terça-feira, 30 de agosto de 2016
24ª Bienal do Livro de São Paulo - de 26 de agosto a 04 de setembro de 2016
Começou, em São Paulo, a 24ª Bienal do Livro, no pavilhão do Parque Anhembi.
Evento tradicional que reúne expositores, autores brasileiros e internacionais e inúmeros visitante.
Estivemos lá, dia 27 de agosto, a convite da Suzano Papel e Celulose para conhecer o papel pólen, utilizado em impressão de livros e confecção de dobraduras. Aproveitamos também para conhecer novas editoras e encontrar os colegas.
No estande da Editora Futurama, conversamos bastante com Carlos e Alcione a respeito de interessantes novos projetos
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
22 de agosto. DIA DO FOLCLORE.
A arte COMPOTA DE FIGOS com travessura dos Sacis sobre a mesa foi vendida para um colecionador. Óleo sobre tela do artista paulistano Gilberto Marchi.
Abraço a todos,
Regina Sormani
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
Sampa que amamos - Sampoemas
Sampoema 3
Este poema faz parte da antologia da Olimpíada de Língua Portuguesa - Escrevendo o Futuro 2016, certame patrocinado pelo MEC e levado adiante pelo CENPEC, com apoio da Fundação Cultural Itaú, selecionado como uma das referências de poemas para os professores trabalharem com seus alunos.
Um ônibus lotado
um taxista estressado
um celular clonado
um sinal fechado
uma rua alagada.
Aqui não há roubo de galinhas
porque galinhas não há;
aqui não há conversa de varanda
porque varandas não há;
aqui não há promessas de novenas
porque novenas não há.
Não há.
Então...tá.
“Eta vida besta, meu Deus!”
Edson Gabriel Garcia
domingo, 17 de julho de 2016
Canto&Encanto da Poesia
NO LIMIAR DA NATUREZA*
“Se é de metal, minha visão atina
e ao pedregulho mais comum eu canto.”
(Bento Ferraz — jornalista, compositor e poeta)
Percorro as poucas ruas do meu bairro,
as casas que contornam labirintos,
os muros, pelo musgo escuro, tintos,
as portas e janelas de madeira,
um gato que aparece e já se esgueira,
a velha que me espia da janela,
a jovem sorridente e muito bela,
e tudo que provoca algum espanto,
se é natural, minha visão atina
e o pedregulho mais comum eu canto,
porque, se a natureza me convida,
não posso desprezar o seu chamado.
No mundo, eu não me sinto deslocado,
meu bairro é sempre cheio de surpresas
e posso descobrir muitas belezas,
apenas, ao dobrar qualquer esquina:
Se é natural, minha visão atina
e o pedregulho mais comum eu canto
e, assim, a cada pedra eu amo tanto,
pois pedras também guardam sutilezas
e nada do que vejo é permanente...
As nuvens condensadas pelo céu,
os pássaros, em súbito escarcéu,
acabam por gravar-se na retina.
Se é natural, minha visão atina
e o pedregulho mais comum eu canto...
Meu canto almeja ser um acalanto,
qual música suave das esferas,
os sons que já vararam tantas eras,
ou mesmo o próprio Verbo sacrossanto!
Quem dera que o meu canto fosse ouvido,
tal fosse uma verdade cristalina!
Se é natural, minha visão atina
e o pedregulho mais comum eu canto,
assim evito apenas que o meu pranto,
vertido por tristezas inconfessas,
percorra as muitas ruas e travessas
do bairro onde nasci, faz algum tempo
e os sonhos que deixei no calçamento
e a paz sejam reais, e não promessas...
À paz, a inteligência se destina!
Se é natural, minha visão atina
e o pedregulho mais comum eu canto.
A pedra não tem vida e, entretanto,
não causa nenhum mal ao semelhante.
Inerte, seu valor é mais constante,
que aquele do mais mísero animal,
afeito a fazer bem, só faz o mal,
e atinge com furor seu semelhante,
e dizem que esse ser é racional.
Nilza Azzi
*Poema com mote migrante
quinta-feira, 14 de julho de 2016
Contos e causos agudenses
Saia justa
Meu pai, Hércules Sormani, seu Lano para os amigos, foi, certa vez convidado para um almoço numa fazenda que ficava no
distrito de Paulistânia, hoje município, próximo à cidade de Agudos.
E lá foi ele, em companhia de um amigo, dirigindo seu
pequeno caminhão pelas estradas de terra. Naquela época, o asfalto ainda não
havia chegado por aquelas bandas.
Pra quem não sabe, lá no interior, o sortudo que é convidado pelo
dono da fazenda para um almoço, pode se preparar pra comer bem...e muito. A
mesa é farta, a bebida é de qualidade, a companhia é agradável. A música, lá no
fundo é a dos violeiros da região.Todos esses fatores conspiram para que o
convidado se empanturre, porque senão corre o risco de aborrecer o anfitrião.
Bem, depois de comer e beber, beber e comer, enquanto o companheiro de viagem
ficou à mesa proseando, seu Lano resolveu “esticar as pernas” e anunciou que
iria dar um passeio pelas redondezas.
— Não vá muito longe— avisou o fazendeiro— daqui a pouco vamos
servir o lanche da tarde!
