segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Cartão de Natal e Renatal
Meu cartão de Natal
Beira o ridículo.
Como pode, a esta altura da vida,
Não estar na intimidade do "Face"
Nem no glamour do Instagram?
Como pode, nestes tempos hiper-pós -modernos,
Não ser acessado dia e noite,
sobreviver entre fronteiras,
ficar fora do GPS,
e não ter conta no ig, no gmail, tampouco
no tim?
Meu cartão de Natal
Parece piada.
Como pode, cá entre nós,
Não ter identidade, não disputar espaço na tevê aberta,
ignorar a tevê fechada.
Não ter plano de saúde,
Desviar-se dos tablets e dos smartphones
E não anunciar na Globo?
Meu cartão de Natal
é reles e mixuruca.
Onde se viu
Não ter banda larga, nem plataforma?
Meu cartão de Natal
É simplório demais
Nestes tempos de crucificações hightech.
Apenas disponibiliza
Para quem quiser fazer uso
Da mensagem virtual e virtuosa:
Sejamos mais humanos!
Sejamos mais felizes!
Edson Gabriel Garcia
Escritor e Educador
..............................................................
Renatal
Pinheiros acendem o céu
do sonho dessas crianças
que só conhecem juazeiro
e a esperança tropical
de um Natal sem desespero.
Neve forra a alma sulina
da menina
que sabe do credi-Noel
e embora nada acredite
dependura sua meia
ano por ano, fiel.
Um Natal sem fantasia
nem Europa nem Brasil
mais perto que Polo Norte
mais distante que Inhapim
desenrola em dezembro
um fio dentro de mim.
Novelo do dia-a-dia
puxo a meada e encontro
entremeada alegria.
Estendo a vida. Aliso
a dor. Sirvo
o amor.
Renatalizo.
Angela Leite de Souza
Escritora e ilustradora
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Notícias da Fliporto 2013
FLIPORTO 2013
Por Nilza Azzi
O livro, a leitura e o encontro com os autores foram apenas alguns dos atrativos disponíveis para o público presente. Fizeram parte da programação: E-PORTO PARTY, CINEFLIPORTO, ECOFLIPORTO, CONGRESSO LITERÁRIO, FLIPORTO CORDEL, FLIPORTO GASTRONOMIA, FLIPORTO CRIANÇA E FLIPORTO NOVA GERAÇÃO.
Fizeram-se representar na FLIPORTO 2013: UBE, ACADEMIA PERNAMBUCANA DE LETRAS, REDELLLOLINDA, CAMINHÃO EDUCAÇÃO COM ENERGIA, OFICINA: E-BOOK – O LIVRO ALÉM DA MÍDIA, STAND SESI E LUBIENSKA.
Para nós, da AEILIJ, o foco principal esteve na FLIPORTO CRIANÇA e na FLIPORTO NOVA GERAÇÃO. E as crianças, acompanhadas de familiares e de monitores, prestigiaram escritores e ilustradores presentes, fizeram a beleza e a alegria da festa. Demonstravam visível interesse e envolvimento, expressavam entusiasmo. O cenário da FLIPORTO é bucólico, natural, e promove a calma, a fruição. Porém havia muita gente e, ainda assim, nada perturbou o brilho e o encanto da festa. Foi um enorme prazer conhecer pessoalmente Antonio Nunes e Cláudia cordeiro da FLIPORTO. Da mesma forma foi em relação à Celina Portocarrero, Stella Maris Rezende, Sandra Ronca, Severino Rodrigues, Fábio Calamy e membros de sua equipe. Meu encontro com Anna Cláudia Ramos foi mediadora no Papo com o Autor de Ana Maria Machado e com Alessandra Roscoe foi muito rápido e não tenho fotos. Nem por isso esqueci-me da simpatia que transmitem e conhecê-las foi gratificante.
Resultado do trabalho de quase um ano, com os últimos meses de atividade intensa, a Fliporto conta com uma equipe de profissionais contratados e trabalho de voluntários. Esse povo sabe fazer a FESTA! Parabéns a todos, especialmente àqueles que abrilhantaram a grande festa dos pequenos.
