sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Imagens da Homenagem AEILIJ SP 2012

Queridos amigos
Aconteceu, dia 21 de novembro, às 19,30 hs, na Casa das Rosas, a homenagem prestada pela AEILIJ paulista à ilustradora Eva Furnari.
Parabéns aos organizadores do evento, aos associados, e  à homenageada.
Um beijo,
Regina Sormani













domingo, 11 de novembro de 2012

A história de Heitor


Capítulo VIII

O sol logo se esconderia horizonte abaixo e Heitor estava alerta aos ruídos e cheiros ao redor. A chuva expulsara os pequenos seres que vivem debaixo da terra; isso era uma festa para as aves, porque vinham comer os bichinhos, e para o lobo-guará, porque podia caçar as pequenas aves.
Filomena, – esse era o nome da onça-pintada –, estava pelas redondezas. Só quando escurecesse de uma vez ela iria atrás do seu jantar. Há algum tempo descobrira um lugar onde havia comida pronta. Vinha por aquela passagem no rio e entrava pelos grandes campos que se estendiam até bem longe. Avançava entre as hastes longas e amareladas, rastejava e espreitava, quando estava nos lugares mais ralos, sempre na direção dos humanos onde as caças que podiam matar a sua fome ficavam presas. Era uma caçada fácil, mas arriscada; os animais percebiam sua aproximação, ficavam alvoroçados e faziam barulho, pois não tinham por onde escapar. Os humanos sabiam que ela estava por perto e podiam inverter tudo. Nesse caso ela, Filomena, a onça-pintada mais bonita, mais veloz e mais valente daquela região, é que seria  Ainda assim, não foi o seu assalto, roubando os animais da fazenda que criou toda a confusão...Chegara a época da colheita e as máquinas já estavam preparadas, os homens contratados. Os humanos sabiam que havia algum animal grande nas redondezas, atacando o galinheiro. Por isso, saíram armados para o trabalho na manhã seguinte.
Atiraram logo que avistaram Filomena, que dormia refestelada com a refeição da noite. Ela saiu correndo, escapando sem ser ferida, numa carreira e numa velocidade que lhe davam muita vantagem sobre os homens. Embora não tivesse feito amizade com Heitor, quando passou por ele, antes de desaparecer na direção do rio, deu uma paradinha e se lembrou de avisar:
– Fuja, novato. Este lugar não é mais seguro para se viver. Você está em perigo!
Heitor vacilou um pouco, sem entender bem o que acontecera. Mas não demorou muito e ele sentiu um cheiro estranho, desconhecido.
Depois ouviu um barulho, como o estalo de um galho quebrando,Ouviu um tropel, depois mais outro estalo e mais outro.
– Perigo! – pensou. Isso é perigo! – avisou seu instinto.
E saiu correndo, ziguezagueando na direção que fosse o mais longe possível daquilo que parecia estar cada vez mais perto. Escapou da perseguição, mas continuou correndo por um bom tempo, mesmo depois que atravessou o braço de rio e chegou aos campos queimados.
A chuva fora pouca e não houvera tempo para renovação; não era possível encontrar abrigo ou alimento.
 Ficou rodando por ali os dois dias seguintes. Só encontrava os cupinzeiros, mas não precisava deles, porque sem o capim podia avistar até bem longe, se houvesse alguma coisa para ver, mas não havia.

Nilza Azzi - escritora associada da AEILIJ regional SP




Desenho de Davi Eliader Januário de Souza
EE Pio XII - Araxá. MG



quarta-feira, 7 de novembro de 2012

21 de novembro, uma data especial!

Todos os anos, a AEILIJ São Paulo homenageia uma pessoa ligada ao mundo da LIJ. Agora, a data de nossa Homenagem 2012 se aproxima!

E a escolhida pelos associados, este ano, foi a autora de textos e imagens Eva Furnari. Com muitos livros premiados, no Brasil e no exterior, Eva é uma ilustradora pioneira na cena da LIJ paulista, a quem todos nós, profissionais da escrita para crianças, admiramos. Também autora de textos, tem criado personagens encantados e encantadores. Sua criatura mais conhecida, a Bruxinha, já é um ícone da Literatura Infantil brasileira.

A Homenagem AEILIJ 2012 se dará no dia 21 de novembro, às 19h30, na Casa das Rosas, em São Paulo.


