segunda-feira, 4 de abril de 2011

Canto & Encanto da Poesia



A BORBOLETA AMARELA

Uma borboleta amarela
Voando alto no jardim
Passou pela minha janela
E o dia sorriu para mim

Será que ela é amarela
ou nas cores do sol se banhou?
Será que ela é uma estrela
Ou uma nota musical a soprou?

Na poesia se encontram respostas
Verdadeiras e imaginárias
Na poesia se encontram perguntas
Nunca antes perguntadas

Não importa se a borboleta é amarela
Se o sol coloriu suas asas
Só observa lindas borboletas
Quem tem asas de poeta

Simone Pedersen Fragmentos e Estilhaços Editora In House

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Vice-Versa de Abril de 2011



Meus amigos,
O Vice-Versa de abril apresenta os escritores Antonio Nunes (PE) e Cléo Busatto (PR).
Parabéns aos viceversistas e muito obrigada pela participação.
Boa leitura a todos!
Um beijo,
Regina Sormani



Antonio Nunes


Respostas de Antonio Nunes (Tonton)

Oi Cléo, antes de tudo, gostaria de dizer de minha satisfação de estar neste Vice-Versa com você, conhecendo-a um pouco mais e, também, apresentar-me aos leitores deste blog da AEILIJ/SP, a quem agradeço a oportunidade, em nome da Regina Sormani que me fez tal gentil e irrecusável convite.


1 - Você se refere ao frevo e ao maracatu em vários escritos de apresentação. Minha pergunta: eles inspiram também a sua escrita literária?

Pois é, é verdade, em muitos dos meus escritos e mesmo em minha correspondência pessoal costumo concluir o texto enviando um cordial abraço da terra do frevo e do maracatu. É uma alusão a Recife, bela e acolhedora cidade, na qual fixei raízes há cerca de duas décadas. Recife é um caldeirão cultural, com muitas manifestações em diversas áreas, que culminam por conferir-lhe uma condição impar de riqueza em vários sentidos desta palavra. Impossível não se sentir tocado ou de, alguma maneira, inspirado ou influenciado por este ambiente efervescente, desde o seu passado remoto. Basta um caminhar por suas ruas, transitar por suas pontes que você se sentirá invadido por um algo estranho, que te fará admirar cada vez mais cada pedacinho percorrido. Quem, assim como eu – nascido em sua vizinha João Pessoa -, por aqui aporta, sente o pulsar desta cidade em seu cotidiano. Este universo do maracatu foi o mote para um dos meus últimos textos de LIJ, Kodmo no Yumê (Sonhos de criança), que narra a chegada de uma família de origem nipônica em Pernambuco nos idos de 1950 que, assim como tantas outras oriundas de São Paulo, veio cultivar flores nestas terras. Por fim, digamos que é uma forma de reverenciar esta cidade onde nasceram minha esposa e filhinha e, posso afirmar, na qual tenho passado os melhores dias de minha vida. Ah, antes que me esqueça, até em meu doutoramento, quando desenvolvi “Uma metodologia de avaliação da qualidade de vida no trabalho para pessoas com deficiência”, terminei por nomeá-lo de “Método Recife de avaliação...”.

2 – Moramos em regiões distintas e com culturas bem marcadas, porém num mesmo país. O que você considera imprescindível na literatura para crianças, para que ela chegue ao coração das que moram de Norte a Sul do Brasil?

Puxa, que pergunta! Daria para escrever uma tese inteirinha para tentar respondê-la adequadamente (mania de professor universitário!). Bom, mas vamos lá... Acredito que a LIJ pode alcançar muito bem estas duas características ao mesmo tempo. A universalidade e o caráter local. E não são coisas necessariamente excludentes. Vejamos. Se por um lado, a inserção cultural da literatura é algo sempre questionado como uma barreira a que outros não-iniciados naquela cultura estão sujeitos e que, deste modo existem limitações para a sua plena compreensão, para que possam participar ativamente e aproveitar de seu conteúdo integralmente, de outro lado, podemos dizer que a humanidade, apesar de sua diversidade, está assentada em traços comuns à condição humana. Portanto, para que a LIJ chegue ao coração das crianças, acredito que seu requisito essencial é que ela seja verdadeira, feita de coração, sem artificialismos, pois entendo existir apenas uma distinção na qualidade da literatura: boa ou má. Desta feita, um texto escrito para ser local poderá, essencialmente em razão de sua qualidade, alcançar o status de universal. E esta é uma condição cujo domínio reside unicamente no leitor, que, indistintamente, onde quer que se encontre, saberá reconhece-lo e jamais o será por mera pretensão do escritor. Afinal, quem de nós escritores tem a capacidade de predizer que um determinado texto será universal?

