Exma Sra. Ministra da Cultura,
Como professor universitário e autor de livros técnicos sempre pautei minha vida pela defesa dos DAs, que nos eram expropriados pelas copiadoras e por defensores desta pratica que afirmavam tal ser necessario em razao dos altos precos dos livros no Brasil. Pois bem, agora querem nos privar completamente deste direito de criação. Creio que tais pessoas nao têm ideia do esforco e das horas necessárias para a elaboracao de um livro técnico. Para cada um destes são cerca de 2 anos inteiros de trabalho ou mais.
Como autor de livros infantis, em prosa e verso, creio que somente a minha esposa e minha filhinha - de quem por diversas noites me afasto para produzir - são testemunhas de igual dedicação para que estes sejam concluídos adequadamente, com rimas e perfeição gramatical, bem como cumpram o papel instrutivo a que me propus por seu intermédio.
Minhas reverências e meu integral apoio às suas palavras. Conte comigo em sua caminhada.
Prof. Dr. ANBFilho
quarta-feira, 9 de março de 2011
terça-feira, 8 de março de 2011
Pé de Meia Literário - 16 -
PÉ DE MEIA LITERÁRIO (16)
Uma vida pela leitura
Nada como o sossego do carnaval para se falar dos agitos da leitura promovidos por quem tem essa satisfação dentro das veias.
Pois é, em meio ao retiro forçado que me imponho nos dias do reinado de momo, fico a pensar em pessoas que dedicam parte grande de sua vida à causa da leitura da literatura. E uma delas é Rosa Cleide Marques, a querida Rosinha, conhecida de muitos de nós.
Eu conheço a Rosinha desde 1999, quando fui coordenador do processo de abertura de uma faculdade e lá estava ela nos ajudando na biblioteca. Desde então, embora a vida profissional tenha nos colocado em caminhos diferentes, nos encontramos em escolas e momentos especiais, uma ou duas vezes por ano.
Desde que eu a conheci, percebi nela o prazer de lidar com os livros, principalmente com os livros de literatura. Ela gosta de ver livros novos, de ler muitos deles, de conhecer autores, de promover encontros entre leitores e autores, de programar eventos ligados à arte da leitura. E, de quebra, durante estes tempos, com mérito e esforço próprios, cursou faculdade de biblioteconomia. Nem precisava, pois ela tem nas veias, o sangue bem temperado de quem nasceu para curtir uma vida de leitor e formador de leitores.
Por anda passa e trabalha, Rosinha vai deixando sua marca característica: o respeito pelo livro, pelo leitor e pelo autor. Um respeito que não se traduz de isolamento e afastamento, como nós costumamos ter pelas coisas que respeitamos em excesso, mas o respeito de quem sabe que a melhor maneira de se respeitar é dar sentido à existência. Dessa forma, o respeito que ela tem pelos livros, leitores e autores toma vida na forma de criar momentos de leitura, de apreciação do prazer de ler, no encontro, no diálogo. E dar aos livros o seu real sentido de vida: pelo diálogo com os leitores, a criação de outros tantos novos sentidos. Foi assim na Faculdade Morumbi Sul, no Global e é assim no Marupiara, onde está hoje, há uns três anos.
No Colégio Marupiara, Rosinha encontrou as condições ideais para explodir o seu trabalho: uma boa estrutura de prédio, bela instalação da biblioteca, apoio e incentivo da direção e coordenação do colégio, um grupo de educadores interessados e comprometidos com a causa da leitura e ... uma meninada que tem respondido muito bem aos eventos em torno da leitura. Que mais poderia querer essa esforçadíssima profissional da leitura para ver o seu trabalho frutificar?
Rosinha, do Marupiara, põe no ar, para quem quiser ver, ouvir e ler, essas lições sobre a prática efetiva de formação de leitores, de prazeres da leitura, de ampliação de acervo, de diálogo com a literatura. Como escreveu certa vez, Vandré das letras inesquecíveis: quem sabe faz a hora não espera acontecer.
Rosinha é gente que sabe – que aprendeu fazendo – e assim sabendo e fazendo vai constituindo hoje e sempre o nosso pé de meia literário.
Nova Granada, março de 2011
EDSON GABRIEL GARCIA
(Escritor e Educador)
Uma vida pela leitura
Nada como o sossego do carnaval para se falar dos agitos da leitura promovidos por quem tem essa satisfação dentro das veias.
