quarta-feira, 31 de julho de 2013
Convite -Encontro com a Fotografia-
Naava Bassi,, associada da AEILIJ SP está participando da Exposição Encontro com a Fotografia.
Parabéns aos expositores e organizadores do evento. Sucesso!
Um abraço da Regina Sormani
segunda-feira, 29 de julho de 2013
PÉ
DE MEIA LITERÁRIO
Sobre
a Perda de Sentidos
A expressão “perda de sentidos” significa na linguagem
popular um desmaio. Dizemos que alguém perdeu os sentidos quando essa pessoa
desmaiou. Faz sentido (perdoem o trocadilho). Perder os sentidos, no desmaio, nessa
perspectiva, significa um desligamento da consciência com o mundo. A pessoa
desmaiada desliga-se, desconecta-se da realidade. E quando volta à realidade,
volta da mesma forma, sem acréscimos ou rupturas ou deslocamentos.
De certa forma, a vida corrida, amalucada, superficial
e aligeirada que a maioria de nós vive, nos dias de hoje, pode significar um
“quase desmaio”, nesse sentido de se desligar e desconectar da realidade. Pode
até parecer um paradoxo falar de desconexão com a realidade em uma época plena
de imagens, de possibilidades, de comunicação, de sentidos disponíveis. Talvez
seja mesmo um paradoxo, um dos muitos que nos afligem. A vida é um show que
passa diariamente em diferentes tipos de tela, das pequenas, de mão, às
enormes, cheias de polegadas presas às paredes. E nesse show pós-moderno, os
sentidos possíveis e oferecidos, como num shopping center de imagens, são
tantos e tantos, que nos perdemos nessa oferta aparentemente gratuita, que
cobra um preço caro: “um desmaio significativo”. Nos veículos em que nos
locomovemos, nos nossos locais de trabalho, nos espaços de lazer, nos espaços
públicos, somos muitos, sempre, mas estamos invariavelmente isolados em um
individualismo superficial e grudados a uma tela. Em “desmaios de
significação”, se é que posso falar assim.
No show da vida em tela, as palavras são meros
coadjuvantes. São rápidas, curtas, poucas, maneiras, apressadas. A pressa e a
necessidade de responder quase imediatamente a todo estímulo que nos chega por
diversas vias, talvez apenas para marcar presença e fazer jus aos quinze
segundos de fama, superficializa os sentidos. Olhamos, mas não vemos;
escutamos, mas não ouvimos; falamos, mas não somos ouvidos; acessamos, mas não
entendemos; assistimos, mas os sentidos nos escapam. Escolhemos o tempo todo e
isso pode nos fazer pensar sermos sujeitos construtores de sua própria
história. Recebemos o tempo todo, sempre e muito: imagens, redes, correntes,
mensagens, convites, propostas, fotos, jogos, propagandas, endereços para
visitar, para acompanhar, para curtir. Ufa! Somos sujeitos recebedores e por
trás disso somos vazios de memória, candidatos perfeitos ao desmaio
significativo.
E daí?
Bem... é aí que entra a leitura da literatura.
A literatura também nos faz perder os sentidos, com seu
potencial de deslocamentos, de quebra de conceitos, de alteração de estruturas
prévias, de instalação de buracos, de abalos do conhecimento estabelecido. O
texto e a imagem literária provocam fendas nos nossos sentidos exatos e nos
deslocam para fora da zona de conforto, de apoio, de compreensão. Como se cada
um de nós saísse de seu corpo e de sua mente e se pusesse a caminhar em outros
universos, distintos do seu, encontrando outros (des)entendimentos, outras
(in)compreensões, outros (des)acertos e novas, muitas, (re)combinações. Um
texto/imagem literário/a pode mexer com sua cabeça, alterar o seu caminho, a
sua compreensão e abalar o seu rumo. Não pelo excesso nem pelo barulho intenso
das vozes; não pela rapidez e tampouco pela superficialidade. Pela profundidade
do deslocamento. E pela exigência de um envolvimento mais necessário, mais
vital. A literatura não se satisfaz com envolvimentos passageiros, momentâneos,
fugazes, ligeiros. Nem permite ao leitor uma satisfação fast-food, porque esta
vem e vai rapidamente. A fome do leitor da literatura é uma fome mais profunda,
traduzida em um gosto de comer as relações da vida.