3 – Alguns dizem que o processo criativo se dá de forma lenta e contínua, refletido e construído com disciplina e dedicação. Outros, que ele chega num rompante e se espalha no suporte. O que você pensa disso?

Como dizemos aqui no nordeste: - Pense numa coisa inexplicável essa tal de inspiração!
Posso dizer que, em mim, ela não segue nenhum padrão previsível. A inspiração pode chegar a qualquer hora (inclusive em plena madrugada, quando saio da cama para escrever com medo de perder o fio da história), em qualquer lugar, sob qualquer pretexto. Por vezes, o texto sai quase completo, toda a história, detalhe por detalhe. Outras vezes, necessitarei de algum tempo para maturá-la. Entretanto, posso igualmente dizer que um perfeccionismo capricorniano me impele a ler, reler, e mais uma vez reler (e também escrever e reescrever) cada texto antes de levá-lo ao público. Posso dizer que criar deve ser um exercício e aprendizado diário e que, sem dúvida, disciplina e dedicação são fundamentais para tanto.


4 – Como despertou em você a vocação de escrever para crianças?

Sabe que eu nunca havia pensado nisso? Acho que antes de imaginar que escrevi algo para outrem, ainda que para uma criança – e olha que adoro crianças, me rotulam de tiozão e, mais recentemente, de paizão etc (risos!) – o faço para mim mesmo, por puro prazer. Ou seja, me delicio, me divirto com minhas próprias histórias. E isso vale para os contos e para a LIJ, e não tem nada de anormal. Certa vez até perguntei a respeito para um amigo terapeuta: - É normal alguém se divertir com seus próprios textos? Ao que ele me respondeu: - Quando lança o seu próximo livro? E me deu aquele sorriso dando por encerrada a consulta. Acredito que a criança que existe dentro de mim se realiza ao ler e apreciar os textos (e como sou exigente comigo mesmo!), além de que, quando vejo olhinhos brilhantes postados sobre os meus livros... Ah, não existe sensação melhor do que vê-los felizes descobrindo algo novo, explorando o mundo, viajando nos nossos escritos... Não é verdade? Se bem me recordo, eu tinha uns 7 ou 8 anos quando registrei o meu primeiro escrito na velha Lettera de meu pai, brincando de ser escritor, em escritos que denunciavam a minha inocência.
Por fim, me resta deixar a cada um de vocês, em especial, o meu mais cordial abraço, desta terra de frevo, maracatu e muita literatura (textos e ilustrações) para o público infantil e juvenil. Até a próxima, tudo de muito, muito bom,Tonton (visitem o nosso blog http://lij-pe.blogspot.com)




Cléo Busatto

Respostas de Cléo Busatto:


1 – Quando conheço pessoas com sobrenome estrangeiro fico a imaginar que, de alguma maneira, traços culturais de seus ascendentes lhe foram transmitidos e que, influenciam o seu modo de ser e seu posicionamento diante do mundo. Isto aconteceu com você? E com a sua literatura?

O olhar que lanço para o mundo se fez mais por conta da minha busca pessoal, que por uma linhagem ancestral. Dela carrego com muito gosto, a predileção pela culinária italiana e por vinho... risos.
Agora, com certeza, nossos ascendentes sempre vão nos legar sua história e a gente transfere traços dessa herança para nossa criação, ainda que recriada pelo tom ficcional. Minha história origina histórias. Ela, resignificada ou não, sem dúvida é a base da minha produção literária.


2 – Como foi a Cléo leitora na infância? Como aquela menina se transformou na escritora de hoje?

