domingo, 9 de janeiro de 2011


Caros associados!

O poema MAGIA ATLÂNTICA é de autoria de Fábia Terni e foi premiado no Concurso RAÍZES, de contos e poesias, em Genebra, 2008.

Um grande beijo,
Regina Sormani

MAGIA ATLÂNTICA



Verde o silêncio do labirinto silvestre.

Verde a amplitude da mata densa.



Disparam volumosos troncos,

exuberância selvagem

nas profundezas da floresta.



Floresce o mistério

da simetria verde-vermelha

da helicônia

em cada curva da trilha,

ao som do vento,

da umidade serpenteando

pela mata.



Move-se ao longe

o som das ondas,

rebentam nos paredões abruptos.

Turbilhões de espuma

galgam alturas deslumbrantes.



Bromélias cor de fogo,

liquens e orquídeas de real beleza

em simbiose com amendoeiras centenárias.

Tempo mágico!

A natureza abriga e ampara.



A natureza te observa

mas não julga,

te aceita como és,

te acolhe como vens,

e te oferece a sua presença.



Sentirás então a alegria

de quem não está mais só.

Pode ser apenas um instante,

a mata é tua amante.



No fim da trilha,

a Praia dos Sonhos.



FABIA ATLÂNTICA TERNI LEIPZIGER
01 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

MURAL 15 - JANEIRO DE 2011

NÚMERO 15 - JANEIRO DE 2011

O Mural é uma agenda cultural postada todo início de mês,
porém, editada ao longo do mês conforme os eventos surgem.
A agenda das bibliotecas é renovada semanalmente.
Amigo associado de qualquer cidade do Estado de São Paulo, contribua...
aguardamos notícias dos eventos do interior.


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RODA DE LEITURA

ELÉIA LEU


Em edições quinzenais, os poetas Berimba de Jesus, Caco Pontes, Gabriel Kerhart, Gabriel Kolyniak, Pedro Tostes e Valter Vitor coordenam uma roda de leitura, oferecendo um cardápio de poemas, organizado em torno de temas que propiciam a interlocução entre diversas linguagens, escolas e modos de fazer e pensar poesia.
3as feiras, das 19h30 às 21h30

CURSO

Iniciação à Redação do Texto Poético

Com Gilson Rampazzo
O curso propõe o exercício de redação de poemas e possibilita, para isso, o domínio de algumas técnicas básicas da poesia. É um curso eminentemente prático e não há a intenção de formar escritores, ao contrário, pretende-se desmistificar a excepcionalidade da produção poética: o poema é um texto que se aprende como qualquer outro.
Inscrições a partir de 1º de outubro, pessoalmente ou pelo telefone 3082-5023
5as feiras às 19h30

Vamos Ler?!!!

Coordenação: Ângela Figueredo e Márcia Marur
Programa que divulga a importância e a prática da leitura junto à crianças e jovens.
2as feiras das 9h às 10h e das 14h às 15h


local: BIBLIOTECA ALCEU AMOROSO LIMA

Rua Henrique Schaumann, 777
Pinheiros 05413-021 São Paulo, SP
Tel. 11 3082-5023
Horário: 2ª a 6ª feira das 8h às 17h e sábado das 9h às 16h
Núcleo de Poesia: 2ª a 6ª feira das 8h às 19h e sábado das 9h às 16h
Coordenadora: Ana Teresa M. Toledo
bmalceualima@yahoo.com.br

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AGENDA DA LIVRARIA CULTURA

Clique aqui


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Gostaria de divulgar algo?
mande um e-mail para contato@danilomarques.com.br