A literatura, como a arte de modo geral, produz outros
sentidos e talvez aí resida sua relação diferente na perspectiva desse tema, da
perda dos sentidos. Se, de um lado, uma obra literária pode nos fazer perder os
sentidos, num significado amplo, de fazer desmaiar e de se perder o contato com
a realidade, por outro lado, é a literatura o modo mais intenso de provocar a
sobrevivência na busca de novos (e muitos) sentidos. A tristeza pode ser
revestida de outros entendimentos à luz de um verso de um poema; a saudade pode
ser recriada à luz de outro verso; a perda pode ser relativizada por uma
crônica; a sabedoria pode ser reorganizada à luz de um conto; o amor pode ser
potencializado à luz de biografia; a
busca e o encontro podem ser reorientados à luz de um romance.
Estes novos sentidos alimentam a fome da vida.
Portanto, nessas últimas e breves palavras,
quero concluir que, perder o sentido, na leitura da literatura, é o modo
mais essencial de encontrarmos novos
sentidos. Voltar de um desmaio causado pela perda de sentidos trazida pela obra
literária é voltar à realidade com novo e mais rico olhar, com nova e mais
intensa compreensão, com satisfação mais profunda. Sem nenhum sentido prático
ou pretextual, visto que essa trajetória é da natureza da obra literária.
Pelo menos até a próxima provocação literária e nova
perda de sentidos.
Edson Gabriel Garcia
Escritor e educador
Edson Gabriel Garcia
Escritor e educador
quinta-feira, 25 de julho de 2013
25 de julho - DIA NACIONAL DO ESCRITOR
Parabéns, caros colegas, pelo dia de hoje.
Um abraço,
Regina Sormani
AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Canto & Encanto da Poesia
Flor-de-são-joão
A flor-de-são-joão, brilho laranja,
floresce neste inverno em plenitude;
a cor inflama o campo e ainda esbanja
perfume, que suaviza o entorno rude.
Espalha-se o cipó como uma franja,
nas copas, colorindo as altitudes,
ou é pelas encostas que se arranja,
surgindo na paisagem, amiúde.
Atrai muitos insetos – as abelhas
adentram as corolas mais vermelhas,
zunindo a sinfonia, tantas asas...
As flores reunidas lembram brasas
– aquelas que rebrilham na fogueira –
e o vento faz corar a noite inteira.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Revista do Observatório do Livro e da Leitura - 28 de junho de 2013
Brasil participará da Feira do Livro de Frankfurt com autores e editoras
O Brasil participará da Feira do Livro de Frankfurt, a maior vitrine do mundo no setor, com cerca de 70 escritores e 100 editoras, informou nesta terça-feira o presidente da Fundação da Biblioteca Nacional, Renato Lessa.
A participação do Brasil, país convidado da próxima edição da feira literária Buchmesse, que acontecerá de 9 a 13 de outubro, está orçada em cerca de US$9 milhões e seu objetivo principal é alçar sua literatura no contexto internacional, disse Lessa.
O presidente da fundação é o principal responsável pela organização do pavilhão brasileiro na Buchmesse, cuja criação estará a cargo da cineasta e cenógrafa Daniela Thomas.
O Brasil é considerado um dos mais importantes mercados de leitores em potencial do mundo, afirmou Lessa, que também destacou que o governo brasileiro destinou um fundo de vários milhões de dólares à tradução de 270 títulos nos próximos anos.
A principal tarefa do pavilhão será apresentar autores das grandes cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo, mas também as novas vozes das zonas rurais e indígenas.
A literatura brasileira esteve presente na última edição da Feira do Livro de Leipzig (leste da Alemanha), considerada a "irmã caçula" da Buchmesse e orientada basicamente ao público leitor, sem tanto foco nos editores e profissionais do setor.
Algumas semanas antes de comparecer a Frankfurt, o Brasil será protagonista do Festival de Literatura de Berlim, que receberá boa parte dos autores brasileiros convidados da feira Buchmesse.
O objetivo das participações é oferecer um panorama da literatura brasileira em toda sua pluralidade e diversidade, de todas as regiões, com a presença expressiva de vozes femininas e também de escritores que emigraram ou de estrangeiros que adotaram o Brasil como seu país.
domingo, 16 de junho de 2013
Nossa homenagem à escritora Tatiana Belinky
É com imensa tristeza que informamos o falecimento, aos 94 anos, da escritora Tatiana Belinky.
Escritora de livros infanto-juvenis Tatiana Belinky, de 94 anos, morreu na tarde deste sábado (15) no Hospital Alvorada, em São Paulo.
Tatiana Belinky é autora de mais de 250 livros, que lhe renderam diversos prêmios educacionais, e tradutora de muitas obras, entre elas contos do escritor russo Anton Tchekhov.
Ela nasceu em São Petersburgo, na Rússia, em 1919, e aos 10 anos mudou-se com a família para o Brasil, instalando-se em São Paulo. Na época, ela já falava três línguas: russo, alemão e letão.
