quarta-feira, 18 de julho de 2012

MURAL 31 - JULHO DE 2012


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NÚMERO 31 - julho de 2012
O Mural é uma agenda cultural postada todo início de mês,
porém, editada ao longo do mês conforme os eventos surgem.
A agenda das bibliotecas é renovada semanalmente.
Amigo associado de qualquer cidade do Estado de São Paulo,
contribua...
aguardamos notícias dos eventos do interior.
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NOTICIAS DE ASSOCIADOS
Colega associado, de toda parte, se tiver uma noticia para nós,
por favor nos envie para que possamos divulgar.
Jamais se sinta desprezado;
sua noticia pode não estar aqui
porque não sabemos a respeito dela,
nos ajude. Obrigado
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“TINHA QUE SER COMIGO?”
NOVO LIVRO DE MANUEL FILHO

Júlia está enfrentando um grave problema na escola: ela é vítima de bullying. A situação chega ao limite quando as agressões de Valkíria e sua turma se espalham pela internet.
Durante o ano letivo ela sofrerá muitas provocações e, entre erros e acertos, irá trilhar caminhos bem perigosos. Nesta jornada, Júlia contará com o apoio de poucos amigos para superar essa difícil fase e recuperar a confiança em si mesma.

Trecho do livro:
San, copiei esses posts que escreveram abaixo de algumas montagens que fizeram com as minhas fotos.
Pegaram uma do meu rosto e colaram no corpo de uma mulher bem gorda presa num poço.
Numa foto do King Kong, aquela em que ele está no alto do edifício, colocaram a cabeça da Solange no lugar da dele e a minha na da mocinha.
E... a pior.
Pegaram uma porca que estava amamentando um monte de porquinhos e puseram minha cabeça no lugar da dela. Escreveram que eu estava alimentando os meus filhinhos.
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“A BALA PERDIDA E O VIOLINO”
NOVO LIVRO DE REGINA GULLA
EM BREVE, LANÇAMENTO.

Mas neste próximo dia 28 ela lança outro livro e convida a todos...


"Os NETOS estão na contagem regressiva para o dia 28, quando o DIÁRIO DE UM NETO será aberto e suas imagens reveladas, aqui na Livraria da Vila da Fradique Coutinho. As AVÓS e os AVÔS estão mais do que convidados, desde que levem sua Paciência Redonda junto. Tetravós, bisas, bisos, todo mundo, vamos lá FESTEJAR a FAMÍLIA ENCANTADA!"


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ROSANA RIOS NO PROGRAMA “TODO SEU"

Rosana Rios e Luis Flávio Fernandes estiveram no programa “Todo seu” , da TV Gazeta, apresentado por Ronie Von, para apresentar o livro “Enciclonerdia”, da Panda Books.


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“O VESTIDO FLORIDO NOS OLHOS DE APARECIDO”
NOVO LIVRO DE MARCO GODOY
“Chegando quentinho da gráfica mais um filhote, este em parceria com Jonas Ribeiro. Projeto nosso feito com muito carinho e colocado nesse mundão de meu Deus pela nossa queridíssima Cortez  Editora. Já nas livrarias e com lançamento oficial na Bienal Internacional do Livro de São Paulo”
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TEREZA YAMASHITA APRESENTA SEU NOVO BOOK TRAILER

Clique aqui

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RIO DE JANEIRO



FELIPE CAMPOS
“Oi Grupo! Bem, eu ilustrei um livro mês passado e agora estou correndo para fazer a divulgação. Gostaria de convidá-los para o evento que vai acontecer na Livraria da Travessa de Ipanema, Rua Visconde de Pirajá, 572. Será no domingo dia 22, às 16h.



WORKSHOP “CRIAR PARA CRIANÇA”

Workshop "CRIAR PARA CRIANÇA" com a artista plástica e designer Chris Mazzotta, em agosto no Rio de Janeiro. Associados AEILIJ tem 10% de desconto. 

Todas as informações AQUI
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TREVO DE LEITURAS 2012

O Trevo de Leituras é um ciclo promovido pela AEILIJ, com a publicação de um suplemento de resenhas produzidas pelos autores associados. São sempre três livros comentados por três diferentes autores.

