa homenagem a quem dedicou meio século de trabalho ao livro!
placas.jpg
Como tradição estabelecida, esse evento é uma grande ocasião para prestar um tributo justo aos profissionais da cadeia produtiva do livro, rever amigos, trocar ideias e comemorar o fim de um ano de bons negócios. Cada empresa deve inscrever e realizar a adesão para aqueles que, ao completar 25 ou 50 anos de dedicação ao mercado editorial, serão homenageados. Faça sua indicação <clicando aqui

Prêmio de Poesia SESI/SENAI "O mundo através das palavras"
usina de sonhos1.jpgCom a presença do Presidente da FIESP, SESI e do SENAI-SP, Paulo Skaf e do idelaizador do prêmio José Eduardo Mendes Camargo, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo vai realizar, no dia 30 de Novembro de 2010, a cerimônia de Premiação do 3° Concurso de Poesia SESI/SENAI "O mundo através das palavras" em colaboração com o Instituto Usina de Sonhos". Na ocasião serão entregues 33 prêmios, em 11 categorias etárias e de escolaridade, desde a Educação Infantil até os alunos do Programa de Alfabetização Intensiva – PAI do SENAI-SP. O evento terá lugar dia 30 de novembro, as 10h30 no Teatro do SESI/SP Ruth Cardoso, Avenida Paulista 1313, São Paulo, SP. Após a entrega haverá show com o cantor Nando Reis, e um café da tarde será servido a todos os participantes e autoridades presentes.




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A autora Telma Guimarães,
a Editora do Brasil e a Livraria Cultura
convidam você para conhecer 7 lançamentos
que o farão viajar pelo mundo da literatura.


A Economia de Maria


As gêmeas Helena e Maria ganharam lindos
cofrinhos da madrinha. Mas uma das meninas
não quer nem saber de guardar...
Ver mais>>

A Árvore Contente


Era o dia de fazer a árvore genealógica na
escola e a professora pediu que a turma
caprichasse. Mas em que galhos...
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A Invenção de Celeste


A professora pediu que a turma trouxesse
fotos de seus bichinhos de estimação. Mas
Celeste não tem um, e agora?...
Ver mais>>

Amigos de Verdade


Bento não está nem um pouco a fim de sair de
casa, apesar dos inúmerosconvites para
brincar no parquinho...
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Pollyanna


Embarque na emocionante história da doce Pollyanna,
que, após ficar órfã aos 11 anos, vai morar...
Ver mais>>

Os Três Porquinhos


O lobo estava só à espreita esperando
por qualquer descuido dos porquinhos...

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Chapeuzinho Vermelho


Depois que a Vovó ficou doente em sua
casinha lá no meio da floresta,
Chapeuzinho Vermelho...
Ver mais>>


Livraria Cultura, Shopping Iguatemi, Campinas.
Av. Iguatemi, 777 - Lojas 04 e 05 no piso 1.
Vila Brandina, Campinas-SP.


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LANÇAMENTO DO CD DE MANUEL FILHO

Quero convidar a todos para assistirem ao show de lançamento do meu novo CD, "Raízes".
O show terá única apresentação na sexta-feira dia 05/11 no histórico e sensacional Teatro Oficina (Rua Jaceguai, 520) às 22:00h.

O repertório do novo disco está bastante interessante e o show ainda conta com participações especialíssimas de Fernanda Gianesella, Rita Braga e Cristina Lemos. Além de composições próprias, cantarei Noel Rosa, Custódio Mesquita, Fran Papaterra entre outros.
O ingresso custará R$20,00 ou 1 quilo de alimento não perecível que será doado a uma instituição de caridade.
O show está lindíssimo, quero muito contar com a presença de todos.
Aproveite para visitar o meu site www.manuelfilho.com.br
Beijos e abraços e até dia 05 de novembro às 22:00h no Teatro Oficina.

