terça-feira, 17 de julho de 2012

Canto & Encanto da Poesia - Sonhos da menina -

Sonhos da menina

A flor com que a menina sonha está no sonho
ou na fronha?
Sonho risonho:
O vento sozinho
no seu carrinho.
De que tamanho seria o rebanho?
A vizinha apanha a sombrinha
de teia de aranha....
Na lua há um ninho de passarinho.
A lua com que a menina sonha
é o linho do sonho
ou a lua da fronha?


Cecília Meireles - (Ou isto ou aquilo - Nova Fronteira)





segunda-feira, 16 de julho de 2012

Férias! Que tal um passeio de trem?



Sugestão de um belo passeio de trem


Olá pessoal!

Recebi essa dica da associada da regional paulista da AEILIJ Simone Pedersen e estou compartilhando com vocês.
Um abraço,
Regina Sormani

O Expresso Turístico de Paranapiacaba vai completar dois anos de funcionamento. O serviço começou a funcionar em setembro de 2010 e é considerado um sucesso, pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e pelo  município. Para conseguir vaga, é necessário realizar agendamento com bastante antecedência.

A demanda é superior ao de outros trajetos do Expresso Turístico, que seguem para Jundiaí e Mogi das Cruzes.O Expresso sai em direção à Paranapiacaba, sempre aos domingos de manhã, às 8h30, partindo da Estação Luz, ou às 9h, saindo da Estação Prefeito Celso Daniel, em Santo André. No entanto, no segundo domingo de cada mês, não são realizadas viagem à vila. O percurso da capital paulista até Paranapiacaba tem 48 km e dura cerca de 1h30.
A composição é formada por locomotiva movida a diesel e dois carros reformados, com poltronas no lugar dos bancos comuns, funcionários caracterizados com trajes da época e capacidade para abrigar 172 passageiros. Durante o trajeto, um guia conta histórias das estações e de locais por onde o trem passa. As passagens (que dão direito a ida e volta) custam 32 reais (partindo da Luz) e 29 reais (com saída de Santo André).

“O impacto no turismo da vila foi totalmente positivo, pois a agenda do Expresso Turístico está sempre lotada e com agendamento mínimo de 60 dias, o que demonstra o grande sucesso do projeto, atraindo novo público para a região”, afirma o secretário de Gestão de Recursos Naturais de Paranapiacaba e Parque Andreense, Eduardo Sélio Mendes Junior. Estima-se que a vila receba cerca de 10 mil turistas por ano.

Investimentos
Alvo de reclamações de moradores e turistas, principalmente quanto à infraestrutura local, a promessa do poder público é fazer obras em Paranapiacaba nos próximos meses. Entre as intervenções previstas estão a construção de creche e de nova estação de tratamento de água, além da transposição da linha férrea, em parceria com a MRS Logística.

As obras de restauro do prédio da Sociedade Recreativa Lyra da Serra estão em andamento e devem ser concluídas até o final do ano. O local abrigou um dos primeiros cinemas do Brasil, onde também eram realizadas bailes, festas e outras comemorações.

Vila Inglesa guarda 152 anos de história
Paranapiacaba é considerada patrimônio histórico nacional. A estação de trem começou a ser construída em 1860 pela companhia inglesa São Paulo Railway. Para a realização das obras, foi necessária a construção de alojamentos provisórios destinados ao abrigo dos operários, os quais se instalaram ao longo do leito de implantação da linha férrea. A este lugar foi dado o nome de Alto da Serra e, a partir daí, a vila começou a se desenvolver.
Uma das principais atrações da vila inglesa é a Maria-Fumaça, terceira locomotiva mais antiga do Brasil e única ainda em operação no País, segundo a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária. Quem quiser conhecer mais sobre a história do transporte ferroviário no Brasil pode visitar o Museu Funicular, que abriga a segunda locomotiva mais antiga do País. A região também é opção para quem procura turismo de aventura e ecoturismo.