Eu sou um modelo de como o ambiente-leitor afeta o sujeito. Nasci num vilarejo no interior de Santa Catarina. Minha família não era rica, mas me deixou um tesouro. Cresci numa casa leitora. Lá havia um móvel, que nos dias de hoje, muita casa de gente considerada culta, ainda não tem – um armário cheio de livros. Um não, dois. O primeiro, de madeira escura, ficava na sala de estar, onde estavam os livros mais importantes e o segundo, amarelo, continha o material pedagógico da minha mãe e mais livros, num cômodo que era um misto escritório atelier.
Nesses armários havia de tudo, de revista Seleção a enciclopédias. De clássicos como Os miseráveis, que li aos 8 anos, a fotonovelas Capricho, Grande Hotel e quadrinhos, Pato Donald, Mickey, Tio Patinhas, Luluzinha.
Quando pequena, eu via meu pai lendo Seleções, O Cruzeiro e livros “que não é pra você”. Depois que ele se aposentou, colocou abaixo a estante do meu irmão e leu grande parte do que havia lá. Meu irmão foi um grande leitor literário e responsável por parte da minha formação. Foi ele que me apresentou Clarice Lispector, Virginia Woolf, Margerite Yourcenar, Mário de Andrade, Joyce, Thomas Mann e por aí vai.
Minha mãe era professora e ensinava na escola multisseriada da vila. Ela foi (é) um espírito transdisciplinar, muito antes de esse conceito existir. À noite, a gente ia para o quarto do armário amarelo e criava. De lá saía casca de ovo pintado para a Páscoa; buque de noiva e guirlanda de primeira comunhão; material para as aulas, com direito a purpurina; colcha de crochê; livro velho encadernado e transformado em novo e por aí vai. Para mim era um parque de diversão, eu cortava, colava, dobrava, lia!
Durante o dia ia para escola com ela e logo estava lendo. Tinha três anos e meio. Ela descobriu essa habilidade, quando escreveu algo no quadro-negro e invés do seu aluno ler, eu li. Tempo depois, já com quatro e meio, fui visitar minha irmã mais velha, no colégio das freiras, onde ela estudava. Minha mãe contou à madre superiora que eu já lia. Essa mulher me levou a sala dos professores, onde havia estantes de madeira escura, do chão ao teto, repletos de livros. Tirou de lá um livro grosso, colocou-o em minhas mãos e disse leia. Lembro-me da sensação dessa cena, um misto de medo e timidez diante da autoridade.
Eu abri o livro e comecei a ler e enquanto lia me transportava para o cinamomo, que ficava atrás da janela da cozinha da minha casa. Eu subia pelos galhos grossos, atingia o topo, roubava a galinha de ouro e voltava a salvo para casa, a tempo de derrubar árvore e destruir o gigante e sua mulher. Lia a história de João e o pé de feijão.
Ainda que eu não soubesse, quando abri aquele livro, abri também a possibilidade de gerar a contadora de histórias, a escritora que agora lhes escreve. Não faz muito tempo que me dei conta da dimensão desse fato. Foi nesses movimentos, entre o mítico e o mágico, que me revelei criadora. E essa é a história da Cléo, de menina leitora à escritora.


3 – Dia desses uma amiga minha e mãe de um esperto garotinho de 9 anos me sugeriu escrever um livro para os pais que seria intitulado “Técnicas e métodos de respostas rápidas aos questionamentos dos pequenos - sem traumas”. Você já enfrentou situações que caberiam neste livro? Como a literatura infantil pode ser útil neste sentido?

Eu não vejo sentido utilitário para a literatura, muito menos com o texto para as crianças. Creio que o sentido de uma história, seja nos transportar para seu universo, para que possamos viver aquela vida por instantes e voltar enriquecido com a experiência do outro. É subir o cinamomo e descer mais potente.
Lembro que quando li Robson Crusoé, com meus sete, oito anos, foi como descobrir que eu também gostaria de desbravar novas terras, que eu também poderia me virar e ter ideias fantásticas para driblar as dificuldades. Robson Crusoé e suas aventuras me mostraram que eu também posso ser corajosa e sobreviver aos naufrágios que a vida me apresenta.


4 – E as clássicas perguntas para uma escritora. O que a inspira a escrever um texto infantil? Como se dá o seu processo de criação? Ah, e me fala daquele gato negro de olhos verdes bem acesos e piscantes no teu site que ficava me olhando o tempo todo... Quase que fiquei hipnotizado! Risos!

