sexta-feira, 17 de maio de 2013
Mitos ao redor do mundo, no Espaço de Leitura - Parque da Água Branca
No mês de maio o Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo e o Espaço de Leitura apresentam:
Mitos ao redor do mundo
Veja a programação:
Nireuda Longobardi ministrará a Oficina de ilustração com tecido - Varal de Histórias e os Mitos do Brasil
A oficina tem como objetivo despertar lembranças de histórias sobre mitos guardadas no fundo da memória. Os participantes contam uma história que conhecem, ou um personagem do folclore brasileiro. Após a contação, cada integrante vai desenvolver a ilustração da personagem escolhida com corte e colagem de retalhos de tecido. Para finalizar, os trabalhos serão expostos em um grande varal.
Sábado 18, e domingo 19, às 11 horas
Venha ouvir, contar e ilustrar histórias!
Local:
Espaço de Leitura
Parque da Água Branca
Rua Ministro de Godói, 180
Perdizes - São Paulo
Marcadores:
AEILIJ-SP,
Espaço de Leitura,
Mitos e lendas,
Nireuda Longobardi,
Oficina de Ilustração
Pé de Meia Literário
PÉ DE MEIA LITERÁRIO
Por uma Teoria dos Buracos
Dia desses, conversando com leitores jovens, em uma escola, diante do respeito cauteloso que eles vinham mantendo pela figura do escritor ali presente, não sei porquê comecei a falar de uma certa Teoria dos Buracos.
Pura bobagem. Mas o que é a vida senão um punhado de bobagens que cometemos procurando encontrar caminhos acertados?
Comecei propondo, claro, como toda teoria que se preza, um princípio geral que sustentasse o fundamento da argumentação: a vida é uma sucessão de buracos. Começa em um vazio e acaba em um buraco cheio de terra (ou de cinzas). Entre esses, há um desfile imemorável de outros buracos. Lembrei alguns, entre risinhos maliciosos e olhares distraídos: a fome (buraco no estômago), a saudade (buraco do coração); a ignorância (buraco no cérebro); o riso (buraco na seriedade); a raiva (buraco da ruindade); o sono (buraco da consciência); a pergunta (buraco da compreensão), a resposta (buraco da pergunta), o ponto final (buraco da falta de assunto), a fotografia (buraco da lembrança), o silêncio (buraco da palavra). A lista é longa, muito longa, tão longa quanto a vida.
Depois do princípio geral, disse que, como toda teoria, boa ou ruim, a Teoria dos Buracos tem lá algumas regras que garantem sua comprovação. E tratei logo de desfilar umas poucas dessas regras.
A primeira regra é que todo buraco existe em razão de uma necessidade. Um buraco para comer, dois buracos para ver, dois buracos para ouvir, um buraco para enterrar coisas, um buraco para o trem passar, um buraco para guardar a saudade, um buraco para tapar, um buraco para a ponte passar, um buraco para cobrir, um buraco para costurar... Não há buraco inútil. Outra regra, não menos importante do que a anterior, é que todo buraco tem uma textura, uma forma e uma beleza que lhe são peculiares. Há buracos grandes e pequenos, retos e redondos, nervosos e calmos. Há buracos rebeldes, que nunca querem companhia; há buracos pedintes que pedem insistentemente que sejam preenchidos. Há buracos exibidos tanto quanto há os buracos tímidos, escondidos, cheios de vergonha. Há buracos com mania de crise, todo tipo de crise. Os buracos nos conquistam. Os buracos têm lá sua beleza, nem sempre posta à mostra de imediato, mas que não resiste a uma busca meticulosa.Também pensei nessa formulação das regras da possível Teoria dos Buracos que todo buraco tem sua flexibilidade, permeabilidade e porosidade. Isso, os buracos têm de sobra. Que graça teria se os buracos fossem sempre os mesmos, sempre iguais, sempre monótonos. Buracos que se prezam são como os textos que lemos ou escrevemos: porosos, permeáveis, flexíveis. São armadilhas de formas e significados que se mostram, se abrem para nos receber, e depois nos envolvem e engolem. Nesse sentido, os buracos se parecem com uma oração: neles não certezas, só promessas.
