segunda-feira, 7 de março de 2011

Declaração da ministra Ana de Hollanda

Direito Autoral
Declaração da ministra Ana de Hollanda à revista Carta Capital

“Se o criador, seja de artes gráficas, música, literatura, teatro, dança, fotografia ou de qualquer outra área, perder o direito a receber pelo seu trabalho, vai viver do quê? Temos que entender isso como uma profissão, é quase uma questão trabalhista. O público da internet não paga pelos provedores, pelos softwares, pelas telefônicas usadas para baixar esses produtos? Por que não vai pagar ao autor do conteúdo, o elo mais fraco em meio a essas ferramentas todas?

Parece que há uma campanha para satanizar o autor, como inimigo nº 1 do cidadão. No momento em que se liberassem gratuitamente as obras, independentemente da autorização do autor, deixaria de haver interesse em se produzir ou editar obras no Brasil. Quem pudesse, as registraria no exterior, como única forma de poder controlar, minimamente, sua obra. E o Brasil perderia esse patrimônio cultural, riquíssimo, cobiçadíssimo, que é o da criação nas suas diversas formas”.

domingo, 6 de março de 2011

CARNAVAL DA CRIANÇADA








Alô, pessoal querido!

CARNAVAL DA CRIANÇADA é uma das poesias do meu livro Rebenta Pipoca, publicado pela Pioneira e ilustrado pelo Marchi. Achei oportuno, já que estamos no Carnaval, postar estes versos novamente.
Um grande abraço,
Regina Sormani


Gente, que coisa gostosa...
Que alegria infernal!
Assistir a gurizada,
Brincando eletrizada,
Seu festivo carnaval.

Tem meninos e meninas,
Dando banhos de confete,
Enrolando serpentinas,
Piratas e bailarinas,
Tem mendigo, tem vedete.

Entra em cena um pierrô,
Pintado de fazer dó...
Uma odalisca bacana
Pula com uma baiana,
O índio vai num pé só.

Um cupido gracioso
Atingiu meu coração!
Enquanto isso, uma fada
Vem da floresta encantada,
Com varinha de condão!

Tem aquela bonequinha
A Emília muito prosa!
Vem a todos empurrando,
Pelo salão arrastando
O Visconde de Sabugosa.

Olhe! O cordão dos palhaços!
É sempre o mais colorido,
Pula, só pra fazer graça,
Botando fogo na praça
Num bailado divertido!

Este carnaval é festa!
Hoje, tudo é fantasia...
É hora da garotada
Cantar, brincar, assanhada
Deixar cair na folia.

Poesia do livro Rebenta Pipoca, ed. Pioneira
© Regina Sormani ( todos os direitos reservados).

quinta-feira, 3 de março de 2011

QUINTAS — 48 — PARTE 1

QUINTAS — 48 — parte 2


 DEVASSIDÃO


Já vou me catar, lá onde a poesia estiver. Não, hoje não quero falar de poesia. Quero falar de Música, de canções. De artistas, e de uma que todos nós, o Brasil inteiro ama. Quem quer um segredo? Pois aqui tenho um. O artista não faz para si, faz para milhares de pessoas.
O Brasil é um país extraordinário, por isso tanto o amo. O Ex-Presidente Lula receberá 200 mil Reais por cada palestra que realizar. Viva! Mas, vamos falar da minha avô?
Minha avô Conceição disse-me certa vez lá em Ribeirão Pires, em 1958. Isso mesmo! Foi lá em 1958: "Quando você crescer, preste muita atenção nas coisas."
Hoje quero dar uma notícia que irá emocionar a todos. Apenas dar a notícia, que a notícia clama.
A cantora Sandy, por um contrato de US$ 1 MI, fará propaganda da Cerveja "Devassa". Ao se tornar garota - propaganda da marca, está ocupando o lugar que era da Paris Hilton.
No comercial, um locutor convida o público a conhecer o outro lado de uma moça comportada. "Todo mundo tem um lado Devassa", diz a propaganda.
A cantora receberá Um milhão de dólares pela propaganda.
Na devassidão do espírito da época nada como uma cerveja para refrescar e nos trazer momentos de alegria e felicidade.
É perfeitamente natural para um artista popular fazer propaganda de marca de bebida alcoólica. Quem refletir estará com inveja. Desejo sucesso para a propaganda, para a bebida e para a cantora. Que sempre nos brindou com a sua voz e o seu talento.
Na entrevista, a artista diz que "seus fãs já são adultos e têm consciência de seus atos."
É errado dizer que os hospitais estão cheios de mulheres espancadas por homens agressivos e violentos que se tornam bêbados, etc... Isso nada tem a ver. Cerveja é puro prazer, é momento de deleite, de devaneio, de poesia, de conversa feliz, e de carnaval.
Viva tudo o que acontece.
E ainda me lembrando daquela tarde naquela manhã de nódoas, de fiapo de riacho repousando naquele quintal, e das palavras da minha avô Conceição: "Quando crescer, seja apenas um jornalista. Não queira ultrapassar isso.", sinto-me honrado e feliz em dar essa notícia.
Aproveitando esse grande momento, desejamos a todas um feliz Dia Internacional da Mulher.