Pois é, aqui não tem regra. Qualquer coisa pode me inspirar para uma história. Já meu processo de criação se dá como um jorro. As ideias, as palavras e imagens ficam maturando dentro de mim, por um tempo que não sei precisar. É o tempo delas.
Chega uma hora, que vêm para fora e aí eu as registro. As recebo como quem recebe um presente. E vem uma história pronta. Depois é só trabalhar a linguagem. Foi assim com O Florista e a Gata. Ele surgiu durante a madrugada. Quando o dia nasceu, a história estava montada.
Por outro lado, escrevo diariamente. Registro em cadernos de 200 páginas tudo o que se passa comigo. Já são mais de trinta. É meu bom exercício, pratico o estilo, elaboro a linguagem e crio a memória da Cléo. Ela me é necessária. Quando preciso de um olhar mais apurado para o passado, eu vou lá, releio os sonhos, percebo como as coisas me tocaram, acompanho as transformações. Aqui, é a escrita provocando ressonâncias e redimensionando meu ser. Quanto ao gato, Tonton, esse é o Mel. Um gato delicioso, amoroso, macio. Era um filhotinho abandonado na Ilha do Mel e eu o adotei. Agora está lindo, parece uma daquelas esculturas egípcias. Virou meu mascote e inspirou a marca da Cléo.


Um cheiro carinhoso, Tonton

Obrigada por me ouvir, carinho, Cléo.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Pé de Meia Literário 17

PÉ DE MEIA LITERÁRIO (17)

O QUE CABE NO GOSTO PELA LEITURA


Há anos faço parte dessa turma que pensa a leitura na perspectiva do gosto e do prazer. Hábito é outra coisa e se inscreve na galeria das coisas mornas, repetitivas, sem sentidos novos.
Pensando assim, escrevi um roteiro, que apresentei em um seminário em João Pessoa, parte do integrante do Prazer em Ler, programa de incentivo à leitura implementado pelo Instituto de Educação C & A.
A ideia do roteiro, que segue abaixo, é mapear todas as significações que cabem dentro do “gosto” pela leitura.
Vamos lá.


1. Cabem os verbos: perguntar, responder, imaginar, inventar, voar, sonhar, abrir, pensar, informar, deduzir, inferir, relacionar, intertextualizar, conversar, dialogar buscar, anotar, registrar, opinar, argumentar, decidir, propor, narrar, rabiscar, mexer, programar, resumir, editar, codificar, decodificar, representar, escolher, compartilhar, seduzir...


2. Cabem as qualidades da palavra: porosidade, segurança, mediação, trajetória, liberdade, criatividade, imaginação, disponibilidade, repertório, gratuidade, pluralidade...


3. Cabe um acervo: plural, diverso, variado, renovado, disponível, organizado, representativo...


4. Cabe um espaço: adequado, arejado, de bom tamanho, ajustado ao seu objetivo, simpático, equipado, aconchegante, oferecido, nominado, bem localizado...


5. Cabe um mediador que:
-seja leitor
-queira se constituir como formador de leitores
-seja sujeito do seu processo pedagógico
-seja aberto a novas aprendizagens
-seja curioso, provocador
-seja crítico, paciente e impaciente
-seja criativo
-seja disponível ao diálogo


6. Cabem atividades rotineiras:
-organização do acervo
-disposição criativa do acervo
-apresentação de livros novos
-empréstimo
-leitura oral de textos
-rodas (de leitura, de crítica, de propaganda, etc...)
-varal de propaganda
-manutenção do mural (novos/eu li/eu gostei/recortes, etc)
-empréstimos para os pais e mães
-reposição de acervo
-orientação a pais/mães e professores/as
-registro da história do espaço

7. Cabem atividades de formatos inventados, criativos, diferentes, fora de rotina:
-feira de trocas
-saraus
-noite de terror
-tarde do avesso dos contos de fada
-pé de livros
-corredores
-um livro que mexeu com a minha cabeça
-entrevistas
-concursos e premiação
-visitas
-autor homenageado/estudado/lido.

Cabem, enfim, um outro tanto de idéias, propostas e significados que cada um de nós, que trabalhamos com a leitura da leitura, queira incluir.
E dessa forma, ampliar o nosso pé de meia literário.

Sampa, março de 2011
Edson Gabriel Garcia
(Educador e Escritor)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Quem conta um conto...