A notícia abaixo, refere-se à homenagem que a AEILIJ paulista prestou à autora em 2007.
Dia 28 de Novembro de 2007, a AEI-LIJ SP, em parceria com o deputado Carlos Giannazi, organizou um Ato Solene em homenagem à escritora Tatiana Belinky. Regina Sormani é a representante regional da AEI-LIJ em São Paulo.
Homenagem à Tatiana Belinky na Câmara Municipal de São Paulo
Tatiana Belinky é autora de mais de 250 livros, que lhe renderam diversos prêmios educacionais, e tradutora de muitas obras, entre elas contos do escritor russo Anton Tchekhov.
Ela nasceu em São Petersburgo, na Rússia, em 1919, e aos 10 anos mudou-se com a família para o Brasil, instalando-se em São Paulo. Na época, ela já falava três línguas: russo, alemão e letão.
A notícia abaixo, refere-se à homenagem que a AEILIJ paulista prestou à autora em 2007.
Dia 28 de Novembro de 2007, a AEI-LIJ SP, em parceria com o deputado Carlos Giannazi, organizou um Ato Solene em homenagem à escritora Tatiana Belinky. Regina Sormani é a representante regional da AEI-LIJ em São Paulo.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Festas juninas de antigamente
O cheiro de quentão e o footing na praça
Rico em datas comemorativas, o mês de junho é um dos mais apreciados pelas crianças que curtem as festas juninas e pelos namorados que festejam no dia 12 a sua data e no 13, dia dedicado a Santo Antônio, o protetor dos noivos, conhecido como santo casamenteiro. Lembro-me com muita alegria, das quermesses montadas, há vários anos atrás, na praça da Igreja de Santo Antônio, na pequenina Agudos, interior do estado de São Paulo. Ao chegar, éramos recepcionados pelo irresistível cheiro do quentão que vinha das tendas montadas ao redor da praça. Meu favorito sempre foi o quentão da Manuela, uma senhora simpática e muito querida pelos agudenses. O quentão, bebida forte, era preparado com gengibre, canela, cravo e adoçado na medida certa. A quermesse de Santo Antônio, caprichosamente enfeitada com bandeirinhas coloridas, atraía uma multidão que se espremia para jogar bingo, praticar a pescaria de brindes nas bacias, comer pipoca quentinha, amendoim torradinho, milho verde, doces caseiros e várias outras delícias. Muita gente ia à quermesse só para apreciar os moleques subindo no pau-de-sebo, um tronco de 4 metros de altura, envolvido com gordura animal. No topo, ficavam as cobiçadas prendas.
Era também, muito divertido receber os correios-elegantes, mensagens amorosas enviadas por admiradores secretos. Recebi muitos, graças a Santo Antônio.
Nas cidades do interior praticava-se o footing. Pra quem nunca ouviu falar, eu posso explicar: os rapazes em busca de namorada, nas noites dos finais de semana sentavam-se nos bancos da praça principal, formando grupos para apreciar as garotas que por ali circulavam. As meninas, por sua vez, ao localizar o alvo, o menino dos seus sonhos, sorriam e cochichavam a cada volta na praça. Na quermesse de Santo Antônio, não era diferente. Como o espaço era reduzido, os rapazes formavam duas colunas e no centro desfilavam as garotas, caminhando em círculos. Tudo isso ao som das melodias regionais que invadiam a praça, vindas do serviço de alto-falantes localizado nas dependências da igreja. Ouvia-se, a todo instante mensagens amorosas do tipo:
"José, apaixonado, oferece esta música à amada Joana com juras de amor eterno."
Assim, começava o flerte, um jogo, uma troca de olhares que muitas vezes se transformava em namoro e acabava em casamento, com as bençãos de Santo Antônio, é claro.
Assim, começava o flerte, um jogo, uma troca de olhares que muitas vezes se transformava em namoro e acabava em casamento, com as bençãos de Santo Antônio, é claro.
Impossível não recordar os festejos de São João, dia 24 e de São Pedro, dia 29, fechando o mês de junho. Nas fazendas, chácaras e até nos quintais das casas, realizava-se a tradicional quadrilha com o casamento caipira, e todo mundo se vestia a caráter. Em Agudos, na Colônia Italiana onde nasceu minha mãe, a festa de São João tornou-se uma referência. Dela participavam todos os tios e primos que lá moravam. A maior atração era o andar sobre as brasas. As brasas da fogueira eram espalhadas num terreno especialmente preparado e um dos meus primos, após fazer uma oração, caminhava tranquilamente sobre as brasas. Ninguém me contou, eu mesma presenciei. Coisas de antigamente, boas pra guardar na lembrança.
Desejo a todos um gostoso mês de junho.
Regina Sormani
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