segunda-feira, 28 de março de 2011
Pé de Meia Literário 17
O QUE CABE NO GOSTO PELA LEITURA
Há anos faço parte dessa turma que pensa a leitura na perspectiva do gosto e do prazer. Hábito é outra coisa e se inscreve na galeria das coisas mornas, repetitivas, sem sentidos novos.
Pensando assim, escrevi um roteiro, que apresentei em um seminário em João Pessoa, parte do integrante do Prazer em Ler, programa de incentivo à leitura implementado pelo Instituto de Educação C & A.
A ideia do roteiro, que segue abaixo, é mapear todas as significações que cabem dentro do “gosto” pela leitura.
Vamos lá.
1. Cabem os verbos: perguntar, responder, imaginar, inventar, voar, sonhar, abrir, pensar, informar, deduzir, inferir, relacionar, intertextualizar, conversar, dialogar buscar, anotar, registrar, opinar, argumentar, decidir, propor, narrar, rabiscar, mexer, programar, resumir, editar, codificar, decodificar, representar, escolher, compartilhar, seduzir...
2. Cabem as qualidades da palavra: porosidade, segurança, mediação, trajetória, liberdade, criatividade, imaginação, disponibilidade, repertório, gratuidade, pluralidade...
3. Cabe um acervo: plural, diverso, variado, renovado, disponível, organizado, representativo...
4. Cabe um espaço: adequado, arejado, de bom tamanho, ajustado ao seu objetivo, simpático, equipado, aconchegante, oferecido, nominado, bem localizado...
5. Cabe um mediador que:
-seja leitor
-queira se constituir como formador de leitores
-seja sujeito do seu processo pedagógico
-seja aberto a novas aprendizagens
-seja curioso, provocador
-seja crítico, paciente e impaciente
-seja criativo
-seja disponível ao diálogo
6. Cabem atividades rotineiras:
-organização do acervo
-disposição criativa do acervo
-apresentação de livros novos
-empréstimo
-leitura oral de textos
-rodas (de leitura, de crítica, de propaganda, etc...)
-varal de propaganda
-manutenção do mural (novos/eu li/eu gostei/recortes, etc)
-empréstimos para os pais e mães
-reposição de acervo
-orientação a pais/mães e professores/as
-registro da história do espaço
7. Cabem atividades de formatos inventados, criativos, diferentes, fora de rotina:
-feira de trocas
-saraus
-noite de terror
-tarde do avesso dos contos de fada
-pé de livros
-corredores
-um livro que mexeu com a minha cabeça
-entrevistas
-concursos e premiação
-visitas
-autor homenageado/estudado/lido.
Cabem, enfim, um outro tanto de idéias, propostas e significados que cada um de nós, que trabalhamos com a leitura da leitura, queira incluir.
E dessa forma, ampliar o nosso pé de meia literário.
Sampa, março de 2011
Edson Gabriel Garcia
(Educador e Escritor)
sexta-feira, 25 de março de 2011
Quem conta um conto...
Uma jovem mãe, que costuma passear pelas lojas que vendem brinquedos nos shoppings paulistanos, contou-me a história abaixo. Pode ser que ela tenha aumentado um ou dois pontos, mas, achei interessante e resolvi repassá-la a vocês.
Um beijo,
Regina Sormani
De verdade!
O vendedor se esforçava para agradar o freguês que estava inseguro, ali, na sua frente. No balcão, uma montanha de brinquedos de todos os tipos. Confuso, o moço demonstrava que era sim, pai de primeira viagem. O que comprar? Será que sua filhinha iria apreciar o coelhinho de pelúcia? Ou seria melhor levar a boneca? Sim, era linda, mas...
Depois de algum tempo, o vendedor, já impaciente e disposto a vender a boneca de qualquer forma, lançou mão do seguinte argumento: a preciosa boneca era tal qual uma criança de verdade.
— Veja — ele demonstrava — esta boneca fala: ma-mãe! Tal qual uma criança de verdade. Além disso, ela mama toda a mamadeira, uma graça! Até parece de verdade.
Sua filha vai gostar de pentear a boneca, pois os cabelos são quase de verdade.
O rapaz, continuava em dúvida, ouvindo e sorrindo.
Para reforçar a argumentação, o vendedor resolveu dar a última cartada:
— O senhor não vai se arrepender se levar a boneca. Ela é tão semelhante a uma criança de verdade, que ao colocar sua cabecinha no travesseiro, a boneca fecha os olhinhos e já começa a ressonar, em sono profundo.
Imediatamente, o indeciso contestou:
— Essa não, meu amigo! Você, com certeza não é pai! Não sabe o que é uma criança de verdade...
quinta-feira, 24 de março de 2011
QUINTAS — 51
MENTIRAS
terça-feira, 22 de março de 2011
Mensagem
No carnaval escrevi um livro infanto-juvenil sobre o bullying do consumismo. Foi minha amiga Elsa quem sugeriu. Psicóloga, ela trabalha com crianças e adolescentes e comentou o quanto sofrem pais e filhos atualmente com as tentações da mídia. O ser humano deixou de andar nu como os índios e passou a ser escravo de si mesmo, numa busca interminável pelo topo de uma imaginária montanha da felicidade vinculada ao status material. Se nós, adultos, nos deixamos sucumbir pela tentação, o que podem fazer as crianças? Considerando que os pequenos não entendem o mecanismo das campanhas publicitárias, como explicar?