Inicialmente hospedado no site Dobras da Leitura sob a coordenação de Rosana Rios, o Trevo é agora publicado diretamente no site da nossa Associação.

A nova coordenação é de Cristina Villaça e Naná Martins.

Conheça aqui os quatro trevos que já tivemos este ano
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ENTRE NO CLIMA DA BIENAL DE SÃO PAULO 2012 AGORA
“A INCRÍVEL MÁQUINA DE LIVROS” NA PRAÇA DA REPÚBLICA

Entre os dias 23 e 29 de julho, das 9 às 16h, a Câmara Brasileira do Livro comandará na Praça da República a "Incrível Máquina de Livros", uma ação alegre e inovadora para estimular a leitura entre crianças, adolescentes, jovens e adultos.

Acionada por uma alavanca, essa colorida “máquina” de livros, ejetará obras literárias em troca da doação de outras em perfeito estado de conservação.

Na “Incrível Máquina de Livros”, o primeiro passo é a retirada de uma senha. Ao depositar uma obra, você receberá um sinal de reconhecimento. Após essa confirmação, será emitido um som pelo maquinário, simulando a “fabricação” do novo livro. Basta retirá-lo no local indicado, levar para casa e curtir a leitura.

Ação: “A Incrível Máquina de Livros”
Local: Praça da República (em frente à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo)
Período: 23 a 29 de julho
Horário: das 9 às 16h – com retirada de senha até às 15h (no local)

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POR FALAR EM BIENAL

Já está sendo feito o credenciamento para profissionais do livro, clique aqui
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PROGRAMAÇÃO DAS BIBLIOTECAS DE SÃO PAULO

Clique aqui para ver o pdf

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EDITAL DE CHAMAMENTO PARA RESENHADORES

Até dia 20

Aqui, edital. 
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SARAUS NAS BIBLIOTECAS
Sarau da Brasa
Biblioteca Affonso Schmidt
Dia 21 de julho às14h

Sarau Elo da Corrente
Biblioteca Brito Broca*
Dia 26 de julho às 19h
Participação especial do Coletivo Parabelo.

Sarau do Binho
Biblioteca Marcos Rey
Dia 28 de julho às 13h

Sarau Encontro de Utopias
Biblioteca Adelpha Figueiredo
Dia 28 de julho às 14h

Sarau da Vila Fundão
Biblioteca Helena Silveira
Dia 31 de julho às 14h
Performance: Morro
A Performance/Instalação é um convite à discussão dos paradoxos imanentes às habitações improvisadas nos morros brasileiros conhecidas como favelas. Através da tensão entre informação e experiência, Morro procura borrar as fronteiras entre artista, obra e espectador. 60 min.
Biblioteca Brito Broca
Dia 28 de julho às 16h

Sarau do Ricardo ao Assumpção
Levando o nome de dois poetas brasileiros, Cassiano Ricardo e Itamar Assumpção, o sarau tem como objetivo abrir o espaço da Biblioteca para torná-la mais agradável ao leitor. Os participantes serão convidados a escolher poemas, crônicas e outros textos para recitar ou ler. Haverá também apresentações musicais e performances. As obras deste mês serão de Carlos Drummond de Andrade e Elis Regina
Biblioteca Cassiano Ricardo
Dia 26 de julho às 14h