Postado por Regina Sormani às 13:52

sábado, 14 de julho de 2012

PÁGINA DO ROSPO — 9




A BENZEDEIRA E O DOUTOR


Rospo, veja! Erva Cidreira!
É mesmo! Brotando no cimento, na beira da calçada.
Isso faz pensar numa pergunta.
Viva!
Qual a diferença entre a benzedeira e o doutor?
Não direi que um é representante da cultura popular e o outro, da cultura acadêmica, científica. Embora, naturalmente, pudesse até ser uma resposta. Mas você quer alguma coisa além, eu a conheço, Sapabela.
Vá em frente, Rospo.
A benzedeira era uma sapa que conhecia o segredo das ervas, das plantas, das raízes...Ou seja, era alguém integrada com a natureza, em sintonia com a harmonia das folhas, com os mistérios da natureza... Vivia numa comunhão absoluta com as forças ancestrais das seivas da terra.
E o doutor?
É aquele que é dotado de um diploma acadêmico, e que exerce o seu conhecimento nos parâmetros científicos.
Ele rejeita a sabedoria popular dessas sapas?
Não exatamente. Não creio nisso. Veja que lá na creche havia um pé de dipirona próximo ao portão.
E o que tem isso a ver?
O doutor até sabe que o conhecimento popular não deve ser desprezado. Mas ele segue firme na sua sabedoria científica, e é nela que a Ciência avança, a medicina evolui.
Muito bem, mas tem uma coisa interessante, Rospo.
Diga, minha amiga.
Está no plano da oralidade, onde flui a comunicação de forma mais eficaz entre os sapos...
Avance.
Tanto a benzedeira quanto o doutor devem olhar em seu rosto e falar com você, se expressar.
Nem ela nem ele pode dar a sua receita sem ao menos dialogar. Não é possível supor que um ou o outro vá tratar de sua doença sem ao menos lhe dirigir a palavra. Acredito que o começo da cura está na palavra, nos olhos, e só depois no remédio receitado.
Sapabela, o que está exatamente querendo dizer?
Que tanto o doutor quanto a benzedeira acumulam e são detentores de um saber que o leigo não tem.
E então?
Tanto ela, a curandeira, quanto ele, o cientista, devem ser sempre solícitos. Devem olhar em seus olhos, e ofertar a palavra, edificar um diálogo...
Continue.
Não basta uma caneta e um papel para uma receita. A melhor receita começa no verbo, na alma aberta.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

QUINTAS — 67





O EQUILÍBRIO UNIVERSAL



Talvez comam tanta massa os italianos porque o país seja aquático. A natureza sobrevive pelo equilíbrio. Ele é o responsável pela “perseverança universal”. Todos os ingredientes de um organismo estão presentes na infinitude do universo.
O equilíbrio é a fonte inesgotável da sobrevivência. Isso se aplica aos relacionamentos. O respeito é o seu mediador. Não se abusa de uma amizade.
Também é aplicável ao planeta. Como o homem, a partir do XX, passou a interferir no equilíbrio planetário devastando verdes, promovendo queimadas, derramando óleo em esmeraldas, a reação já se faz notar, na confusão climática, no desgoverno da natureza...
A própria interferência no fator tempo, necessário ao bem humano, trouxe prejuízos sem retorno.
A pressa assumiu um vulto inesperado, o tempo tornou-se armadilha contra a paz individual, os coletivos caóticos metropolitanos perderam a sobriedade contemplativa. O homem cismou de enlouquecer Crono.
O hábito do relógio mecanizou-se. A tecnologia não conseguiu ainda resolver a necessidade inerente ao humano, de paz, mansidão e serenidade.
Insatisfeitos lazeres foram inventados como paliativos, ou sedativos para a dor da gregária vida em solidão.
Com o rompimento do equilíbrio e a interferência brusca no tempo, o ser ausentou-se, não mais está presente à mesa, e o sentido da busca afastou-se imperceptivelmente, dissolvendo-se no cotidiano dos fugazes quereres.
Presente à mesa significa reencontrar-se na conversa.
Ausente, o ser não se deu conta da decomposição da alma, e também não percebeu que a intransigência do tempo corrói a sua essência.
Sem saída, caiu nas garras assustadoras do “ter”.
Aceitou passivamente a sua “única condição”, a de consumidor, que lhe é ofertada como substituição da felicidade, como o ilusório que satisfaz. O acúmulo de bens materiais desvinculou-se do “necessário”.
Desprezando as leis universais e naturais de equilíbrio, presentes em seu próprio organismo e em sua própria alma, agiu em conformidade com os ditames industriais, que o levou à tecnologia do conforto inútil, ou seja, em plena avenida Paulista, solitário na multidão, pode receber uma foto em seu celular, mas a tecnologia não conseguiu trazer as soluções das suas necessidades básicas, entre as quais: desvincular-se da tirania do tempo, e restabelecer o olhar calmo como a lua no alto, como o salto do gafanhoto riscando o azul.
A tecnologia maravilhosa ainda não faz sentido na vida humana, tal como deveria, pois convive com a sua miséria e a falta de paz na alma, frutos do desequilíbrio presente em todos os “universos” da vida: o social, o natural, o político e o universal.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Quem Conta um Conto