Eles não sabem que o cantor preferido muitas vezes nem conhece a fábrica que produz o brinquedo que leva seu nome. Apresentadoras de TV sabem cantar e dançar, mas não sabem como se costura uma roupa ou monta-se um laptop. Precisamos passar às crianças a desvinculação da etiqueta do produto. Mostrar que elas podem usar um computador sem foto de artista, mas não podem usar a foto do artista sozinha. Podem vestir uma blusa se cortarem a etiqueta, mas não podem se vestir somente com etiquetas. No livro, conto o caso de uma bolsa que é feita pela tia de uma criança e custa quatro vezes mais quando ela entrega para a fábrica que só costura a etiqueta com a marca famosa.
Obviamente, temos a questão da qualidade, algumas marcas são vinculadas ao desenvolvimento tecnológico, design e qualidade do produto. Mas cada vez mais, essa realidade está mudando. A linha B das montadoras de eletrodomésticos, por exemplo, oferece o mesmo motor, o mesmo formato e só muda a porta ou painel e o preço cai consideravelmente. Tem sido grande a repercussão da campanha de uma cerveja popular por uma cantora que é extremamente “certinha”. Brincadeiras como “Ela é devassa, usa esmalte diferente nos pés e nas mãos” comprovam que o sucesso da campanha foi atingido. Falem mal, mas falem de mim. A cantora já havia dito que não bebe cerveja. Agora ela vende cerveja. Segundo ela, fez uma pesquisa e o produto é realmente bom. Claro, ninguém vai associar sua imagem a um produto péssimo. Mas, ninguém vai recusar um cachê milionário se o produto não for excelente. Assim, a concorrência é prejudicada. Quantos bons produtos não podem pagar um cachê desse nível?
Enquanto isso, os pais deixam a televisão de babá e não verificam o que o filho assiste. Alguns se sacrificam para dar um tênis que vai para o lixo antes de terminar de pagá-lo. Nas escolas, as crianças destilam o veneno próprio da infância. Quem assistiu ao filme “A Fita Branca”, vai se lembrar das crianças que mentiam, culpavam a outra quando eram pegas, chegavam a machucar os menores e houve até morte. Em outro filme recente, o menino mata a menina porque queria ficar com seu animalzinho de estimação. Claro que nem todas as crianças são assim cruéis, mas a verdade é que muitas não pensam duas vezes e praticam bullying.
Risadas e apelidos são comuns nas escolas. As crianças acreditam que precisam adquirir certos produtos para serem respeitadas. A necessidade de inferiorizar o outro é uma busca doentia por sentir-se especial. Essa cultura contemporânea de medir o que somos pelo que temos tem que ser reavaliada. Tem que começar em casa. Não adianta falar para o nosso filho não criticar o que os amigos usam, se nós reparamos e valorizamos com comentários do tipo: “Você viu o relógio dele”?”“ Você viu o carro dela?”Ou nos referimos a objetos pelas marcas em vez de usarmos substantivos. Criança escuta, incorpora e transfere.
Para nossos pequenos serem mais humanizados e menos materialistas, precisamos dar o exemplo. Cada um sabe de suas posses. Ter mais poder de consumo que o vizinho não significa ser melhor pessoa que ele. Os olhos precisam ser educados para enxergar o que realmente importa e que não tem etiqueta.
Como o vento e o perfume das flores.
Simone Pedersen
segunda-feira, 21 de março de 2011
PÁGINA DO ILUSTRADOR 19 - RUI DE OLIVEIRA
PÁGINA DO ILUSTRADOR 19 - RUI DE OLIVEIRA
Nesta edição, apresentamos quinze ilustrações de Rui de Oliveira escolhidas por ele, e um texto enviado para a página do ilustrador
Como vejo a arte de ilustrar
Gosto de ilustrar livros com conteúdos e propostas literárias bem diferentes umas da outras. Acredito que este seja o aspecto mais fascinante do ato de ilustrar, e, sem dúvida, o maior desafio para o ilustrador.
Em meu trabalho, sempre almejo que a interpretação que tenho do texto não seja a única. Procuro, sempre que possível, criar portas — verdadeiras passagens secretas para que as pessoas tenham as suas próprias e particulares visões. Preocupa-me, portanto, não condicionar em demasia o leitor.
Penso que o ato de criação de imagens se origina não diretamente na palavra, mas no entre- palavras. Daí vem minha preocupação em criar para cada texto uma imagem adequada, que muitas vezes está de acordo, ou não, com meus gostos pessoais, ou com a minha visão de arte. Por isto, não tenho nenhuma intenção em ser reconhecido de um livro para outro. Eu substituiria em meu trabalho a palavra estilo por método de abordagem. O texto é a origem de tudo. É impossível ilustrar sem gostar de literatura. É impossível ilustrar sem gostar de ler.
Trecho do texto que se encontra na íntegra no site e no blog.
sábado, 19 de março de 2011
Um livro do qual gostei muito - "ONDE ESTAMOS"?
Tenho este livro há muitos anos. E toda vez que o releio, me surpreendo com sua graça e simplicidade. Este é um livro que realmente funciona! Escrito por Ely Barbosa, publicado pelas Paulinas, o ponto alto dessa história são as ilustrações, com desenhos criados pelo próprio Ely e Ademir Pantes e arte final de Wanderley Feliciano. Livro dirigido aos pequenos leitores, tem poucas folhas, iniciando com a pergunta: — Você sabe onde estamos? — Os protagonistas são duas crianças encantadoras, um menino e uma menina que vão sendo estimulados a descobrir o universo a partir do seu quarto, da sua casa, seu quarteirão, seu bairro, sua cidade e assim, sucessivamente, até chegar ao sistema solar e ao conceito de universo.
A ilustração faz o apoio, magistralmente, com traços minuciosos e ao mesmo tempo livres. Parabéns ao escritor e aos ilustradores!
Um grande beijo,
Regina Sormani
quinta-feira, 17 de março de 2011
QUINTAS — 50
Marciano Vasques REFLEXÕES NA FORTALEZA DA SOLIDÃO | |