Direção de cena - Flávio Faustinoni

Direção musical - Beto Marsola

Direção de produção - Ana Nero

Designer de luz - Carmine D´amore
Assessoria de imprensa - Iara Filardi


Músicos:

Violão - Beto Marsola

Baixo - Xinho Rodrigues

Teclado - Leandro Neri

Percussão - Bira Azevedo



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PRIMAVERA NA CULTURA


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II ENCONTRO DE LITERATURA INFANTIL E JUVENIL
NO ANHEMBI TÊNIS CLUBE

Local: ATC - Anhembi Tênis Clube - Salão Social
Data: 07 de Novembro
Horário: Das 14h às 18h
Rua Alexandre Herculano, 2 (ao lado do Colégio Santa Cruz, esquina com a Rua Orobó)

Alto de Pinheiros
São Paulo - SP
Haverá feira de livros, com a participação de editoras, entre elas: Acatu, Biruta, Callis, Duna Dueto, Paulus...

Camerata de violão com o Projeto Fênix Contação de história "A princesa no castelo em chamas" - com Claudia Benson
Autógrafo com escritores e ilustradores, entre os quais estarão presentes Ailton Sobral, Biba Rigo, Cacá Lopes, Danilo Marques, Fábio Sgroi, Januária Cristina Alves, Luna Vicente, Mariah Moraes, Manuel Filho, Moreira de Acopiara, Marco Haurélio, Nireuda Longobardi, Simone Petersen...

Brincando de roda de Capoeira - com as crianças do ATC

Caricatura - com o ilustrador Danilo Marques
Oficinas de massinha - com a ilustradora Luna Vicente
Oficina de lápis animado - com as meninas da brinquedoteca

Cantando Brincadeira - com Cacá Lopes

Oficina Como ilustrar uma história - com o ilustrador e escritor Fábio Sgroi

Sarau de Poesia com os escritores e público presente.


Exposição Cores e Formas que Contam Histórias

Durante o evento haverá a exposição da AEILIJ - Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil "Cores e Formas que Contam Histórias" que foi organizado pela AEILIJ. A exposição apresenta o trabalhos de 25 ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil de diferentes técnicas e estilos. O objetivo da exposiçaõ é mostrar a beleza e a importancia das ilustrações nos livros de literatura para crianças e jovens.
A AEILIJ - Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ) iniciou suas atividades em 1999 com o objetivo de estimular a união de autores, escritores e ilustradores de literatura infantil e juvenil pela defesa dos seus interesses e direitos dentro do mercado editorial e, também, para a troca de experiências e informações entre os profissionais através de uma lista de discussão.

Mapa: http://www.clubeanhembi.com.br/mapaok.html

Site do ATC: http://www.clubeanhembi.com.br/
AEILIJ: http://www.aeilij.org.br/


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OFICINAS DE CRIAÇÃO LITERÁRIA

Um estímulo à imaginação e à criatividade pelo trabalho poético
Com Cláudio Daniel Programa elaborado com o objetivo de apresentar conceitos teóricos sobre a poesia e desenvolver exercícios práticos de criação, com a aplicação de conceitos de Edgar Allan Poe, Charles Baudelaire, Stéphane Mallarmé, Ezra Pound, Vladimir Maiakovski, Haroldo de Campos e Paulo Leminski, entre outros autores. O curso pretende estimular os alunos a pensarem a poesia de maneira crítica e aprofundada.

Para público jovem e adulto.


Biblioteca Milton Santos

De 4 a 25 de novembro, 5ª feiras, das 15h às 17h

Biblioteca Thales Castanho de Andrade

De 9 a 30 de novembro, 3ª feiras, das 14h às 16h


Língua nas Letras de Música

Com o violonista Lucas de Luccia e o professor João Jonas Veiga Sobral


Encontros direcionados ao público jovem, destacando as nuances da língua na criação das músicas populares. Parceria com a revista Língua Portuguesa.


Biblioteca Paulo Setúbal

Dia 12 de novembro às 10h e às 14h

Biblioteca Adelpha Figueiredo

Dia 13 de novembro às 10h e às 14h

Biblioteca Mário Schenberg

Dia 19 de novembro às 10h e às 14h

Biblioteca Cora Coralina

Dia 26 de novembro às 14h



Soltando a Língua

Com Marcelino Freire


Na oficina de criação de textos serão trabalhadas técnicas de como "desbloquear" o texto e de como avançar no seu projeto literário.
Para isso, os participantes produzirão textos em sala e discutirão a produção de outros autores, em vários gêneros - conto, poesia, romance.

Para público jovem e adulto.