Meus amigos,

Uma jovem mãe, que costuma passear pelas lojas que vendem brinquedos nos shoppings paulistanos, contou-me a história abaixo. Pode ser que ela tenha aumentado um ou dois pontos, mas, achei interessante e resolvi repassá-la a vocês.
Um beijo,
Regina Sormani


De verdade!

O vendedor se esforçava para agradar o freguês que estava inseguro, ali, na sua frente. No balcão, uma montanha de brinquedos de todos os tipos. Confuso, o moço demonstrava que era sim, pai de primeira viagem. O que comprar? Será que sua filhinha iria apreciar o coelhinho de pelúcia? Ou seria melhor levar a boneca? Sim, era linda, mas...
Depois de algum tempo, o vendedor, já impaciente e disposto a vender a boneca de qualquer forma, lançou mão do seguinte argumento: a preciosa boneca era tal qual uma criança de verdade.
— Veja — ele demonstrava — esta boneca fala: ma-mãe! Tal qual uma criança de verdade. Além disso, ela mama toda a mamadeira, uma graça! Até parece de verdade.
Sua filha vai gostar de pentear a boneca, pois os cabelos são quase de verdade.
O rapaz, continuava em dúvida, ouvindo e sorrindo.
Para reforçar a argumentação, o vendedor resolveu dar a última cartada:
— O senhor não vai se arrepender se levar a boneca. Ela é tão semelhante a uma criança de verdade, que ao colocar sua cabecinha no travesseiro, a boneca fecha os olhinhos e já começa a ressonar, em sono profundo.
Imediatamente, o indeciso contestou:
— Essa não, meu amigo! Você, com certeza não é pai! Não sabe o que é uma criança de verdade...

quinta-feira, 24 de março de 2011

QUINTAS — 51

MENTIRAS



Quantas mentiras fazem uma vida? Quando eu era menino e corria de chuva, nem me lembro se as mentiras realmente eram, pois afinal, não tinha culpa de ser menino, e culpa era coisa de velhos. Não de idosos, entendem?

terça-feira, 22 de março de 2011

Mensagem

A etiqueta da amizade

No carnaval escrevi um livro infanto-juvenil sobre o bullying do consumismo. Foi minha amiga Elsa quem sugeriu. Psicóloga, ela trabalha com crianças e adolescentes e comentou o quanto sofrem pais e filhos atualmente com as tentações da mídia. O ser humano deixou de andar nu como os índios e passou a ser escravo de si mesmo, numa busca interminável pelo topo de uma imaginária montanha da felicidade vinculada ao status material. Se nós, adultos, nos deixamos sucumbir pela tentação, o que podem fazer as crianças? Considerando que os pequenos não entendem o mecanismo das campanhas publicitárias, como explicar?
Eles não sabem que o cantor preferido muitas vezes nem conhece a fábrica que produz o brinquedo que leva seu nome. Apresentadoras de TV sabem cantar e dançar, mas não sabem como se costura uma roupa ou monta-se um laptop. Precisamos passar às crianças a desvinculação da etiqueta do produto. Mostrar que elas podem usar um computador sem foto de artista, mas não podem usar a foto do artista sozinha. Podem vestir uma blusa se cortarem a etiqueta, mas não podem se vestir somente com etiquetas. No livro, conto o caso de uma bolsa que é feita pela tia de uma criança e custa quatro vezes mais quando ela entrega para a fábrica que só costura a etiqueta com a marca famosa.
Obviamente, temos a questão da qualidade, algumas marcas são vinculadas ao desenvolvimento tecnológico, design e qualidade do produto. Mas cada vez mais, essa realidade está mudando. A linha B das montadoras de eletrodomésticos, por exemplo, oferece o mesmo motor, o mesmo formato e só muda a porta ou painel e o preço cai consideravelmente. Tem sido grande a repercussão da campanha de uma cerveja popular por uma cantora que é extremamente “certinha”. Brincadeiras como “Ela é devassa, usa esmalte diferente nos pés e nas mãos” comprovam que o sucesso da campanha foi atingido. Falem mal, mas falem de mim. A cantora já havia dito que não bebe cerveja. Agora ela vende cerveja. Segundo ela, fez uma pesquisa e o produto é realmente bom. Claro, ninguém vai associar sua imagem a um produto péssimo. Mas, ninguém vai recusar um cachê milionário se o produto não for excelente. Assim, a concorrência é prejudicada. Quantos bons produtos não podem pagar um cachê desse nível?
Enquanto isso, os pais deixam a televisão de babá e não verificam o que o filho assiste. Alguns se sacrificam para dar um tênis que vai para o lixo antes de terminar de pagá-lo. Nas escolas, as crianças destilam o veneno próprio da infância. Quem assistiu ao filme “A Fita Branca”, vai se lembrar das crianças que mentiam, culpavam a outra quando eram pegas, chegavam a machucar os menores e houve até morte. Em outro filme recente, o menino mata a menina porque queria ficar com seu animalzinho de estimação. Claro que nem todas as crianças são assim cruéis, mas a verdade é que muitas não pensam duas vezes e praticam bullying.
Risadas e apelidos são comuns nas escolas. As crianças acreditam que precisam adquirir certos produtos para serem respeitadas. A necessidade de inferiorizar o outro é uma busca doentia por sentir-se especial. Essa cultura contemporânea de medir o que somos pelo que temos tem que ser reavaliada. Tem que começar em casa. Não adianta falar para o nosso filho não criticar o que os amigos usam, se nós reparamos e valorizamos com comentários do tipo: “Você viu o relógio dele”?”“ Você viu o carro dela?”Ou nos referimos a objetos pelas marcas em vez de usarmos substantivos. Criança escuta, incorpora e transfere.
Para nossos pequenos serem mais humanizados e menos materialistas, precisamos dar o exemplo. Cada um sabe de suas posses. Ter mais poder de consumo que o vizinho não significa ser melhor pessoa que ele. Os olhos precisam ser educados para enxergar o que realmente importa e que não tem etiqueta.
Como o vento e o perfume das flores.

