sábado, 4 de agosto de 2012

QUEM CONTA UM CONTO


Olá!
Mais um mês se passou, Agosto chegou e com ele o Dia dos Pais.
Convidamos a ilustradora da regional paulista, LUNA VICENTE, para, com suas ilustrações primorosas, homenagear a todos os pais.
As imagens abaixo, feitas pela Luna, são do livro Como é Bonito o Pé do Igor, com texto da autora Sonia Rosa, publicado pela editora DCL.


Papai se apaixonou na primeira vez em que o viu:
_ Como é bonito o pé do Igor!

Lua, vento, chuva, sol, tempo
Acordar, brincar, dormir, crescer...




domingo, 29 de julho de 2012

Técnicas de Ilustração -02- ilustração utilizando o bordado



Texto explicativo

A partir de 1994 comecei a desenvolver uma técnica de ilustração utilizando o bordado e, dentro deste, a "aplicação", que dá um caráter tridimensional a essa linguagem visual. Crio primeiro o desenho. Depois, escolho os tecidos e linhas que irei empregar. Transfiro o desenho para o pano, com um carbono próprio. E vou executando a arte final, ora valendo-me de colagem, ora bordando, ora usando os materiais e "ferramentas" (agulha e linha) de costura para criar efeitos especiais e texturas. Pronto o trabalho, será a vez de um bom fotógrafo para que, na reprodução final em livro, se obtenham resultados os mais fiéis possível, em termos de sombra e luz. A ilustração acima foi criada para um cartão de Natal, em 1999, na virada do milênio.


Angela Leite de Souza



sábado, 28 de julho de 2012

PÁGINA DO ROSPO — 11





A GRANDE QUADRILHA




Lá ia o Rospo, braços agitados, correndo pela praça, quando foi avistado pela velha amiga:
—O que aconteceu, meu caro amigo? Está apreensivo... Posso ajudar?...
—Só de ouvir sua voz, Sapabela, já me sinto amparado.
—Mas o que o aflige, meu sapo?

—A quadrilha, a grande quadrilha...
—Que quadrilha?
—Roubou o tempo, o tempo precioso...
—Sem pleonasmo, meu querido. Assim como o amor é sempre grande, o tempo é sempre precioso...
—A quadrilha o roubou...
—Que quadrilha roubou o seu tempo, meu amigo?
—O meu não, o tempo da multidão...
—Vamos com calma. A multidão anda tão ordeira, que parece em nada ter sido “surrupiada”...
—Pois foi mesmo roubada, Sapabela! Essa quadrilha é implacável...
—Que quadrilha é essa, Rospo?
—Seus membros, os piratas da vida...
—Que piratas da vida?
—A vida anda sendo pirateada... Às vezes um glamour nada mais é do que a ausência de clamor.
—Rospo, assim me pego de poesia...
—Essa quadrilha está dispersa, em todos os cantos e nos recantos, que são os supostos aconchegos requentados...
—Muito bem, como o sapo simplesmente nasceu para o requinte deveria recusar o requentado, que é a vida sem autenticidade...Mas, fale mais um pouquinho dessa quadrilha...
—Falarei de seus comparsas...
—Estou esperando.
—Só um pouquinho de alento, Sapabela.
—Claro, veio correndo agitado, todo apavorado...
—Seus membros são: o excesso de televisão.
—Que mais?
—As conversas infrutíferas, as flores banais do cotidiano, os desentendimentos trazendo atritos improdutíveis, inférteis...
—Tem atrito fértil?
—A vida é atrito, o universo, o amor...
—Sei, mas...o que seria um atrito infértil?...
—Indelicadezas, pirraças, invejas, ciumes...
—Engraçado, Rospo... Quando tomo conhecimento de que alguma colega está com inveja ou ciume de alguma conquista, alguma vitória minha, sempre fruto da minha luta, fruto, e não furto, pois às vezes somos furtados em nossos melhores sentimentos. Pois bem, quando sei que despertei ciumes ou inveja, comemoro...
—Comemora?
—Sim, faço um bolo de cenoura, e vivo esse momento tão gostoso na casa onde moro... Festejo, em mim, o fato de provocar ciúmes, inveja...
—Muito bem, mas não se esqueça: Quando for comemorar a inveja de alguma amiga, convide-se.
—Convide-se?
—Sim, isso quer dizer, convide-me. Assim, reforça duplamente a sua alegria, pois estarei ao seu lado...
—Amigo, isso é papo de “paixão por bolo de cenoura”...
— Pois bem sabe, adoro bolo de cenoura...
—Então, Rospo, entendi essa sua quadrilha...
—É isso mesmo! A quadrilha composta dos mais terríveis malfeitores, que são as piadas preconceituosas, as conversas infrutíferas, as agressões, as indelicadezas, os temores, a falta de iniciativa, o marasmo, a rotina... Tudo a nos roubar o tempo, pois, se não sabe, o tempo que se perde jamais se recupera...
—Rospo, qual o primeiro passo para se livrar dessa grande quadrilha?
—Uma vassoura para retirar os entulhos da mente, varrer a mente, deixar a “alma” bem limpa, transparente, se for necessário, um esfregão...
—Sei, ler um bom livro, ouvir uma boa música...
—O passo seguinte é disciplinar o seu querer.... Pois o querer está a nos piscar, basta ter a “boa vontade”. De posse desse querer, da consciência de que se quer o que é bom, basta então, agir em retidão, e viver intensamente, poder dormir num travesseiro de macela. Um travesseiro, eis a grande travessura dos que vivem o dia em sua pureza.
—Rospo, faz tempo não o convido, vamos tomar um licor de anis?... E... um sorvete de …
—Yupiiii!
—Não tem outra forma de dizer que aceita? Esse Yupiiii! é muito escandaloso. Todos estão nos olhando...
—Sapabela, como é bom conversar com você.
—Antídoto para enfrentar quadrilha que rouba o tempo, não é?