Data: 21 de novembro de 2012, quarta-feira
Horário: 19h30
Local: Casa das Rosas - Av. Paulista, 37, Bela Vista, São Paulo - fone 3251-5271

Programa:

19h30 - Abertura
20h - Pocket-Show "Cantando de Brincadeira", 
com Manuel Filho e Beto Marsola
20h30 - Coquetel

Haverá mostra organizada pela Ed. Moderna com obras e ilustrações da Autora 






MURAL 34 - NOVEMBRO DE 2012

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NÚMERO 34 - Novembro de 2012
O Mural é uma agenda cultural postada todo início de mês,
porém, editada ao longo do mês conforme os eventos surgem.
A agenda das bibliotecas é renovada semanalmente.
Amigo associado de qualquer cidade do Estado de São Paulo,
contribua...
aguardamos notícias dos eventos do interior.
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NOTICIAS DE ASSOCIADOS
Colega associado, de toda parte, se tiver uma noticia para nós,
por favor nos envie para que possamos divulgar.
Jamais se sinta desprezado;
sua noticia pode não estar aqui
porque não sabemos a respeito dela,
nos ajude. Obrigado


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 LANÇAMENTO DE MARCIANO VASQUES


23 de Novembro Na Livraria Martins Fontes, Avenida Paulista 509, às 19 horas
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NIREUDA LONGOBARDI NA BIENAL DE 
CAMPOS DOS GOYTACAZES 


Dia 26/11 - Oficina de xilogravura com Nireuda Longobardi
Dia 27/11 - Oficina de Kiriê com teatro de sombras com Nireuda Longobardi


Horário: 13h30
Local: Leituras na Caverna

Saiba mais clicando AQUI
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 LANÇAMENTO DE ALEX GOMES
Lançamento do livro do Alex Gomes, com sessão de autógrafos e contação de histórias por Jujuba e Ana Nogueira, da Estação Brincadeira da Rádio MEC.

Cinco histórias cheias de humor que sempre terminam em confusão!

A professora Coruja propôs aos seus alunos que fizessem uma redação interessante no estilo tandem, que consiste em um aluno escrever um trecho de uma história e passar para seu parceiro continuar a redação. Ocorre que as duplas são formadas por rato e barata, gato e cachorro, tartaruga e lebre...
11 de Novembro às 16 horas na Livraria da Travessa de Ipanema
 
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 MARILZA CONCEIÇÃO
Olá!

Estamos preparando os últimos detalhes do próximo livro personalizado das Edições Papelmachê.


Uma deliciosa história chamada “Lendo Nuvens”

...


Quem nunca viu nuvens com formatos de bichos e de coisas?
Quando criança nossa imaginação voava longe e isso era muito comum.

“Lendo Nuvens” é uma história cativante e estará disponível na nossa loja a partir de quinta-feira.


Aguardem...
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HOMENAGEM AEILIJ PAULISTA 2012
ESTE ANO HOMEAGEANO EVA FURNARI 
Dia 21 de novembro, quarta-feira, às 19h30 na Casa das Rosas - Av. Paulista, 37.
Teremos um pocket-show com Manuel Filho, exposição de originais da autora organizada pela Ed. Moderna, coquetel e o encontro com muitos, muitos colegas do texto e da imagem.
Imperdível para quem estiver em São Paulo!
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AINDA FALANDO DE EVA FURNARI... 
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CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
NAS BIBLIOTECAS
Histórias do que é e do que pode ser
Com Cia. Patética
Nessa viagem, os objetos viram personagens protagonistas das historias que é sempre contada de forma lúdica e bem musical. De 3 a 4 anos.
Dia 4 de novembro (dom), 11h - Biblioteca José Paulo Paes
Dia 20 de novembro (sáb), 10h - Biblioteca Aureliano Leite
Dia 20 de novembro (sáb), 14h30h - Biblioteca Paulo Sérgio Duarte Milliet
Dia 28 de novembro (qua), 13h30 - Biblioteca Menotti del Picchia
Dia 29 de novembro (qui), 13h - Biblioteca Paulo Setúbal
Dia 29 de novembro (qui), 16h - Biblioteca Gylberto Freire
Dia 30 de novembro (sex), 9h - Biblioteca Jovina Rocha Pessoa
Dia 30 de novembro (sex), 11h - Biblioteca Cassiano Ricardo
Dia 30 de novembro (sex), 14h - Biblioteca Prof. Arnaldo Giácomo
Dia 30 de novembro (sex), 16h - Biblioteca Adelpha Figueiredo
Contando e Dobrando Histórias
Com Lázara Almeida e Rita Pisniski
Narração de histórias acompanhadas de confecção de dobraduras baseadas nas histórias contadas. Para maiores de 7 anos.