MARCIANO VASQUES

terça-feira, 1 de março de 2011

O autor e sua obra

LINO DE ALBERGARIA
Sintonia Fina com o Leitor


por Angela Leite de Souza

Escrever para ser lido por pessoas de carne e osso e, de certo modo, dialogar com elas – assim Lino de Albergaria define seu papel de escritor. Mas a verdade é que esse autor de quase 90 obras, nos mais diversos gêneros, desempenhou também outros papéis ao longo de seus (quase) 61 anos de vida.
O primeiro passo rumo a uma existência cercada de livros foi dado muito antes que ele soubesse ler. Nessa época, ouvia com enlevo, repetidas vezes, um disquinho de vinil que contava a história de Ali Babá e os quarenta ladrões. E, certo dia, movido pela curiosidade natural de um menino de três anos, encontrou a caverna mítica dos tesouros na biblioteca do pai. Das paredes recobertas de prateleiras, os inúmeros livros como que pediam: “abra-nos...” Lino obedeceu, tirando um deles da estante e utilizando, ao invés de palavra mágica, um lápis bicolor, encontrado sobre a escrivaninha, para iniciar sua conversa com a literatura. Encheu as páginas com desenhos, contando uma história sobre a já impressa ali. Por sorte sua mãe foi clarividente, e não só achou graça na ideia como guardou o volume por trinta anos, só então entregando-o ao filho, como um troféu.
Àquela altura, Lino já havia começado a caminhada literária. Nascido em Belo Horizonte, onde vive hoje, formou-se em Letras e Comunicação, cursos que fez simultaneamente, na UFMG e na PUC Minas. Depois de trabalhar algum tempo como redator em house organs, partiu para a França, onde cursou editoração, na Universidade de Paris, e fez estágio na biblioteca infantil de Clamart. Nasciam aí as primeiras histórias escritas para crianças, mas ainda como adaptações de contos populares.
De volta ao Brasil, Lino pôs em prática os conhecimentos adquiridos sobre a feitura dos livros e passou a trabalhar como editor de literatura para jovens. Exerceu inicialmente essa função nas editoras FTD, em São Paulo, e Rio Gráfica, no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, ia publicando seus próprios livros em diversas casas do país. E obtinha o reconhecimento para dois romances escritos para o público adulto – Em nome do filho, finalista da Bienal Nestlé de Literatura de 1985, e A estação das chuvas, premiado no Concurso do Estado do Paraná, em 1992.
Aquele período particularmente renovador da literatura infantil (anos 1980) transformou-se no objeto de sua tese de mestrado e, mais tarde, na obra intitulada Do folhetim à literatura infantil: leitor, memória e identidade (Ed. Lê, 1997), em que compara o momento com a época de florescimento dos folhetins do século XIX.
Em 1991, retomando o trabalho de editor, Lino ficava agora à frente da área infanto-juvenil das editoras Lê e, posteriormente, Dimensão. Paralelamente, continuava seus estudos, concluindo com brilhantismo o doutorado em Literaturas de Língua Portuguesa: sua tese, que teve como tema Ouro Preto e o modernismo, seria recomendada para publicação pela banca examinadora.
A aprovação chegava igualmente para cada novo livro, firmando seu nome entre os maiores de uma literatura infanto-juvenil brasileira também cada vez mais forte e mais rica. “Tem construído uma sólida obra, em que demonstra especial sensibilidade para aprender a difícil passagem do mundo infantil para o mundo adulto”, escreveu Laura Sandroni, a propósito de Nosso muro de Berlim. “Linguagem concisa, coloquial e viva, perfeitamente sintonizada com o interesse e o nível da compreensão dos pequenos leitores”, assim Nelly Novaes Coelho analisou o conjunto de sua obra. “Numa literatura, como a brasileira, carente de textos que reflitam de maneira artística e respeitosa sobre o pré-adolescente, o texto de Lino de Albergaria se destaca”, disse Antônio Hohlfeldt sobre A mão do encantado.
Lino de Albergaria é atualmente redator da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde ingressou por concurso público, em 2002. Com seus múltiplos talentos e tantos títulos colecionados, ele não abre mão de uma das atividades que mais o gratifica – ir às escolas que constantemente o convidam para conversar com seus leitores. Afinal de contas, segundo ele, “o leitor constrói o autor”.