Sem dúvida, não poderia deixar de apostar em uma regrinha simples, tão simples que sua simplicidade não a deixa ser esquecida ou desconsiderada: todo buraco tem uma existência própria, espaçada no tempo, e pode mudar sua forma, sua textura, sua beleza, sua flexibilidade e porosidade. O que um buraco foi ontem não será necessariamente amanhã. Talvez por isso, o buraco, qualquer que seja ele, se parece muito com o futuro: está sempre por ser feito.
Por último, propositadamente deixada para o final, me lembrei que há uma regra fundamental nessa teoria, aquela que diz da razão da sua existência: um buraco só existe porque em sua essência, sua contrapartida, há uma busca constante pelo seu preenchimento.
Bem... antes que me perguntem (ou pensem) que importância tem essa teoria quase inútil em nossa vida, nessa vida em que corremos o tempo todo atrás de coisas, objetos, sonhos, realizações, posses, contas bancárias, prêmios, figurar em listas, títulos, ideologias etc, me apresso em responder explicando: humanos que somos, passamos a vida toda procurando completar nossas lacunas e incompletudes. E aí, feito uma epifania atrasada, meio que encontro uma razão para a tentativa de criação da Teoria dos Buracos: a literatura é a matéria da criação humana que mais atende ao apelo dos buracos. É a literatura, entre todas as áreas do conhecimento humano, que parece ter sido concebida para satisfazer essa busca constante pelo preenchimento dos buracos. É com a literatura que se entra nos buracos, preenchendo-os e que enche de beleza essa forma seca de ser dos buracos. É pela literatura que navegamos nos buracos acomodando ou ampliando os seus limites, respondendo ou perguntado, esticando os olhares e moldando a audição em busca de compreensões. É a literatura que faz roteiros de viagens nunca antes feitas por sombras, espantos, descobertas, imagens, comparações. É a literatura que ativa a capacidade de criar, quando guardada em mentes dorminhocas, e a capacidade de tolerar o buraco maior de todos que é o sentido da vida. É a literatura, com seu jeito manso, mas intensamente explosivo, que arruma uma varinha de condão ou uns óculos de leitura capaz de permitir o entendimento da complexidade, da transparência, da rapidez, da fragilidade e da superficialidade da vida.
E a literatura, por não ser sólida – e por essa razão não se desmancha no ar – anda à procura de parceiros de caminhada. Ela também às voltas com os seus buracos.
Bem... fico feliz, se a esta altura da leitura ganhei mais um adepto da Teoria dos Buracos. Se não...sigo com os meus buracos e que a literatura me ajude.
EDSON GABRIEL GARCIA
Escritor e educador
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Lançamento de livro e homenagem à Nelly
LETRASELVAGEM & CASA DAS ROSAS convidam para o lançamento da obra “ESCRITORES BRASILEIROS DO SÉCULO XX – Um Testamento Crítico”, de Nelly Novaes Coelho -
Data: 29 de maio de 2013 (quarta-feira), às 19 horas.
Local: Casa das Rosas (Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura). Av. Paulista, 37 (Metrô Brigadeiro) - São Paulo/SP - Brasil. Entrada franca.
HOMENAGEM:
Na ocasião, IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO e CYRO DE MATTOS (representando os escritores brasileiros) FÁBIO LUCAS e BENJAMIN ABDALA JR (pelo setor acadêmico) proferirão homenagem à professora NELLY NOVAES COELHO, pela passagem de seus 91 anos de idade e 50 de docência universitária e exercício da crítica literária.
O LIVRO
Escritores brasileiros do século XX, de Nelly Novaes Coelho (Professora Titular da USP – Universidade de São Paulo), é a suma de 50 anos de pesquisas, leituras e releituras de obras apresentadas em cursos universitários, no Brasil, Portugal e Estados Unidos da América.
Segundo a Autora, foi a “Sorte ou o Acaso” que puseram em seu caminho os 81 escritores reunidos e analisados neste livro. Ao lado dos mais conhecidos (Amado, Graciliano, Rosa, Mário, Oswald, Veríssimo, Ubaldo, Loyola...) aparecem nomes que a insensibilidade crítica e o desinteresse do “mercado” colocaram numa espécie de “limbo” (Cornélio Pena, Adonias Filho, Deonísio da Silva, Murilo Rubião, Victor Giudice, Campos de Carvalho, Gustavo Corção, Alcides Pinto...) e outros que o desinformado (ou defraudado?) “público” precisa conhecer (Vicente Cecim, Olavo Pereira, Agrippino de Paula, Fausto Antonio, Guilherme Dicke, Mora Fuentes, Haroldo Maranhão, Samuel Rawet, Nicodemos Sena, Augusto Ferraz, Rui Mourão, Cyro de Mattos, Alaor Barbosa...).