Dia 6 de novembro (ter), 13h - Biblioteca Helena Silveira
Contando e Encantando Histórias
Com o Grupo Semeando e Espalhando Histórias
Narração de histórias infantis diversas entremeadas por canções e brincadeiras. Livre. 50 min.

Dia 6 de novembro (ter), 10h - Biblioteca Jamil Almansur Haddad
Dia 8 de novembro (qui), 10h - Biblioteca Raimundo de Menezes, Festival do Livro e da Literatura de São Miguel
Dia 9 de novembro (sex), 10h - Biblioteca Rubens Borba de Morais, Festival do Livro e da Literatura de São Miguel
                                                                                                                                           
Contar é preciso, ler é indispensável
Com Antonia Andréa de Sousa.
Leitura e Narrativas de histórias e contos estimulam o potencial criativo e o prazer de ler. Inscrições pelo telefone: 5687-0408.

Dia 7 de novembro (qua), 10h e 14h - Biblioteca Belmonte
E se fosse verdade...
Com Beth Filipini
Narração de histórias e poemas que encantam gerações.

Biblioteca Thales Castanho de Andrade
Dias 7 e 14 de novembro, às quartas, às 10h e às 14h30
Dias 12 e 19 de dezembro, às segundas, às 10h e às 14h30
Que história é essa
Com Elaine Gomes
Histórias escolhidas e adaptadas para os adultos. Com a utilização de diversos recursos e com a interatividade com o público, a percepção é estimulada em cada espectador por meio da voz, da música, das cores e dos movimentos. Várias histórias fazem parte do repertório, entre elas, Fátima, a fiandeira, Nasrudin, o sábio e A Moça Tecelã. 45 min.

Dia 9 de novembro (sex), 10h e 14h - Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato
Dia 13 de novembro (ter), 10h e 14h - Biblioteca Hans Christian Andersen
Contos de Assombração
Com o Grupo Gira Saia
A contação destinada ao público infantil reúne três contos nacionais trazendo o universo misterioso e assombrado do desconhecido, onde reúnem experiências artísticas na música e dança.

Dia 10 de novembro (seg), 11h - Biblioteca Lenyra Fracarolli
Círculo de Giz, Roda de Gente, Mundo de Histórias
Com a Cia. Da Fulô
A contação tem o objetivo de promover a linguagem do conto popular, da narração de histórias e incentivar a leitura e a propagação da literatura por da formação do público. Livre.

Dia 10 de novembro (sáb), 14h - Biblioteca Camila Cerqueira César
Mulheres sábias
Com Débora Kikuti
Contação de histórias para público juvenil, promovendo o diálogo entre narração e corpo.

Dia 11 de novembro (dom), 11h - Biblioteca Raul Bopp
Dia 11 de dezembro (ter), 10h - Biblioteca Hans Christian Andersen
A Viagem de Ulisses
Com a Cia. Ruído Rosa
Intervenção teatral sobre as aventuras de Ulisses, navegador que passou dez anos por diversas ilhas, encontrando perigos como o monstro Ciclope, sereias, Calipso entre outros. Baseado na narrativa grega, Odisséia. Livre

Dia 17 de novembro (sáb), 11h - Biblioteca Álvaro Guerra
Dia 8 de dezembro (sáb), 11h - Biblioteca Raul Bopp
No colo do livro, com os livros no colo
Com Antonia Andréa de Sousa, Izabel Andrade e Maria Luiza Rocha.
Mediação e narrativa de histórias para bebês acompanhados de pais ou de professores, babás, avós, tios. A sala de contação transforma-se em um quarto de brinquedos, onde 10 duplas - bebês e acompanhantes - interagem com os contadores valendo-se livros de pano, plástico e livros-brinquedos, contos de meiguice e cantigas de ninar. De 0 a 2 anos.  

