domingo, 28 de outubro de 2012

A história de Heitor


Capítulo VII

Heitor permaneceu por ali, isolado, sem saber para onde ir. Esperava que um dos lobos aparecesse; algumas vezes subiu e caminhou um pouco pelo solo seco e cheio de fuligem, mas não havia direção a escolher; não sabia o que fazer. Impossível coletar e caçar, encontrar qualquer vestígio de alimento. Ele até raspou a terra, como se pudesse descobrir num buraco a entrada de alguns insetos e roedores, mas logo desistiu. Nem mesmo Samantha havia voltado para a sua árvore. 
Na margem oposta, o barranco era muito alto e ele não encontrava um meio de subir. Enxergava apenas a parede de saibro sulcado e ressecado e algumas hastes da vegetação. O que seria aquilo? Depois de dois dias sem que aparecesse nenhuma ave, ele já esgotara o que havia de alimento nas águas rasas. Deve ter sido o instinto que o levou a descer o rio, como se o escorrer constante da água apontasse a direção a seguir. O fato é que ele começou a caminhar. E caminhou quase um dia inteiro até que finalmente encontrou passagem para o outro lado... 
Ali, nada se parecia com o território que fora o lar de Heitor nas primeiras luas de sua vida. Até onde a vista alcançava, as plantas eram todas iguais, enfileiradas, trilhas que em nada se pareciam com as que ele percorrera com Mercúrio naquelas aventuras na busca por alimento. Havia uma passagem larga e longa – trilha de animais grandes – pensou Heitor. De um lado cresciam plantas parecidas com o capim da savana, de uma cor dourada, com hastes carregadas de sementes. Aquilo não lhe pareceu comida. Do outro, havia uma porção de árvores secas, sem folhas, ligadas por cipós muito ásperos, cheios de espinhos, que cresciam retos e esticados. 
Além delas, havia uma porção de pequenos arbustos, com folhas de um verde brilhante e frutinhas vermelhas. Também não pareciam comida, mas o lugar era fresco, a terra cheirava bem e parecia abrigar algumas criaturas interessantes para um lobo; o seu olfato acusava a existência de pequenas presas que fugiam para o céu ou que se arrastavam pelo solo. 
Por outras tantas luas, Heitor viveu naquele espaço, onde havia alimento e onde podia encontrar abrigo e água por perto. Ele bem que sentia falta dos vegetais e das frutas que se habituara a comer com Lorena, mas era um sobrevivente. A vida solitária, comum aos lobos-guarás, começara um pouco mais cedo por causa da queimada, mas ele estava preparado; era quase um adulto. Aos poucos foi se habituando ao novo território. Era muito diferente, aquele lado do rio, mas Heitor começou a percorrer distâncias mais longas e a dominar o espaço, como se fosse território seu, deixando aqui e ali as marcas que fazem os lobos para definir os limites. Começou as coletas à tarde e à noite, raramente durante o dia, mas continuava sentindo falta de coisas que encontrava na vasta variedade do antigo lar. 
Estava quase amanhecendo; o lobo dormira sossegado num monte de capim acumulado ao pé de um arbusto da pequena mata. Ele percebeu sinais estranhos do outro lado do aceiro, no campo das plantas douradas. Perto de onde estava, havia uma pedra grande; ele subiu e se manteve alerta; espreitou à sua volta e ficou à espera do que viria. Suas orelhas viravam, suas narinas tremiam, pois alguma coisa se aproximava, vagarosamente, mais e mais. Antes que Heitor tivesse tempo de fugir, um animal enorme apareceu diante dele, não muito longe da pedra. A cor do seu pelo era bem igual aos campos onde estava, mas ele tinha umas manchas escuras - muitas manchas pretas, muito grudadas e muito parecidas, que não podiam ser causadas pela fuligem do solo queimado do outro lado do rio. 