Sarau líteromusical da Zona Norte
Org: Tereza Rocha
Sarau comemorativo ao aniversário do Bairro de Santana. Espaço onde as pessoas se reúnem para se expressarem ou se manifestarem artisticamente – dança, música, teatro, poesia e leitura de textos. Os escritores homenageados do mês são Francisca Julia, Paulo Gonçalves e Alfonso Guimaraes. Livre.
Biblioteca Nuto Sant’anna
Dia 27 de julho às 14h
Sarau sertanejo
Organização: Paula Dundee e apresentação de Guarani.
Todo último sábado do mês, grupos de viola caipira e cantoria se encontram no tradicional sarau sertanejo da Belmonte. O público canta, faz poesia matuta, propõe músicas e interage com os cantores e apresentadores.
Biblioteca Belmonte
Dia 28 de julho às 15h
Sarau Fantástico – Fantasias urbanas: as cidades na literatura fantástica
Org: Silvio Alexandre, criador do Fantasticon.
Um espaço para discussão sobre a produção do fantástico brasileiro. A iniciativa pretende enriquecer o debate e incentivar o estudo sobre este gênero. Influenciado agora por outros gêneros que vão do policial ao terror, a fantasia é um território onde não há limites para a imaginação. "Fantasias Urbanas" é uma visita guiada pelo organizador Eric Novello a mundos fantásticos muito diferentes entre si, mas com um ponto em comum: a união entre entretenimento e qualidade. Nove autores irão levá-lo por esse passeio: Ana Cristina Rodrigues, Antonio Luiz M. C. Costa, Carlos Orsi, Douglas MCT, Erick Santos Cardoso, José Roberto Vieira, Rafael Lima, Rober Pinheiro e Tiago Toy.
Biblioteca Viriato Corrêa
Dia 28 de julho às 17h30


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terça-feira, 17 de julho de 2012

Canto & Encanto da Poesia - Sonhos da menina -

Sonhos da menina

A flor com que a menina sonha está no sonho
ou na fronha?
Sonho risonho:
O vento sozinho
no seu carrinho.
De que tamanho seria o rebanho?
A vizinha apanha a sombrinha
de teia de aranha....
Na lua há um ninho de passarinho.
A lua com que a menina sonha
é o linho do sonho
ou a lua da fronha?


Cecília Meireles - (Ou isto ou aquilo - Nova Fronteira)





segunda-feira, 16 de julho de 2012

Férias! Que tal um passeio de trem?



Sugestão de um belo passeio de trem


Olá pessoal!

Recebi essa dica da associada da regional paulista da AEILIJ Simone Pedersen e estou compartilhando com vocês.
Um abraço,
Regina Sormani

O Expresso Turístico de Paranapiacaba vai completar dois anos de funcionamento. O serviço começou a funcionar em setembro de 2010 e é considerado um sucesso, pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e pelo  município. Para conseguir vaga, é necessário realizar agendamento com bastante antecedência.

A demanda é superior ao de outros trajetos do Expresso Turístico, que seguem para Jundiaí e Mogi das Cruzes.O Expresso sai em direção à Paranapiacaba, sempre aos domingos de manhã, às 8h30, partindo da Estação Luz, ou às 9h, saindo da Estação Prefeito Celso Daniel, em Santo André. No entanto, no segundo domingo de cada mês, não são realizadas viagem à vila. O percurso da capital paulista até Paranapiacaba tem 48 km e dura cerca de 1h30.
A composição é formada por locomotiva movida a diesel e dois carros reformados, com poltronas no lugar dos bancos comuns, funcionários caracterizados com trajes da época e capacidade para abrigar 172 passageiros. Durante o trajeto, um guia conta histórias das estações e de locais por onde o trem passa. As passagens (que dão direito a ida e volta) custam 32 reais (partindo da Luz) e 29 reais (com saída de Santo André).

“O impacto no turismo da vila foi totalmente positivo, pois a agenda do Expresso Turístico está sempre lotada e com agendamento mínimo de 60 dias, o que demonstra o grande sucesso do projeto, atraindo novo público para a região”, afirma o secretário de Gestão de Recursos Naturais de Paranapiacaba e Parque Andreense, Eduardo Sélio Mendes Junior. Estima-se que a vila receba cerca de 10 mil turistas por ano.

Investimentos
Alvo de reclamações de moradores e turistas, principalmente quanto à infraestrutura local, a promessa do poder público é fazer obras em Paranapiacaba nos próximos meses. Entre as intervenções previstas estão a construção de creche e de nova estação de tratamento de água, além da transposição da linha férrea, em parceria com a MRS Logística.