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

QUINTAS- 41

ALADOS  ESCRITORES NO ESPÍRITO DA ÉPOCA

A ampliação do conceito de escritor é uma novidade contemporânea, e certamente afilhada da tecnologia.
Houve um tempo em que a ideia de ser escritor estava vinculada ao sujeito que fazia livros. Escritor era aquele que publicava, editava, lançava um livro. "Eu sou escritor, então tenho que lançar livros, produzir livros, escrever livros!"...
Alguns ainda pensam assim:  o escritor deve é lançar livros, escrever livros, cada vez mais. Sim, isso também, mas o conceito foi alargado, a semântica se expandiu.
Hoje o escritor é bem mais. De certa forma, sempre foi, porém todos os afazeres ficaram de certa forma ocultos. Escritores e poetisas foram jornalistas, escreveram crônicas em jornais e fortaleceram com o viés da literatura o matutino espírito do leitor. Além disso, como cidadão, todos os escritores tiveram vidas próprias, e foram políticos, uns mais, outros menos. Alguns até abraçaram a carreira política, no futuro vieram a se arrepender. Jorge Amado bem disse que a sua mais fraca fase de produção literária foi quando esteve envolvido com partido político, mas isso é outra história.
Ocorre que com o advento da tecnologia e a informática inaugurando uma nova era, que está gradualmente substituindo a era humanista, a enterrando de vez, o conceito de escritor expande-se de forma formidável.
O escritor que acreditar que a sua função, ou missão, será unicamente a de fazer livro, estará ultrapassado pela expressão da voz dos tempos.
Não que o livro deixará de ser importante, isso não. O livro continuará tendo a sua importância, seja para enfeitar algum móvel, seja para transformar uma pessoa. O que acontece é que o escritor hoje lida com as múltiplas linguagens da arte e da palavra. Ele tornou-se um ser de atuação, terrivelmente envolvido com o seu tempo e o seu dizer. Além de escrever, fazer livros, terá o seu blog, o seu site, promoverá a poesia e a arte, a palavra e os sonhos. Divulgará a literatura do seu contemporâneo, a literatura que quer-ser-lida, de seus iguais.  E assim, fará, pois já está sendo transformado numa múltipla oficina sem retorno.
Assim como desmoronou e não cabe mais uma torre de marfim, é possível dizer que escritor é o sujeito que milita na palavra, na escrita, que expõe o seu pensamento e o seu sonho literário em colunas, de jornais, de revistas, em sites e blogs...
Escritor é também um crítico literário, um divulgador da cultura. E o escritor que tiver o seu espaço na internet, por exemplo, para divulgar apenas a sua obra, para falar apenas de si, certamente terá fama passageira, o seu nome será efêmero. Viverá na ilusão de que o espírito da época ainda anseia pelo "Escritor", ou seja, aquele que é só ele. A transformação que alguns já se deram conta é que só sobreviverá aquele que cedeu à própria condição de ser alado, e voa sobre as cidades espalhando a sua verdade: a literatura tornou-se algo além de si, universalizou-se de vez, anuncia o novo tempo, onde o ídolo não cabe, o escritor só-para-si já se foi. Em seu lugar um novo se multiplica em doces teceres. Sem se perder.


MARCIANO VASQUES

domingo, 2 de janeiro de 2011

Canto&Encanto da Poesia


Meus queridos,

Simone Pedersen é a autora da poesia "Infância" que faz parte do livro Fragmentos e Estilhaços, publicado pela editora In House.
Parabéns, Simone e obrigada por participar.

Grande abraço em todos,
Regina Sormani

Infância

Ouvir a água escorrendo
Sentir o cheiro do ar molhado
Pescar sem chapéu
Sonhar sem telhado

Deixar a alma lavando
Soprar bolinhas de sabão
Andar sem guarda-chuva
Levar os sapatos na mão

Regar a chuva com lágrimas
Banhar-se vestida a rodar
Cansada de gargalhar

Olhar as nuvens no céu
Escalar o arco-íris
Voltar a ser feliz.