No testemunho desses escritores manifesta-se a crise de paradigmas que afeta uma sociedade cansada de si, de Deus, das ideologias... e de todas as velhas e arraigadas crenças – mas que, entretanto, não parece ter ficado mais livre e feliz no caos liberticida e materialista em que o “mundo novo” (moderno ou “pós-moderno”) a engolfou.
Escritores brasileiros do século XX é, como diz o subtítulo, o Testamento Crítico de uma intelectual que sempre pugnou em defesa da língua e da literatura brasílicas, e por meio do qual a autora entrega um legado de conhecimento e sensibilidade crítica à atual e às novas gerações de leitores deste nosso imenso – mas ainda inculto – país.
TATIANA BELINKY: “Livro fascinante, fruto de amplas e profundas pesquisas, estudos, leituras e, claro, ideias, conclusões, hipóteses e mesmo perguntas da sua ilustre autora – esta incrível Nelly Novaes Coelho. Ela, a querida e sempre admirada mestra Nelly, com as suas posturas ético-filosóficas, ‘antigas’, contemporâneas, modernas e até ‘pós-modernas’, bem fundamentadas e eruditas, sem deixarem de ser otimistas”
A AUTORA
Nelly Novaes Coelho nasceu na capital de São Paulo, em 17 de maio de 1922, pouco depois da Semana de Arte Moderna. Pertence ao tronco dos Novaes, um dos mais antigos do Vale do Paraíba. Paixões desde a infância: música e literatura. Faz os primeiros estudos no Externato São José e estudos de piano com professor particular. Adolescente, completa o curso de pianista no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde foi aluna de Mário de Andrade, em História da Música, pouco antes de ele se desligar do cargo de Professor Catedrático. Dedica-se intensamente aos estudos de piano; vence o Concurso “Maestro Cantú” (para aperfeiçoamento pianístico na Itália), mas a sonhada carreira de pianista frustrou-se, por circunstâncias adversas (o início da II Guerra Mundial/1939 impede os fundamentais estágios de estudo na Europa e, terminada a guerra, em 1945, os caminhos já eram outros).
“Nel mezzo del camin”, já casada e mãe, outro projeto surge: o de tornar-se Professora. Volta aos estudos: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (Rua Maria Antônia/SP), área de Letras Neo-Latinas (Licenciatura, 1959). Concluído seus estudos, colaborou com o Prof. Luiz Amador Sanchez, titular do Deptº de Literatura Espanhola e Hispano-Americana.
Em 1960, inicia a carreira de docente universitária, como professora-assistente do Prof. Antônio Soares Amora, área de Literatura Portuguesa.
Em 1961, acumula esse cargo com o de professora titular de Teoria da Literatura, na Faculdade de Letras de Marília (onde lecionava nos fins de semana). Segue a carreira universitária: doutora em Letras (USP, 1967), livre docência (USP, 1977). Professora-adjunta (USP, 1981) e professora titular de Literatura Portuguesa (USP, 1985).
Nesse período, inicia-se como crítica e ensaísta literária, colaborando no Suplemento Literário de “O Estado de São Paulo”. Especializa-se em Literatura Contemporânea (portuguesa e brasileira). No decorrer da carreira acadêmica, entrega-se à docência e à crítica, publicando em jornais e revistas do Brasil e do exterior.
Como intelectual atuante, desde 1961 participa de congressos e seminários nacionais e internacionais, apresentando comunicações, posteriormente publicadas nos Anais. Em decorrência dessa atividade, torna-se membro de várias instituições culturais: APCA-Associação Paulista de Críticos de Arte (presidente em 1990); UBE-União Brasileira de Escritores de São Paulo; IHGSP-Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; Instituto Internacional de Literatura Ibero-Americano (Pennsylvania/USA); APC-Association pour La Pensée Complexe (convidada por Edgar Morin); Fulbright Alumini Association (Washington-USA); AEILIJ-Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil e membro-correspondente de várias Academias de Letras nacionais.