Simone Pedersen

segunda-feira, 21 de março de 2011

PÁGINA DO ILUSTRADOR 19 - RUI DE OLIVEIRA


PÁGINA DO ILUSTRADOR 19 - RUI DE OLIVEIRA

Nesta edição, apresentamos quinze ilustrações de Rui de Oliveira escolhidas por ele, e um texto enviado para a página do ilustrador


Como vejo a arte de ilustrar

Gosto de ilustrar livros com conteúdos e propostas literárias bem diferentes umas da outras. Acredito que este seja o aspecto mais fascinante do ato de ilustrar, e, sem dúvida, o maior desafio para o ilustrador.

Em meu trabalho, sempre almejo que a interpretação que tenho do texto não seja a única. Procuro, sempre que possível, criar portas — verdadeiras passagens secretas para que as pessoas tenham as suas próprias e particulares visões. Preocupa-me, portanto, não condicionar em demasia o leitor.

Penso que o ato de criação de imagens se origina não diretamente na palavra, mas no entre- palavras. Daí vem minha preocupação em criar para cada texto uma imagem adequada, que muitas vezes está de acordo, ou não, com meus gostos pessoais, ou com a minha visão de arte. Por isto, não tenho nenhuma intenção em ser reconhecido de um livro para outro. Eu substituiria em meu trabalho a palavra estilo por método de abordagem. O texto é a origem de tudo. É impossível ilustrar sem gostar de literatura. É impossível ilustrar sem gostar de ler.

Trecho do texto que se encontra na íntegra no site e no blog.


A Bela e a Fera - Livro de imagem


A Bela e a Fera - Livro de imagem


A Formosa Princesa Magalona - Rui de Oliveira


A Tempestade - William Shakespeare


A Tempestade - William Shakespeare


Africa Eterna - Rui de Oliveira


Cartas Lunares - Rui de Oliveira


Fausto - Luis Antonio Aguiar


Max Emiliano - Livro de imagem


O Chapeuzinho Vermelho - Livro de imagem


Uma Historia de Amor sem Palavras - Livro de imagem


Tres Contos da Sabedoria Popular- Rogerio Andrade Barbosa


Sete Visoes da Emilia - Rui de Oliveira


Pena de Ganso - Nilma Lacerda


O Principe Triste - Rui de Oliveira e Lilia Schwarcz

pARA CONHECER MAIS DO TRABALHO DE rUI DE oLIVEIRA ACESSE:

www.ruideoliveira.com.br

ruideoliveira.blogspot.com