Pois é, em meio ao retiro forçado que me imponho nos dias do reinado de momo, fico a pensar em pessoas que dedicam parte grande de sua vida à causa da leitura da literatura. E uma delas é Rosa Cleide Marques, a querida Rosinha, conhecida de muitos de nós.
Eu conheço a Rosinha desde 1999, quando fui coordenador do processo de abertura de uma faculdade e lá estava ela nos ajudando na biblioteca. Desde então, embora a vida profissional tenha nos colocado em caminhos diferentes, nos encontramos em escolas e momentos especiais, uma ou duas vezes por ano.
Desde que eu a conheci, percebi nela o prazer de lidar com os livros, principalmente com os livros de literatura. Ela gosta de ver livros novos, de ler muitos deles, de conhecer autores, de promover encontros entre leitores e autores, de programar eventos ligados à arte da leitura. E, de quebra, durante estes tempos, com mérito e esforço próprios, cursou faculdade de biblioteconomia. Nem precisava, pois ela tem nas veias, o sangue bem temperado de quem nasceu para curtir uma vida de leitor e formador de leitores.
Por anda passa e trabalha, Rosinha vai deixando sua marca característica: o respeito pelo livro, pelo leitor e pelo autor. Um respeito que não se traduz de isolamento e afastamento, como nós costumamos ter pelas coisas que respeitamos em excesso, mas o respeito de quem sabe que a melhor maneira de se respeitar é dar sentido à existência. Dessa forma, o respeito que ela tem pelos livros, leitores e autores toma vida na forma de criar momentos de leitura, de apreciação do prazer de ler, no encontro, no diálogo. E dar aos livros o seu real sentido de vida: pelo diálogo com os leitores, a criação de outros tantos novos sentidos. Foi assim na Faculdade Morumbi Sul, no Global e é assim no Marupiara, onde está hoje, há uns três anos.
No Colégio Marupiara, Rosinha encontrou as condições ideais para explodir o seu trabalho: uma boa estrutura de prédio, bela instalação da biblioteca, apoio e incentivo da direção e coordenação do colégio, um grupo de educadores interessados e comprometidos com a causa da leitura e ... uma meninada que tem respondido muito bem aos eventos em torno da leitura. Que mais poderia querer essa esforçadíssima profissional da leitura para ver o seu trabalho frutificar?
Rosinha, do Marupiara, põe no ar, para quem quiser ver, ouvir e ler, essas lições sobre a prática efetiva de formação de leitores, de prazeres da leitura, de ampliação de acervo, de diálogo com a literatura. Como escreveu certa vez, Vandré das letras inesquecíveis: quem sabe faz a hora não espera acontecer.
Rosinha é gente que sabe – que aprendeu fazendo – e assim sabendo e fazendo vai constituindo hoje e sempre o nosso pé de meia literário.
Nova Granada, março de 2011
EDSON GABRIEL GARCIA
(Escritor e Educador)
segunda-feira, 7 de março de 2011
Declaração da ministra Ana de Hollanda
Direito Autoral
Declaração da ministra Ana de Hollanda à revista Carta Capital
“Se o criador, seja de artes gráficas, música, literatura, teatro, dança, fotografia ou de qualquer outra área, perder o direito a receber pelo seu trabalho, vai viver do quê? Temos que entender isso como uma profissão, é quase uma questão trabalhista. O público da internet não paga pelos provedores, pelos softwares, pelas telefônicas usadas para baixar esses produtos? Por que não vai pagar ao autor do conteúdo, o elo mais fraco em meio a essas ferramentas todas?
Parece que há uma campanha para satanizar o autor, como inimigo nº 1 do cidadão. No momento em que se liberassem gratuitamente as obras, independentemente da autorização do autor, deixaria de haver interesse em se produzir ou editar obras no Brasil. Quem pudesse, as registraria no exterior, como única forma de poder controlar, minimamente, sua obra. E o Brasil perderia esse patrimônio cultural, riquíssimo, cobiçadíssimo, que é o da criação nas suas diversas formas”.
Declaração da ministra Ana de Hollanda à revista Carta Capital
“Se o criador, seja de artes gráficas, música, literatura, teatro, dança, fotografia ou de qualquer outra área, perder o direito a receber pelo seu trabalho, vai viver do quê? Temos que entender isso como uma profissão, é quase uma questão trabalhista. O público da internet não paga pelos provedores, pelos softwares, pelas telefônicas usadas para baixar esses produtos? Por que não vai pagar ao autor do conteúdo, o elo mais fraco em meio a essas ferramentas todas?