Em 1964, como bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian/Lisboa, faz seu primeiro estágio de estudos em Portugal, em pesquisas para embasamento de sua futura tese de doutorado sobre Aquilino Ribeiro.
Em 1966, inicia a carreira de escritora, com a publicação de O ensino da literatura, obra destinada à formação de professores, na área da Literatura, e que propunha princípios teóricos e respectivas práticas analíticas, visando a introdução dos estudos literários, desde as primeiras séries escolares, conforme exigência da nova Lei de Diretrizes e Bases nº 4.024/1961.
A esse livro de estreia seguem-se novos títulos, conforme foram sendo exigidos pelo desdobrar da carreira universitária e intensa participação em congressos, colóquios e estágios de estudos ou docência, realizados no Brasil e no exterior.
Como docente e pesquisadora, em 1970 ministrou curso de Cultura e Literatura Brasileira, na Faculdade de Letras/Lisboa e, em 1979, na UCLA-California University/Los Angeles (bolsista da Fulbright Foundantion/USA). Em 1980, em face do novo boom de Literatura Infantil em expansão, criou na USP-Universidade de São Paulo/Área de Letras o curso Estudos Comparados de Literatura Infantil/Juvenil (diurno/noturno, graduação/pós-graduação). Foi uma das pioneiras como docente a trabalhar com a interdisciplinaridade. Ministrou vários cursos de especialização na USP a professores de Ensino Médio a partir da literatura.
Ao longo da carreira, exerceu vários cargos administrativos ou acadêmicos:chefe-suplente do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH/USP; vice-diretora do CEP-Centro de Estudos Portugueses/USP; membro fundador e presidente do CELIJU-Centro de Estudos de Literatura Infantil e Juvenil; diretora do CELAB-Centro de Estudos Luso-Afro-Brasileiros de LIJ; diretora da APCA-Associação Paulista de Críticos de Arte (setor Literatura) e outros. Sua obra publicada abrange dezenas de livros sobre Literatura Contemporânea, Teoria Literária, Estratégias de Ensino e Educação. Destacam-se O ensino da literatura, 1966;Mário de Andrade para a nova geração, 1970; Escritores portugueses, 1973;Escritores portugueses do século XX/Lisboa, 2007; Literatura e linguagem, 1974; Guimarães Rosa, 1975; Literatura: arte, conhecimento e vida, 2000; A literatura infantil, 1980; Panorama histórico da literatura infantil/juvenil brasileira, 1982 e 2006; Dicionário crítico de escritoras brasileiras, 2002; O conto de fadas(Símbolos/Mitos/Arquétipos), 2003; Primeiro dicionário escolar, 2005, e outros. Dentre as antologias: Ética, solidariedade e complexidade (Edgar de Assis Carvalho, Maria da Conceição de Almeida, Nelly Novaes Coelho, Nelson Fiedler Ferrara, Edgar Morin. 1998); Edgar Morin religando fronteiras (Edgar Morin, André Baggio, Nelly Novaes Coelho, Humberto Mariotti, Mauro Maldonato. Org: Tania M. K Rosing e Nurimar Maria Falci. 2004). Sua produção abrange ainda várias centenas de artigos e ensaios sobre literatura contemporânea do Brasil e Portugal, publicados em jornais e revistas nacionais e do exterior.
Entre os prêmios e distinções recebidos, destacam-se: Prêmio Internacional
Bocage (Ministério da Educação e Cultura de Lisboa/1966); Prêmio Especial/Ensaio-APCA, 1983; Prêmio Jabuti-Ensaio/Câmara Brasileira do Livro, 1975; Medalha Clara Ramos/UBE-RJ, 1993; Troféu Jaburú-Personalidade do Ano 1998/Conselho Estadual de Cultura, Goiânia; Título de Comendadora/UMATI-Universidade do Minho/Portugal, 1997; Troféu Vasco Prado/10ª Jornada Nacional de Literatura. Passo Fundo/RS, 2003; Medalha Imperatriz Leopoldina/HIGSP, março de 2001, e Comenda D. Pedro I/HIGSP, setembro de 2011.
