quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

domingo, 26 de dezembro de 2010

O autor e sua obra

José Lanzellotti

por Gilberto Marchi

José Lanzellotti, nascido em 21 de Julho de 1926 em São Paulo e falecido em 1992. Um ilustrador que poucos conhecem, mas que tem grande importância dentro da história da ilustração brasileira.
Dedicou-se à pesquisa e documentou com fidelidade o folclore brasileiro, os objetos, indumentária e os costumes da cultura indígena.
Atuou em diversas áreas, como: quadrinhos, cenografia e editorial. Lecionou desenho na escola Panamericana de Arte na década de 70, e foi aí que eu o conheci e colaborei na coleção Brasil, publicada pela Editora Três. Os trabalhos de Lanzellotti postados abaixo, fazem parte dessa coleção.





sábado, 25 de dezembro de 2010

Natal 2010 no Trianon da Avenida Paulista

Amigos e associados da AEILIJ!!
Postei algumas fotos noturnas da mais paulista das avenidas durante o Natal.
Tenho certeza de que todos irão apreciar.
Beijos natalinos,
Regina Sormani






QUINTAS - 40


FELIZ TRANSLAÇÃO


Que o mundo e o universo são feitos de maravilhas não há dúvidas, mas assim como não há dúvidas por ter o tempo de duvidar já passado, parece que também não há perplexidades. Talvez elas estejam engatilhadas para os efeitos especiais do cinema, por exemplo, o mais notável entre os criados pela inteligência e "sensibilidade técnica" do homem, se posso assim dizer.
Tudo ou quase tudo que era e foi novidade mereceu de cada ser um instante que fosse de perplexidades, de encanto, e de espanto. Hoje isso não cabe na alma, diria. Então, voltar os olhos para o universo com suas maravilhas é perda de tempo, num mais afoito e generalizado arrisco. Mas tudo está aí e lá, como sempre esteve. E uma delas merece um pouco de atenção, pelo menos aqui. A translação.
Se pudéssemos cada um fazer uma retirada do cotidiano, uma suspensão dos nossos estares e fazeres, como se atendêssemos ao badalo do alto de uma torre ou ao audacioso convite de um vendaval, se pudéssemos estar suspenso além e fora do conteúdo vulgar e rasteiro de vidas sem autenticidade ou envolvidas com cartões e excesso de "Não", a tal ponto de supor, como deveríamos, que coisas tão preciosas como o próprio tempo ainda haverão de ser parceladas no crédito, se pudéssemos nos ausentar por instantes que sejam das mentiras oficiais, poderíamos então nos encantar de forma autêntica com uma das maravilhas que nos rodeiam e estão a nos piscar, e atenderíamos ao seu chamamento.
A translação, já pronunciada um pouco acima. Todos no cotidiano, uns, claro, envolvidos com lutas imensas e sonhares intensos, e outros desperdiçando o tempo e seus tesouros... Muitos emaranhados em suas próprias intrigas e desperdiçando gargalhadas e o riso autêntico com deboches e piadas vulgares.
Alguns, a maioria eu diria, menosprezando a grandeza interior e escorrendo num labirinto insensato que carrega ladeira abaixo o melhor do melhor de cada ser.
Mas a translação está aí, diante de nós, em nós. O planeta, o mundo girando ao redor do astro-rei, e completando a sua translação num dia convencional, o dia 31 de Dezembro, quando novo ano surge, e o ciclo se renova.
O que é um novo ano? Alguns dizem: é apenas a mudança de calendários. Não é. É bem mais do que isso. É o fechamento de um ciclo, de uma translação, e o início de outra, e assim como a vida há de se renovar, pois teremos as estações novamente a nos guiar, também em nós ela estará a se renovar, e isso não pode nem deveria jamais ser menosprezada. Estamos vivos. E teremos em nossos corações, em nosso ser, a oportunidade única e rara de uma nova translação.
E como somos seres dotados de inteligência, capacidade de razão humanista e de sentimentos, deveremos sim acreditar e apostar que um novo outono virá com todo o seu esplendor e suas flores, as flores de outono que são únicas; que o manto do Natal irá sim descer sobre a Terra e instalar no coração do homem a Poesia e a sua extraordinária força.
Deveremos sim naturalmente viver a nova translação, com força, com coragem, com audácia e com riso, mas não um raso riso, porém uma risada que há de se espalhar como roseiral sincero pelos deselegantes concretos da cidade e cismar e fuçar nos corações agrestes e rústicos, secos e vazios, descrentes e apáticos.
Um novo ano aporta nos portos de cada vida. E no vento flui, veleja o afago sincero, a sussurrar confiante: "Feliz nova translação!". Devemos apurar os ouvidos da alma, e ativar o olhar do encanto.
Estaremos a clamar por conversas com versos e sorriso de criança guiando as nossas esperanças. Sim, florescerá em nós a translação autêntica organizada pelos girassóis da sinceridade e dos mais genuínos quereres.