Simone Pedersen

QUINTAS - 41

OS QUE NUNCA SUBIRAM A SERRA


No roseiral da manhã vagava a rosa em minha mente quando o avô Pedro vagarosamente caminhava pelas ruas de Ouro Fino.
A visão de seus passos com as folhas caindo e atapetando as pedras foi uma das primeiras dádivas que os meus olhos receberam.
Na calma da rua os gansos partilhavam conosco o caminho.
Anos mais tarde, ao observar a lentidão das azaléias em seu crescimento recordei-me da sua silhueta num ocaso de formidáveis nódoas se desprendendo das folhagens que beiravam a rua. Tive a impressão de rever o cavalo abanando a cauda e o capim orvalhado estendido pelo campo onde ele a cismar contemplava as raízes da sua história.
Meu avô era um sábio. A sua conversa mascada de um requinte que enfeitava-me a aula por tanta simplicidade.
Tempos depois o reencontrei em Suzano. Quis perguntar sobre as conversas antigas com o meu pai. Ele deu-me uma alta gargalhada, ofereceu-a generosamente. Ofertou o seu riso largo para o ar de Suzano. Falou-me que um dia seria um pássaro.
Foi a última vez em que o vi.
Mês depois recebemos a carta que falava do vôo do nosso querido Pedro.
A avó ofereceu-me um dia uma fatia de pão com um excesso de manteiga que encheu meu coração de alegria. Jamais esqueci da sua mão trêmula, repleta de fibras, nervos e manchas, a me ofertar o pão. Traduzi aquele gesto como uma das formas que o amor encontra para se manifestar.
Quando ela ficou viúva fugiu para um sitio. O seu marido foi morto pela polícia do governo e foram atrás dela, que era acusada de comunista.
Quando a policia apareceu no sitio procurando por uma viúva encontraram-na com o avô Pedro que a apresentou como sua companheira. Eles foram deixados em paz. Os homens procuravam uma mulher sozinha.
Eles sempre viveram entre Santos, Ribeirão Pires, Ouro fino e Suzano. Jamais conseguiram subir a serra por completo. Lembro-me de ouvir dizer que eles moravam em Suzano e voltavam pra Santos, depois moravam em Cubatão e iam para Ribeirão Pires, depois estavam novamente em Santos. Comecei a compreender que na verdade eles nunca subiram a serra para valer.
Às vezes me punha a imaginar como seria o meu avô vivendo numa cidade com edifícios altos, trânsito veloz e barulhento, gente correndo nas calçadas, ar difícil de respirar. Todos iriam pedir para ele sair da frente e ele iria tossir sem parar.
Na porteira do Brás, na Praça Clóvis, no Parque Dom Pedro, na Avenida São João. Bem que eu quis algumas vezes que ele estivesse comigo, para entrarmos num cinema, para um churrasco grego, uma crush, para eu lhe apresentar a cidade. Porém sempre me lembrava de que ele era feito das folhas das matas que beiravam as suas andanças e da neblina das suas manhãs.
Quis também muitas vezes que a minha avó pudesse estar comigo diante de uma vitrine, entrando numa loja, experimentando um vestido novo. Até quis que ela se sentasse comigo nas escadarias do Teatro Municipal! E quando chegou o Metrô, se ela ainda estivesse viva eu a teria buscado para andar por baixo da cidade.


MARCIANO VASQUES

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

domingo, 26 de dezembro de 2010

O autor e sua obra

José Lanzellotti

por Gilberto Marchi

José Lanzellotti, nascido em 21 de Julho de 1926 em São Paulo e falecido em 1992. Um ilustrador que poucos conhecem, mas que tem grande importância dentro da história da ilustração brasileira.
Dedicou-se à pesquisa e documentou com fidelidade o folclore brasileiro, os objetos, indumentária e os costumes da cultura indígena.
Atuou em diversas áreas, como: quadrinhos, cenografia e editorial. Lecionou desenho na escola Panamericana de Arte na década de 70, e foi aí que eu o conheci e colaborei na coleção Brasil, publicada pela Editora Três. Os trabalhos de Lanzellotti postados abaixo, fazem parte dessa coleção.