As obras de restauro do prédio da Sociedade Recreativa Lyra da Serra estão em andamento e devem ser concluídas até o final do ano. O local abrigou um dos primeiros cinemas do Brasil, onde também eram realizadas bailes, festas e outras comemorações.

Vila Inglesa guarda 152 anos de história
Paranapiacaba é considerada patrimônio histórico nacional. A estação de trem começou a ser construída em 1860 pela companhia inglesa São Paulo Railway. Para a realização das obras, foi necessária a construção de alojamentos provisórios destinados ao abrigo dos operários, os quais se instalaram ao longo do leito de implantação da linha férrea. A este lugar foi dado o nome de Alto da Serra e, a partir daí, a vila começou a se desenvolver.
Uma das principais atrações da vila inglesa é a Maria-Fumaça, terceira locomotiva mais antiga do Brasil e única ainda em operação no País, segundo a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária. Quem quiser conhecer mais sobre a história do transporte ferroviário no Brasil pode visitar o Museu Funicular, que abriga a segunda locomotiva mais antiga do País. A região também é opção para quem procura turismo de aventura e ecoturismo.



Postado por Regina Sormani às 13:52

sábado, 14 de julho de 2012

PÁGINA DO ROSPO — 9




A BENZEDEIRA E O DOUTOR


Rospo, veja! Erva Cidreira!
É mesmo! Brotando no cimento, na beira da calçada.
Isso faz pensar numa pergunta.
Viva!
Qual a diferença entre a benzedeira e o doutor?
Não direi que um é representante da cultura popular e o outro, da cultura acadêmica, científica. Embora, naturalmente, pudesse até ser uma resposta. Mas você quer alguma coisa além, eu a conheço, Sapabela.
Vá em frente, Rospo.
A benzedeira era uma sapa que conhecia o segredo das ervas, das plantas, das raízes...Ou seja, era alguém integrada com a natureza, em sintonia com a harmonia das folhas, com os mistérios da natureza... Vivia numa comunhão absoluta com as forças ancestrais das seivas da terra.
E o doutor?
É aquele que é dotado de um diploma acadêmico, e que exerce o seu conhecimento nos parâmetros científicos.
Ele rejeita a sabedoria popular dessas sapas?
Não exatamente. Não creio nisso. Veja que lá na creche havia um pé de dipirona próximo ao portão.
E o que tem isso a ver?
O doutor até sabe que o conhecimento popular não deve ser desprezado. Mas ele segue firme na sua sabedoria científica, e é nela que a Ciência avança, a medicina evolui.
Muito bem, mas tem uma coisa interessante, Rospo.
Diga, minha amiga.
Está no plano da oralidade, onde flui a comunicação de forma mais eficaz entre os sapos...
Avance.
Tanto a benzedeira quanto o doutor devem olhar em seu rosto e falar com você, se expressar.
Nem ela nem ele pode dar a sua receita sem ao menos dialogar. Não é possível supor que um ou o outro vá tratar de sua doença sem ao menos lhe dirigir a palavra. Acredito que o começo da cura está na palavra, nos olhos, e só depois no remédio receitado.
Sapabela, o que está exatamente querendo dizer?
Que tanto o doutor quanto a benzedeira acumulam e são detentores de um saber que o leigo não tem.
E então?
Tanto ela, a curandeira, quanto ele, o cientista, devem ser sempre solícitos. Devem olhar em seus olhos, e ofertar a palavra, edificar um diálogo...
Continue.
Não basta uma caneta e um papel para uma receita. A melhor receita começa no verbo, na alma aberta.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