Parece que há uma campanha para satanizar o autor, como inimigo nº 1 do cidadão. No momento em que se liberassem gratuitamente as obras, independentemente da autorização do autor, deixaria de haver interesse em se produzir ou editar obras no Brasil. Quem pudesse, as registraria no exterior, como única forma de poder controlar, minimamente, sua obra. E o Brasil perderia esse patrimônio cultural, riquíssimo, cobiçadíssimo, que é o da criação nas suas diversas formas”.
domingo, 6 de março de 2011
CARNAVAL DA CRIANÇADA


Alô, pessoal querido!
CARNAVAL DA CRIANÇADA é uma das poesias do meu livro Rebenta Pipoca, publicado pela Pioneira e ilustrado pelo Marchi. Achei oportuno, já que estamos no Carnaval, postar estes versos novamente.
Um grande abraço,
Regina Sormani
Gente, que coisa gostosa...
Que alegria infernal!
Assistir a gurizada,
Brincando eletrizada,
Seu festivo carnaval.
Tem meninos e meninas,
Dando banhos de confete,
Enrolando serpentinas,
Piratas e bailarinas,
Tem mendigo, tem vedete.
Entra em cena um pierrô,
Pintado de fazer dó...
Uma odalisca bacana
Pula com uma baiana,
O índio vai num pé só.
Um cupido gracioso
Atingiu meu coração!
Enquanto isso, uma fada
Vem da floresta encantada,
Com varinha de condão!
Tem aquela bonequinha
A Emília muito prosa!
Vem a todos empurrando,
Pelo salão arrastando
O Visconde de Sabugosa.
Olhe! O cordão dos palhaços!
É sempre o mais colorido,
Pula, só pra fazer graça,
Botando fogo na praça
Num bailado divertido!
Este carnaval é festa!
Hoje, tudo é fantasia...
É hora da garotada
Cantar, brincar, assanhada
Deixar cair na folia.
Poesia do livro Rebenta Pipoca, ed. Pioneira
© Regina Sormani ( todos os direitos reservados).
quinta-feira, 3 de março de 2011
QUINTAS — 48 — parte 2
DEVASSIDÃO
Já vou me catar, lá onde a poesia estiver. Não, hoje não quero falar de poesia. Quero falar de Música, de canções. De artistas, e de uma que todos nós, o Brasil inteiro ama. Quem quer um segredo? Pois aqui tenho um. O artista não faz para si, faz para milhares de pessoas.
O Brasil é um país extraordinário, por isso tanto o amo. O Ex-Presidente Lula receberá 200 mil Reais por cada palestra que realizar. Viva! Mas, vamos falar da minha avô?
Minha avô Conceição disse-me certa vez lá em Ribeirão Pires, em 1958. Isso mesmo! Foi lá em 1958: "Quando você crescer, preste muita atenção nas coisas."
Hoje quero dar uma notícia que irá emocionar a todos. Apenas dar a notícia, que a notícia clama.
A cantora Sandy, por um contrato de US$ 1 MI, fará propaganda da Cerveja "Devassa". Ao se tornar garota - propaganda da marca, está ocupando o lugar que era da Paris Hilton.
No comercial, um locutor convida o público a conhecer o outro lado de uma moça comportada. "Todo mundo tem um lado Devassa", diz a propaganda.
A cantora receberá Um milhão de dólares pela propaganda.
Na devassidão do espírito da época nada como uma cerveja para refrescar e nos trazer momentos de alegria e felicidade.
É perfeitamente natural para um artista popular fazer propaganda de marca de bebida alcoólica. Quem refletir estará com inveja. Desejo sucesso para a propaganda, para a bebida e para a cantora. Que sempre nos brindou com a sua voz e o seu talento.
Na entrevista, a artista diz que "seus fãs já são adultos e têm consciência de seus atos."
É errado dizer que os hospitais estão cheios de mulheres espancadas por homens agressivos e violentos que se tornam bêbados, etc... Isso nada tem a ver. Cerveja é puro prazer, é momento de deleite, de devaneio, de poesia, de conversa feliz, e de carnaval.
Viva tudo o que acontece.