Dia 21 de novembro (qua), 14h30 - Biblioteca Belmonte
Eu, Malasartes
Com Robson Santos
Contação de histórias, causos e malandragens de Pedro Malasartes, herói picaresco do nosso Brasil, preferido da gente simples que adora suas artes, quase sempre contra os mais ricos e poderosos. Vinga-se o popular da sua posição subalterna vendo o personagem sair sempre ganhando, por sua astúcia e por suas artes, dos que lhe são superiores. Uma espécie de Robin Hood sem armas.

Dia 21 de novembro (qua), 19h - Biblioteca Belmonte                                                                                                                            
Maravilhas de Grimm
Com a Cia. Gigi Anhelli
Destinado ao público infantil, o trabalho reúne três contos dos Irmãos Grimm apresentados com música e fantoches.

Dia 23 de novembro (sex), 10h e 14h - Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato
Dia 27 de novembro (ter), 10h e 14h - Biblioteca Hans Christian Andersen
Chá de bonecas e de super heróis
Com Léia Bispo, Paula Bueno e Rita Pisniski
Um divertido encontro com muitas histórias, brincadeiras e cantigas de roda. As crianças participam trazendo seus brinquedos preferidos e no final é servido um delicioso chá com biscoito para as crianças e seus brinquedos. Para maiores de 7 anos.

Dia 23 de novembro (sex), 10h e 15h - Biblioteca Helena Silveira
A princesa e a chuva
Com Letícia Liesenfeld
Voltada ao público infantil, a contação tem como objetivo sensibilizar para a leitura e o livro através de um diálogo entre a narração e o corpo.

Dia 24 de novembro (sáb), 11h - Biblioteca Lenyra Fracarolli
Roda de Histórias
Com Cia. Teatro do Guri
Espetáculo formado por contos dos quatro cantos do mundo. De 5 a 13 anos.

Dia 24 de novembro (sáb), 14h - Biblioteca Camila Cerqueira Cesar
Contação de histórias e lançamento do livro: “O Infinito de Arue”
Com a autora Ciça Veiga e o músico Vinícius Nonato
Venha conhecer a história de um menino chamado Aruê que encontra um pedaço de arame no chão e faz dele o seu brinquedo com muita imaginação.

Dia 25 de novembro (dom), 11h - Biblioteca Padre José de Anchieta
Raiz de Cascudo, Contos Populares Brasileiros
Com Edmilson Ávila,
Por meio do resgate da literatura oral, a atividade pretende estimular o indivíduo à literatura, sensibilização e imaginação. No repertório, as histórias “A Menina dos Brincos de Ouro, “A menina e a figueira” e “A princesa Jia”.

Dia 25 de novembro (dom), 11h - Biblioteca Raul Bopp
Aprendendo com as fábulas
Com Henrique Silveira, Marcelo Alcalá e Sérgio Chibat
“A assembléia dos ratos”, “o rato da cidade e o rato do campo” e outras divertidas fábulas fazem parte desta contação, entremeada por adivinhas e brincadeiras. Para maiores de 6 anos. 50min.

Biblioteca Chácara do Castelo
Dia 26 de novembro (seg),14h30
Roda de histórias com a Dupla lê lê
Com Ciça Veiga e Vinicius Nonato
Narração de histórias regadas por melodia e muita poesia, os bonecos também ajudam a criar essa magia. Depois da roda, aí é que vem a alegria, com uma oficina de alegoria.  Assim, o livro vira uma delícia! Realização: Ponto de Cultura Piá.

Dia 26 de novembro (seg), 14h - Biblioteca Padre José de Anchieta
O natal do Porquinho
Com Cleide Mascarenhas, Juvelina Martins e Pureza Silva.
Os bichos da floresta ficaram contentes com a chegada do natal, o Porquinho pulava de alegria. Pobrezinhos, pensou dona Porca, eles não sabem que os bichos não têm natal e, que papai Noel não vem. Após a contação haverá uma oficina para confecção de uma “caixinha de presente”, utilizando caixa de leite, sulfite colorido, cola e muita criatividade.  Para maiores de 6 anos.