QUINTAS — 67





O EQUILÍBRIO UNIVERSAL



Talvez comam tanta massa os italianos porque o país seja aquático. A natureza sobrevive pelo equilíbrio. Ele é o responsável pela “perseverança universal”. Todos os ingredientes de um organismo estão presentes na infinitude do universo.
O equilíbrio é a fonte inesgotável da sobrevivência. Isso se aplica aos relacionamentos. O respeito é o seu mediador. Não se abusa de uma amizade.
Também é aplicável ao planeta. Como o homem, a partir do XX, passou a interferir no equilíbrio planetário devastando verdes, promovendo queimadas, derramando óleo em esmeraldas, a reação já se faz notar, na confusão climática, no desgoverno da natureza...
A própria interferência no fator tempo, necessário ao bem humano, trouxe prejuízos sem retorno.
A pressa assumiu um vulto inesperado, o tempo tornou-se armadilha contra a paz individual, os coletivos caóticos metropolitanos perderam a sobriedade contemplativa. O homem cismou de enlouquecer Crono.
O hábito do relógio mecanizou-se. A tecnologia não conseguiu ainda resolver a necessidade inerente ao humano, de paz, mansidão e serenidade.
Insatisfeitos lazeres foram inventados como paliativos, ou sedativos para a dor da gregária vida em solidão.
Com o rompimento do equilíbrio e a interferência brusca no tempo, o ser ausentou-se, não mais está presente à mesa, e o sentido da busca afastou-se imperceptivelmente, dissolvendo-se no cotidiano dos fugazes quereres.
Presente à mesa significa reencontrar-se na conversa.
Ausente, o ser não se deu conta da decomposição da alma, e também não percebeu que a intransigência do tempo corrói a sua essência.
Sem saída, caiu nas garras assustadoras do “ter”.
Aceitou passivamente a sua “única condição”, a de consumidor, que lhe é ofertada como substituição da felicidade, como o ilusório que satisfaz. O acúmulo de bens materiais desvinculou-se do “necessário”.
Desprezando as leis universais e naturais de equilíbrio, presentes em seu próprio organismo e em sua própria alma, agiu em conformidade com os ditames industriais, que o levou à tecnologia do conforto inútil, ou seja, em plena avenida Paulista, solitário na multidão, pode receber uma foto em seu celular, mas a tecnologia não conseguiu trazer as soluções das suas necessidades básicas, entre as quais: desvincular-se da tirania do tempo, e restabelecer o olhar calmo como a lua no alto, como o salto do gafanhoto riscando o azul.
A tecnologia maravilhosa ainda não faz sentido na vida humana, tal como deveria, pois convive com a sua miséria e a falta de paz na alma, frutos do desequilíbrio presente em todos os “universos” da vida: o social, o natural, o político e o universal.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Quem Conta um Conto

Olá! Este mês, trazemos para o espaço descontraído do Quem Conta um Conto uma fábula.
Quem a escreveu foi a escritora da AEI-LIJ Paulista: Flávia Muniz.
A fábula, toda em rimas, conta a história de uma perua que... Bem, leia você mesmo e divirta-se!

O ESPELHO E A PERUA

A confusão começou
Certa vez, no galinheiro,
Quando as aves encontraram
Um espelho no terreiro.

Uma perua vaidosa
Logo quis contar vantagem:
– Com licença, galináceas,
Vim conferir minha imagem!

A pata, torcendo o bico,
Comentou com a vizinha:
– Não vale arrancar as penas
para ficar mais magrinha!

E qual não foi a surpresa
Das aves estabanadas.
O reflexo do espelho,
Só mostrava coisas erradas.

Quem era alta e bela,
Viu-se feiosa e baixinha.
Quem era gorda, mais forte,
Ficou magrela e fraquinha.

– Credo! – grasnou o marreco.
– Cruzes! – o pinto piou.
– Incrível! – cantou o galo.
E o papagaio berrou.

A galinha carijó
Logo e depressa falou:
– Esse espelho tem feitiço,
Foi a bruxa que o mandou!

– Mentira! – disse a perua,
Balançando as pulseiras.
Li esse conto de fadas,
Vocês só dizem besteiras!

Estufou-se, bem danada,
Mostrando o papo vermelho,
E, com pose de malvada,
Fez a pergunta ao espelho:

– Espelho, espelho meu!
Responda se há no mundo
Outra ave mais bonita,
Mais charmosa e elegante,
Mais esperta e fascinante,
Mais incrível e imponente,
Mais formosa do que eu?
Diga logo, espelho meu!!

Os bichos, impressionados,
Ouviram com atenção
A resposta do espelho
À tamanha pretensão:

– Se você quer a verdade
Vou dizê-la, nua e crua,
E mostrar a realidade
Para uma simples perua.