E ainda me lembrando daquela tarde naquela manhã de nódoas, de fiapo de riacho repousando naquele quintal, e das palavras da minha avô Conceição: "Quando crescer, seja apenas um jornalista. Não queira ultrapassar isso.", sinto-me honrado e feliz em dar essa notícia.
Aproveitando esse grande momento, desejamos a todas um feliz Dia Internacional da Mulher.
MARCIANO VASQUES
terça-feira, 1 de março de 2011
O autor e sua obra
LINO DE ALBERGARIA
Sintonia Fina com o Leitor
por Angela Leite de Souza
Escrever para ser lido por pessoas de carne e osso e, de certo modo, dialogar com elas – assim Lino de Albergaria define seu papel de escritor. Mas a verdade é que esse autor de quase 90 obras, nos mais diversos gêneros, desempenhou também outros papéis ao longo de seus (quase) 61 anos de vida.
O primeiro passo rumo a uma existência cercada de livros foi dado muito antes que ele soubesse ler. Nessa época, ouvia com enlevo, repetidas vezes, um disquinho de vinil que contava a história de Ali Babá e os quarenta ladrões. E, certo dia, movido pela curiosidade natural de um menino de três anos, encontrou a caverna mítica dos tesouros na biblioteca do pai. Das paredes recobertas de prateleiras, os inúmeros livros como que pediam: “abra-nos...” Lino obedeceu, tirando um deles da estante e utilizando, ao invés de palavra mágica, um lápis bicolor, encontrado sobre a escrivaninha, para iniciar sua conversa com a literatura. Encheu as páginas com desenhos, contando uma história sobre a já impressa ali. Por sorte sua mãe foi clarividente, e não só achou graça na ideia como guardou o volume por trinta anos, só então entregando-o ao filho, como um troféu.
Àquela altura, Lino já havia começado a caminhada literária. Nascido em Belo Horizonte, onde vive hoje, formou-se em Letras e Comunicação, cursos que fez simultaneamente, na UFMG e na PUC Minas. Depois de trabalhar algum tempo como redator em house organs, partiu para a França, onde cursou editoração, na Universidade de Paris, e fez estágio na biblioteca infantil de Clamart. Nasciam aí as primeiras histórias escritas para crianças, mas ainda como adaptações de contos populares.
De volta ao Brasil, Lino pôs em prática os conhecimentos adquiridos sobre a feitura dos livros e passou a trabalhar como editor de literatura para jovens. Exerceu inicialmente essa função nas editoras FTD, em São Paulo, e Rio Gráfica, no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, ia publicando seus próprios livros em diversas casas do país. E obtinha o reconhecimento para dois romances escritos para o público adulto – Em nome do filho, finalista da Bienal Nestlé de Literatura de 1985, e A estação das chuvas, premiado no Concurso do Estado do Paraná, em 1992.
Aquele período particularmente renovador da literatura infantil (anos 1980) transformou-se no objeto de sua tese de mestrado e, mais tarde, na obra intitulada Do folhetim à literatura infantil: leitor, memória e identidade (Ed. Lê, 1997), em que compara o momento com a época de florescimento dos folhetins do século XIX.
Em 1991, retomando o trabalho de editor, Lino ficava agora à frente da área infanto-juvenil das editoras Lê e, posteriormente, Dimensão. Paralelamente, continuava seus estudos, concluindo com brilhantismo o doutorado em Literaturas de Língua Portuguesa: sua tese, que teve como tema Ouro Preto e o modernismo, seria recomendada para publicação pela banca examinadora.
A aprovação chegava igualmente para cada novo livro, firmando seu nome entre os maiores de uma literatura infanto-juvenil brasileira também cada vez mais forte e mais rica. “Tem construído uma sólida obra, em que demonstra especial sensibilidade para aprender a difícil passagem do mundo infantil para o mundo adulto”, escreveu Laura Sandroni, a propósito de Nosso muro de Berlim. “Linguagem concisa, coloquial e viva, perfeitamente sintonizada com o interesse e o nível da compreensão dos pequenos leitores”, assim Nelly Novaes Coelho analisou o conjunto de sua obra. “Numa literatura, como a brasileira, carente de textos que reflitam de maneira artística e respeitosa sobre o pré-adolescente, o texto de Lino de Albergaria se destaca”, disse Antônio Hohlfeldt sobre A mão do encantado.