Seu Lano foi caminhando, admirando a natureza, ouvindo os
pássaros e aos poucos se distanciou da
casa da fazenda. O sol do início da tarde queimava no lombo e ele olhou ao redor procurando onde
se abrigar. Viu, a poucos metros uma bela jaqueira já com os frutos despontando e para lá se dirigiu. Sentia-se sonolento pela caminhada e pelo excesso de comida. Notou que ao redor
da árvore havia cinco pedras de formato arredondado, faiscando ao sol. Debaixo da jaqueira havia uma boa sombra e
ele se sentou no chão, encostando-se no tronco da árvore. Fechou os olhos e
tirou uma deliciosa soneca. Meia hora depois, despertou, incomodado por um
ruído semelhante ao som de um guizo.
— Nossa! Isso tá
parecendo é guizo de cobra cascavel.— falou consigo mesmo, preocupado. Olhou em volta e percebeu que
algumas das tais pedras redondas haviam mudado de lugar, estavam bem mais próximas dele. Firmando a vista, já livre do
sono, constatou, assustado que havia dormido em companhia de cinco cascavéis Quem sabe, elas também haviam exagerado no
almoço e estavam lá, descansando para
fazer a digestão.
Com as pernas trêmulas, seu Lano criou coragem e se
levantou, lentamente pra não acordar as cascavéis. Não é preciso dizer que ele
chegou, afobado e atordoado à casa do fazendeiro. Bem que tentou contar o
acontecido, mas, ninguém quis acreditar e ainda caçoaram dele à moda caipira:
— Conta ôtra, cumpadi! Essa foi demais da conta!
Abração!!!!
Regina Sormani
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Festas juninas
O cheiro de quentão e o footing na praça
Rico em datas comemorativas, o mês de
junho é um dos mais apreciados pelas crianças que curtem as festas juninas e
pelos namorados que festejam no dia 12 a sua data e no 13, dia dedicado a Santo
Antônio, o protetor dos noivos, conhecido como santo casamenteiro. Lembro-me
com muita alegria, das quermesses montadas, há vários anos atrás, na praça da
Igreja de Santo Antônio, na pequenina Agudos, interior do estado de São Paulo.
Ao chegar, éramos recepcionados pelo irresistível cheiro do quentão que vinha
das tendas montadas ao redor da praça. Meu favorito sempre foi o quentão da
Manuela, uma senhora simpática e muito querida pelos agudenses. O quentão,
bebida forte, era preparado com gengibre, canela, cravo e adoçado na medida
certa. A quermesse de Santo Antônio, caprichosamente enfeitada com bandeirinhas
coloridas, atraía uma multidão que se espremia para jogar bingo, praticar a
pescaria de brindes nas bacias, comer pipoca quentinha, amendoim torradinho,
milho verde, doces caseiros e várias outras delícias. Muita gente ia à
quermesse só para apreciar os moleques subindo no pau-de-sebo, um tronco de 4
metros de altura, envolvido com gordura animal. No topo, ficavam as cobiçadas
prendas.
Era também, muito divertido receber os correios-elegantes, mensagens
amorosas enviadas por admiradores secretos. Recebi muitos, graças a Santo
Antônio.
Nas cidades do interior praticava-se o footing. ( ir a pé, passear) Pra quem nunca ouviu falar, eu posso
explicar: os rapazes em busca de namorada, nas noites dos finais de semana
sentavam-se nos bancos da praça principal, formando grupos para apreciar as
garotas que por ali circulavam. As meninas, por sua vez, ao localizar o alvo, o
menino dos seus sonhos, sorriam e cochichavam a cada volta na praça. Na
quermesse de Santo Antônio, não era diferente. Como o espaço era reduzido, os
rapazes formavam duas colunas e no centro desfilavam as garotas, caminhando em
círculos. Tudo isso ao som das melodias regionais que invadiam a praça, vindas
do serviço de alto-falantes localizado nas dependências da igreja. Ouvia-se, a
todo instante:
– Fulano, apaixonado, oferece esta música
à sua amada, sicrana. Assim, começava o flerte,
um jogo, uma troca de
olhares que muitas vezes
se transformava em namoro e acabava em casamento, com as bençãos de Santo
Antônio, é claro.
Impossível não recordar os festejos de São
João, dia 24 e de São Pedro, dia 29, fechando o mês de junho. Nas fazendas,
chácaras e até nos quintais das casas, realizava-se a tradicional quadrilha com
o casamento caipira, e todo mundo se vestia a caráter. Em Agudos, na Colônia
Italiana onde nasceu minha mãe, a festa de São João tornou-se uma referência.
Dela participavam todos os tios e primos que lá moravam. A maior atração era o andar sobre as brasas. As
brasas da fogueira eram espalhadas num terreno especialmente preparado e um dos
meus primos, após fazer uma oração, caminhava tranquilamente sobre as brasas.
Ninguém me contou, eu mesma presenciei. Coisas de antigamente, boas pra guardar
na lembrança.
Desejo a todos um gostoso mês de junho.
Regina Sormani
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quarta-feira, 18 de maio de 2016
Sampa que amamos - Sampoemas -
Sampoemas - 2 -
LARGO SÃO FRANCISCO
No Largo São Francisco,
justiça e liberdade,
de toga e sandálias,
passeiam à vontade.
São franciscanamente breves e justas,
tão isentas dos crimes humanos,
não perdem tempo com essas gravidades.
Nem com poemas.
Nem com cinemas.
Apenas passeiam.
Edson Gabriel Garcia
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