Biblioteca Lenyra Fraccaroli

De 22 de novembro a 13 de dezembro, 2ª feiras, das 10h às 12h

Biblioteca Nuto Sant'Anna

De 25 de novembro a 16 de dezembro, 5ª feiras, das 14h às 16h


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Literatura para Todos recebe inscrições até 21 de novembro

O Concurso Literatura para Todos foi criado para estimular a produção literária direcionada a jovens e adultos em processo de alfabetização. Este ano, o Ministério da Educação vai premiar nove escritores com R$ 10 mil cada um e publicar as obras vencedoras, que serão distribuídas em escolas e bibliotecas públicas.
Os candidatos podem competir nas categorias prosa (conto, novela ou crônica), poesia, biografia e texto de tradição oral (em prosa ou em verso). Em cada uma delas serão premiados dois autores.
Esta é a segunda edição do Literatura para Todos. A novidade é que a competição vai premiar um escritor africano, natural de um dos países de língua portuguesa — Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. O autor africano ganhará o mesmo prêmio de R$ 10 mil, independentemente da categoria literária do texto apresentado.
As obras devem ser enviadas, até 21 de novembro, ao Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade — Esplanada dos Ministérios, bloco L, sala 710, CEP 70047-900 Brasília (DF).
A divulgação dos resultados e a premiação estão previstas para março de 2008. No ano passado, 2.095 obras concorreram na primeira edição do concurso.
Mais informações no endereço eletrônico literaturaparatodos@mec.gov.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ou pelo telefone 0800 616161

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

QUINTAS - 36

PASÁRGADA: 

UTOPIA DA VIDA QUE PODERIA



“Estrela da vida inteira.

Da vida que poderia

Ter sido e não foi. Poesia,
Minha vida verdadeira.”
MANUEL BANDEIRA


Paulo Diniz, autor de canções como “Quero voltar para a Bahia”, “Ponha um arco-íris na sua moringa”, “Brasil, brasa, braseiro” de ritmo alegre presente também em diversas canções cantadas por Martinho da Vila, “O meu amor chorou” e uma adaptação feliz para “Peixe Vivo”, a trilha sonora de um popular presidente do Brasil, fez coisas profundas no universo da canção de poesia do país.
Musicou “E agora José?” do mineiro Carlos Drummond de Andrade. Ouvir nas rádios o compositor cantando “José” ampliou a consciência de um Brasil profundamente poético. Mas ele também colocou melodia num outro poema, de um poeta pernambucano, uma das grandezas do país.
Nascido no final do XIX no Recife, o autor de comoventes poemas foi um menino que viveu intensamente a infância na capital pernambucana.
Um de seus poemas “Evocação do Recife” vale por muitas aulas de geografia. Se a escola fosse diferente e se os professores pudessem voar, que maravilha trabalhar numa aula de geografia sobre Recife apenas esse poema que começa limpando o nome de Recife de comparações. Dá pra viajar em sala de aula.
Farto do lirismo bem comportado, Manuel Bandeira, que viveu uma vida limitada por causa da tuberculose, publicou seu primeiro livro de poesia imaginando-se à beira da morte. Afinal, a idéia da morte o acompanhou a vida inteira.
Sua obra composta em quartos de pensões é um dos maiores tesouros do idioma. Provavelmente seja o mais lindo poeta de almas do Brasil a enriquecer com seus poemas a sensibilidade nacional. Maravilhosas crônicas publicadas em vários jornais: muitas delas ouvidas no rádio encantaram o espírito brasileiro.
Morreu fisicamente com mais de 80 anos de idade, muito embora desde a juventude, ao contrair tuberculose, foi acompanhado pela morte. Mas sempre viveu intensamente por meio de seus poemas. A poesia foi a sua vida verdadeira.
Solitário e doente, ao completar oitenta anos ganhou o prêmio “Moinho Santista” no valor de cinco mil cruzeiros quando o jovem compositor Chico Buarque, poucos dias antes recebera um prêmio de cinqüenta mil cruzeiros pela composição “A Banda”.
Estrela solitária diante da força do vendaval da indústria cultural, o autor contemporâneo do modernismo foi homenageado por praticamente todos os poetas do seu tempo, inclusive pelo Carlos Drummond da Andrade, que para ele dedicou 21 poemas.
Poeta “bem triste de tantos ais”, sua contribuição gigantesca para a cultura nacional bem poderia ser conhecida com afinco por todos os estudantes do Brasil. Um bom começo seria ouvir a canção de Paulo Diniz.
Uma palavra que o poeta ouviu quando menino numa sala de aula. Memorizou-a, porém nunca teve a idéia verdadeira do lugar, até que um dia revelou aos leitores: Pasárgada é um lugar dentro da poesia.
Poema que fala de uma utopia. De um lugar imaginário, para onde o poeta poderia ir e ser feliz, onde poderia ter a mulher que queria na cama por ele escolhida.
Um lugar onde a vida seria uma aventura, onde ele poderia andar de bicicleta e até subir no pau-de-sebo. Tomar banho de mar, deitar na beira do rio.
Assim foi a sua utopia pelo compositor levada ao disco, a utopia repleta da vida não vivida, da vida que poderia ter sido, a vida do homem que queria que o seu último poema fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais.
O Brasil é o país do orgulho e não sabe, tem Manuel Bandeira e às vezes se esquece.