MARCIANO VASQUES

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

PÁGINA DO ILUSTRADOR - 14 - MAURÍCIO VENEZA

PÁGINA DO ILUSTRADOR 14


Nesta edição temos a honra de apresentar o trabalho do ilustrador Maurício Veneza.

O conde de Monte Cristo - texto de Alexandre Dumas, adaptação de Luiz Antonio Aguiar - Editora Melhoramentos

"Nasci num dia de primavera, cento e um anos depois de Robert Louis Stevenson. Deu-se o importantíssimo evento (para mim) na mui formosa cidade de Niterói, que já foi capital do Rio de Janeiro e hoje é mais conhecida por ter um museu parecido com um disco-voador.

Com o pé na estrada - texto de Maurício Veneza - Editora Lê

Desenho desde criança, o que não é vantagem, já que todo mundo desenha quando é criança. Minhas imagens apareceram em histórias em quadrinhos, jornais, revistas, anúncios, cartazes, quadros-negros de escola, guardanapos de bar e mais de setenta livros infantis e juvenis. Escrevi roteiros para quadrinhos, recados para porta de geladeira, contos que não mostro para ninguém e cerca de trinta livros. Atualmente ocupo a vice-presidência da AEI-LIJ.


Contos africanos para crianças brasileiras - texto de Rogério Andrade Barbosa - Paulinas Editorial

Depois de quase cem livros ilustrados e cerca de quarenta escritos, adquiri uma visão um tanto particular a respeito da ilustração de obra literária.

Nina África - contos de uma África menina para ninar gente de todas as idades - texto de Lenice Gomes, Clayson Gomes e Arlene Holanda - Editora Elementar

Entendo, ao contrário da maioria, que a ilustração não é a imagem em si, mas a função que esta imagem exerce na sua relação com um determinado texto que a precedeu.


Oliver Twist - texto de Charles Dickens, adaptação de Telma Guimarães - Companhia Editora Nacional

Vista isoladamente esta imagem será uma pintura, um desenho, uma gravura (e como tal poderá ser apreciada), mas não uma ilustração. Algumas vezes é a palavra que ilustra a imagem.


O Brasil que veio da África - texto de Arlene Holanda - Editora Nova Alexandria

Um exemplo claro é o livro “
Desertos”, onde as imagens de Roger Mello (Nota do blog - não é a imagem acima, aqui todas as imagens são de livros ilustrados por Maurício Veneza) são ilustradas pelas palavras de Roseana Murray. Mas há um exemplo bem mais trivial: nos nossos jornais diários são as legendas que ilustram as fotos...



O leão e o macaco - texto de Ieda Oliveira - Editora Larousse

A analogia mais simples que me ocorre para o livro ilustrado é com a música popular. A música de Tom Jobim, por exemplo, tem força própria e independente, assim como os versos de Vinícius de Moraes. Mas, quando se juntam, formam uma terceira coisa que difere das duas anteriores e que não existiria sem esta associação.

Dona Onça é muito sonsa - texto de Maurício Veneza - Editora Prumo

Para o leitor infantil ou juvenil, há que se considerar a sua idade, as informações que já possui, a pertinência das imagens em relação ao tema abordado. E aí sim, entram os recursos plásticos, a técnica, a composição, a expressividade, o uso adequado de cores e contrastes.