Durante a FLIPORTO, autores e ilustradores visitaram a CLILO, casa idealizada por Antonio Nunes, cujo projeto é incentivar a leitura. Minha estada foi mais longa, assim, fiz minha visita alguns dias depois. Foi uma experiência única, repleta de magia devida ao escopo do trabalho realizado (a equipe conta com uma bibliotecária especialista em literatura infanto-juvenil, uma educadora com formação em educação especial (Braille) e outra em Libras), ao encanto do ambiente, bem como à postura e acolhida das crianças e da equipe – Betania Duarte, Hellene Notare, Emília do Amaral e Ricardo Cícero. Na hora do lanche comunitário honraram-me ao solicitar que fizesse o agradecimento e me surpreenderam com uma tapioca (porque confessei que gosto demais)!
O link remete para a GALERIA da FLIPORTO onde há mais flashes da FLIPORTO CRIANÇA, cujo curador é Antonio Nunes (Tonton).
http://fliporto.net/2013/na-galeria-fliporto-crianca/
Fotos do evento

2) Antonio Nunes com Maria Soares (contadora de histórias) e o livro dele, vencedor do Prêmio Elita Ferreira da APL.

3) Nilza Azzi no Papo com o Autor
4) Severino Rodrigues e mediadores na Fliporto Nova Geração
5) Simone Pedersen no Papo com o Autor
sábado, 16 de novembro de 2013
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Um livro do qual gostei muito
VAMPIROLA e VAMPIRECA, VAMPS LEVADAS DA BRECA
Que prazer ler "Vampirola e Vampireca" de Regina Sormani!
A história das gêmeas, "ovelhas brancas", é encantadora.
Divertidas, charmosas, simpáticas, as vampirinhas vão vivendo a vida de maneira bem diferente do resto dos vampiros, chocando toda a comunidade.
A mãe, muito preocupada, sente que as meninas precisam de ajuda profissional.
Levadas a um grande especialista, Vampirola e Vampireca...
surpreendem!
E mais não conto, para não tirar o sabor da leitura desta história cativante.
As ilustrações de Cris Eich tornam o livro ainda mais atraente. Publicado pela Editora Dedo de Prosa.
Abraços a todos,
Alina Perlman
Alina é escritora associada da regional paulista da AEILIJ.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Técnicas de Ilustração nº 10
Juliana Bumbeer é ilustradora associada da AEILIJ regional do Paraná. Agradeço a participação.
Grande abraço,
Regina Sormani
A primeira ilustração é de uma personagem que criei pra um livro que espera a oportunidade de ser editado.
Técnica: Pintura.
Material: Tinta aquarela e nanquim preto sobre papel
A segunda, para uma linha mais juvenil. É de uma personagem que vive entrando para compor as minhas poesias.
Técnica: desenho e colagem, com tratamento de imagem.
Procedimento: primeiro são desenhados em papel os elementos separadamente. Depois, colados para fazer parte da composição. Por fim, é feito um tratamento de imagem no computador.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Pé de Meia Literário
PÉ DE MEIA LITERÁRIO
A dupla formação do
educador: leitor e mediador
Há muitas relações
entre a escola e a leitura e a literatura. Qualquer análise breve dessa relação
será sempre uma análise parcial e incompleta, tantos são os aspectos aí
presentes. Um desses aspectos é a presença do educador como mediador de
leitura, atuação obrigatória por força
do currículo escolar. Sem aprofundar a discussão do que seja e como se
constitui o currículo escolar, cabe lembrar que a escola é o “lócus” por
excelência onde a aprendizagem da leitura, em toda sua amplitude, dar-se-á. Não
é por outra razão que a escola está sempre na berlinda, para o bem e para o
mal, quando falamos e tratamos da leitura e, mais especificamente, da leitura
da literatura. Ousaria afirmar que, na atual conjuntura do país, a escola, com
todos os erros e acertos, é, sem dúvida, a única instituição em que a leitura
se dá por força de sua vocação e da obrigatoriedade curricular. Se isso é bom
ou ruim, se está bem ou mal, a história é outra.