MV

sexta-feira, 27 de julho de 2012

QUINTAS — 68



RELENDO COM A ALMA ARREBITADA


Naturalmente que leio vários livros ao mesmo tempo. Um para o Metrô, um para o amanhecer, e assim por diante. Faço de meu prazer uma novela, é a estética da leitura que o cotidiano me impôs. E agradeço por isso, pela chance de transformar minha vida numa doce disciplina.
Comecei a ler, novamente, após tantos anos, o “Narizinho Arrebitado”, do Lobato. Como ler um livro de Lobato é o mesmo que ler um de Jorge Amado, ou seja, um acontecimento extraordinário em nossas vidas, de fácil e vibrante felicidade... cá estou. No meu caso, felicidade indisfarçável. Ponho-me num sorriso largo, na largura das letras.
Impressionante como Monteiro conseguiu pôr no papel a peraltice das crianças, a algazarra de doçuras.
Esse livro, Reinações de Narizinho, eu tomei emprestado da “Gibilândia”, a Gibiteca que as crianças formaram e que por falta de amplas doações de gibis, está virando uma Livroteca.
A peraltice encantadora das crianças, quando Lúcia se refere às pedras negras do limo, como “Tias Nastácias do Rio”. Lobato teve esse toque de genialidade, algo que foi alcançado por Andersen, quando transformou caixas de fósforos, pequenos objetos e brinquedinhos, em Literatura de imortal encantamento.
Como aprendi a dividir a felicidade quero escrever um pouquinho sobre esse “Narizinho Arrebitado”. Só um pouquinho. Estou celebrando um acordo de cavalheiros com o tempo.
De fato, no Natal de 1920 as crianças receberam um presente extraordinário quando esse livro surgiu. E Lobato trouxe para a mente fecunda e ensolarada da criança, os doces da Tia Anastácia, trouxe também o Gato Félix para o sítio da Dona Benta, que se tornou o sítio de todas as crianças. Dona Benta, a “Vovó mais feliz do mundo”.
Dependendo de certa ótica, certo prisma, hoje, ao observar todos os dependentes tecnológicos atuais, as nossas crianças sem avarandados, penso e ouso afirmar o óbvio: nenhuma criança deveria, jamais, passar a infância sem ler um livro de Monteiro Lobato.
Lobato, que tão magistralmente soube interpretar a oralidade, que em sua época era a tradução da alma, do espírito da época, como sempre será.
O que mais me surpreendeu é que na minha idade eu possa me emocionar e sentir tanta alegria diante de seu texto. Ou estou virando menino novamente ou desde aquele dia, naquela tarde fria quando em minhas mãos segurei o primeiro livro desse autor, estava condenado a crescer de forma lobatiana.

Marciano Vasques

quarta-feira, 25 de julho de 2012

25 de julho - Dia Nacional do Escritor



Pessoal querido!

O DIA NACIONAL DO ESCRITOR, comemorado no dia 25 de julho, surgiu na década de 60, através de uma iniciativa de Jorge Amado e João Peregrino Jr, durante a realização do I Festival do Escritor Brasileiro, organizado pela UBE do Rio de Janeiro.

Um abraço e parabéns a todos!!
Regina Sormani

terça-feira, 24 de julho de 2012

Técnicas de ilustração - 01 -Ecoline -




Olá pessoal!

Convite aos ilustradores

A página Técnicas de Ilustração  está aberta! Enviem seus trabalhos.