MARCIANO VASQUES

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Homenagem ao escritor Francisco Marins


Prédio da Academia Paulista de Letras localizado no Largo do Arouche centro de São Paulo

Meus queridos leitores,

É com imensa alegria que venho informar a todos que nossa regional irá realizar a HOMENAGEM 2010 ao renomado escritor Francisco Marins, conhecido como O ESCRITOR DA JUVENTUDE, no dia 09 de dezembro às 15,30hs, quinta-feira, na ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS. O prédio, conhecido pela suntuosidade está localizado no LARGO DO AROUCHE, nº312. Quero acrescentar que essa foi uma opção do próprio autor, que ocupa a cadeira nº33 da APL.
Francisco Marins irá, pessoalmente, mostrar as dependências da Academia aos visitantes. Hoje, dia 23 de novembro, ele completa 88 anos de idade.

Um forte abraço,
Regina Sormani



Conheça os ocupantes de cada Cadeira

01 - José Cretella Jr.
02 - Miguel Reale Jr.
03 - Julio Medaglia
04 - Célio Debes
05 - Gabriel Chalita
06 - Luíz Carlos Lisboa
07 - Anna Maria Martins
08 - João de Scantimburgo
09 - Ada Pellegrini Grinover
10 - Paulo Nogueira Neto
11 - Milton Vargas
12 - Paulo Nathanael Pereira de Souza
13 - Myriam Ellis
14 - Walcyr Carrasco
15 - José Altino Machado
16 - Bolívar Lamounier
17 - Massaud Moisés
18 - Jorge Caldeira
19 - Erwin Theodor Rosenthal
20 - Hernâni Donato
21 - Paulo José da Costa Jr.
22 - Ruth Guimarães
23 - Antônio Ermírio de Moraes
24 - Geraldo Vidigal
25 - Tatiana Belinky
26 - Mário Chamie
27 - Fábio Lucas
28 - Lygia Fagundes Telles
29 - José Pastore
30 - Raul Cutait
31 - Ives Gandra da Silva Martins
32 - Antonio Penteado Mendonça
33 - Francisco Marins
34 - Tércio S. Ferraz
35 - Paulo Bomfim
36 - Dom Fernando Antonio Figueiredo
37 - Ignácio de Loyola Brandão
38 - Ruth Rocha
39 - Benedito Lima de Toledo
40 - José Renato Nalini

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Um livro do qual gostei muito




MIGUEL E SERAFINA

Pense em algodão doce, em picolé e pirulito. Isso. Picolito. Li um livro assim: bem doce, com gosto de leitura de "fazedeira".
É a história de uma boneca que vivia no armário da bagunça, mais precisamente de um menino que todo menino é, mais ainda, é uma história de amizade, da infância, da alma do brinquedo.
Isso mesmo está posto no livro de Regina Sormani, que brinquedo tem alma. Todos eles, o pé-de-chinelo, o polichinelo, o cachorrinho, o robô. O cinema atualmente diz isso. A escritora se antecipou. Mas é fazedeira de poesia e assim vai numa escrita de lã que criança de doce de leite lê. Andersen, é claro, sabia disso, que brinquedo tem alma. Aliás, ele capturou essa alma com maestria. Regina nos trouxe uma boneca lá do seus interiores.
Antes das bonecos interplanetários repletos de poderes, alguém lançou uma pergunta: "Bonecas brincam com meninos?". Brincam sim, e falam na imaginação deles, ora!, até sonham com ser gente!, melhor não realizarem esse sonho, ainda que viessem a ser bonecas de madeira.
A fazedeira, a dona artista, dedos são pensamentos mágicos. Cada pensamento um artesão. E arte são pensamentos em forma de bolotas de algodão, chumaços de amores.
Uma artista assim só poderia fazer uma boneca com os olhos de afastar quebranto.
Que livro rico! E delicioso de oralidade. De tesouros que os leitores vão descobrindo. Tesouros que existem desde o tempo do arco-da-velha.
E um arco na íris da boneca faz com que a autora enverede pelas veredas da cumplicidade com o leitor. "Cá pra nós".
Mas brinquedos viraram tranqueiras! O menino cresceu. Sendo assim, a boneca não mais falou.
Não?
Quem tece domingos deveria ler este livro. Eu li, e ele me trouxe laços de ternura, de coração de menino, de alegria de respingo de chuva na vidraça. Gostei muito de conhecer a Serafina, e também o Miguel.