PÁGINA DO ILUSTRADOR - 17 - LUCÍLIA ALENCASTRO

PÁGINA DO ILUSTRADOR - 17


A convidada desta edição é a ilustradora LUCÍLIA ALENCASTRO

"Criando 'In Verso'

Em geral recebemos uma "encomenda" do que deve ser ilustrado, com algumas recomendações sobre o tipo de público, e, às vezes, certas restrições de cores, técnica, prazos, preços, etc. Assim, partindo do texto para a ilustração, vamos dando nossa interpretação ao que foi lido, adequando a comunicação ao provável leitor e, ao mesmo tempo, à expectativa do escritor.

Aqui, preferi falar sobre o livro Caleidoscópio, minha primeira "investida" como "escritora", por ter acontecido o processo inverso, ou seja, a partir das imagens foi concebido o texto.

As imagens foram feitas para um trabalho acadêmico de Pós-graduação em Artes Visuais, onde, através de qualquer expressão visual, eu deveria interpretar a meu modo, alguns conceitos que já haviam sido "vivenciados" na análise de obras de arte importantes durante o curso.

Assim, os alunos deveriam representar "leveza", "fragmentação", "sinuosidade", "movimento", "profusão", "distorção", entre outros.

Produzi 12 imagens em tinta acrílica, utilizando sempre os mesmos personagens. A idéia inicial era somente fazer imagens, mas com o desenrolar do trabalho resolvi escrever um texto, bem livre, sem a preocupação de ser uma história. Dessa forma produzi um caleidoscópio de palavras que foram brotando na cabeça e aproveitei também para fazer a composição gráfica, de forma a reforçar as imagens.

Seguem algumas para vocês verem!"

Distorção

Sinuosidade

Leveza

Fragmentação


Para contatos com a ilustradora Lucilia Alencastro:
www.lucilia.art.br
contato@lucilia.art.br

Vice-Versa de Março

Queridos amigos,

O Vice-Versa de Março apresenta as entrevistas dos escritores Sérsi Bardari e Sonia Salerno Forjaz, da regional SP da AEILIJ. Agradeço a participação dos queridos colegas. Um beijo a todos.

Regina Sormani







Sérsi

Respostas do Sérsi

1 – Tanto sua tese de doutorado quanto alguns de seus cursos associam a literatura para jovens a um rito de passagem, o que é uma colocação bastante instigante. Você pode nos dar uma pista de como entende este rito?

Sérsi – Na sociedades capitalistas contemporâneas inexistem ritos de passagem formalizados que demarquem para crianças e jovens os momentos finais e iniciais das diferentes fases do desenvolvimento psíquico e social. A reflexão corrente sobre o assunto entre educadores e psicanalistas apresenta aspectos favoráveis e desfavoráveis sobre a inexistência desses rituais. O abandono dos marcos institucionalizados representaria, de um lado, maior liberdade para o encontro de soluções particulares, por meio da busca de modelos comportamentais em diferentes fontes. De outro lado, entretanto, essa mesma liberdade poderia resultar em individualismo voraz, no exercício do qual questões relativas ao convívio comunitário ficariam sempre em segundo plano. Além disso, entre as fontes de referências buscadas, a mais frequente é a mídia, que veicula produtos de entretenimento criados, muitas vezes, a partir de interesses mais comerciais do que propriamente voltados para a formação ética do cidadão. Portanto, acredito que a literatura de qualidade para jovens tenha importante papel a cumprir nessa área. Mesmo sem incorrer no discurso didático-moralista, narrativas literárias, de qualquer gênero, podem auxiliar o leitor a encontrar referências para o crescimento individual e paradigmas de comportamento em sociedade.