Desta vez, a técnica utilizada foi Ecoline e caneta Micron. Para quem não conhece, ou ainda não utilizou, a Ecoline pode ser considerada uma anilina de boa qualidade, semelhante à aquarela diluída. È muito boa para ilustrar, mas, o inconveniente deste material é que: se o trabalho ficar muito tempo exposto à luz solar, poderá desbotar, gradativamente. A ilustração faz parte do miolo do meu livro: AS AVENTURAS DO PINTINHO AZUL, publicado pela Paulus. O ilustrador foi o Gilberto Marchi.

Um abraço,

Regina Sormani




sábado, 21 de julho de 2012

PÁGINA DO ROSPO — 10





NÃO SE TRATA DE NOSTALGIA



—Rospo, você é saudosista? É nostálgico? Vive em nostalgia?
—De modo algum...
—Mas vive valorizando as coisas boas do passado. Para você o passado é um lugar onde tudo era melhor, era encantador, e maravilhoso.
—Absolutamente não, Sapabela. Estou adorando essa sua provocação. Ocorre que recentemente alguém me disse algo assim, que não se trata de nostalgia: é que os referenciais ainda são muito bons.
—Sei, quando você fala de Taiguara, do “Espírito -que-anda”, do Fellini, da Gigliola...
—Gigliola ainda vive.
—Isso não importa aqui, pois a referência é a sua voz e as suas canções...
—Sei.
—Então, os referenciais ainda são bons?
—Os melhores, ainda. Então, não se trata de passado, de nostalgia, mesmo porque nesse caso o tempo é apenas uma ilusão, uma questão de ótica, compreende? Uma quimera.
—Quimera?
—Sim, Cronos não atua nessas recordações... Pois elas estão fora do tempo. Uma canção que nos conquistou pela sua beleza e pela sua mensagem, que nos foi capaz de invadir o nosso coração, não é de ontem, não pertence ao passado. Tem sapo que diz, de forma boba, que tal coisa é do passado. Isso é do Passado, e debocha, e alguns até leem livro de 2000 anos... O passado não existe para a Arte...
—Certamente. Mas disse algo curioso: que nem tudo no passado era ou foi encantador e maravilhoso...
—Bem sabe, amiga. Em termos mundiais, guerras, e em nosso brejo, muito sofrimento, a exploração dos operários, os preconceitos contra a sapa, as injustiças, tanta coisa...Mas tivemos a Arte, como sempre a teremos...
—E na sua infância, Rospo? Tudo uma maravilha...
—Sabe que não, Sapabela, mas tive os meus reforços, os meus apoios, os meus mecanismos de defesa interior...
—Sempre fala nisso. Mas já sei, o Flash Gordon o salvou...
—Não só ele... Mas, também o próprio contato com a natureza, as folhagens, o velho orvalho deslizando na lisa folha...
—Tem algo triste que o marcou profundamente? Que tenha causado uma profunda impressão em seu ser?
—Quando eu era um sapinho de seis anos, ou cinco... Vi uma cena que me influenciou para o resto de minha vida...
—Expressão esquisita essa, meu amigo! O “O resto de minha vida”...
—É, estranho... Pois é, algo me causou a mais viva impressão...
—Se não quiser falar...
—Vi um cavalo deitado no chão, sendo chicoteado até...
—Não precisa falar mais, Rospo. Pare! Não quero chorar. Mas é incrível essa coisa que você diz de que tinha os seus recursos...
—Maravilhosos, Sapabela. Uma contadora de histórias... Sim, tive uma em casa, os quintais, tudo contribuindo para a prolongação de meu trapiche interior... Para a proteção de minha infância...
—Rospo, podemos dizer que o que era bom ainda é bom, mesmo que a geração atual desconheça?...
—Em nossos dias tão refinados de informação, o desconhecimento é um assombro...
—Deveríamos voltar à época do espanto?
—Sim, espanto no sentido de encanto... Hoje, coisas extraordinária acontecem, mas o encanto não se mobiliza, não se torna forte, real, autêntico. Ele se dissolve no ar... Morre na praia do coração.
—Rospo, então vamos viver o presente intensamente, mas com as coisas que sempre nos comoveram...
—Esse é o caminho, e também compartilhando o que hoje se faz importante no coração...
—Considera que a Rede Social é mesmo a sinalização de um novo tempo?
—Claro, eu posso estar na Rede Social com os espíritos mais encantadores do mundo hoje...A Rede Social, eu já disse, depende de cada um.
—Disse bem. Rospo, a conversa está boa mas não está regada.
—Regada?
—É, um licorzinho, você sabe...
—Demorou!
—Não fez o Yupiiii!
—Não fiz?
—É... Consegue fazer baixinho?
—Yupiiii!
—Isso é baixinho, Rospo?