Livro. MIGUEL e SERAFINA
Texto: REGINA SORMANI
Ilustrações: MARCHI
Leitor: MARCIANO VASQUES
Editora: Edições Loyola
ANO: Todos, por que em todos os anos haverá sempre uma boneca dessas, com vestidinho vermelho, e de algodão recheada.

MARCIANO VASQUES

Pé de meia literário 14

Um mar de leitores

Nem podia ser diferente. Cidade localizada no litoral fluminense, Paraty deu um nome peculiar ao seu projeto de leitura: Mar de Leitores.
Quantas interpretações possíveis, este “mar de leitores” nos instiga a pensar. O primeiro, e mais imediato, e talvez o mais adequado: muitos leitores. Tantos e tantos que podemos falar em quantidade imensa, do tamanho do mar.
Falar de Paraty, nestes últimos anos, em matéria de leitura e leitores, o que vem à lembrança é a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) e sua parceirinha, a FLIPINHA. Não é por menos. No entanto, depois que a agitação glamurosa da festa internacional desaparece e a cidade volta a conviver com seus dias calmos, históricos e sossegados, uma outra intencionalidade surge: fazer da cidade, uma cidade de leitores. Aí começa (ou continua) a atuação do pessoal do Mar de Leitores, a turma da ong Casa Azul e seus parceiros da secretaria municipal de educação, técnicos e educadores das escolas.
O projeto caminha para o seu segundo ano de vida, com conquistas interessantes, uma das quais um documento legal da secretaria de educação que garante no currículo de todas as escolas uma hora semanal de atividades específicas de leitura. Outra conquista: uma carta de intenção da secretaria se disponibilizando a manter uma política de reposição de acervo. Ações como essas mobilizam os representantes da Casa Azul, da secretaria de educação e os educadores de todas as escolas do município. Em reuniões mensais, com a presença da secretaria, de representantes da Casa Azul e convidados, as coisas vão acontecendo, tomando rumo, abrindo espaços.
Estive por lá, como convidado, no último dia 10 de novembro, falando para/com os educadores (gestores e coordenadores pedagógicos) que tocam as ações nas escolas. Falei da minha experiência como gestor de escola, de sala de leitura e como membro de equipe criadora de programas de incentivo à leitura, entre os quais, o programa de salas de leitura das escolas municipais de São Paulo e o Prazer em Ler, do Instituto C & A. Conversamos sobre a importância da leitura na sociedade contemporânea, sobre a dupla tarefa do educador, formar-se leitor e formar leitores, sobre acervos, escolhas e persistência.
Voltei para casa com satisfação dobrada: de um lado, por ter colaborado com o projeto, cruzando histórias, trocando certezas; e, de outro lado, por reforçar questões pelas quais venho batalhando há muito, a importância da escola no trajeto da educação para a literatura e a necessidade fundamental de se fazer de cada educador um leitor.
Mar de Leitores, da bela Paraty, renovou em mim a certeza de que as coisas podem ser simples, em matéria de programas de incentivo à leitura, quando se juntam a vontade política, o espaço para a organização, discussão e elaboração de projetos e o envolvimento dos educadores. Taí...
Mar de Leitores certamente é um programa de formação de leitores que tem tudo para transformar a cidade em cidade leitora.

Constitui-se, graciosa e energicamente, um alto valor para o nosso pé de meia literário.

Edson Gabriel Garcia
Educador e Escritor