2 – Em sua experiência acadêmica e profissional você transita entre vários tipos de texto: jornalístico, publicitário, literário.
Em que medida você acredita estar a leitura relacionada a cada uma destas escritas? Escreve boa literatura o bom leitor de literatura ou é a capacidade de “ler” o mundo que produz bons escritores nas diferentes áreas?

Sérsi – A leitura está relacionada, em primeiro lugar, à nossa capacidade de reflexão crítica a respeito dos fatos. Somente o leitor crítico e reflexivo pode se situar e fincar o pé na realidade em que vive. Sem leitura não temos educação, não temos profissionais qualificados, não temos cidadãos cônscios de seus direitos e deveres, não temos respeito pelo próximo.
Se assim o é de maneira geral, imagine-se então a importância da leitura para aqueles que querem se expressarem por meio da escrita. Há dois planos a serem levados em consideração quando pensamos no desenvolvimento da competência discursiva em qualquer modalidade, seja oral, escrita ou multimídiatica: o plano do conteúdo e o plano da forma. Nesse sentido, a leitura é fundamental não só para sabermos o que dizer como também para sabermos como dizer. A leitura de textos do gênero que pretendemos escrever é fundamental para praticarmos a forma. A “leitura” de mundo nos dá o conteúdo. Mas isso não quer dizer que na leitura de texto não contenha a leitura de mundo ou que na leitura de mundo não possamos incorporar novas formas de expressão. As fronteiras entre uma coisa e outra não são muito nítidas.

3 – Em meio a uma produção tão rica de livros infantis e juvenis, quais são - na sua ótica de professor - os melhores critérios para a seleção e adoção de livros nas escolas? Em que ordem de prioridade você os colocaria?

Sérsi - A seleção e adoção de livros nas escolas deve ser realizada com muito carinho. É o perfil do leitor que deve orientar os professores nessa tarefa. Embora os meios tecnológicos venham globalizando o acesso à informação, analisar a realidade geográfica, econômica, social e cultural da região onde se localiza a escola é o caminho mais apropriado para se correr menos riscos. Os leitores de uma escola rural, por exemplo, terão interesses diferentes daqueles que residem nos grandes centros urbanos. Jovens que vivem próximo ao litoral apresentam características diversas daqueles que habitam regiões mais centrais do país. Embora lamentando, não há como negar o fato de que crianças de famílias mais ricas já cresçam com uma visão de mundo privilegiada, em comparação com aquelas oriundas de lares menos favorecidos. Outro fator a ser levando em conta é o sexo. Meninos e meninas até uma certa fase do desenvolvimento têm focos de interesses opostos. Enfim, creio que o melhor critério seja aquele norteado pela sensibilidade dos professores. Imagino como seria bom se tivéssemos nas escolas a presença de um mediador de literatura, um educador especialista no assunto, com amplo repertório, que se dispusesse a conhecer os alunos mais individualmente e indicasse leituras personalizadas.

4 – Agora fale sobre você e nos conte:
Em que momento na vida do acadêmico nasceu o escritor de literatura? Foi o inverso? Eles já moravam juntos desde sempre e você nem sabia? Ou sabia?

Sérsi – O acadêmico e o escritor sempre conviveram e eu os reconheci desde cedo. Sou filho de pai professor e tenho irmã professora. Cresci em uma casa repleta de livros. Aprendi a ler e a escrever antes mesmo de ir à escola. Sempre me senti atraído pelo potencial expressivo da linguagem verbal, por aquilo que ela pode criar na imaginação das pessoas. Como fui um menino um pouco tímido e retraído, era mais fácil para mim dizer o que queria, o que pensava, por meio da escrita. Iniciei carreira profissional escrevendo textos institucionais, publicitários e jornalísticos. Mas, sempre houve um projeto de literatura em gestação. Muitos foram abortados, evidentemente, até que conjunturas internas e externas se conciliaram para que o primeiro texto fosse publicado. Daí por diante, resolvi compreender de maneira mais técnica e científica meu processo criativo. Nesse caminho, tornei-me professor de fato. É muito gratificante quando alunos e ex-alunos nos dão retorno positivo de nosso trabalho, quando crescem física, psíquica e intelectualmente diante de nossos olhos.