– Você disse que é esperta,
Imponente e charmosa
Mas parece antipática,
Falando assim, toda prosa.

Desfila o ano inteiro
Como se fosse a tal,
Mas foge do cozinheiro
Quando chega o Natal...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Conto que te conto


O MAQUINISTA E A FLOR GIGANTE


Tá vendo aquele homem que vai subindo, moço? Aquele de boné e paletó. Isso! Ele mesmo. Não tira o boné de jeito nenhum. Acho até que toma banho de chuveiro com boné e tudo.
É o boné de quando ele era ferroviário, antes de enlouquecer. Isso mesmo! É ele a quem chamam de “Velho Louco”. É que o senhor é novo aqui na cidade, não conhece as histórias. Mas essa eu conto.
Desde que ele se aposentou, veio morar aqui, em Paranapiacaba. Ninguém liga para ele. Fica o dia inteiro zanzando. Às vezes fica bravo se os moleques provocam. Sabe como é moleque, não é? Gosta de debochar, arrumar confusão. E vira e mexe estão atazanando o pobre.
Sim, ele era ferroviário. Fazia a linha Santos-Jundiaí. Era uma delícia, seu moço. Eu não, nunca viajei de trem nessa linha, mas o meu pai contava, sempre, na hora do almoço. Quando eu era bem menininho até me lembro que segurava a mão do meu pai na estação do Brás. Mas não lembro direito.
Por que ele enlouqueceu? Essa demência eu conto, moço. Ele era maquinista, já disse, no tempo da Maria Fumaça, e numa tarde subia a serra quando avistou a enorme flor azulada. A flor mais imensa do mundo. Pouca gente viu. E quando alguém conta ninguém acredita. Mas ele jura que viu, e até hoje repete essa história maluca.
Diz que a flor é uma menina que desapareceu lá no Saboó, sabe onde isso é? Em Santos. É um bairro pequeno, rodeado de morros. Tem lá um cemitério chamado Cemitério da Filosofia. Sei não, moço, nem tenho ideia. Tem que perguntar para aquela gente de lá, os antigos, eu acho. Só sei que é esse o nome do cemitério.
Essa menina, dizem, corria feliz naquele lugar, e um dia desapareceu. Foi o alvoroço nas mesas de bilhar. No porto só se falou nisso. Ficou assim um tempão. Só se falava nela. Então o maquinista viu a imensa flor azul na serra e enlouqueceu. É o que contam, moço.
Não sei contar mais. Minha mãe também sempre falava desse caso. A menina era muito querida por todos. Era assim naquele tempo, lá no Saboó. Toda criança era como se fosse filho de cada morador, por isso foi um sofrimento danado, nas docas, nos morros, no matadouro. E era uma época de carnaval. Mãe dizia, tenho não, ela morreu. Perdi minha mãe logo cedo. Então, ela dizia que os bailes de carnaval foram todos tristes. Não cabia mais tristeza nos confetes e nas serpentinas. Minha tia Elenice, que sempre que era fevereiro ficava o mês inteiro fantasiada, naquele ano até esqueceu da ilusão. Ninguém podia se conformar, moço. O povo de lá comeu o feijão preto mais melancólico do mundo. Nada fazia aquelas pessoas voltarem a sorrir.
Quando o ferroviário chegou contando a história da flor azul gigante, ninguém quis dar ouvidos. E foi naqueles dias que ele adquiriu o costume de falar sozinho. Diz que é isso que enlouquece.
Veja! Ele sumiu na poeira. Está já misturado naquela fumaça azulada do horizonte.
Acho que toda cidade tem o seu personagem, não é? Aqui é ele, o ferroviário aposentado, o homem louco que viu a flor gigante na serra.

MARCIANO VASQUES




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Olá, pessoal!!!

Conto que te conto, página criada por Marciano Vasques está aberta à participação de todos. Peço que me enviem contos curtos, de uma lauda. Obrigada.
Parabéns Marciano!

Bjs da Regina Sormani