Aposentada pela USP, em 1992, prossegue em atividade, dedicada à pesquisa e análise da Literatura Contemporânea Brasileira e Portuguesa em produção
Algumas opiniões sobre a obra e a personalidade da Profª Nelly Novaes Coelho:
“Dedicada à pesquisa e aos estudos literários, Nelly Novaes Coelho transforma a palavra literária em caminhos de orientação para o encontro eu-outro e a compreensão do ser humano. Do universo poético e ficcional em que atua com uma profícua análise literária, ingressa no plano da formação de alunos, pesquisadores e educadores de todos os níveis. Efetivamente, coloca em prática a sua convicção de que a literatura é instrumento de conhecimento do mundo, do eu e do outro”. (Cleide da Costa e Silva Papes, doutora em Letras pela USP-Universidade de São Paulo)
“Publicada em 1966, O ensino da literatura: sugestões metodológicas para o ensino secundário e normal, de Nelly Novaes Coelho, é obra integrada a um conjunto referencial obrigatório para qualquer estudioso da área de Literatura Infantil e Juvenil Brasileira, bem como para aqueles que se dedicam a questões metodológicas sobre o ensino da Literatura”. (Thiago Alves Valente, doutor em Literatura e Vida Social pela UNESP-Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho)
“Nelly Novaes Coelho tem sido ainda a persistente pesquisadora, sempre atenta aos problemas da educação. Seguindo as trilhas do pensador francês Edgar Morim, ela tem consciência da necessidade de uma reforma do pensamento através da educação para responder às questões complexas do mundo contemporâneo”. (Nurimar Maria Falci, mestra em Literatura Portuguesa pela USP).
sábado, 11 de maio de 2013
Homenagem às Mães
Mãe
Mãe… São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o Céu tem três letras…
E nelas cabe o infinito.
Para louvar nossa mãe,
Todo o bem que se disse
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer…
Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do Céu
E apenas menor que Deus!
Mario Quintana
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Um livro do qual gostei muito
O monstrinho medonhento
Caros amigos,
"O monstrinho medonhento", obra do grande ator, autor, compositor Mário Lago é uma história interessante, um pouco alegre, um pouco triste, surpreendente.Creio que não será muito fácil encontrá-la nas grandes livrarias, pois foi publicado pela editora Moderna em 1984. Alcançou mais de 20 reedições. Recomendo que procurem num sebo, onde, sabendo-se escolher, pode-se encontrar bons livros. Meus filhos leram esse livro para trabalhos escolares e lembro-me que gostaram muito.
Quando os habitantes da Cidade dos Homens souberam que um monstro iria nascer, ficaram assustados e muitos deixaram a cidade. Medonhento nasceu no Palácio dos Horrores, herdeiro de seu Monstro Terrível e de dona Monstra Perigosa. Para esperar pelo momento do nascimento, vieram monstros, feiticeiros, bruxas e todo tipo de criaturas pavorosas. Todos, muito ansiosos para ouvir o primeiro urro de Medonhento. A imprensa e a televisão lá estavam, é claro, para noticiar tão impressionante evento.
No exato momento do nascimento, o mensageiro do palácio gritou:
- Parem com essa barulheira! Está nascendo!
Quando Medonhento acabou de nascer, a multidão rodeou seu berço que era uma panela feita de esqueletos e todos ficaram aguardando o tal urro medonho. O urro que iria rachar o mundo no meio. O monstrinho abriu a boca e...sorriu ao dizer:
- Com licença...
Disse isso, com voz de anjo, o que é muito pior, em se tratando de monstros.
Numa entrevista, o autor explicou que a história surgiu de uma pergunta feita por sua esposa, durante uma conversa a respeito dos dias atuais:
- Será que os filhos dos monstros não acham desagradável a profissão dos pais?
Convido os leitores a responder essa pergunta e descobrir outras respostas, lendo este livro muito, muito interessante.
Um beijo,
Regina Sormani
quinta-feira, 18 de abril de 2013
18 de abril - Dia Nacional do Livro Infantil
O Dia Nacional do Livro Infantil é comemorado dia 18 de abril em homenagem ao aniversário de Monteiro Lobato.
Arte executada a óleo sobre cartão por Gilberto Marchi para o Círculo do Livro.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
O QUE CABE EM UMA SALA DE LEITURA ?
( Ainda a propósito dos 30 anos do programa de Sala de Leitura)
O título deste texto sugere uma pergunta. Ou uma
exclamação. Ou ainda uma afirmação. Será? Pode ser. Ou talvez (não) termine com
reticências... Prefiro esta última alternativa.