Acostumado a ser protegido dos perigos pela presença da loba que o criara, ele não tinha noção do que poderia acontecer; ele ficou paralisado por alguns instantes. A suçuarana passou a certa distância dele, com seus passos de felino, mal tocando o solo com as patas almofadadas, mirou-o e foi embora na direção do rio. Ela havia respeitado Heitor– ele ainda não o sabia – um lobo adulto. Heitor ainda cruzou com a suçuarana outras vezes, passando com uma presa entre os dentes. Sentindo-se mais confiante, ele decidiu vasculhar o outro lado do rio, saindo durante o dia, o que não era mais seu costume. Não avançou muito para o interior da terra queimada; foi percorrendo o trecho mais perto da margem. 
Ainda não chegara a estação das chuvas e qualquer movimento levantava uma poeira negra. No meio da manhã, perto de um velho cupinzeiro salvo do fogo, deu de cara com um animal estranho, enfiando a língua comprida pelos furos de respiração. Era cinzento, com um focinho comprido de um lado e uma cauda comprida de outro; a única diferença entre o focinho e a cauda – analisou – é que a cauda tinha pelos bem mais compridos. Finalmente decidiu aproximar-se e levou um susto enorme.
– Olá! – saudou o estranho – Meu nome é Tinoco e o seu?
– Heitor – respondeu.
– Rá, rá, rá – começou a rir o tamanduá – e continuou rindo muito.
– Dobrado desse jeito ele parece um tatu-bola – pensou Heitor.
– De onde saiu um nome desses? – perguntou – Isto aqui é o cerrado! Rá, rá, rá! 
E continuou a rir, enquanto algumas formigas aproveitavam para pular fora de sua língua pegajosa. A surpresa de Heitor era tão grande que ele demorou a responder; depois de tanto tempo isolado, encontrava uma companhia. Não uma ameaça, não uma criatura indiferente... Muito pelo contrário! Tinoco parecia animado e amigável. Ele já era um lobo adulto, mas muito jovem ainda e adorou aquilo; encontrar um possível companheiro de aventuras.
– Minha mãe que escolheu – foi o que disse um pouco envergonhado.
– Gosto estranho tem sua mãe, mas falaremos sobre isso depois. O que faz por aqui e por que está sozinho?
– Vê tudo isso queimado? Eu vivia deste lado do rio, um pouco mais acima. Quando o fogo tomou conta de tudo, na hora da fuga, enfrentei uma enorme sucuri e pulei para o rio, mas meus irmãos ficaram com medo, foram para outro lado. Lorena foi atrás deles. Depois que o perigo passou, procurei por eles, mas não os encontrei. Nunca mais vou achá-los – comentou. 
Tinoco começou a rir novamente e Heitor ficou tão sem graça que mudou de direção e começou a se afastar.
– Lorena contava que veio de muito longe.
Já ia embora, com o rabo entre as pernas, mas virou a cabeça e repetiu:
– De um território distante...
– Espere, rapaz, não me leve a mal. É que nunca ouvi esses nomes por aqui. E onde vive agora? – perguntou.
– Na mata do outro lado do rio, mais acima. É um lugar estranho,sinto falta do lugar onde nasci, mas ali encontro comida e um bom lugar para dormir.
– Heitor, meu jovem, tome cuidado. Há muitos perigos neste lugar e cada vez mais perto de nós. De onde você acha que veio esse fogo?
E fez um sinal para que o lobo se aproximasse. Virou-se na direção das orelhas de suas orelhas e soprou pelo focinho estreito, bem baixinho:
– Dos humanos, garoto.
– O que são humanos? – perguntou – pois a separação da mãe havia acontecido um pouco antes da hora e Lorena nunca o alertara para esse perigo.
– Você vai conhecê-los uma hora qualquer e saberá como são. É melhor não confiar neles.
Começou a chover sem nenhum aviso. Os pingos muito grossos da chuva forte faziam barulho ao cair na terra ressecada, espirrando a fuligem negra. Os dois ficaram ali recebendo a chuva com alívio, na esperança de que logo brotassem da terra as plantas que serviam de alimento e embelezavam o cerrado. Foi uma chuva forte, mas rápida. Despediram-se logo que parou.
– Estou sempre por aqui, apareça quando quiser companhia – disse Tinoco – Gostei de você, garoto!
Heitor retomou o caminho de volta, abanando o rabo. Andou um pouco, depois olhou para trás, balançou a cabeça e disse:
– Também gostei de você, Tinoco.