Biblioteca Padre José de Anchieta
Dias 26, 27, 28, 29 e 30 de novembro,10h e 14h
O Contador de Causos
Cia Teatro de Sala
Texto e direção Kelly Alonso Braga
Candinho é pescador e contador de causos, inventava historias de dar medo que arrepiavam os cabelinhos. Um dia uma de suas mentiras toma vida e vai dar uma lição no tal pescador mentiroso. De 7 a 11 anos.

Dia 28 de novembro (qua), 10h - Biblioteca Afonso Schmidt
   

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

QUEM CONTA UM CONTO

Olá!
Peço permissão para postar o conto de novembro, hoje, que é o último dia de outubro. O fato é que estamos em pleno Dia das Bruxas e a história da nossa associada ROSANA RIOS foi feito especialmente para a data. Assim, divirtam-se com a eletrizante história:


A DÉCIMA-TERCEIRA CRIANÇA


            Foi no dia das Bruxas.
            Véspera do dia de Todos os Santos.
            Véspera do dia de Finados.
            Enfim, era tempo de celebrar bruxas, zumbis, mortos-vivos, essas coisas legais.
            E a turma do condominio estava querendo aprontar...
            Aliás, a turma do condomínio estava sempre querendo aprontar. Eram doze crianças, com idades variando entre oito e treze anos. Ou eles se juntavam para jogar bola na quadra e acabavam destruindo alguma coisa – redes, muros, bolas – ou ensurdeciam os moradores durante as reuniões no salão de festas, com cantos, danças, disputas, truco e outras brincadeiras ruidosas.
            Mas eram uma turma do bem: não aprontavam por mal, apenas por serem saudáveis, cheios de energia. E essa energia estava borbulhante naqueles dias, pois a semana anterior tinha sido cheia de provas nos colégios de cada um. Assim, na última semana de outubro, primeira de novembro, a turma inteira apareceu na quadra, esfuziante de alegria e vontade de aprontar.
            Não demoraram nem cinco minutos para combinar que festejariam o Dia das Bruxas ao estilo noteamericano: indo de porta em porta no edifício, fantasiados de bruxas, fantasmas ou vampiros para pedir doces. Trick or treat. Doces ou travessuras.
            Estava anoitecendo quando eles se reuniram no saguão do prédio. Tinha de tudo: feiticeiras verdes, fantasmas pálidos, vampiros com sangue nos canrtos da boca, zumbis esfarrapados com maquiagem assustadora. Entusiasmados, rumaram para o primeiro andar, pelas escadas. A maioria dos moradores, que já sabiam da história, havia se prevenido com balas, bombons e chocolates...
            Só o que ninguém da turma notou foi que, naquele dia, eles não eram os doze de sempre. Havia uma criança a mais... sob uma máscara horrenda que ninguém sabia se era de duende, morto-vivo ou orc, um décimo-terceiro membro da turma apareceu, sabe-se lá de onde, com uma cestinha maior que a de todos, para recolher os doces.
            No começo, não perceberam. A cada apartamento visitado eles faziam caretas e grunhidos, recolhiam balas e chocolates e passavam ao próximo.
            Foi só quando estavam a caminho do décimo-terceiro andar que eles começaram a notar que suas cestinhas não estavam cheias de doce. Estranho, apesar de cada um ter recebido muitas balas, elas pareciam que sumiam... enquanto a cestinha da criança desconhecida estava lotada até a boca!
            Nas escadas, eles pararam. Contaram as cabeças. Um, dois, três... aé chegar ao treze.
            Quem era aquela menina (ou seria um menino)? Não era nem primo nem amigo de nenhum deles. E levava a grande cesta repleta de doces, enquanto as de todos estavam quase vazias!
            Todos olharam para a criança misteriosa, querendo fazer perguntas, e...
            Bem naquela hora as luzes da escadaria se apagaram.
            Pavor total. Foi grito de todo jeito, em todas as alturas, e a criançada toda despencou escadas acima, no escuro, deixando cair máscaras, cestinhas e tudo o mais pelo caminho!
            Assim que alcançaram o patamar superior as luzes automáticas se acenderam. Todos se entreolharam. Reconheceram-se. Contaram-se. Um, dois, três... onze, doze.
            Cadê o décimo-terceiro fantasiado?
            Tinha sumido... e com ele (ou ela?), todos os doces.
            Depois daquilo, a turma do condomínio sumiu por uns tempos. O prédio foi abençoado por um silêncio inédito. E nenhum dos doze jamais deu qualquer explicação para alguém a respeito do que aconteceu naquele Dia das Bruxas...