Olá! Este mês, trazemos para o espaço descontraído do Quem Conta um Conto uma fábula.
Quem a escreveu foi a escritora da AEI-LIJ Paulista: Flávia Muniz.
A fábula, toda em rimas, conta a história de uma perua que... Bem, leia você mesmo e divirta-se!

O ESPELHO E A PERUA

A confusão começou
Certa vez, no galinheiro,
Quando as aves encontraram
Um espelho no terreiro.

Uma perua vaidosa
Logo quis contar vantagem:
– Com licença, galináceas,
Vim conferir minha imagem!

A pata, torcendo o bico,
Comentou com a vizinha:
– Não vale arrancar as penas
para ficar mais magrinha!

E qual não foi a surpresa
Das aves estabanadas.
O reflexo do espelho,
Só mostrava coisas erradas.

Quem era alta e bela,
Viu-se feiosa e baixinha.
Quem era gorda, mais forte,
Ficou magrela e fraquinha.

– Credo! – grasnou o marreco.
– Cruzes! – o pinto piou.
– Incrível! – cantou o galo.
E o papagaio berrou.

A galinha carijó
Logo e depressa falou:
– Esse espelho tem feitiço,
Foi a bruxa que o mandou!

– Mentira! – disse a perua,
Balançando as pulseiras.
Li esse conto de fadas,
Vocês só dizem besteiras!

Estufou-se, bem danada,
Mostrando o papo vermelho,
E, com pose de malvada,
Fez a pergunta ao espelho:

– Espelho, espelho meu!
Responda se há no mundo
Outra ave mais bonita,
Mais charmosa e elegante,
Mais esperta e fascinante,
Mais incrível e imponente,
Mais formosa do que eu?
Diga logo, espelho meu!!

Os bichos, impressionados,
Ouviram com atenção
A resposta do espelho
À tamanha pretensão:

– Se você quer a verdade
Vou dizê-la, nua e crua,
E mostrar a realidade
Para uma simples perua.

– Você disse que é esperta,
Imponente e charmosa
Mas parece antipática,
Falando assim, toda prosa.