Lino de Albergaria é atualmente redator da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde ingressou por concurso público, em 2002. Com seus múltiplos talentos e tantos títulos colecionados, ele não abre mão de uma das atividades que mais o gratifica – ir às escolas que constantemente o convidam para conversar com seus leitores. Afinal de contas, segundo ele, “o leitor constrói o autor”.
Sintonia Fina com o Leitor
por Angela Leite de Souza
Escrever para ser lido por pessoas de carne e osso e, de certo modo, dialogar com elas – assim Lino de Albergaria define seu papel de escritor. Mas a verdade é que esse autor de quase 90 obras, nos mais diversos gêneros, desempenhou também outros papéis ao longo de seus (quase) 61 anos de vida.
O primeiro passo rumo a uma existência cercada de livros foi dado muito antes que ele soubesse ler. Nessa época, ouvia com enlevo, repetidas vezes, um disquinho de vinil que contava a história de Ali Babá e os quarenta ladrões. E, certo dia, movido pela curiosidade natural de um menino de três anos, encontrou a caverna mítica dos tesouros na biblioteca do pai. Das paredes recobertas de prateleiras, os inúmeros livros como que pediam: “abra-nos...” Lino obedeceu, tirando um deles da estante e utilizando, ao invés de palavra mágica, um lápis bicolor, encontrado sobre a escrivaninha, para iniciar sua conversa com a literatura. Encheu as páginas com desenhos, contando uma história sobre a já impressa ali. Por sorte sua mãe foi clarividente, e não só achou graça na ideia como guardou o volume por trinta anos, só então entregando-o ao filho, como um troféu.
Àquela altura, Lino já havia começado a caminhada literária. Nascido em Belo Horizonte, onde vive hoje, formou-se em Letras e Comunicação, cursos que fez simultaneamente, na UFMG e na PUC Minas. Depois de trabalhar algum tempo como redator em house organs, partiu para a França, onde cursou editoração, na Universidade de Paris, e fez estágio na biblioteca infantil de Clamart. Nasciam aí as primeiras histórias escritas para crianças, mas ainda como adaptações de contos populares.
De volta ao Brasil, Lino pôs em prática os conhecimentos adquiridos sobre a feitura dos livros e passou a trabalhar como editor de literatura para jovens. Exerceu inicialmente essa função nas editoras FTD, em São Paulo, e Rio Gráfica, no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, ia publicando seus próprios livros em diversas casas do país. E obtinha o reconhecimento para dois romances escritos para o público adulto – Em nome do filho, finalista da Bienal Nestlé de Literatura de 1985, e A estação das chuvas, premiado no Concurso do Estado do Paraná, em 1992.
Aquele período particularmente renovador da literatura infantil (anos 1980) transformou-se no objeto de sua tese de mestrado e, mais tarde, na obra intitulada Do folhetim à literatura infantil: leitor, memória e identidade (Ed. Lê, 1997), em que compara o momento com a época de florescimento dos folhetins do século XIX.
Em 1991, retomando o trabalho de editor, Lino ficava agora à frente da área infanto-juvenil das editoras Lê e, posteriormente, Dimensão. Paralelamente, continuava seus estudos, concluindo com brilhantismo o doutorado em Literaturas de Língua Portuguesa: sua tese, que teve como tema Ouro Preto e o modernismo, seria recomendada para publicação pela banca examinadora.
A aprovação chegava igualmente para cada novo livro, firmando seu nome entre os maiores de uma literatura infanto-juvenil brasileira também cada vez mais forte e mais rica. “Tem construído uma sólida obra, em que demonstra especial sensibilidade para aprender a difícil passagem do mundo infantil para o mundo adulto”, escreveu Laura Sandroni, a propósito de Nosso muro de Berlim. “Linguagem concisa, coloquial e viva, perfeitamente sintonizada com o interesse e o nível da compreensão dos pequenos leitores”, assim Nelly Novaes Coelho analisou o conjunto de sua obra. “Numa literatura, como a brasileira, carente de textos que reflitam de maneira artística e respeitosa sobre o pré-adolescente, o texto de Lino de Albergaria se destaca”, disse Antônio Hohlfeldt sobre A mão do encantado.
Lino de Albergaria é atualmente redator da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde ingressou por concurso público, em 2002. Com seus múltiplos talentos e tantos títulos colecionados, ele não abre mão de uma das atividades que mais o gratifica – ir às escolas que constantemente o convidam para conversar com seus leitores. Afinal de contas, segundo ele, “o leitor constrói o autor”.
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