domingo, 28 de outubro de 2012

A história de Heitor


Capítulo VII

Heitor permaneceu por ali, isolado, sem saber para onde ir. Esperava que um dos lobos aparecesse; algumas vezes subiu e caminhou um pouco pelo solo seco e cheio de fuligem, mas não havia direção a escolher; não sabia o que fazer. Impossível coletar e caçar, encontrar qualquer vestígio de alimento. Ele até raspou a terra, como se pudesse descobrir num buraco a entrada de alguns insetos e roedores, mas logo desistiu. Nem mesmo Samantha havia voltado para a sua árvore. 
Na margem oposta, o barranco era muito alto e ele não encontrava um meio de subir. Enxergava apenas a parede de saibro sulcado e ressecado e algumas hastes da vegetação. O que seria aquilo? Depois de dois dias sem que aparecesse nenhuma ave, ele já esgotara o que havia de alimento nas águas rasas. Deve ter sido o instinto que o levou a descer o rio, como se o escorrer constante da água apontasse a direção a seguir. O fato é que ele começou a caminhar. E caminhou quase um dia inteiro até que finalmente encontrou passagem para o outro lado... 
Ali, nada se parecia com o território que fora o lar de Heitor nas primeiras luas de sua vida. Até onde a vista alcançava, as plantas eram todas iguais, enfileiradas, trilhas que em nada se pareciam com as que ele percorrera com Mercúrio naquelas aventuras na busca por alimento. Havia uma passagem larga e longa – trilha de animais grandes – pensou Heitor. De um lado cresciam plantas parecidas com o capim da savana, de uma cor dourada, com hastes carregadas de sementes. Aquilo não lhe pareceu comida. Do outro, havia uma porção de árvores secas, sem folhas, ligadas por cipós muito ásperos, cheios de espinhos, que cresciam retos e esticados. 
Além delas, havia uma porção de pequenos arbustos, com folhas de um verde brilhante e frutinhas vermelhas. Também não pareciam comida, mas o lugar era fresco, a terra cheirava bem e parecia abrigar algumas criaturas interessantes para um lobo; o seu olfato acusava a existência de pequenas presas que fugiam para o céu ou que se arrastavam pelo solo. 
Por outras tantas luas, Heitor viveu naquele espaço, onde havia alimento e onde podia encontrar abrigo e água por perto. Ele bem que sentia falta dos vegetais e das frutas que se habituara a comer com Lorena, mas era um sobrevivente. A vida solitária, comum aos lobos-guarás, começara um pouco mais cedo por causa da queimada, mas ele estava preparado; era quase um adulto. Aos poucos foi se habituando ao novo território. Era muito diferente, aquele lado do rio, mas Heitor começou a percorrer distâncias mais longas e a dominar o espaço, como se fosse território seu, deixando aqui e ali as marcas que fazem os lobos para definir os limites. Começou as coletas à tarde e à noite, raramente durante o dia, mas continuava sentindo falta de coisas que encontrava na vasta variedade do antigo lar. 
Estava quase amanhecendo; o lobo dormira sossegado num monte de capim acumulado ao pé de um arbusto da pequena mata. Ele percebeu sinais estranhos do outro lado do aceiro, no campo das plantas douradas. Perto de onde estava, havia uma pedra grande; ele subiu e se manteve alerta; espreitou à sua volta e ficou à espera do que viria. Suas orelhas viravam, suas narinas tremiam, pois alguma coisa se aproximava, vagarosamente, mais e mais. Antes que Heitor tivesse tempo de fugir, um animal enorme apareceu diante dele, não muito longe da pedra. A cor do seu pelo era bem igual aos campos onde estava, mas ele tinha umas manchas escuras - muitas manchas pretas, muito grudadas e muito parecidas, que não podiam ser causadas pela fuligem do solo queimado do outro lado do rio. 