Reticências, pensando com os neurônios gramaticais,
indicam “interrupção do discurso, da fala, do pensamento...”. A interrupção,
pensando com os neurônios da Psicologia, nunca é um ato final e, dessa forma,
abre uma janela para o infinito. Assim, o título que melhor cai bem é este: “O
que cabe em uma Sala de Leitura...”
Começo imaginando que em uma Sala de Leitura cabe tudo
o que está do lado de fora de suas paredes.
Como, por exemplo, as perguntas. Muitas delas. Todas
adjetivadas: perguntas incultas, populares, destrambelhadas, malucas, sinceras,
receosas, confusas, objetivas, irônicas, retas e tortas, curtas e secas,
guardadas, escondidas, envergonhadas, cansadas, espertas... E, claro, as
perguntas bestas (qual o problema com a pergunta besta?). Paulo Freire passou
anos nos ensinando sobre a importância das perguntas na educação (e, portanto,
na vida!!). Uma pergunta bem perguntada é metade do caminho para as respostas.
Ou então, uma pergunta bem perguntada, desperta múltiplas respostas, algo que é
sempre melhor do que o pensamento único. Quantas vezes, leitores atentos não se
pegaram perguntando se “Capitu realmente havia traído Bentinho”. Nesse e em
outros tantos casos, as perguntas são mais interessantes do que as possíveis
respostas. Respostam brecam e as perguntas aceleram.
Em uma Sala de Leitura cabem também as formas do
silêncio. Silêncios inquietantes, contemplativos, reflexivos, profundos,
superficiais, amenos, ligeiros, andarilhos, alegóricos, pleonásticos ou...
simplesmente os silêncios mais simples. Nos silêncios, aqueles que começam no
brilho dos olhos e caminham até os nós e apertos do coração, cabem os ditos, os
não ditos, os provérbios, os verbos e os editos. Cabe o desvio das entrelinhas;
cabe o jeito de dizer sim dizendo não; cabe o olhar que pergunta, sem nada
dizer; cabem a voz emudecida vazada de espanto e a voz aquecida pelo calor da
descoberta. E cabe o abraço do encontro, embora o poeta tenha nos alertado dos
tantos desencontros vida afora. Talvez porque deva ser no silêncio que se
constrói a perspectiva do reencontro.
Penso também que em uma Sala de Leitura cabem
fotografias. Fotografias de instantes alegres ou tristes, leves ou pesados, dos
modos de vida descritos pela narrativa ou narrados pela descrição da galeria
das personagens tantas e muitas e todas. Fotografias de fadas que lembram a
realidade; fotografia de monstros que sacodem nosso cotidiano; fotografias de
aventureiros que insistem em mostrar outros caminhos; fotografias de piratas
que sucateiam nossa imaginação nada ousada, de caçadores que fervem corações em
caldeirões desanimados e de bruxas que saqueiam nossas ilusões. Cabe, sem
dúvida, fotografia de anões blindados, menores do que suas microcâmeras
digitais, que nos ensinam que fotografar a realidade, sob qualquer ângulo, é
tão bom quanto fotografar o mais
escondido dos nossos guardados impenetráveis. Revelar fotografias é dar vida à
vida.
Em uma Sala de Leitura, cabem, também e certamente, os
muitos saberes. Desde os populares, estampados nos ditados da boca do povo, até
os mais elaborados. Os saberes poéticos, os saberes filosóficos, os saberes
literários, os saberes corriqueiros. Os saberes que entraram e ficaram em
nossas vidas e os saberes descartados, à espera de outras formas de
significação. Saberes que norteiam rumos e que desnorteiam sentidos; saberes
que oferecem portos de seguranças e saberem que tiram os pés do chão. Saberes
que desvelam a lucidez da emoção e nos põem a caminho da Pasárgada pessoal de
cada um.
Ah, antes que me esqueça, na pressa de acomodar as
amarrações finais desse texto: em uma Sala de Leitura também cabem leitores,
estantes, livros, jornais, revistas, vídeos, CDs, computadores, mesas,
cadeiras... E tudo o mais que o sonho, a vontade e o prazer de fazer a própria
história assim disponibilizarem.
Leitores são a versão mais moderna de encantadores do
mundo.
Sampa, abril de 2013
Sampa, abril de 2013
Edson Gabriel Garcia
Escritor e Educador
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