Desfila o ano inteiro
Como se fosse a tal,
Mas foge do cozinheiro
Quando chega o Natal...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Conto que te conto


O MAQUINISTA E A FLOR GIGANTE


Tá vendo aquele homem que vai subindo, moço? Aquele de boné e paletó. Isso! Ele mesmo. Não tira o boné de jeito nenhum. Acho até que toma banho de chuveiro com boné e tudo.
É o boné de quando ele era ferroviário, antes de enlouquecer. Isso mesmo! É ele a quem chamam de “Velho Louco”. É que o senhor é novo aqui na cidade, não conhece as histórias. Mas essa eu conto.
Desde que ele se aposentou, veio morar aqui, em Paranapiacaba. Ninguém liga para ele. Fica o dia inteiro zanzando. Às vezes fica bravo se os moleques provocam. Sabe como é moleque, não é? Gosta de debochar, arrumar confusão. E vira e mexe estão atazanando o pobre.
Sim, ele era ferroviário. Fazia a linha Santos-Jundiaí. Era uma delícia, seu moço. Eu não, nunca viajei de trem nessa linha, mas o meu pai contava, sempre, na hora do almoço. Quando eu era bem menininho até me lembro que segurava a mão do meu pai na estação do Brás. Mas não lembro direito.
Por que ele enlouqueceu? Essa demência eu conto, moço. Ele era maquinista, já disse, no tempo da Maria Fumaça, e numa tarde subia a serra quando avistou a enorme flor azulada. A flor mais imensa do mundo. Pouca gente viu. E quando alguém conta ninguém acredita. Mas ele jura que viu, e até hoje repete essa história maluca.
Diz que a flor é uma menina que desapareceu lá no Saboó, sabe onde isso é? Em Santos. É um bairro pequeno, rodeado de morros. Tem lá um cemitério chamado Cemitério da Filosofia. Sei não, moço, nem tenho ideia. Tem que perguntar para aquela gente de lá, os antigos, eu acho. Só sei que é esse o nome do cemitério.
Essa menina, dizem, corria feliz naquele lugar, e um dia desapareceu. Foi o alvoroço nas mesas de bilhar. No porto só se falou nisso. Ficou assim um tempão. Só se falava nela. Então o maquinista viu a imensa flor azul na serra e enlouqueceu. É o que contam, moço.
Não sei contar mais. Minha mãe também sempre falava desse caso. A menina era muito querida por todos. Era assim naquele tempo, lá no Saboó. Toda criança era como se fosse filho de cada morador, por isso foi um sofrimento danado, nas docas, nos morros, no matadouro. E era uma época de carnaval. Mãe dizia, tenho não, ela morreu. Perdi minha mãe logo cedo. Então, ela dizia que os bailes de carnaval foram todos tristes. Não cabia mais tristeza nos confetes e nas serpentinas. Minha tia Elenice, que sempre que era fevereiro ficava o mês inteiro fantasiada, naquele ano até esqueceu da ilusão. Ninguém podia se conformar, moço. O povo de lá comeu o feijão preto mais melancólico do mundo. Nada fazia aquelas pessoas voltarem a sorrir.
Quando o ferroviário chegou contando a história da flor azul gigante, ninguém quis dar ouvidos. E foi naqueles dias que ele adquiriu o costume de falar sozinho. Diz que é isso que enlouquece.
Veja! Ele sumiu na poeira. Está já misturado naquela fumaça azulada do horizonte.
Acho que toda cidade tem o seu personagem, não é? Aqui é ele, o ferroviário aposentado, o homem louco que viu a flor gigante na serra.

MARCIANO VASQUES




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Olá, pessoal!!!

Conto que te conto, página criada por Marciano Vasques está aberta à participação de todos. Peço que me enviem contos curtos, de uma lauda. Obrigada.
Parabéns Marciano!

Bjs da Regina Sormani

sábado, 7 de julho de 2012

PÁGINA DO ROSPO — 8


A ARTE NÃO SE COMPRA



—Estou muito feliz por você ter aceito o meu convite, Sapabela. Faz tempo não vinha ao museu.
—Eu também estou feliz, Rospo. Recentemente, me pus a pensar no preço que pagam por telas clássicas...
—Curioso isso, Sapabela.
—O que tem de curioso? Quem tem dinheiro pode adornar a sua morada com coleções de arte...
—Isso não me parece simples, de imediato.
—Rospo, eu o conheço. Diga o que está pensando.
—A arte não tem preço.