Acostumado a ser protegido dos perigos pela presença da loba que o criara, ele não tinha noção do que poderia acontecer; ele ficou paralisado por alguns instantes. A suçuarana passou a certa distância dele, com seus passos de felino, mal tocando o solo com as patas almofadadas, mirou-o e foi embora na direção do rio. Ela havia respeitado Heitor– ele ainda não o sabia – um lobo adulto. Heitor ainda cruzou com a suçuarana outras vezes, passando com uma presa entre os dentes. Sentindo-se mais confiante, ele decidiu vasculhar o outro lado do rio, saindo durante o dia, o que não era mais seu costume. Não avançou muito para o interior da terra queimada; foi percorrendo o trecho mais perto da margem. 
Ainda não chegara a estação das chuvas e qualquer movimento levantava uma poeira negra. No meio da manhã, perto de um velho cupinzeiro salvo do fogo, deu de cara com um animal estranho, enfiando a língua comprida pelos furos de respiração. Era cinzento, com um focinho comprido de um lado e uma cauda comprida de outro; a única diferença entre o focinho e a cauda – analisou – é que a cauda tinha pelos bem mais compridos. Finalmente decidiu aproximar-se e levou um susto enorme.
– Olá! – saudou o estranho – Meu nome é Tinoco e o seu?
– Heitor – respondeu.
– Rá, rá, rá – começou a rir o tamanduá – e continuou rindo muito.
– Dobrado desse jeito ele parece um tatu-bola – pensou Heitor.
– De onde saiu um nome desses? – perguntou – Isto aqui é o cerrado! Rá, rá, rá! 
E continuou a rir, enquanto algumas formigas aproveitavam para pular fora de sua língua pegajosa. A surpresa de Heitor era tão grande que ele demorou a responder; depois de tanto tempo isolado, encontrava uma companhia. Não uma ameaça, não uma criatura indiferente... Muito pelo contrário! Tinoco parecia animado e amigável. Ele já era um lobo adulto, mas muito jovem ainda e adorou aquilo; encontrar um possível companheiro de aventuras.
– Minha mãe que escolheu – foi o que disse um pouco envergonhado.
– Gosto estranho tem sua mãe, mas falaremos sobre isso depois. O que faz por aqui e por que está sozinho?
– Vê tudo isso queimado? Eu vivia deste lado do rio, um pouco mais acima. Quando o fogo tomou conta de tudo, na hora da fuga, enfrentei uma enorme sucuri e pulei para o rio, mas meus irmãos ficaram com medo, foram para outro lado. Lorena foi atrás deles. Depois que o perigo passou, procurei por eles, mas não os encontrei. Nunca mais vou achá-los – comentou. 
Tinoco começou a rir novamente e Heitor ficou tão sem graça que mudou de direção e começou a se afastar.
– Lorena contava que veio de muito longe.
Já ia embora, com o rabo entre as pernas, mas virou a cabeça e repetiu:
– De um território distante...
– Espere, rapaz, não me leve a mal. É que nunca ouvi esses nomes por aqui. E onde vive agora? – perguntou.
– Na mata do outro lado do rio, mais acima. É um lugar estranho,sinto falta do lugar onde nasci, mas ali encontro comida e um bom lugar para dormir.
– Heitor, meu jovem, tome cuidado. Há muitos perigos neste lugar e cada vez mais perto de nós. De onde você acha que veio esse fogo?
E fez um sinal para que o lobo se aproximasse. Virou-se na direção das orelhas de suas orelhas e soprou pelo focinho estreito, bem baixinho:
– Dos humanos, garoto.
– O que são humanos? – perguntou – pois a separação da mãe havia acontecido um pouco antes da hora e Lorena nunca o alertara para esse perigo.
– Você vai conhecê-los uma hora qualquer e saberá como são. É melhor não confiar neles.
Começou a chover sem nenhum aviso. Os pingos muito grossos da chuva forte faziam barulho ao cair na terra ressecada, espirrando a fuligem negra. Os dois ficaram ali recebendo a chuva com alívio, na esperança de que logo brotassem da terra as plantas que serviam de alimento e embelezavam o cerrado. Foi uma chuva forte, mas rápida. Despediram-se logo que parou.
– Estou sempre por aqui, apareça quando quiser companhia – disse Tinoco – Gostei de você, garoto!
Heitor retomou o caminho de volta, abanando o rabo. Andou um pouco, depois olhou para trás, balançou a cabeça e disse:
– Também gostei de você, Tinoco.


Nilza Azzi é escritora associada da AEILIJ regional SP