Nilza Azzi é escritora associada da AEILIJ regional SP

sábado, 20 de outubro de 2012

O Autor e sua Obra- Autora homenageada -

Olá, pessoal!

A AEILIJ regional SP, vai homenagear, em 2012,  a escritora e ilustradora Eva Furnari.
Parabéns à autora, merecedora dessa justa homenagem e aos associados, pela escolha.
Um abraço,
Regina Sormani




Eva Furnari

- Biografia -


Eva Furnari nasceu em Roma, Itália em 1948. Veio para o Brasil aos dois anos de idade e reside em São Paulo até hoje.
Em 1976, formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo. Foi professora de artes no Museu Lasar Segall de 74 a 79, colaborou, na década de 80, como desenhista em diversas revistas recebendo o Prêmio Abril de Ilustração em 1987. Publicou semanalmente, por quatro anos, histórias da Bruxinha no suplemento infantil do jornal, Folha de São Paulo. Começou sua carreira de escritora e ilustradora de livros infantis e juvenis em 1980, com livros de imagem e publicou 60 livros.
Seus livros já foram publicados no México, Equador, Guatemala, Bolívia e Itália. Participou da feira Internacional de Ilustradores de Bratislava em 95 e participou de Exposições de Ilustradores Brasileiros promovidas pela FNLIJ, em Bolonha. Participou da Honour List do IBBY - International Board on Book for Young People - Orgão consultivo da Unesco para o livro infantil - com o livro Feitiço do Sapo da Editora Ática em 96. Alguns de seus livros foram adaptados para o teatro: Lolo Barnabé,Pandolfo Bereba, Abaixo das Canelas, Cocô de Passarinho, A Bruxa Zelda e os 80 docinhos, A Bruxinha Atrapalhada, Cacoete e Truks, sendo que esta última recebeu o prêmio Mambembe em 94. 
Ao longo de sua carreira, Eva Furnari recebeu diversos prêmios. Entre eles, o Prêmio Jabuti de Melhor Ilustração pela CBL (Câmara Brasileira do Livro) pelos livros; Truks (1991), A Bruxa Zelda e os 80 Docinhos (1996), Anjinho (1998), Circo da Lua (2004), Cacoete (2006) e Felpo Filva (2007), este pelo texto e ilustração. Foi premiada por nove vezes pela FNLIJ (Fundação do Livro Infantil e Juvenil) e recebeu Prêmio APCA pelo conjunto da obra. Foi vencedora do concurso promovido em 2000 pela Rede Globo de Televisão para a caracterização dos personagens do Sítio do Pica Pau Amarelo.


Fonte: http://www.bibliotecaevafurnari.com.br/biografia.php

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

MURAL 33 - Outubro de 2012

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NÚMERO 33 - Outubro de 2012
O Mural é uma agenda cultural postada todo início de mês,
porém, editada ao longo do mês conforme os eventos surgem.
A agenda das bibliotecas é renovada semanalmente.
Amigo associado de qualquer cidade do Estado de São Paulo,
contribua...
aguardamos notícias dos eventos do interior.
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NOTICIAS DE ASSOCIADOS
Colega associado, de toda parte, se tiver uma noticia para nós,
por favor nos envie para que possamos divulgar.
Jamais se sinta desprezado;
sua noticia pode não estar aqui
porque não sabemos a respeito dela,
nos ajude. Obrigado

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PROGRAMAÇÃO DAS BIBLIOTECAS DE SÃO PAULO
 


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ÓPERA FANTÁSTICA

ROTEIRO E APRESENTAÇÃO DE ROSANA RIOS


O Mundo Fantástico da Ópera é o título da apresentação 2012 do grupo Ópera Fantástica. Traz a aventura de três amigos em um mundo paralelo, conhecendo histórias e árias famosas de óperas (Rinaldo, Carmen, la Traviatta, Tosca, Romeu e Julieta...). 

Veja aqui as datas, locais e horários:


* 13 de outubro, sábado, 11h *
Biblioteca Belmonte – Rua Paulo Eiró, 525 
Santo Amaro - 5687-0408

* 14 de outubro, domingo, 11h *
Biblioteca Cora Coralina – Rua Otelo Augusto Ribeiro, 113
Guaianazes - 2557-8004

* 17 de outubro, quarta-feira, 14h30 *
Biblioteca Monteiro Lobato – Rua General Jardim, 485 
Vila Buarque - 3256-4122

* 21 de outubro, domingo, 16h *
Biblioteca Viriato Correa – Rua Sena Madureira, 298 
Vila Mariana - 5573-4017

* 27 de outubro, sábado, 14h *
Biblioteca Mário Schemberg – Rua Catão, 611
Lapa - 3672-0456

* 17 de novembro, sábado, 16h *
Biblioteca Hans Christian Andersen – Av. Celso Garcia, 4142
Tatuapé - 2295-3447

* 18 de novembro, domingo,11h *
Biblioteca Álvares de Azevedo – Praça Joaquim José da Nova, s/nº – Vila Maria
2954-2813
ENTRADA GRATUITA
 
Ficha Técnica

Roteiro e apresentação – Rosana Rios 

Produção – Luís Flávio Fernandes /Reflex Music

Piano – Cesar Patoulos

Narração  Virgínia Montesino

Cantores – Regina Rios e Raquel Gillio (Sopranos)

                   Gustavo Tassi (Tenor)

                   Michel Souza e Diego Maurilio (Barítonos)

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TREVO DE LEITURAS
 
O Trevo de Leituras é um ciclo promovido pela AEILIJ, com a publicação de um suplemento de resenhas produzidas pelos autores associados. São sempre três livros comentados por três diferentes autores.

Inicialmente hospedado no site Dobras da Leitura sob a coordenação de Rosana Rios, o Trevo é agora publicado diretamente no site da nossa Associação.

A nova coordenação é de Cristina Villaça e Naná Martins. 
 
Eliane Ganem lê A fada que colecionava manhãs, de Marô Barbieri...
... que lê Castelos, princesas e babás, de Leo Cunha...
... que lê O coração de Corali, de Eliane Ganem.  