O cortiço - texto de Aluísio Azevedo - Editora BestBolso

Talvez a palavra mágica seja esta: adequação. Um texto que fale de uma criança com dificuldades de aprendizado será mais adequadamente ilustrado com um “bonequinho de palito” desenhado com giz de cera do que com uma pintura de Michelangelo.
Que lugar é este? - texto de Maurício Veneza - Paulinas Editorial

Clique aqui para conhecer mais sobre o ilustrador Mauricio Veneza numa entrevista.

Tem um rinoceronte no banheiro - texto de Maurício Veneza - Ygarapé Books

Contatos com o ilustrador: mauricioveneza@ig.com.br

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

QUINTAS- 39

A VERDADEIRA MAJESTADE

 
Por acaso eu lia Clarice Lispector quando pela primeira vez prestei atenção no cantor Roberto Carlos. E talvez por causa da Clarice ou por outro motivo que não vale vasculhar, ou talvez ainda porque a alma do acaso é o enigma, e ele, o enigma, não é propriedade dos supersticiosos, comecei a considerar curiosa a perturbadora presença do artista.
Mais tarde me dei conta de que a língua foi o gancho para que eu reparasse no ídolo. As críticas eram impiedosas contra aquele que era chamado de Rei da Juventude: tolices criadas pela mídia da época, como a de que os seus gestos eram femininos e podiam influenciar os jovens ou então que ele corrompia a língua, o idioma, com as gírias que propagava.
A resposta do artista foi uma canção chamada “Querem Acabar Comigo”. O episódio foi revelador. Há uma grandeza em se responder críticas com uma canção. Porém o que me interessou mesmo foi a questão da Língua, a história de se corromper o idioma. A Língua já se apresentava para mim como a verdadeira majestade.
Ela escoa, penetra em todos os vãos, é absoluta em seus discernimentos, na possibilidade de metamorfose. Não tem comando e não há lei que a estanque, é a vontade do povo, patrimônio do tempo, fonte que jorra das entranhas de uma nação.
Lembrei-me de um jardim, o único em que estive na minha infância, ou que ficou marcado na minha memória. Havia uma flor, seu nome: Dália. Alguém o pronunciou. Talvez ali tenha sentido pela primeira vez as profundezas do espírito da língua. Como há palavras que nascem dotadas de uma cativante sonoridade!
Mussolini, o ditador fascista, proibiu a Itália de usar o pronome Lei. A Itália usa adequada e rigorosamente todos os pronomes. O português é diferente, é mais maneiro. O acadêmico disse que a Língua Portuguesa é uma Língua inacabada. Penso que ela tem um jeito próprio de ser, um jeito tropical, eu diria. O caso dos pronomes é típico. Salvo em algumas regiões do Brasil, praticamente não se usa o pronome da segunda pessoa, o tu, e com a segunda pessoa se usa um verbo da terceira pessoa. Pode? Pode, é o jeito da Língua.
Pois bem, o fascista Mussolini proibiu o povo de usar o pronome Lei alegando que era feminino para ser usado por homens. Bobagem. A Língua é a Língua. Assim que o fascismo acabou o povo voltou a usar naturalmente nas ruas o pronome.
Tanto Mussolini quanto os críticos do ídolo da juventude se enganaram. Ninguém pode represar a Língua. Ela cuida de si mesma. A gíria, se tem sentido, se incorpora. O vocabulário se altera, as palavras mudam de sentido. Bacana é uma coisa numa época e na outra é algo diferente. E assim vai...
Em qualquer reino, ela, a Língua, é o poder maior. Sempre foi de fato o grande instrumento. É, enfim, a verdadeira majestade.
 
MARCIANO VASQUES

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Um Natal de Luz e Paz



A AEILIJ regionalsp deseja aos queridos amigos e associados, um belo Natal e um novo ano repleto de realizações.
Um grande abraço,
Regina Sormani