Sonia

Respostas da Sonia

1. No Brasil, temos muita necessidade de despertar nas pessoas o gosto pela leitura. Além de escrever, você tem ministrado cursos para educadores, pais e alunos. Que tipo de dificuldade tem encontrado para que o hábito de leitura se torne cada vez mais difundido no País?

Assunto vasto e importante, Sérsi. Mas, tentando resumir e na minha modesta opinião, muitas vezes o que falta é encontrar a semente deste “gosto” que tanto se quer despertar. Não dá para generalizar e quase tudo nos surpreende, para o bem e para o mal. Às vezes, me deparo com uma falta de preparo desanimadora. Outras, com trabalhos simples que produzem resultados emocionantes. São ações pontuais e isoladas que nascem e morrem sem deixar rastros, a não ser para poucos privilegiados. Bons projetos devem ter continuidade. Uma biblioteca sem uso é apenas uma biblioteca. Precisamos da figura humana, empolgada, empolgante, amante dos livros. Pais e educadores interessados. Eles existem, mas são ainda poucos para atender nossas carências.


2. Você tem larga experiência na área de produção de textos para revistas. Como vê o potencial desse segmento atualmente no Brasil? Acredita que as revistas possam auxiliar na divulgação dos livros? Não estaria faltando no mercado editorial algum título voltado especificamente para discutir literatura infanto-juvenil com pais e educadores?

Sim, estaria. Porém, acho difícil este título surgir. Não um encarte ou coluna, mas uma revista inteira, por uma questão de mercado. Se livro vende pouco, menos ainda venderia uma revista específica sobre ele. Há que se buscar um mecanismo mais rápido e direto, pois editoras de revistas, via de regra, apostam em temas mais lucrativos. A divulgação de livros é direcionada para quem, já seduzido pela leitura, faz buscas na internet, lê artigos especializados, frequenta livrarias, compra livro por prazer. Ou, então, para o professor que precisa adotar acertadamente um livro (o melhor!) dentre uma infinidade de catálogos e títulos. Este, sim, por dever de ofício, consultaria as resenhas desta revista que falta. Mas quem a compraria?


3. Em seu site, você enfatiza a importância da pesquisa para o desenvolvimento da escrita. Você segue alguma metodologia específica de coleta de informações para a produção de seus livros?

Eu diria que, para desenvolver um tema, costumo estudar. Por gosto e por necessidade. Assim, quando escrevo ficção sobre tema baseado no cotidiano, sugerindo ao jovem uma reflexão (drogas, gravidez precoce, preconceito etc.), como Socióloga, faço uma pesquisa para obter dados reais, atuais, concretos. Preciso de personagens e diálogos verossímeis que não iludam meu leitor. Já, quando escrevo contos mágicos, quero, além do tema, manter a estrutura destes contos, e aí a pesquisa é outra: passo a me debruçar nos textos literários e teóricos sobre o assunto. Estudo mesmo. Vou beber na fonte para reter um pouco dessa bebida rara no que escrevo.


4. O mercado dos games eletrônicos cresce vertiginosamente em todo o mundo. Sob o ponto de vista do conteúdo, acredita que esses jogos podem contribuir de maneira positiva para a formação da subjetividade de nossas crianças e jovens? Seriam os games um novo tipo de suporte para a literatura infanto-juvenil?

Infelizmente, para as duas questões, não. Não há subjetividade em jogos cujos passos são preestabelecidos, ainda que com alguma variação. O caminho está lá, já percorrido inteiro e o mérito é descobrir, encurtar, perseguir, somar pontos, gastar horas. Muitas horas. Pode ser que, remotamente, um jogador – raríssimo – se sinta motivado a saber mais da história, seguir adiante vendo um filme, um desenho, depois, talvez, lendo um livro – objeto que, na comparação, parecerá sem atrativos e trabalhoso. Mas este é um caminho tão sinuoso e improvável que não dá suporte à literatura. Por enquanto, os games -, por seu imediatismo, perfeição e impacto -, mais nos afastam dos livros.