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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A história de Heitor



A história de Heitor
Capítulo VI

Rio acima, um dos cães adoeceu e morreu. As crianças ficaram muito tristes. Enterraram-no num lugar um pouco afastado da casa, junto a um pé florido de cega machado.
Chuva nenhuma caía do céu; o lavrador começou a cortar o capim que juntou num monte no meio de uma área que depois iria plantar Quando chegou a hora do almoço, amontoou algumas pedras e fez um fogo para aquecer a sua marmita...
Na hora do sol mais quente, o capim começou a arder. O fogo espalhou-se. O vento soprava na mesma direção por onde escorriam as águas: – rio abaixo. Quem teve tempo de fugir... fugiu, mas foram poucos; apenas os mais ágeis, os maiores, algumas aves, antes da fumaça espalhar-se, os que não ficaram encurralados em algum canto. As labaredas, ainda não muito altas, consumiam toda a vegetação rasteira, arbustos e gramíneas, capim e flores, e chamuscavam o tronco das árvores. Os troncos grossos e cascudos eram a sua proteção. As mais baixas queimavam mais, perdiam galhos e folhas; as mais altas resistiam melhor, ficando apenas com os troncos enegrecidos. O fogo foi correndo os campos, estalando, aproximando-se das margens do rio, cessando ali, onde começava a areia e nada mais havia a alimentá-lo. Samantha, naquele dia, havia se desenroscado da sucupira e deslizado para o rio. Os lobos estavam perto de seu abrigo, sempre sob a supervisão de Lorena. Mercúrio não estava nas redondezas; afastara-se para caçar...
Primeiro a loba, depois até mesmo os filhotes, ouviram os estalidos, sentiram o cheiro de fumaça e se assustaram.
– Fogo! – avisou Lorena – Vamos sair daqui depressa! Para o rio!
Mas quando se aproximaram da margem avistaram Samantha logo abaixo. Assustados, Hunter e Horácio correram em outra direção, seguidos por Lorena que procurava orientá-los...
Heitor, porém, mais valente e destemido, pulou para a areia e de lá para uma pedra, e de lá para outra... E continuou pulando e correndo até que encontrou uma reentrância no barranco, um lugar fresco e fora do alcance do fogo e da sucuri. Um longo tempo passou até que esfriasse um pouco e Heitor tivesse coragem de sair do seu abrigo. Ele subiu o barranco e, até onde podia ver, além de algumas árvores esparsas, nada restara dos prados a que estava acostumado. Ele voltou para a margem, bebeu água e conseguiu achar um pequeno molusco grudado numa pedra. Apurou os ouvidos, o olfato e andou um pouco pela margem para cima e para baixo; ele procurava por Lorena e pelos outros filhotes, mas não havia sinal deles. Foi até o alto mais uma vez. O solo ainda estava quente, mas ele caminhou pelas beiradas, negras como suas patas. Procurou mais um pouco. Nada! Com o rabo entre as pernas, voltou para o abrigo e passou sua primeira noite sozinho.


Nilza Azzi

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Canto&Encanto da Poesia



Homenagem ao professor


Volta às aulas

Estudantes aos bandos
correm pra escola,
carregando a sacola
cheia de livros.

É bom rever os amigos.
Sentar-se à antiga cadeira.
No recreio, abrir a lancheira.
Saborear novidades.
Abrir o coração,
recheado de saudades.

Regina Sormani

Volta às aulas faz parte do livro de poesias para colorir POESIAS A GRANEL, de MarcianoVasques e Regina Sormani.



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

QUEM CONTA UM CONTO

Olá!
O mês de Outubro, para nós, que temos como ofício a literatura infantil e juvenil, é muito especial. É o mês das crianças.
Desde que assumi a responsabilidade de postar o Quem Conta um Conto, tenho procurado mesclar autores e ilustradores da regional de São Paulo. Mas este mês, com a anuência das coordenadoras regionais: Rosana Rios e Nireuda Longobardi, dei-me o direito de ocupar este canto de entretenimento com uma pequena história sobre as crianças.
Espero que gostem.
                                
                                   CRIANÇA DIZ CADA UMA!

A mãe estava toda alvoroçada preparando a casa para receber uma visita.
_ Quem que vem aqui, mã? _ perguntou o menino.
_ O Cássio Ribeiro.
_ Aquele do livro???!!! Que tem a cara dele na última folha?
_ Ele mesmo.
_ Mas você conhece ele, mã?
_ Conheço. É meu amigo. A gente se conheceu em uma feira de livros. Foi lá que ele deu o livro autografado para eu trazer para você.
O menino pensou, pensou e soltou esta:
_ Ainda bem que ele vem aqui.
_ Por quê? _ quis saber a mãe.
_ É que daí eu vou conhecer o corpo dele; porque, até agora, só conheço a cabeça.

                                   FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!