Por conta disso,
vale uma conversinha sobre a presença do educador nessa história. E a conversa começa com a afirmação de que a
sua estrada, no sentido de ensinar os alunos e alunas a leitura e o gosto pela
leitura, tem mão dupla: ao mesmo tempo em que vai se desenvolvendo como leitor,
aprende e repassa o que aprendeu na formação de outros leitores. De um lado
caminha o leitor e do outro lado caminha o mediador. Aprendendo a ler, o
educador vai se fazendo leitor; descobrindo os caminhos da mediação, vai se
fazendo um mediador. Um determinando o outro.
Como leitor, o
educador vai acumulando experiência de saborear textos, de encontrar saberes
guardados, de lidar com o desejo e com a escolha. Sobretudo, o educador vai se
fazendo leitor descobrindo o convite ao prazer da aprendizagem que todo texto
faz, desenvolvendo comportamentos de leitor: ver, vasculhar, procurar,
escolher, sentir, projetar planos de leitura, tecer a sua história de leitura,
ler, rascunhar ideias, comparar, anotar, gostar, fazer sentidos, guardar
saberes, acumular sentidos da paixão, etc.
Como mediador, o
educador vai encontrando caminhos, formas e jeitos de se colocar entre o leitor
aprendiz e o texto. Primeiro, bem perto, bem próximo, quase no meio, entre o
leitor e o texto, de forma a sentir a respiração do aprendiz em seus contatos
com o texto. Depois, ligeiramente mais distante, mas ainda quase ao lado,
ouvindo o compasso dos olhos do leitor aprendiz. Finalmente, distante, ausente,
mas ainda próximo, acompanha a precisão do tato na escolha feita pelo leitor,
agora mais do que um aprendiz, do próprio caminho no diálogo com o texto. E vai
desenvolvendo comportamentos de mediador: criar a presença ausente, desenvolver
o olhar de apoio, querer projetar planos
de ação, pensar a leitura no coletivo da escola, lidar com escolhas e
indicações, naquilo que elas têm de ações fluidas, participar de outros
projetos, ser um sujeito ativo da escolha do seu jeito de trabalho e do acervo
de trabalho.
Em ambas as vias da
estrada de mão dupla, escolher o livro e o acervo, seja da sua história como
leitor, seja da sua história como mediador, é determinante. Impossível pensar a
escola, o leitor e o mediador sem pensar sua atuação como personagem que pensa
o seu método de trabalho e o objeto do seu trabalho e prazer.
Na vida é assim: a
gente aprende e ensina. Aprende com quem já sabe um pouco e ensina quem sabe
outro pouco. Aprende com o colega educador do lado, com o recado no mural, com
a página marcada do texto lido antes por alguém, aprende com o jogo de olhares
dos aprendizes. E aprende consigo próprio. Além de aprender, o educador, leitor
e mediador, ensina quem sabe pouco e
quem sabe muito. Sabendo pouco ou muito, sempre há espaço para aprender com
alguém por perto. Quem ainda não percebeu essa condição da vida, precisa pensar
sobre isso. Quem acha que sabe tudo, sabe pouco. Quem acha que sabe pouco, está
pronto para aprender muito. E vai descobrindo, aprendendo, prestando atenção,
ensinando, tomando cuidado. De repente, pensa que está aprendendo, mas está mesmo
é ensinando. E quando pensa que está ensinando, ah! está mesmo é aprendendo.
Aprender e ensinar.
Ser leitor e mediador ao mesmo tempo solicita ao educador carinho pelo texto,
olhar de curiosidade, persistência e paciência na acomodação constante dos novos
sentidos. Solicita ouvidos atentos para a diversidade e pluralidade e demanda
amorosidade na dose certa para acompanhar perguntas, dúvidas e indecisões.
Para encerrar esse
dedo de prosa, fica um mote para você refletir, na esteira do pensamento pra lá
de conhecido de Guimarães Rosa, que escreveu e disse, por entre sertões e
veredas “mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”:
educador mesmo é aquele que se faz leitor e se dispõe à mediação.
EDSON GABRIEL GARCIA
(educador, escritor
e leitor nas muitas horas quase sempre vagas)
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